quinta-feira, 7 de julho de 2016

O homem mais poderoso do Brasil




O homem mais poderoso do país não é o mais rico. Senão, seria Jorge Paulo Lemann. Mas o seu poder depende da sua fortuna. Se falir, seu poder se esgota.

   O homem mais poderoso do país não é o dono da maior rede de TV. Senão, seria João Roberto Marinho. Mas se o sinal for apagado por alguém mais poderoso, seu poder acaba.

   O homem mais poderoso do país não é o que está sentado na cadeira de presidente da República. Senão, seria Michel Temer, mas ele não tem votos nem para ser síndico de prédio.

   O homem mais poderoso do país não é o mais temido. Senão, seria Sérgio Moro. Mas quando acabar a Lava Jato seu poder será nenhum.

   O homem mais poderoso do país não é o mais esperto. Senão, seria Eduardo Cunha. Mas quando seus recursos terminarem ficará sem poder.

   O homem mais poderoso do país é aquele que não precisa de um cargo para ser poderoso.

   Não precisa de uma conta bancária para ser poderoso.

   Não precisa de uma rede de TV.

   Não precisa de cúmplices para ser poderoso.

   É aquele que tem poder mesmo quando não está no poder.

   É aquele que todos querem derrubar, mas não conseguem.

   É aquele que ninguém tem coragem de delatar.

   É aquele que ninguém tem coragem de prender.

   Há 16 anos, o homem mais poderoso do Brasil é Lula.

   Sarney foi presidente por quatro anos; saiu pela porta dos fundos.

   Collor governou por dois anos; foi enxotado.

   Fernando Henrique governou por oito anos, mas não fez o sucessor.

   O poder deles se esvaiu assim que deixaram a presidência.

   Lula governou por oito anos, reelegeu sua sucessora, que também se reelegeu e que caiu porque não o ouviu.

   Lula é o único brasileiro que pode se eleger, a qualquer momento, no cargo que quiser: vereador, prefeito, deputado, governador, senador, presidente da República.

   Em qualquer cidade ou estado do país.

   Ele não depende de nada fora dele para ter poder. Seu poder é pessoal e intransferível.

   Lula é tão poderoso que, mesmo se for preso, continuará sendo o homem mais poderoso do país.

   Lula é tão poderoso que, mesmo depois de morto continuará sendo o homem mais poderoso do país.

   Ninguém, depois de Dom Pedro I e Dom Pedro II foi tão poderoso quanto Getúlio.


   Ninguém, depois de Getúlio foi tão poderoso quanto Lula.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

DILMA ROUSSEFF: A PRESIDENTA ELEITA PELO POVO


Primeira mulher a chegar à Presidência em 2010, a vitória de Dilma foi a consagração de Lula e a vitória também do PT

Por Maria Fernanda Arruda



Uma mulher dura e autoritária? Considerada dona de um temperamento explosivo, Dilma é acusada por parte da imprensa de ter destratado companheiros de seu governo, nomeadamente o ministro Paulo Bernardo, na frente dos governadores tucanos José Serra e Aécio Neves. É acusada de “ter feito chorar” o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, depois de uma reprimenda via telefone. Segundo o jornal O Globo, o secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Luiz Antonio Eira, teria pedido demissão devido a um desentendimento que se sentira humilhado. Construiu-se a imagem de uma mulher dura e autoritária.

Desde logo, sem que se pretendam dissecar boatos e estereótipos, é possível admitir que, disposta a agir, séria e incorruptível, ela tenha dado e dê o devido tratamento aos habitantes do mundo político brasileiro, composto atualmente por homens incompetentes, corruptos, vaidosos. E não será difícil entender a dureza e o autoritarismo como virtudes. De 1952 a 1954, filha de uma família bem-posta na classe média, cursou a pré-escola no colégio Izabela Hendrix e a partir de 1955 iniciou o ensino fundamental no Colégio Nossa Senhora de Sion, em Belo Horizonte. Como adolescente dos anos da euforia de JK e seus 50 anos em 5, namorava e tocava o seu violão. Em 1964 ingressou no Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos), na primeira série do clássico (ensino médio). Nessa escola pública o movimento estudantil era ativo, especialmente por conta do recente golpe militar. Foi nessa escola que ficou “bem subversiva” e percebeu que “o mundo não era para debutantes”.

