domingo, 30 de junho de 2013

Marilena Chauí e as manifestações de junho

sábado, 29 de junho de 2013


Marilena Chauí e as manifestações de junho


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O que segue não são reflexões sobre todas as manifestações ocorridas no país, mas focalizam principalmente as ocorridas na cidade de São Paulo, embora algumas palavras de ordem e algumas atitudes tenham sido comuns às manifestações de outras cidades (a forma da convocação, a questão da tarifa do transporte coletivo como ponto de partida, a desconfiança com relação à institucionalidade política como ponto de chegada), bem como o tratamento dado a elas pelos meios de comunicação (condenação inicial e celebração final, com criminalização dos “vândalos”), permitam algumas considerações mais gerais a título de conclusão.
O estopim das manifestações paulistanas foi o aumento da tarifa do transporte público e a ação contestatória da esquerda com o Movimento Passe Livre (MPL), cuja existência data de 2005 e é composto por militantes de partidos de esquerda. Em sua reivindicação específica, o movimento foi vitorioso sob dois aspectos. Conseguiu a redução da tarifa e definiu a questão do transporte público no plano dos direitos dos cidadãos, e portanto afirmou o núcleo da prática democrática, qual seja, a criação e defesa de direitos por intermédio da explicitação (e não do ocultamento) dos conflitos sociais e políticos.
O inferno urbano
Não foram poucos os que, pelos meios de comunicação, exprimiram sua perplexidade diante das manifestações de junho de 2013: de onde vieram e por que vieram se os grandes problemas que sempre atormentaram o país (desemprego, inflação, violência urbana e no campo) estão com soluções bem encaminhadas e reina a estabilidade política? As perguntas são justas, mas a perplexidade, não, desde que voltemos nosso olhar para um ponto que foi sempre o foco dos movimentos populares: a situação da vida urbana nas grandes metrópoles brasileiras.
Quais os traços mais marcantes da cidade de São Paulo nos últimos anos e, sob certos aspectos, extensíveis às demais cidades? Resumidamente, podemos dizer que são os seguintes:
- explosão do uso do automóvel individual. A mobilidade urbana se tornou quase impossível, ao mesmo tempo em que a cidade se estrutura com um sistema viário destinado aos carros individuais em detrimento do transporte coletivo, mas nem mesmo esse sistema é capaz de resolver o problema;
- explosão imobiliária com os grandes condomínios (verticais e horizontais) e shopping centers, que produzem uma densidade demográfica praticamente incontrolável, além de não contar com redes de água, eletricidade e esgoto, os problemas sendo evidentes, por exemplo, na ocasião de chuvas;
- aumento da exclusão social e da desigualdade com a expulsão dos moradores das regiões favorecidas pelas grandes especulações imobiliárias e a consequente expansão das periferias carentes e de sua crescente distância com relação aos locais de trabalho, educação e serviços de saúde. (No caso de São Paulo, como aponta Erminia Maricato, deu-se a ocupação das regiões de mananciais, pondo em risco a saúde de toda a população; em resumo: degradação da vida cotidiana das camadas mais pobres da cidade);
- o transporte coletivo indecente, indigno e mortífero. No caso de São Paulo, sabe-se que o programa do metrô previa a entrega de 450 quilômetros de vias até 1990; de fato, até 2013, o governo estadual apresenta 90 quilômetros. Além disso, a frota de trens metroviários não foi ampliada, está envelhecida e mal conservada; à insuficiência quantitativa para atender à demanda, somam-se atrasos constantes por quebra de trens e dos instrumentos de controle das operações. O mesmo pode ser dito dos trens da CPTM, também de responsabilidade do governo estadual. No caso do transporte por ônibus, sob responsabilidade municipal, um cartel domina completamente o setor sem prestar contas a ninguém: os ônibus são feitos com carrocerias destinadas a caminhões, portanto feitos para transportar coisas, e não pessoas; as frotas estão envelhecidas e quantitativamente defasadas com relação às necessidades da população, sobretudo as das periferias da cidade; as linhas são extremamente longas porque isso as torna mais lucrativas, de maneira que os passageiros são obrigados a trajetos absurdos, gastando horas para ir ao trabalho, às escolas, aos serviços de saúde e voltar para casa; não há linhas conectando pontos do centro da cidade nem linhas interbairros, de modo que o uso do automóvel individual se torna quase inevitável para trajetos menores.
Em resumo: definidas e orientadas pelos imperativos dos interesses privados, as montadoras de veículos, empreiteiras da construção civil e empresas de transporte coletivo dominam a cidade sem assumir nenhuma responsabilidade pública, impondo o que chamo de inferno urbano.
A tradição paulistana de lutas
Recordando: a cidade de São Paulo (como várias das grandes cidades brasileiras) tem uma tradição histórica de revoltas populares contra as péssimas condições do transporte coletivo, isto é, a tradição do quebra-quebra quando, desesperados e enfurecidos, os cidadãos quebram e incendeiam ônibus e trens (à maneira do que faziam os operários no início da Segunda Revolução Industrial, quando usavam os tamancos de madeira – em francês, os sabots, donde a palavra francesa sabotage, sabotagem – para quebrar as máquinas). Entretanto, não foi esse o caminho tomado pelas manifestações atuais e valeria a pena indagar por quê. Talvez porque, vindo da esquerda, o MPL politiza explicitamente a contestação, em vez de politizá-la simbolicamente, como faz o quebra-quebra.
Recordando: nas décadas de 1970 a 1990, as organizações de classe (sindicatos, associações, entidades) e os movimentos sociais e populares tiveram um papel político decisivo na implantação da democracia no Brasil pelos seguintes motivos: introdução da ideia de direitos sociais, econômicos e culturais para além dos direitos civis liberais; afirmação da capacidade auto-organizativa da sociedade; introdução da prática da democracia participativa como condição da democracia representativa a ser efetivada pelos partidos políticos. Numa palavra: sindicatos, associações, entidades, movimentos sociais e movimentos populares eram políticos, valorizavam a política, propunham mudanças políticas e rumaram para a criação de partidos políticos como mediadores institucionais de suas demandas.
Isso quase desapareceu da cena histórica como efeito do neoliberalismo, que produziu:
- fragmentação, terceirização e precarização do trabalho (tanto industrial como de serviços), dispersando a classe trabalhadora, que se vê diante do risco da perda de seus referenciais de identidade e de luta;
- refluxo dos movimentos sociais e populares e sua substituição pelas ONGs, cuja lógica é distinta daquela que rege os movimentos sociais;
- surgimento de uma nova classe trabalhadora heterogênea, fragmentada, ainda desorganizada que, por isso, ainda não tem suas próprias formas de luta e não se apresenta no espaço público e, por isso mesmo, é atraída e devorada por ideologias individualistas como a “teologia da prosperidade” (do pentecostalismo) e a ideologia do “empreendedorismo” (da classe média), que estimulam a competição, o isolamento e o conflito interpessoal, quebrando formas anteriores de sociabilidade solidária e de luta coletiva.
Erguendo-se contra os efeitos do inferno urbano, as manifestações guardaram da tradição dos movimentos sociais e populares a organização horizontal, sem distinção hierárquica entre dirigentes e dirigidos. Mas, diversamente dos movimentos sociais e populares, tiveram uma forma de convocação que as transformou num movimento de massa, com milhares de manifestantes nas ruas.
O pensamento mágico
A convocação foi feita por meio das redes sociais. Apesar da celebração desse tipo de convocação, que derruba o monopólio dos meios de comunicação de massa, é preciso mencionar alguns problemas postos pelo uso dessas redes, que possui algumas características que o aproximam dos procedimentos da mídia:
- é indiferenciado: poderia ser para um show da Madonna, para uma maratona esportiva etc., e calhou ser por causa da tarifa do transporte público;
- tem a forma de um evento, ou seja, é pontual, sem passado, sem futuro e sem saldo organizativo porque, embora tenha partido de um movimento social (o MPL), à medida que cresceu passou à recusa gradativa da estrutura de um movimento social para se tornar um espetáculo de massa. (Dois exemplos confirmam isso: a ocupação de Wall Street pelos jovens de Nova York, que, antes de se dissolver, tornou-se um ponto de atração turística para os que visitavam a cidade; e o caso do Egito, mais triste, pois, com o fato de as manifestações permanecerem como eventos e não se tornarem uma forma de auto-organização política da sociedade, deram ocasião para que os poderes existentes passassem de uma ditadura para outra);
- assume gradativamente uma dimensão mágica, cuja origem se encontra na natureza do próprio instrumento tecnológico empregado, pois este opera magicamente, uma vez que os usuários são, exatamente, usuários, e portanto não possuem o controle técnico e econômico do instrumento que usam – ou seja, desse ponto de vista, encontram-se na mesma situação que os receptores dos meios de comunicação de massa. A dimensão é mágica porque, assim como basta apertar um botão para tudo aparecer, assim também se acredita que basta querer para fazer acontecer. Ora, além da ausência de controle real sobre o instrumento, a magia repõe um dos recursos mais profundos da sociedade de consumo difundida pelos meios de comunicação, qual seja, a ideia de satisfação imediata do desejo, sem qualquer mediação;
- a recusa das mediações institucionais indica que estamos diante de uma ação própria da sociedade de massa, portanto indiferente à determinação de classe social; ou seja, no caso presente, ao se apresentar como uma ação da juventude, o movimento assume a aparência de que o universo dos manifestantes é homogêneo ou de massa, ainda que, efetivamente, seja heterogêneo do ponto de vista econômico, social e político, bastando lembrar que as manifestações das periferias não foram apenas de “juventude” nem de classe média, mas de jovens, adultos, crianças e idosos da classe trabalhadora.
No ponto de chegada, as manifestações introduziram o tema da corrupção política e a recusa dos partidos políticos. Sabemos que o MPL é constituído por militantes de vários partidos de esquerda e, para assegurar a unidade do movimento, evitou a referência aos partidos de origem. Por isso foi às ruas sem definir-se como expressão de partidos políticos, e em São Paulo, quando, na comemoração da vitória, os militantes partidários compareceram às ruas foram execrados, espancados e expulsos como oportunistas – sofreram repressão violenta por parte da massa.
A crítica às instituições políticas não é infundada, possui base concreta:
- no plano conjuntural: o inferno urbano é, efetivamente, responsabilidade dos partidos políticos governantes;
- no plano estrutural: no Brasil, sociedade autoritária e excludente, os partidos políticos tendem a ser clubes privados de oligarquias locais, que usam o público para seus interesses privados; a qualidade dos Legislativos nos três níveis é a mais baixa possível e a corrupção é estrutural; como consequência, a relação de representação não se concretiza porque vigoram relações de favor, clientela, tutela e cooptação;