Não teria participado diretamente das ações armadas, mas já era notada por sua atuação política, contatos com sindicatos, aulas de marxismo e responsabilidade pelo jornal O Piquete. Nada excepcional, mas a realidade de uma jovem consciente que não podia aceitar a ordem unida que os militares pretendiam “pagar” à “paisana” mal-educada, corrupta e desprovida de “amor à pátria”. Os jovens não aceitaram. Os intelectuais não aceitaram. Os artistas não aceitaram. Dilma participou de algumas reuniões que resultaram na criação da VAR-Palmares – Vanguarda Revolucionária Palmares. Foi transformada pelos espiões e delatores (premiados com a anistia), gente da Operação Bandeirantes, sustentada pelos empresários da FIESP, em grande líder da organização, ganhando vários epítetos superlativos nos relatórios da repressão, que a definiram como “um dos cérebros” dos esquemas revolucionários. O Promotor de Justiça que denunciou a organização rotulou-a como sendo a “Joana d’Arc da subversão”, por chefiar greves e assessorar assaltos a bancos.

Ao ganhar bem mais tarde a expressão política que a sua competência lhe propiciou, passou a ser acusada como “terrorista” por gente hipocritamente puritana, e que não se sentiu inibida em dar a São Paulo um senador ex-comunista e envolvido em ações terroristas, motorista que teria conduzido involuntariamente Marighela para a morte. Presa numa operação que não a estava procurando, por mero acaso (ao se revistada, estava armada), passou quase três anos em reclusão, de 1970 a 1972, primeiramente pelos militares da Operação Bandeirante (OBAN), no qual sofreu torturas, durante vinte dias, posteriormente pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Dilma denunciou as torturas em processos judiciais e a Comissão Especial de Reparação da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro aprovou pedido de indenização proposto por ela e outras dezoito pessoas. Saiu do Presídio Tiradentes no fim de 1972, dez quilos mais magra e com uma disfunção na tireoide. Havia sido condenada em alguns processos e absolvida noutros. Iniciou a recuperação da sua saúde com sua família, em Minas Gerais. Tempo depois morou com sua tia em São Paulo mudando-se para Porto Alegre mais tarde.

Reconstruiu sua vida no Rio Grande do Sul, junto a Carlos Araújo, seu companheiro por mais de trinta anos. Impedida de retomar seus estudos em Belo Horizonte, Dilma prestou vestibular para economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ficou grávida em 1975 enquanto cursava a graduação e em março de 1976 nasceu sua única filha, Paula Rousseff Araújo. Sua primeira atividade remunerada, após sair da prisão, foi a de estagiária na Fundação de Economia e Estatística (FEE), vinculada ao governo do Rio Grande do Sul. Graduou-se em 1977, não tendo participado ativamente do movimento estudantil.

Em 2010, a vitória de Dilma foi a consagração de Lula e a vitória também do PT
Em novembro de 1977, o nome de Dilma foi divulgado no jornal O Estado de S. Paulo como sendo um dos 97 subversivos infiltrados na máquina pública em uma relação elaborada pelo então demissionário Ministro do Exército, Sílvio Frota, que classificou Dilma como “amasiada com um subversivo”. Com isso, foi exonerada da FEE, sendo, contudo, anistiada mais tarde. Com o fim do bipartidarismo, participou junto com Carlos Araújo dos esforços de Leonel Brizola para a recriação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Foi membro fundadora do Partido Democrático Trabalhista (PDT) participando de diversas campanhas eleitorais. De 1985 a 1988, durante a gestão de Alceu Collares frente à prefeitura de Porto Alegre, foi Secretária Municipal da Fazenda. De 1991 a 1993 foi Presidente da Fundação de Economia e Estatística e foi Secretária Estadual de Minas e Energia entre os períodos de 1993 a 1994 e de 1999 a 2002, durante o governo de A. Collares e do sucessor Olívio Dutra. A tentativa de reduzir Dilma Rousseff na sua competência foi frustrada, acusada de chegar ao governo Lula sem qualquer experiência política e sem vocação para tanto. Pois viveu desde muito jovem politicamente, não teve e não tem felizmente a vocação da retórica demagógica dos políticos contemporâneos, os que, sem conhecimento de regras básicas da língua, não tem pudor algum em transformar a tribuna do Congresso em palanque para comícios populistas.

Em 2002 participou da equipe que formulou o plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva para a área energética. No ano anterior havia se filiado ao PT, o que deve ser entendido como decisão de ordem prática, viabilizando sua participação nesse governo, uma vez que sua identificação ideológica a prendeu sempre ao PDT de Leonel Brizola. Com a eleição de Lula, foi escolhida para ocupar o Ministério de Minas e Energia. Ao assumir esse Ministério, também foi nomeada presidente do Conselho de Administração da Petrobras, cargo que exerceu até março de 2010, quando defendeu uma nova política industrial para o governo, fazendo com que as compras de plataformas pela Petrobras tivessem um conteúdo nacional mínimo. Argumentou que não era possível que uma obra de um bilhão de reais não fosse feita no Brasil. As licitações para as plataformas P-51 e P-52 foram, assim, as primeiras no país a exigir um conteúdo nacional mínimo. Sua gestão no ministério foi marcada pelo respeito aos contratos da gestão anterior, como pelos esforços em evitar novo apagão, pela implantação de um modelo elétrico menos concentrado nas mãos do Estado e pela criação do programa Luz Para Todos.

Em 20 de junho de 2005, o presidente Lula indicou Dilma para comandar o Ministério da Casa Civil, com o que ela se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na história do país. José Dirceu ocupava até então a pasta e se preparava para ser o sucessor de Lula, um projeto arquitetado durante muitos anos, e que foi desmontado com o chamado “escândalo do mensalão”, de fato o primeiro momento do processo que, muito mais importante do que ter abalado a respeitabilidade do Governo, deu início ao processo de aviltamento da Justiça no Brasil. A nomeação de Dilma descontentou a muitos segmentos do partido, já então sufocado pelo carreirismo mesquinho da facção que o dominou. Mas foi a sua seriedade e competência que restituíram a Lula a autoridade moral necessária ao prosseguimento de seu governo e de sua vida política. Será muito importante para o registro exato na História do Brasil que, em algum momento, os detalhes dessa transição sejam postos à luz do dia.

As relações entre o PT, Lula e as ações do que era então presidente do partido, José Dirceu, foram propositadamente aviltadas por um ministro do STF, competência distorcida e caráter amesquinhado, ao mesmo tempo sendo camufladas pelos envolvidos, que as depositaram em silêncio culposo. Dilma Rousseff teve firmeza de caráter e dignidade que a fizeram não abandonar o seu companheiro e líder, ao mesmo tempo mantendo-se intransigentemente fiel aos seus princípios éticos. Sua postura exigiu sabedoria e competência política que faltam, não apenas aos companheiros de partido, mas, e mais ainda, aos seus opositores. Valerá sempre a pergunta: a quem falta postura politicamente digna: a Dilma Rousseff ou a Fernando Henrique Cardoso? Contrariando os interesseiros que o cercavam e fazendo uso de sua sensibilidade notável, Lula soube, a partir da queda de José Dirceu, como preparar a sua sucessão. Dilma passou a ser considerada por ele como a gestora do do PAC e apresentada ao povo como a “mãe” do programa que marcava a gestão petista.