- a crítica ao PT: de ter abandonado a relação com aquilo que determinou seu nascimento e crescimento, isto é, o campo das lutas sociais auto-organizadas, e ter-se transformado numa máquina burocrática e eleitoral (como têm dito e escrito muitos militantes ao longo dos últimos vinte anos).
Isso, porém, embora explique a recusa, não significa que esta tenha sido motivada pela clara compreensão do problema por parte dos manifestantes. De fato, a maioria deles não exprime em suas falas uma análise das causas desse modo de funcionamento dos partidos políticos, qual seja, a estrutura autoritária da sociedade brasileira, de um lado, e, de outro, o sistema político-partidário montado pelos casuísmos da ditadura. Em lugar de lutar por uma reforma política, boa parte dos manifestantes recusa a legitimidade do partido político como instituição republicana e democrática. Assim, sob esse aspecto, apesar do uso das redes sociais e da crítica aos meios de comunicação, a maioria dos manifestantes aderiu à mensagem ideológica difundida anos a fio pelos meios de comunicação de que os partidos são corruptos por essência. Como se sabe, essa posição dos meios de comunicação tem a finalidade de lhes conferir o monopólio das funções do espaço público, como se não fossem empresas capitalistas movidas por interesses privados. Dessa maneira, a recusa dos meios de comunicação e as críticas a eles endereçadas pelos manifestantes não impediram que grande parte deles aderisse à perspectiva da classe média conservadora difundida pela mídia a respeito da ética.
De fato, a maioria dos manifestantes, reproduzindo a linguagem midiática, falou de ética na política (ou seja, a transposição dos valores do espaço privado para o espaço público), quando, na verdade, se trataria de afirmar a ética da política (isto é, valores propriamente públicos), ética que não depende das virtudes morais das pessoas privadas dos políticos, e sim da qualidade das instituições públicas enquanto instituições republicanas. A ética da política, no nosso caso, depende de uma profunda reforma política que crie instituições democráticas republicanas e destrua de uma vez por todas a estrutura deixada pela ditadura, que força os partidos políticos a fazer coalizões absurdas se quiserem governar, coalizões que comprometem o sentido e a finalidade de seus programas e abrem as comportas para a corrupção. Em lugar da ideologia conservadora e midiática de que, por definição e por essência, a política é corrupta, trata-se de promover uma prática inovadora capaz de criar instituições públicas que impeçam a corrupção, garantam a participação, a representação e o controle dos interesses públicos e dos direitos pelos cidadãos. Numa palavra, uma invenção democrática.
Ora, ao entrar em cena o pensamento mágico, os manifestantes deixam de lado o fato de que, até que uma nova forma da política seja criada num futuro distante, quando, talvez, a política se realizará sem partidos, por enquanto, numa república democrática (ao contrário de numa ditadura), ninguém governa sem um partido, pois é este que cria e prepara quadros para as funções governamentais para a concretização dos objetivos e das metas dos governantes eleitos. Bastaria que os manifestantes se informassem sobre o governo Collor para entender isso: Collor partiu das mesmas afirmações feitas por uma parte dos manifestantes (partido político é coisa de “marajá” e é corrupto) e se apresentou como um homem sem partido. Resultado: não teve quadros para montar o governo nem diretrizes e metas coerentes e deu feição autocrática ao governo, isto é, “o governo sou eu”. Deu no que deu.
Além disso, parte dos manifestantes está adotando a posição ideológica típica da classe média, que aspira por governos sem mediações institucionais, e, portanto, ditatoriais. Eis porque surge a afirmação de muitos manifestantes, enrolados na bandeira nacional, de que “meu partido é meu país”, ignorando, talvez, que essa foi uma das afirmações fundamentais do nazismo contra os partidos políticos.
Assim, em lugar de inventar uma nova política, de ir rumo a uma invenção democrática, o pensamento mágico de grande parte dos manifestantes se ergueu contra a política, reduzida à figura da corrupção. Historicamente, sabemos onde isso foi dar. E por isso não nos devem surpreender, ainda que devam nos alarmar, as imagens de jovens militantes de partidos e movimentos sociais de esquerda espancados e ensanguentados durante a manifestação de comemoração da vitória do MPL. Já vimos essas imagens na Itália dos anos 1920, na Alemanha dos anos 1930 e no Brasil dos anos 1960-1970.
Conclusão provisória
Do ponto de vista simbólico, as manifestações possuem um sentido importante que contrabalança os problemas aqui mencionados.
Não se trata, como se ouviu dizer nos meios de comunicação, que finalmente os jovens abandonaram a “bolha” do condomínio e do shopping center e decidiram ocupar as ruas (já podemos prever o número de novelas e minisséries que usarão essa ideia para incrementar o programa High School Brasil, da Rede Globo). Simbolicamente, malgrado eles próprios e malgrado suas afirmações explícitas contra a política, os manifestantes realizaram um evento político: disseram não ao que aí está, contestando as ações dos Poderes Executivos municipais, estaduais e federal, assim como as do Poder Legislativo nos três níveis. Praticando a tradição do humor corrosivo que percorre as ruas, modificaram o sentido corriqueiro das palavras e do discurso conservador por meio da inversão das significações e da irreverência, indicando uma nova possibilidade de práxis política, uma brecha para repensar o poder, como escreveu um filósofo político sobre os acontecimentos de maio de 1968 na Europa.
Justamente porque uma nova possibilidade política está aberta, algumas observações merecem ser feitas para que fiquemos alertas aos riscos de apropriação e destruição dessa possibilidade pela direita conservadora e reacionária.
Comecemos por uma obviedade: como as manifestações são de massa (de juventude, como propala a mídia) e não aparecem em sua determinação de classe social, que, entretanto, é clara na composição social das manifestações das periferias paulistanas, é preciso lembrar que uma parte dos manifestantes não vive nas periferias das cidades, não experimenta a violência do cotidiano experimentada pela outra parte dos manifestantes. Com isso, podemos fazer algumas indagações. Por exemplo: os jovens manifestantes de classe média que vivem nos condomínios têm ideia de que suas famílias também são responsáveis pelo inferno urbano (o aumento da densidade demográfica dos bairros e a expulsão dos moradores populares para as periferias distantes e carentes)? Os jovens manifestantes de classe média que, no dia em que fizeram 18 anos, ganharam de presente um automóvel (ou estão na expectativa do presente quando completarem essa idade) têm ideia de que também são responsáveis pelo inferno urbano? Não é paradoxal, então, que se ponham a lutar contra aquilo que é resultado de sua própria ação (isto é, de suas famílias), mas atribuindo tudo isso à política corrupta, como é típico da classe média?
Essas indagações não são gratuitas nem expressão de má vontade a respeito das manifestações de 2013. Elas têm um motivo político e um lastro histórico.
Motivo político: assinalamos anteriormente o risco de apropriação das manifestações rumo ao conservadorismo e ao autoritarismo. Só será possível evitar esse risco se os jovens manifestantes levarem em conta algumas perguntas:
- estão dispostos a lutar contra as ações que causam o inferno urbano, e portanto enfrentar pra valer o poder do capital de montadoras, empreiteiras e cartéis de transporte, que, como todos sabem, não se relacionam pacificamente (para dizer o mínimo) com demandas sociais?
- estão dispostos a abandonar a suposição de que a política se faz magicamente sem mediações institucionais?
- estão dispostos a se engajar na luta pela reforma política, a fim de inventar uma nova política, libertária, democrática, republicana, participativa?
- estão dispostos a não reduzir sua participação a um evento pontual e efêmero e a não se deixar seduzir pela imagem que deles querem produzir os meios de comunicação?
Lastro histórico: quando Luiza Erundina, partindo das demandas dos movimentos populares e dos compromissos com a justiça social, propôs a Tarifa Zero para o transporte público de São Paulo, ela explicou à sociedade que a tarifa precisava ser subsidiada pela prefeitura e que não faria o subsídio implicar cortes nos orçamentos de educação, saúde, moradia e assistência social, isto é, dos programas sociais prioritários de seu governo. Antes de propor a Tarifa Zero, ela aumentou em 500% a frota da CMTC (explicação para os jovens: CMTC era a antiga empresa municipal de transporte) e forçou os empresários privados a renovar sua frota. Depois disso, em inúmeras audiências públicas, apresentou todos os dados e planilhas da CMTC e obrigou os empresários das companhias privadas de transporte coletivo a fazer o mesmo, de maneira que a sociedade ficou plenamente informada quanto aos recursos que seriam necessários para o subsídio. Ela propôs, então, que o subsídio viesse de uma mudança tributária: o IPTU progressivo, isto é, o imposto predial e territorial seria aumentado para os imóveis dos mais ricos, que contribuiriam para o subsídio junto com outros recursos da prefeitura. Na medida que os mais ricos, como pessoas privadas, têm serviçais domésticos que usam o transporte público e, como empresários, têm funcionários usuários desse mesmo transporte, uma forma de realizar a transferência de renda, que é base da justiça social, seria exatamente fazer com que uma parte do subsídio viesse do novo IPTU.
Os jovens manifestantes de hoje desconhecem o que se passou: comerciantes fecharam ruas inteiras, empresários ameaçaram lockout das empresas, nos “bairros nobres” foram feitas manifestações contra o “totalitarismo comunista” da prefeita e os poderosos da cidade “negociaram” com os vereadores a não aprovação do projeto de lei. A Tarifa Zero não foi implantada. Discutida na forma de democracia participativa, apresentada com lisura e ética política, sem qualquer mancha possível de corrupção, a proposta foi rejeitada. Esse lastro histórico mostra o limite do pensamento mágico, pois não basta ausência de corrupção, como imaginam os manifestantes, para que tudo aconteça imediatamente da melhor maneira e como se deseja.
Cabe uma última observação: se não levarem em consideração a divisão social das classes, isto é, os conflitos de interesses e de poderes econômico-sociais na sociedade, os manifestantes não compreenderão o campo econômico-político no qual estão se movendo quando imaginam estar agindo fora da política e contra ela. Entre os vários riscos dessa imaginação, convém lembrar aos manifestantes que se situam à esquerda que, se não tiverem autonomia política e se não a defenderem com muita garra, poderão, no Brasil, colocar água no moinho dos mesmos poderes econômicos e políticos que organizaram grandes manifestações de direita na Venezuela, na Bolívia, no Chile, no Peru, no Uruguai e na Argentina. E a mídia, penhorada, agradecerá pelos altos índices de audiência.
Marilena Chauí, filósofa, professora na FFLCH da Universidade de São Paulo.
No Aldeia Gaulesa