Dilma vai se tornando, não pela palavra de Lula, mas pela vontade nacional, a Mãe do Povo Brasileiro

Em 2010, dentro do que planejara, Lula a apresentou como a sucessora desejada. Dilma se elegeu, não porque Lula elegeria um “boneco”, mas porque o povo brasileiro já sabia haver nela a competência e a seriedade que faltavam às figuras propostas pela oposição do PSDB. A partir desse ponto, chegamos ao presente, que está na memória de todos e é conhecido e vivido por todos os brasileiros.

Primeira mulher a chegar à Presidência em 2010, a vitória de Dilma foi a consagração de Lula e a vitória também do PT. Seu governo teve a grandeza e fidelidade de assegurar a continuidade do que Lula havia iniciado. Se não acrescentou ou aperfeiçoou, não afetou negativamente o trabalho que já vinha sendo feito. Em seu discurso de posse afirmou o seu propósito de ampla reforma tributária e de lutar por uma assembleia nacional constituinte, como pressuposto para a revolução política necessária à instauração no Brasil de uma democracia plena. Ironicamente, aquela que é no mais das vezes posta como abstêmia de vocação política, foi até agora a voz única a clamar no planalto central, propondo a verdade. A reeleição, em 2014, mais do que vitória, teve o sentido de aviso prévio da catástrofe que se aproximava. A vitória, antevista como “favas contadas”, a ser alcançada já em primeiro turno, acabou sendo conseguida dramaticamente, graças, não à comprovada inexistência de virtudes do candidato de oposição, mas favorecido com a morte dramática daquele que o PSDB se preparava para apoiar.

A reação sentimentaloide de grande parte da população avisava de forma gritante sobre a imaturidade política de um povo massacrado pela ditadura civil-militar, acobertada ideologicamente pela Rede Globo de Televisão. A imagem ridícula e opaca da Marina Silva, inviável em qualquer conjuntura política minimamente consciente, foi capaz de comover, desviando votos. A insegurança do terreno em que se pisava não foi sentida, não foi aceita, camuflada por slogans e frases feitas, defeituosas por não corresponderem à verdade. O ano de 2015 caminha para ser o mais nefando já experimentado por esse País. Os objetivos mais sórdidos, assumidos nas caras mais aviltadas pelo vício da mentira, ameaçam depor Dilma Rousseff. Não se trata apenas e tão somente de 54 milhões de votos a serem desprezados. O que se está cometendo é o crime maior, o de substituição da verdade pela mentira tosca e suja, é o aviltamento das instituições. Como respeitar minimamente a Câmara dos Deputados, depois da encenação pornográfica que ofertou em rede nacional de televisão? Como não desprezar um Senado da República que transpira a vilania? A segregação da Política brasileira, isolada pelas paredes dos corredores e gabinetes de Brasília, torna impossível uma previsão sobre o mais provável. Seja o que venha a ser promovido nesse circo de horrores escatológicos, a imagem de Dilma Rousseff está sendo engrandecida. Liberta dos maus conselheiros, que pretenderam afasta-la do contato direito com o povo,e isso é o que ela está fazendo. Um aprendizado de duas mãos: o povo começa a aprender que a Presidenta é digna e o representa dignamente; ela está falando espontaneamente à ele.

A maldade insana dos golpistas vai transformando Dilma Rousseff, não apenas em heroína nacional, mas na santa protetora, a voz de milhões de brasileiros. Dilma declara gostar de história e interessar-se por ópera. No início da década de 1990 matriculou-se no curso de teatro grego do dramaturgo Ivo Bender. A mitologia grega tornou-se uma obsessão para Dilma, que, influenciada por Penélope, resolveu aprender a bordar. Segundo seu site oficial, ela é leitora assídua de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, e Adélia Prado. Ela tem uma bicicleta (anda de “camelo”) em Brasília. Venceu o câncer, venceu definitivamente, quando foi capaz de contar publicamente sobre a tristeza de perder os seus cabelos. O que os sórdidos estão fazendo lesa os interesses do Brasil, destrói muita gente e muitas coisas. Mas não atinge a Dilma Rousseff, que vai se tornando, não pela palavra de Lula, mas pela vontade nacional, a Mãe do Povo Brasileiro.


Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O QUE VOCÊ TEM A VER COM A POLÍTICA?



Hoje em dia é muito comum ouvirmos de pessoas que “não gosto de política”, “prefiro não me envolver com essas questões”, “todos os políticos são ladrões”, “sempre que um político aparece na televisão eu desligo a TV”, horário eleitoral é um saco” ou “ política envolve corrupção e desvio de verba”.

No dia-a-dia, quando se fala de política, geralmente se pensa nela como uma coisa ruim e distante, como se fosse assunto apenas para os especialistas ou políticos. Ou então até mesmo, pensamos que a política só se restringe ao voto.  Mas será que é isso mesmo? Afinal, o que você tem a ver com a política?

SE OUVIMOS TANTAS COISAS RUINS SOBRE A POLÍTICA, POR QUE NOS DIZEM QUE ELA É TÃO IMPORTANTE?

Bom, apesar da existência de corrupção e de manipulação de ações para atender interesses específicos no ato político, temos que entender que esse quadro negativo só poderá mudar através da própria política. Isso porque a política é o instrumento de ação de transformação da sociedade.

Quem nunca ouviu na escola a frase: “o homem é um animal político”? Pois bem, quando Aristóteles declamou essa frase, ele quis dizer que todo homem precisa um do outro, que é da natureza humana viver em sociedade e que através da busca pelo bem comum é que se tem a constituição da polís, ou seja, a cidade, o lugar onde é compartilhada a vida pública.

Portanto, podemos entender que política está relacionada com aquilo que diz respeito ao bem público, à vida em comum, às regras, leis e normais de conduta dessa vida, nesse espaço, e, sobretudo, ao ato de decisão que afetará todas essas questões.

Assim, o que distingue o ser humano das outras espécies é a sua capacidade de raciocinar. E foi por meio desta habilidade que ele compreendeu a importância da vida comunitária e de conviver nesse meio de forma harmônica. E foi para isso que a Política foi criada: para regular os conflitos.

Vamos utilizar um exemplo prático. A Associação de Moradores de Umbará obteve uma vitória com a instalação de um semáforo na rua Nicola Pellanda, localizada em Curitiba. Essa rua era famosa pelo número expressivo de acidentes, inclusive fatais, devido à imprudência dos motoristas, que não respeitavam os limites de velocidade.

Para resolver esse problema, dificilmente você sozinha conseguiria alguma resposta do poder público, mas graças à organização dos moradores de Umbará, que possuem uma representação política, o problema foi solucionado. Depois de algumas manifestações e protestos foi reivindicado junto à prefeitura a instalação de um semáforo na localidade. Juntos, os moradores tiveram um peso muito maior.

Portanto, a política não se limita aos governantes e à profissão em si, mas abarca também uma participação na associação dos moradores do seu bairro, por exemplo, para debater sobre problemas existentes e possíveis soluções para melhorar a vida daquele local, ou quando você articula com seus amigos de escola para tentar deliberar sobre assuntos relacionados ao bem comum, como contribuir com a limpeza da escola, propondo a instalação de lixeiras de reciclagem e, consequentemente, facilitar o trabalho dos catadores de materiais recicláveis.

A política é tão presente na vida das pessoas que até quando você decide não participar da política, você também está agindo politicamente, pois está deixando que as coisas permaneçam do jeito que elas estão e não vê necessidade de mudança.

Daí a importância da participação cidadã. Se muitos permanecerem apáticos, deixando as decisões para terceiros, um grupo limitado acabará comandando sem oposição as decisões mais importantes do nosso país e os nossos interesses poderão não ser atendidos. Dessa forma, temos uma responsabilidade política e exercê-la também é uma forma de participação.