sábado, 29 de junho de 2013

A herança de FHC

A avaliação de seus mandatos captada em pesquisas explica o motivo de Alckmin e Serra não terem defendido o seu legado. O que fará Aécio Neves?

por Marcos Coimbra — publicado 03/06/2013 09:05, última modificação 03/06/2013 16:40

Realizá-las não é extravagância ou privilégio. Não custam tanto e um partido político poderoso, como, por exemplo, o PSDB, pode encomendar as suas. Nem um jornal ficará pobre se tiver de contratar alguma.
Por que então as oposições brasileiras as usam tão parcimoniosamente? Por que, se é simples conhecê-la, os partidos e a mídia oposicionista desconsideram a opinião pública?  Tome-se uma velha ideia: as três derrotas sucessivas dos tucanos para o PT teriam sido causadas pela insuficiente defesa da “herança de Fernando Henrique”. Sabe-se lá por que, é uma hipótese que volta e meia reaparece, como se fosse uma espécie de verdade profunda e houvesse evidências a sustentá-la.
Nas últimas semanas, ela retornou ao primeiríssimo plano. Em seu discurso inaugural como presidente nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves disse que seu partido se equivocou ao não valorizar o “legado” das duas administrações de FHC. Em suas palavras: “Erramos por não ter defendido, juntos, todo o partido, com vigor e convicção, a grande obra realizada pelo PSDB”.
Salvo uma ou outra manifestação de cautela, a mídia conservadora aplaudiu o pronunciamento. Os “grandes jornais” gostaram de Aécio ter assumido uma tese com a qual sempre concordaram. Faltava-lhes um paladino e o mineiro ofereceu-se para o posto. 
E os cidadãos comuns, o que pensam desse “legado”?
Em pesquisa recente de âmbito nacional, o Vox Populi tratou do assunto. Em vez de subscrever (ou atacar) a tese, apenas identificou o que a população pensa a respeito.  

Os entrevistados foram solicitados a avaliar 15 áreas de atuação do governo Dilma Rousseff. Depois, a comparar o desempenho de cada uma nos governos dela e de Lula com o que apresentavam quando Fernando Henrique Cardoso era presidente. As avaliações de todas as políticas nos governos petistas são superiores. Em nenhuma se poderia dizer que, para a população, as coisas estavam melhores no período tucano.
Consideremos algumas: na geração de empregos, 7% dos entrevistados disseram que FHC atuou melhor, enquanto 75% responderam que Lula e Dilma o superaram. Na habitação, 3% para FHC e 75% para Lula e Dilma. Nos programas para erradicar a pobreza, 4% ficaram com FHC e 73% com os petistas. Na educação, o tucano foi defendido por 5% e os petistas por 63%. Na política econômica, em geral, FHC foi avaliado como melhor por 8%, enquanto Lula e Dilma, por 71% dos entrevistados. 
No controle da inflação, FHC teve seu melhor resultado: para 10%, ele saiu-se melhor que os sucessores, mas 65% preferiram a atuação de Lula e Dilma no controle de preços.

Na saúde e na segurança, os petistas tiveram as menores taxas de aprovação, mas mantiveram-se bem à frente do tucano: na primeira, Lula e Dilma foram considerados melhores por 46% dos entrevistados. Na segurança, por 45%. FHC, por sua vez, por 7% e 6%.
No combate à corrupção, FHC teria atuado melhor que seus sucessores para 8%, enquanto 48% dos entrevistados afirmaram ter Lula e Dilma sido superiores.
Os políticos e as empresas jornalísticas são livres para crer no que quiserem. Enéas Carneiro era a favor da bomba atômica. Levy Fidelix é obcecado pela ideia de espalhar aerotrens pelo Brasil. Os partidos de extrema-esquerda lutam pelo comunismo. Há quem queira recriar a velha Arena da ditadura.
Ancorar uma campanha presidencial na “defesa do legado de FHC” é um suicídio político. Nem Serra nem Alckmin quiseram praticá-lo. A derrota de ambos nada tem a ver com o fato de não terem feito tal defesa. O problema nunca foi estar distantes demais dos anos FHC, mas de menos.
Resta ver como se comportará, na prática, Aécio Neves. E o que dirão seus apoiadores, quando perceberam que também ele procurará fazer o possível para se afastar do tal “legado”.

O perfeito idiota da direita


O decálogo do perfeito idiota da direita

Quais são as ideias típicas dos conservadores brasileiros na atualidade? Algumas são permanentes, outras conjunturais. Amanhã serão substituídas por novas idiotices. O estoque é imenso.
por Marcos Coimbra — 
Entre assombrações, equívocos e estereótipos, o pensamento conservador brasileiro anda atulhado de idiotices. Alguns nada mais fazem que repeti-las. Outros contribuem para aumentá-las. O título desta coluna alude àquele de uma obra que teve certa voga há quase 20 anos e hoje parece antediluviana. Publicado em 1996, o Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano era um ataque contra a esquerda e expressava o neoliberalismo triunfante que se espalhava pelo continente. Quem discordasse de seus axiomas era idiota.
Passou o tempo e a história mostrou o inverso. Nenhuma das experiências de governo inspiradas no Manual deu certo. Os povos sul-americanos escolheram caminhos diferentes, de mais realizações. Quem zombava dos outros, com a agressividade verbal característica dos autoritários, é que se revelou um tolo.
Quais são as ideias típicas dos conservadores brasileiros na atualidade? Algumas são permanentes, outras conjunturais. Amanhã serão substituídas por novas idiotices. O estoque é imenso. Vamos às dez mais comuns:
O Brasil está à beira do abismo
Ainda que os cidadãos normais tenham dificuldade de entender quem diz isso, os genuínos idiotas da direita estão convencidos: vivemos o caos e estamos a caminho do buraco. Há exemplo mais patético que a “inflação do tomate”?
O Bolsa Família é esmola usada para manipular os pobres
Marca distintiva desses idiotas, a ideia mistura velharias, como a noção de que os pobres são constitutivamente preguiçosos, com a pura inveja de ter sido Lula o criador do programa. No fundo, o conservador despreza os mais humildes.
O Brasil tem um governo inchado
Mundo afora, depois de a crise internacional sepultar a tese de que Estado bom é Estado mínimo, ninguém mais tem coragem de revivê-la. A não ser no Brasil. Fernando Henrique Cardoso deixou 34 ministérios quando saiu do governo. Esse seria o tamanho ótimo? Cinco a mais se constitui uma catástrofe?
O Brasil tem municípios demais
Exemplo de idiotice conjuntural, é prima da anterior. Que sentido haveria em considerar imutável a organização administrativa de um país em que a população se movimenta pelo território, fixando-se em novas regiões?
O Judiciário é nosso deus e Joaquim Barbosa, nosso pastor
Como seus parentes no resto do mundo, os conservadores brasileiros desconfiam da política e têm ojeriza a políticos. Quem mais senão o presidente do Supremo Tribunal Federal encarnaria os “anseios da sociedade contra os políticos corruptos”? Transformado em ferrabrás dos petistas, Barbosa virou herói da direita.
O “mensalão” foi o maior escândalo de nossa história
Conversa para boi dormir entre os conhecedores da política brasileira, o “mensalão” não passa de um exemplo do modo como as campanhas eleitorais são financiadas. Só os desinformados acreditam ser ele um caso excepcional.
A liberdade de imprensa está ameaçada
Na vida real, ninguém leva isso a sério. Volta e meia, a ideia é, no entanto, usada pela imprensa conservadora para defender os interesses de um pequeno grupo de corporações de mídia. De carona, alguns políticos da oposição a endossam para preservar as relações privilegiadas que mantêm com os proprietários dos meios de comunicação.
Dilma antecipou a eleição
Desde ao menos o início do ano, a oposição de direita repete, em tom queixoso, o mantra. O que imaginava? Que uma presidenta tão bem avaliada não fosse candidata? Que fingisse não sê-lo? Qualquer idiota sabe que os governantes pensam na reeleição. Assim que tomam posse, entram no páreo.
O Brasil virou as costas para seus parceiros internacionais e se aliou aos radicais
A fantasia desconhece a realidade da política externa e o modo como funciona a diplomacia brasileira. É montada em duas etapas: primeiro, desconstrói-se a imagem de um país ou liderança. Depois, afirma-se que o governo a apoia. De qual país o Brasil se afastou, de fato, nos últimos anos?
O Brasil moderno está na oposição, o arcaico é governo
Trata-se de um erro factual, somado a muita pretensão. Ao contrário, como mostram as pesquisas, o governo é mais bem avaliado (e Dilma tem mais votos) entre, por exemplo, jovens e aqueles conectados à internet que na média da população. A oposição possui, é claro, sua base na sociedade. Em nada, no entanto, esta é “melhor” que aquela apoiadora do governo

O DIA QUE LULA ACABOU COM A DIREITA





"Uma aula maravilhosa (e muito bem humorada) com o Humanista e maior líder popular do planeta, Luiz Inácio Lula da Silva" Rafael Patto

"É impressionante a falta de verdade no noticiário brasileiro sobre a economia deste país." 

"Eu pensei que depois que eu deixasse a Presidência, eles iriam me esquecer, mas não: ficou pior. Se antes eles tinham um Lula, agora eles têm um Lula e uma Dilma." 

"Poucos países do mundo - talvez só a China - tem um pacote de investimentos em obras públicas de infraestrutura como tem o Brasil, anunciado pela nossa Presidenta." 

"Eu fui dirigente sindical e tinha inveja, como presidente do sindicado dos metalúrgicos do ABC, de ver na Europa um desemprego de 5% e, aqui no Brasil, desemprego de 14, 15 ou 16%. Eu jamais imaginei estar vivo para presenciar nosso querido Brasil ter uma taxa de desemprego de 5%, coisa que era padrão europeu, padrão alemão, padrão sueco, e hoje é PADRÃO BRASIL." 