Assim, nós fazemos a política, através da participação em associação de bairro, colegiado, partidos, manifestações, passeatas, nas eleições, por exemplo. Mas será que é só assim que se “faz política”?


Este texto foi criado por Hanah Aridi Moura. Hanah é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Viçosa e trabalha na Assembléia Legislativa do Espírito Santo.



POLÍTICA E VOCÊ, TUDO A VER


 A política é tão presente na vida das pessoas que até quando você decide não participar dela, também age politicamente, pois está deixando que as coisas permaneçam do jeito que elas estão e não vê necessidade de mudança.



Já parou para pensar que nós experimentamos e praticamos a política a todo o momento em nossas vidas? Na verdade, e isto é mais corriqueiro do que parece.

As relações sociais são permeadas pela política, seja no âmbito familiar – quando queremos ir numa festa e para isso precisamos dialogar e convencer os nossos pais a nos deixar ir (lembrando que política refere-se a relações de poder, de interesse e tomada de decisão) – como na formação de um time de futebol do bairro – quando são atribuídas responsabilidades para alguns, através de candidaturas e eleições… Nesses casos também ocorrem mini processos políticos.

Quando estamos parados em um ponto de ônibus para irmos à escola, enquanto alguém com melhores condições está indo de carro, não estamos pensando em política. Contudo, se pensarmos que para conseguir o nosso pé-de-meia é necessário algumas condições, aí sim, estamos vivendo a política.

Ora, mas como assim?  Vamos explicar: para adquirir um automóvel de luxo, provavelmente seja necessário um trabalho que pague bem. Isso envolve ter oportunidade de planejarmos a nossa própria vida, de juntar dinheiro, de investir. De uma maneira ou de outra, essa condição está relacionada a fatores políticos, pois é um processo político que vai definir as condições para a acumulação do pé-de-meia.

Por exemplo, se não há oportunidade de educação para todos, consequentemente, uns terão mais dificuldade para atingir os objetivos do que outros.  Se não há uma política econômica que favoreça o desenvolvimento e o acesso a oportunidades de trabalho bem remunerado, é grande a chance de que apenas alguns poucos tenham essa oportunidade.

Por isso, é importante você se informar e participar da política, pois ela é a condução da nossa própria existência coletiva, que será refletida na nossa experiência individual, ou seja, na nossa educação ou não, na nossa saúde ou não, na nossa oportunidade de acesso ou não.

Dessa forma, a política não é um mecanismo exclusivo de políticos e muito menos envolve apenas discursos, eleições e promessas falsas.  Não é algo distante de nós; pelo contrário, faz-se presente em nossas vidas, por menor que seja o assunto abordado. A política foi criada para que possamos debater discutir e questionar questões, sem que seja preciso a utilização da violência. Através dela, foram estabelecidas regras, leis e normas, bem como o estabelecimento de direitos e deveres para conduzir as nossas ações.

  
A natureza, a essência e o funcionamento da política têm que ser voltadas para a busca do interesse e bem comum. E cabe a nós participar desse processo, para contribuir e construir uma política mais desejável, afinal, no sentindo mais amplo da palavra, somos todos políticos.

E agora, ainda acha que você e a política não têm nada a ver?

Este texto foi criado por Hanah Aridi Moura. Hanah é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Viçosa e trabalha na Assembléia Legislativa do Espírito Santo

 A política é tão presente na vida das pessoas que até quando você decide não participar dela, também age politicamente, pois está deixando que as coisas permaneçam do jeito que elas estão e não vê necessidade de mudança.

Já parou para pensar que nós experimentamos e praticamos a política a todo o momento em nossas vidas? Na verdade, e isto é mais corriqueiro do que parece.

As relações sociais são permeadas pela política, seja no âmbito familiar – quando queremos ir numa festa e para isso precisamos dialogar e convencer os nossos pais a nos deixar ir (lembrando que política refere-se a relações de poder, de interesse e tomada de decisão) – como na formação de um time de futebol do bairro – quando são atribuídas responsabilidades para alguns, através de candidaturas e eleições… Nesses casos também ocorrem mini processos políticos.