"Eu não consigo entender eles falando na televisão que a inflação tá alta. Uma inflação prevista de 5,8% é alta. Eu estava no chão de fábrica quando a inflação, com eles, era 80% ao mês. Hoje é 5,8% ao ano. Quando eu assumi a Presidência, estava em 12,5%."

"A gente começa o dia, a gente liga a televisão e só tem desgraça, não tem uma notícia boa, não nasceu uma criança bonita no Brasil. Não é possível! Não tem uma notícia boa. Começa assim: 3 baleados, 4 ônibus queimados, 5 presos, 80 assaltos, 2 estuprados... não tem nada bom nesse país. Você pega o jornal, a matéria sobre economia, parece que nós somos a Espanha e a Espanha é o Brasil..."

"Esses 10 anos de governo do PT são uma reflexão sobre o que aconteceu nesse país. Nós temos História. Nós estamos dispostos a medir os nossos 10 anos com os 20 anos, 30 anos, 40, 500 anos deles."

"Nós não podemos baixar a cabeça às agressões dos nossos adversários, até porque eles não têm autoridade para nos fazer críticas."

E o momento mais importante:

"Nós precisamos estabelecer uma decisão de como fazer aliança política. O ideal é que a gente pudesse ter candidaturas puro-sangue: governador do PT, vice-governador do PT, presidente do PT, vice-presidente do PT, senador do PT, tudo do PT, e da esquerda do PT. Isso seria o ideal. Mas como isso não é possível, nós precisamos começar com alianças dentro do PT - entre a "esquerda" e a "direita" do PT. Depois, nós temos que juntar outros partidos políticos. Nós temos que perceber que a sociedade não é petista. A sociedade é heterogênea, plural, com a sua diversidade, sua mega diversidade. Isso implica que nós temos que tratar aqueles que não estão do nosso lado com o mesmo carinho com que tratamos os que estão do nosso lado. Afinal de contas, ódio não ganha eleição. O que ganha eleição é o amor."

"Este país, hoje, se dá ao luxo de ter uma mulher com a competência da Dilma na Presidência da República. Eu conheço todos os presidentes - o Putin, na Russia, o Obama nos Estados Unidos, o François Hollande, na França, Anglea Merkel, na Alemanha, eu conheço todos e convivi com todos - e posso dizer para vocês: nenhum deles tem a competência da companheira Dilma Rousseff." 

"Nós inauguramos uma ponte no Peru. A primeira ponte entre Brasil e Peru e entre Brasil e Bolívia, em 500 anos, fomos nós que fizemos. Eu estava no Peru, num debate com empresários, e resolvi ligar para o governador do Acre para saber se havia fiscal da Receita Federal, e não tinha. A ponte está pronta há três anos e ainda não há nem da Receita Federal, nem do Ministério da Agricultura, nem da Anvisa. E não há por que? Porque os concursos que a gente faz no Brasil, as pessoas não querem ir para o Acre. Elas querem ir para a Avenida Paulista, para Curitiba, para o Rio de Janeiro. Não é só na área saúde que as pessoas querem ficar nas grandes cidades."

"A oposição está muito enfraquecida: eles não têm programa, não têm proposta, eles não têm sequer o que falar. A grande oposição hoje é uma parte da imprensa. Tem uma parte da imprensa que parece partido político. Seria melhor que eles lançassem candidato. Pega um desses analistas econômicos deles e lança candidato a presidente, já que sabe tudo. Pega um desses analistas que babam de ódio contra o governo e coloca como candidato. Assuma. Assuma, mas pare de contar mentira. Nós não queremos uma imprensa chapa-branca, mas não queremos um imprensa marrom. Pelo menos uma imprensa verde-e-amarela, azul e branca."

"Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre o nosso governo, imagina se no nosso lugar estivessem os tucanos, imagina se estivessem o DEM e a elite brasileira que governou esse país durante 500 anos."

"Feliz do país que é governado por um partido como o PT."

(Luiz Inácio Lula da Silva)
Entrevista que está no vídeo abaixo:
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZVh2RrdRqAg

quinta-feira, 27 de junho de 2013

REVOLUÇÃO COXINHA


Por :Cristiana Castro
ESTAMOS SENDO PAUTADOS POR INTERESSES INTERNACIONAIS. O QUE JÁ HAVIA FICADO BEM CLARO, APÓS A DESCOBERTA DA ORIGEM E DOS MÉTODOS, ALÉM DOS CUSTOS DESSAS CONVOCAÇÕES, VAI TORNANDO-SE CADA VEZ MAIS EVIDENTE COM A PRESSÃO PARA QUE O CONGRESSO, APROVE, ENTRE MEDIDAS POPULISTAS, OUTRAS DE CARÁTER CONSERVADOR.

  • A nossa maior dificuldade é enxergar o obvio pq nos coloca em xeque tb. Somos reféns de grupos de mídia transacionais e não movemos uma palha com relação a isso. O grito de guerra mais ouvido em TODAS as manifestações, no Brasil inteiro, foi mesmo o bom, velho e surraderrimo, o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo. Desde que me conheço por gente, essa é a reivindicação de TODAS as tendências da esquerda. Elegemos um Governo que financia sua própria derrocada e não é pq Paulo Bernardo é abobalhado ou pq Zé Eduardo Cardoso é ineficiente. Tampouco pq Dilma ou Lula fecharam com a Casa Grande. Vamos ser francos, o Brasil é OBRIGADO a aturar a Rede Globo por alguma razão externa que desconhecemos mas podemos muito bem desconfiar. 

    No ponto que chegamos, não há mais qualquer razão para imaginarmos que os Governos estejam aceitando convocações de manifestações através de concessões públicas e incitando violência a troco de nada. Sabemos que o braço institucional dessa máfia transnacional é o MP, e foi só a blogosfera começar a desmascarar os conluios pesados envolvendo só esse apêndice e mergulharam o país no caos. Vejam que ainda nem tocamos nos meios de comunicação... Aí é guerra mesmo. O que podemos fazer para nos livrar disso, é a questão que se coloca. A voz das ruas é a voz deles, mesmo que tenha sido cooptada, se fosse um movimento forte, partiria para o contra-ataque. Não partiu, pq? Pq não foi cooptada, foi colocada nas ruas para agilizar a pauta conservadora do Congresso e dar suporte a decisões do STF, que, a essas alturas, só precisará lavar as mãos como fez com o Ficha-Limpa. Sabiam que a pressão midiática, em ano eleitoral, obrigou os parlamentares a fechar com a Lei; o mesmo acontece, agora.

    Minha questão para o STF é quem, está bancando o "Mensalão" dessas votações, já que, no caso da PEC 37, por exemplo, uma votação unânime, apesar das diferenças ideológicas dos partidos, não alterou os votos. Isso deveria sugerir, de acordo com o entendimento da Corte, uma clara compra de votos, da base aliada ou da oposição. Mas quem investiga a votação que arquivou a PEC 37? O MPF? Mas ainda assim, de que adiantaria, exigir de 11 o que mais de 500 e 200 milhões não podem fazer? Somos reféns dos grupos de mídia. E eles vão impor a sua pauta que é a pauta externa para o nosso país. E, essa pauta, será imposta a qq custo, inclusive com violência como vimos nas ruas do Brasil durante 15 dias, nos protestos "pacíficos", onde uma "minoria" quebrou tudo que não fazia parte dos grupos que controlam o simulacro de caos, notadamente, instalações do sistema judiciário e meios de comunicação,e ficou tudo por isso mesmo. É é desse jeito, pq sempre foi assim, é sempre uma "minoria" que destrói as nações. Para que constatemos isso, basta dar uma olhada ao redor do mundo e aqui não será diferente. Não estamos vivendo momento de transição nenhum, estamos vivendo a mesma coisa que as minorias elitistas fizeram no resto do mundo. Não há nada de revolucionário ou de poder jovem nisso; é bem ao contrário, a ideia de rachar um país, instalando o caos, é mais velha que andar pra frente.

    Aliás, de hoje de manhã até agora a "pauta das ruas" já mudou três vezes, pela manhã peguei Fora Renan, depois, Marco Civil Internet, aí foi para contra a PEC 33 ( GM agradece, tava p... com essa PEC ) e, agora a noite, pelo voto distrital! Como a gente pode notar, uma pauta que atende aos interesses da patuleia mesmo.

    Para quem não tem lideranças, nunca vi uma pauta de reivindicações mais específica! Eu imagino como deve ter sido complicado tirar essa pauta no meio daquele povo todo.

    O fechamento do dia, não podia ser mais midiático, chutarão bolas de futebol no DF!

    No Jornal da Bandeirantes, há uns dias atrás, Boechat, fez questão de explicar que o protesto dos taxistas não tinha nada a ver com os protestos que tomaram as ruas, pq estavam ali reivindicando direitos para a sua categoria(!!!! ); e o MP, fazia o que na Praia de Copacabana? não estava ali reivindicando, tb seus direitos? Taxista não é promotor pq ferrado não é manifestante. Lugar de reivindicações de categorias menos nobres não é nas passeatas da Mídia. Vai ser complicado lidar com isso e não sei até que ponto, é adequado tentar disputar um movimento que já entrou nas ruas com um objetivo que é o de criminalizar partidos e movimentos sociais. O que disparou o gatilho, a meu ver, o fiasco perpetrado pela mídia, MPF e STF. Estávamos a um passo de desmontar a farsa que foi enfiada goela abaixo do povo brasileiro por 8 anos e,o desmonte, levaria ao descrédito absoluto as três instituições. Não havia outra saída. Aliaram seu desespero a revolta com o fracasso da reserva de mercado do CFM, por conta da vinda dos médicos cubanos e a frustração antiga dos professores desde o governo Lula. Compraram um movimento de 50 pessoas, MPL, que sempre trabalhou com bandeiras de todos os partidos e, aproveitando a oportunidade da Imprensa mundial no Brasil, soltaram nas ruas o movimento integralista, travestido de revolução coxinha. Os coxinhas saíram das ruas e deixaram o caos aí para o Governo administrar. Vamos ter que correr atrás mesmo de uma Constituinte, de qq maneira pq nosso Congresso está refém, assim como o Judiciário. Não vai ter outro jeito, não. E tem que ser logo pq estão aprovando tudo que os grupos internacionais ( Mídia ) decidem
    .

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Carta aberta aos meus filhos adolescentes


Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar...

Carta aberta aos meus filhos adolescentes, sobre a onda de movimentos das últimas semanas.

Meus queridos,

Acredito que a única herança deixada por uma mãe ou um pai que realmente fará diferença na vida de um filho, são exemplos e ensinamentos. Por isso, me dediquei a escrever algumas das coisas que aprendi ao longo da minha história. Esta carta será uma de minhas heranças pra vocês.

Aos 18 e 16 anos vocês estão participando pela primeira vez de uma manifestação na rua. Talvez vocês não saibam, mas me orgulhei muito de encontrá-los naquela manifestação da última quinta-feira, ali, naquela mesma avenida que eu já percorri tantas vezes, em manifestações estudantis, de militância política, nas lutas junto ao sindicato dos professores e em eventos do movimento de luta antimanicomial. Assistir o despertar de vocês me fez chorar de emoção.

Eu despertei, precisamente, em 1989 pouco antes de completar 20 anos, quando me filiei ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) e conheci a UJS (União da Juventude Socialista). Neste mesmo ano participei ativamente da campanha do Lula, que se candidatava pela primeira vez à Presidência da República, com o apoio de uma coligação chamada Frente Brasil Popular que agregava PT, PSB e PCdoB. Aquele ano mudou para sempre a minha vida, desde então, nunca mais deixei de participar da política da minha cidade e do meu país.

Desejo profundamente que este movimento não seja para vocês apenas uma espécie de micareta sem banda ou carnaval sem trio-elétrico, mas que nele vocês aprendam sobre participação política, sobre democracia e, sobretudo, sobre a força da coletividade.

Ninguém sabe exatamente de onde veio e para onde vão essas manifestações. Alguém já disse que: “quem entendeu essas manifestações é porque não entendeu nada”. Concordo. Não é possível explicá-la ou nomeá-la, mas, apesar disso, decidi escrever aqui algo do que aprendi e vi nos últimos 24 anos e também nos últimos dias.

A primeira coisa a qual preciso alertá-los é sobre um discurso que tem aparecido muito nas manifestações se dizendo a-partidário ou anti-partidário. Vocês já têm uma boa leitura de historia do Brasil e do Mundo e já estudaram que os sistemas políticos que rejeitam ou rejeitaram os partidos políticos, são os governos totalitários e ditatoriais. Nossa democracia está fundamentada na política partidária, que tem sim suas mazelas, mas sem ela, acreditem, seria muito pior. Portanto, isso que vocês estão ouvindo nas manifestações: “Não queremos partidos, queremos unidos” (ou coisa parecida) até que soa bonito, mas é pura bobagem. Não é possível existir um discurso unificado na democracia. Aliás, a beleza da democracia está exatamente em acolher discursos múltiplos e diversos, mesmo que isso gere conflitos. Essa coisa de discurso único é coisa de fascismo e nazismo. Hitler adorava a ideia de ver sua Alemanha unificada e livre dos diferentes (os judeus), não é mesmo?

Outra bobagem é dizer que esse movimento não tem ideologia. Não é possível fazer NADA sem ideologia. Antes de escovarmos o dente pela manhã vestimos uma ideologia, sendo assim, não é possível nos manifestarmos nas ruas sem ideologia. O problema do discurso ideológico é que ele só fica evidente quando destoa da ideologia dominante, então ele pode se manter silencioso, invisível, mas, não se enganem, ele está lá. É como um camaleão, que se camufla com as cores do ambiente. Então, por meio da nossa participação política é possível apontarmos os modelos ideológicos sob os quais nossa sociedade está assentada, para questioná-los e desconstruí-los, se assim for nossa intenção, mas negá-los serve apenas para manter tudo como está. Por exemplo, somos uma sociedade de ideologia machista e consumista, se alguém afirma que defende uma proposta sem ideologia, não tenha dúvida, é porque tal proposta é machista e/ou consumista.

“Nem direita, nem esquerda, nós vamos é pra frente”.

 Essa é outra afirmação tola. Direita e esquerda, e todas as nuances possíveis para uma ou outra direção, também correspondem a um discurso ideológico e do qual não podemos fugir. É a mesma tolice de se dizer a-político. Toda proposta política tem uma direção, ainda que não nos demos conta de qual é. Uma dica para vocês saberem se uma proposta está à esquerda ou à direita é fazer a seguinte pergunta: “A quem ela protege ou favorece?” Se a resposta for: “Ela favorece à grande maioria da população (geralmente a mais pobre)”. Então vocês já sabem, ela é uma proposta à esquerda. Mas vamos supor que ela favoreça a uma minoria. Nesse caso, vocês precisam fazer uma segunda pergunta: “Essa minoria faz parte de uma elite privilegiada ou de um grupo ou segmento excluído ou desprivilegiado?”. Se a resposta for: “Minoria desprivilegiada, excluída ou marginalizada” então, essa continua sendo uma proposta à esquerda, caso contrário, trata-se de uma proposta à direita.