Quando estamos parados em um ponto de ônibus para irmos à escola, enquanto alguém com melhores condições está indo de carro, não estamos pensando em política. Contudo, se pensarmos que para conseguir o nosso pé-de-meia é necessário algumas condições, aí sim, estamos vivendo a política.

Ora, mas como assim?  Vamos explicar: para adquirir um automóvel de luxo, provavelmente seja necessário um trabalho que pague bem. Isso envolve ter oportunidade de planejarmos a nossa própria vida, de juntar dinheiro, de investir. De uma maneira ou de outra, essa condição está relacionada a fatores políticos, pois é um processo político que vai definir as condições para a acumulação do pé-de-meia.

Por exemplo, se não há oportunidade de educação para todos, consequentemente, uns terão mais dificuldade para atingir os objetivos do que outros.  Se não há uma política econômica que favoreça o desenvolvimento e o acesso a oportunidades de trabalho bem remunerado, é grande a chance de que apenas alguns poucos tenham essa oportunidade.

Por isso, é importante você se informar e participar da política, pois ela é a condução da nossa própria existência coletiva, que será refletida na nossa experiência individual, ou seja, na nossa educação ou não, na nossa saúde ou não, na nossa oportunidade de acesso ou não.

Dessa forma, a política não é um mecanismo exclusivo de políticos e muito menos envolve apenas discursos, eleições e promessas falsas.  Não é algo distante de nós; pelo contrário, faz-se presente em nossas vidas, por menor que seja o assunto abordado. A política foi criada para que possamos debater discutir e questionar questões, sem que seja preciso a utilização da violência. Através dela, foram estabelecidas regras, leis e normas, bem como o estabelecimento de direitos e deveres para conduzir as nossas ações.
  
A natureza, a essência e o funcionamento da política têm que ser voltadas para a busca do interesse e bem comum. E cabe a nós participar desse processo, para contribuir e construir uma política mais desejável, afinal, no sentindo mais amplo da palavra, somos todos políticos.

E agora, ainda acha que você e a política não têm nada a ver?


Este texto foi criado por Hanah Aridi Moura. Hanah é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Viçosa e trabalha na Assembléia Legislativa do Espírito Santo

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Desmoralizar a política para acabar com a democracia



Por EMIR SADER

Temer como presidente do Brasil é para acabar de desmoralizar a política. Um político corrupto, golpista, traidor, medíocre, sem nenhuma ideia na cabeça para dirigir o país é o objetivo maior dos que querem acabar com o que há de democracia no Brasil e entregar de vez o poder nas mãos dos mercados e das corporações midiáticas.

Do que se trata é de desmoralizar definitivamente a política. O Brasil pode ser governado pelo Lula ou pelo Temer. Igualar tudo por baixo. Se trata de tentar envolver o maior líder político que o Brasil já teve na mesma lista de suspeitos de corrupção. Não importa que não exista prova alguma contra o Lula. Não importa que os outros sejam acusados de corrupção direta de milhões, enquanto Lula é acusado de ter um sítio e um apartamento que não são seus. O que interessa é jogar todos na mesma fogueira. Ou para buscar um salvador da pátria de fora da política, na mídia, ou de ter sempre governos fracos, que tenham que se render aos mercados e às campanhas da mídia.

Para isso Temer é perfeito. Ninguém duvida que é um corrupto, um pulsilânime, um tipo que vai passar rápido pela história para desaparecer depois de ter prestado o serviço de dar um golpe na democracia e tirar o PT do governo, devolvendo-o aos ricos e poderosos. E, com isso, receber em troca, a absolvição dos seus casos de corrupção.