Vamos exemplificar. Sobre redução do valor a ser pago no transporte público, uma das pautas das manifestações.
Pergunta: “A quem ela favorece?”
Resposta: “A população que usa transporte público”.
Pergunta: “A quem ela prejudica?”
Resposta: “Os donos de empresas de ônibus que terão que reduzir seus lucros e/ou o governo que terá que reordenar suas contas para financiar a redução”.
Pergunta: “Quem é a maioria?”
Resposta: “A população que usa transporte público.”
Então, bingo, a pauta da redução da tarifa de ônibus é uma proposta à esquerda.
Outro exemplo. Sobre a recente aprovação da PEC que prevê regulamentação dos direitos das empregadas domésticas.
Pergunta: “A quem ela favorece?”
Resposta: “As empregadas domésticas.”
Pergunta: “A quem ela prejudica?”
Resposta: “Os patrões”.
Pergunta: “Quem é a maioria?”
Resposta: “Podemos argumentar que, nesse caso, não temos uma maioria, supondo que temos um patrão para cada empregada, então, vamos para a pergunta seguinte.”
Pergunta: “Quem é o grupo mais desprivilegiado?”
Resposta: “As domésticas”.

Portanto, a PEC das domésticas é uma proposta à esquerda.

Sendo assim, políticas que fortalecem e ampliam os serviços públicos que atendem a maioria da população; políticas de distribuição de renda e redução da desigualdade social; políticas que apoiam e defendem minorias excluídas, como gays, deficientes, doentes mentais e indígenas; políticas que protegem e empoderam segmentos marginalizados e alvos de violência, como mulheres e negros; são todas propostas à esquerda.

Já as políticas que favorecem certos segmentos, grupos ou corporações e, que em geral, já fazem parte de setores privilegiados da sociedade, são políticas à direita. Um bom exemplo de proposta à direita, muito discutida atualmente, é a chamada Lei do Ato Médico. A referida lei funciona para manter o poder e o privilégio da classe médica, em detrimento da autonomia de todos os demais profissionais da saúde (enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, bioquímicos e fisioterapeutas) que certamente, serão prejudicados. Vendas, privatizações e concessões do setor público à empresas ou grupos privados, também são consideradas propostas à direita. E finalmente, propostas que aprofundam a marginalização e o preconceito sobre segmentos já vulneráveis, também são propostas à direita. Agora vocês já sabem para qual lado tendem propostas como “Cura Gay”e redução da maioridade penal, não é? Resumindo, não podemos ir à frente sem antes escolher esquerda ou direita, afinal, toda proposta política tem um viés, podendo inclusive se radicalizar nos dois extremos, daí o termo, extrema direita ou extrema esquerda.

Tenham cuidado com os discursos e as causas que vocês defendem. Muita gente acha que liberdade de expressão é poder manifestar o que “lhe dá na telha”, seja lá o que for. No campo privado essa premissa pode ter sua função, mas se estamos falando de manifestação pública, política e democrática, a liberdade de expressão precisa ganhar um contorno mais responsável. Nessas manifestações vocês vão precisar falar para além das suas próprias convicções intelectuais, religiosas ou morais, o que, não se enganem, não é fácil de fazer. Por exemplo, existe uma abissal diferença entre levantar a bandeira da redução da passagem de ônibus e outra que defenda a “Cura Gay”, por exemplo. Na primeira, vocês favorecem amplamente a maioria da população, na segunda, pelo simples fato de partirem da premissa de que a homossexualidade seja uma doença, um desvio da normalidade, contribuem para acentuar a descriminação contra os homossexuais, o que, invariavelmente, gera violência e opressão a este segmento. Portanto, mesmo que vocês pensem intimamente que a homossexualidade seja mesmo um desvio, precisam aprender a pensar fora do próprio umbigo para exercer a democracia com responsabilidade. Querem uma dica? Quando uma política interferir em algum grupo ou minoria do qual vocês não façam parte, escutem o que os movimentos organizados de tal minoria têm a dizer. Apoiá-los é sempre a melhor decisão.

Cuidado também com palavras de ordem vazias, do tipo: “não à corrupção”, “sim a vida”. Ninguém é a favor da corrupção. Ninguém é contra a vida. Esses discursos são vazios de conteúdo, e, geralmente, servem apenas para despolitizar e empobrecer o debate político. Portanto, se vocês são contra a corrupção, procurem se informar sobre as ações políticas que possam coibi-la, como defender a pauta da urgência da Reforma Política, por exemplo.

Outro cuidado que precisam tomar se refere aos discursos moralistas que se abatem sobre essas manifestações. São pessoas e instâncias que se indignam contra elas porque atrapalham o trânsito, porque impedem que as pessoas cheguem ao trabalho ou em casa, porque levam caos e violência para as ruas, porque degradam os espaços públicos, porque desmontam a ordem estabelecida. O fato é que NENHUMA manifestação de massas pode acontecer sem que alguma espécie de caos ou violência simbólica se instaure. Que tipo de manifestação de motoristas de ônibus funcionaria se não criasse o caos o trânsito? Que tipo de manifestação de professores funcionaria se não criasse um caos para alunos e pais? E nesse caos, invariavelmente, a violência aparece, sim. Mas é obvio que existe uma diferença enorme entre a violência usada para invadir o Congresso Nacional – numa demonstração simbólica de que a casa que lá está é, ou deveria ser, a casa do povo –, e a violência usada na invasão de lojas para fazer saques ou para depredar do Teatro Municipal de São Paulo. Mas enfim, apesar de ser totalmente contrária a qualquer tipo de violência, é puro moralismo desqualificar um movimento social de massa por protagonizar atos violentos.

Existe outro discurso moralista que é muito perigoso para a democracia. Sob essa bandeira higienista de “limpar o Brasil da corrupção”, fica implícito um discurso perigoso. Já que os políticos e os partidos estão todos contaminados pela corrupção, então só nos resta acabar com eles. O golpe de 1964, que inaugurou um período de ditadura cruel e sangrenta, começou pela cassação de parlamentares e pela dissolução dos partidos políticos. 

Portanto, precisamos sim, criar mecanismos que evitem, coíbam e punam a corrupção, mas, também precisamos entender que não há como esterilizar a política. Vocês assistiram à trilogia do Senhor dos Anéis, assistimos juntos, aliás, e vocês viram que, durante o filme, muitas personagens são corrompidas pelo Anel do Poder. Mas a tragédia explorada no filme é que é preciso colocar o anel no dedo para saber-se imune ou não ao seu efeito, ou seja, antes de usar o anel ninguém está certo de ser corrompido por ele ou não. Entendo que essa metáfora pode ser transcrita para a política. Não podemos prever quem irá fazer mau uso do poder que lhe conferirmos. Mas, por outro lado, podemos criar mecanismos, estratégias e linhas de fuga que sejam capazes de proteger e resguardar o anel do poder, assim como faz Frodo durante toda a trilogia. 

Quem sabe nós devamos encarnar Frodo? Vigilantes, inteligentes e destemidos na proteção do Anel do Poder.
Assistam ao filme A Onda (2008) do diretor Dennis Gansel. Vocês verão que a massa é uma força poderosíssima. A favor da democracia ela pode ser uma ferramenta potente, mas para isso, precisa ser mais que um “estouro da boidada”, onde todo mundo repete o que ouve, sem crítica e questionamentos. Cuidado para não servirem apenas como massa de manobra. 

Não se posicionem contra ou a favor da PEC 37, por exemplo, sem antes saberem o que é a PEC 37. Se interessar a vocês se posicionarem sobre algum tema levantado e sobre o qual vocês não tenham conhecimento, perguntem, procurem saber, leiam, pesquisem os argumentos contra e a favor, para formarem uma opinião consciente. Antes disso, é preferível se abster de tomar uma posição do que seguir apenas o “estouro da boiada”.

Não sejam ingênuos. A polícia estará presente nessas manifestações para tentar restabelecer e manter a ordem pública e para evitar o caos, este é o papel dela. Obviamente que ela pode ser mais ou menos truculenta e violenta (e a nossa polícia é historicamente truculenta), mas não sejam tolos, ela não poderá participar do movimento do mesmo lugar que vocês. E se vocês assistirem ou forem alvo da violência das polícias, não exagerem no drama, saibam que a periferia, os negros, os pobres, os índios, já são alvo dessa violência há muito tempo. Então, essa experiência pode levantar um bom tema para discussão: a desmilitarização da polícia.

Também não esperem que os representantes do poder executivo (prefeitos, governadores ou a presidente) aplaudam de pé o movimento ou se juntem a ele. Mesmo que as concepções e ideologias desses líderes sejam concordantes com as reivindicações propostas, ou com sua própria luta histórica, eles estarão vivendo um incômodo enorme e precisarão entoar discursos e propor intervenções que reduzam tal incômodo. Entendam. Eu desobedeci meus pais inúmeras vezes, mas isso não quer dizer que, por isso, eu não me incomode quando vocês me desobedecem. 

Eu posso até compreender a desobediência de vocês, conversar e negociar sobre ela, mas estejam certos, ela me causará incômodo e mal-estar. 

Então não sejam ridículos em esperar que nossos líderes, seus aliados e parceiros, achem tudo lindo e maravilhoso. A diferença é que os lideres mais sábios saberão fazer bom uso dos movimentos, acolhendo as pautas importantes para o Município, para o Estado ou para a Nação. Os tolos criminalizarão os movimentos e tentarão restabelecer a ordem com mão de ferro.


Bem, depois de tudo isso que eu relatei aqui, obviamente que vocês já entenderam que eu sou uma militante de esquerda. Sim, sou, e das que se orgulha das bandeiras que levantou e das lutas que travou. Sendo assim, reitero a vocês que, seja lá para onde seguir esse movimento, é para a esquerda que eu vou continuar minha caminhada. Seguirei sempre em favor da maioria, dos mais pobres, dos mais frágeis e dos mais vulneráveis. E também sei que lá estarão todos os Partidos Políticos que também abraçam a mesma causa que eu, e alguns deles estão na luta há muito tempo. 

Sei que alguns desses Partidos seguirão inteiros e que outros se partirão mais uma vez. Lá também estarão os políticos que verdadeiramente se elegeram para representar o povo mais pobre e oprimido, com ou sem seus partidos. 

Lá estarão os movimentos sociais que se preocupam com exclusão, a miséria e as injustiças sociais. Lá estarão os sindicatos, as organizações de classe e os movimentos estudantis que realmente desejam um Brasil mais justo e igualitário. Lá estarão os segmentos religiosos que pregam a liberdade e a justiça social. Lá estará, com certeza, o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), maior e mais legítimo movimento social deste país, e que está em marcha desde 1984, quase sempre sem contar com a simpatia da mídia e da população em geral. Lá estarão velhos companheiros de luta e outros tantos que ainda irei conhecer, e desejo que vocês também estejam lá, caminhando em frente, mas não se esqueçam, sempre à esquerda.

Com amor,

Mamãe

Postado por Rita de Cássia de Araújo Almeida

domingo, 23 de junho de 2013

Entre democracia e fascismo


'MOBILIZAÇÃO ASSUMIU TRAÇOS ANTI-DEMOCRÁTICOS'


Escreve o jornalista Paulo Moreira Leite, em sua coluna na revista Istoé. "Seus traços anti-democráticos acentuados", diz ele. A defesa pela extinção de partidos políticos, a destruição de uma bandeira do movimento negro e até a defesa de uma intervenção militar são alguns exemplos disso. "O conflito é esse: democracia ou fascismo".
O movimento de caráter semi-insurrecional que vemos no país de hoje exige uma reflexão cuidadosa.
Começou como uma luta justíssima pela redução de tarifas de ônibus.
Auxiliada pela postura irredutível das autoridades e pela brutalidade policial, esta mobilização transformou-se numa luta nacional pela democracia.
Se a redução da tarifa foi vitoriosa, a defesa dos direitos democráticos também deu resultado na medida em que o Estado deixou de empregar a violência como método preferencial para impor suas políticas.
Mas hoje a mobilização assumiu outra fisionomia.
Seu traços anti-democráticos acentuados. Até o MPL, entidade que havia organizado o movimento em sua primeira fase, decidiu retirar-se das mobilizações.
Os manifestantes combatem os partidos políticos, que são a forma mais democrática de participação no Estado.
Seu argumento é típico do fascismo: "povo unido não precisa de partido."
Claro que precisa. Não há saída na sociedade moderna. Às vezes, uma pessoa escolhe entrar num partido. Outras vezes, é massa de manobra e nem sabe.
A criação de partidos políticos é a forma democrática de uma sociedade debater e negociar interesses diferentes, que não nascem na política, como se tenta acreditar, mas da própria vida social, das classes sociais.
Em São Paulo, em Brasília, os protestos exibiram faixa com caráter golpista.
"Chega de políticos incompetentes!!! Intervenção Militar Já!!!"
No mesmo movimento, militantes de esquerda, com bandeiras de esquerda, foram forçados a deixar uma passeata na porrada. Uma bandeira do movimento negro foi rasgada.
A baderna cumpre um papel essencial na conjuntura atual. Reforça a sensação de desordem, cria o ambiente favorável a medidas de força – tão convenientes para quem tem precisa desgastar de qualquer maneira um bloco político que ocupa o Planalto após três eleições consecutivas.
A baderna é uma provocação que procura emparedar o governo Dilma criando uma situação sem saída.
Se reprime, é autoritária. Se cruza os braços, é omissa.
Outro efeito é embaralhar a situação política do país, confundir quem fala pela maioria e quem apenas pretende representá-la.
É bom recordar que a maioria escolhe seu governo pelo voto, o critério mais democrático que existe.
Nenhum brasileiro chegou perto do paraíso e todos nós temos reivindicações legítimas que precisam de uma resposta.
Também sabemos das mazelas de um sistema político criado para defender a ordem vigente – e que, com muita dificuldade, através de brechas sempre estreitas, criou benefícios para a maioria.
Olhando para a maioria dos brasileiros, aqueles que foram excluídos da história ao longo de séculos, cabe perguntar, porém: os políticos atuais são incompetentes para quem, mascarados?
Para a empregada doméstica, que emancipou-se das últimas heranças da escravidão?
Para 40 milhões que recebem o bolsa-família?
Para os milhões de jovens pobres que nunca puderam entrar numa faculdade? Para os negros? Quem vive do mínimo?
Ou para quem vai ao mercado de trabalho e encontra um índice de desemprego invejado no resto do mundo?
Mascarados que arrebentam vidraças, incendeiam ônibus e invadem edifícios trabalham contra a ordem democrática, onde os partidos são legítimos, as pessoas têm direitos iguais – e o poder, que emana do povo, não se resolve na arruaça, pelo sangue, mas pelo voto.
É óbvio que a baderna, em sua fase atual, não quer objetivos claros nem reivindicações específicas. Não quer negociações, não quer o funcionamento da democracia. Quer travá-la.
Enquanto não avançar pela violência direta, fará o possível para criar pedidos difusos, que não sejam possíveis de avaliar nem responder.
O objetivo é manter a raiva, a febre, a multidão eletrizada.
É delírio enxergar o que está acontecendo no país como um conflito entre direita e esquerda. É uma luta muito maior, como aprenderam todas as pessoas que vivenciaram e estudaram as trevas de uma ditadura.
A questão colocada é a defesa da democracia, este regime insubstituível para a criação do bem-estar social e do progresso econômico.
O conflito é este: democracia ou fascismo. Não há alternativa no horizonte.
Quem não perceber isso está condenado a travar a luta errada, com métodos errados e chegar a um desfecho errado.

Fonte : http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/106265/'Mobiliza%C3%A7%C3%A3o-assumiu-tra%C3%A7os-anti-democr%C3%A1ticos'.htm