E aí está o Supremo Tribunal Federal, que deveria ser a instância superior do Judiciário, que se não se pronuncia sobre se houve ou não crime de responsabilidade, não serve para nada. E, como cala, consente com o mais grave golpe contra a democracia, porque se faz supostamente dentro da democracia. E confirma, junto com as ações arbitrárias da PF e de promotores, que a política está completamente corrompida.

O cinismo com que a direita apoia o governo Temer serve para confirmar que, se todos os políticos são corruptos, pode governar qualquer um, contanto que enfraqueça mais ainda o Estado e a política. Temer serve duplamente: confirma a canalhice dos políticos e debilita o Estado.

Os fins justificam os meios e isso justifica o apoio da direita ao governo Temer. Se tudo correr como a direita deseja, o pais estará desmontado em 2018, tanto o patrimônio publicado, que será privatizado, como os direitos dos trabalhadores, recortados, e os recursos para políticas sociais, diminuídos. Além da reinserção internacional do Brasil, que passará de uma política externa soberana a outra, subordinada.

O Globo retoma o que sempre achou: a fonte da corrupção não é o dinheiro privado, mas as estatais. Privatizar tudo moralizaria o pais. Os próprios processos de privatização do governo FHC desmentem isso, mas é preciso esquecer o passado vergonhoso, para promover um futuro vergonhoso. Se possível sem Estado, sem políticos, sem partidos, mas principalmente sem o Lula, sem a esquerda, sem sindicatos, sem campanhas salariais. Em suma, uma ditadura com roupagem de democracia.

Cabe à esquerda tratar de evitar isso, buscando alternativas que impeçam os dois terços no Senado, com que a direita trata de consolidar o golpe e o desmonte do Brasil.

sábado, 4 de junho de 2016

A BANALIDADE DO MAL

857Quanto mais superficial uma pessoa for, mais provável será que ela ceda ao mal, principalmente por não percebê-lo. A propensão dos seres humanos a fazer parte de um grupo no qual se identifiquem, aderindo impensadamente a ideias, opiniões e “deveres”, pode levar ao cometimento de males inseparáveis. Assim, ideais perturbadores conduzem nações ao massacre de outros povos. No âmbito da vida familiar ocorre o mesmo, nos lares que são destruídos por intolerância e violência, ora dos pais, ora dos cônjuges, ora dos filhos.
O pertencimento a ideologias fabricadas pelo sistema político, e veiculado pelo aparato midiático ao longo do último século, fomentam o consumo e a competição, e portanto, a rivalidade e a indiferença na convivência; assim, ao exigir o alinhamento a estes “conceitos plastificados”, são custeados o desrespeito, o ódio e a destruição do “diferente”.
A adesão a opiniões da maioria – ou de um grupo – carrega consigo a possibilidade de matar aquele que não se adequa a tal “modus vivendi”. Convencido de que cumpre seu papel, o homem tolo, deformado pelos moldes do interesse das elites que governam, toma por dever as pueris e inconsequentes convenções estabelecidas, deixando de pensar por si mesmo.
Refletir e interrogar os próprios pensamentos e atos, as normas e os padrões a que fomos condicionados, é a única condição para não sermos tragados por esse mal, no qual as mentes fracas agridem, revidam e se vingam, convictas de que estão vestidas com a túnica da justiça.
Pensemos nisso
(Extraído do pensamento de Hanna Arendt, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”)

# mal banal




Autor: Z. Iljitsch Samsa

A filósofa alemã (e judia) Hanna Arendt cunhou a célebre expressão "banalidade do mal" para explicar a sua tese do que houve no regime nazista, mais especificamente depois de acompanhar, em Nuremberg, ao vivo, o julgamento de Adolf Eichmann, um tenente-coronel do regime de Hitler e reconhecido como o executor-chefe do Terceiro Reich.

Eichmann foi responsabilizado pela logística de extermínio de milhões de pessoas, organizando a identificação e o transporte de pessoas para os distintos campos de concentração – era a chamada "solução final", na porta de entrada dos trens.

Ao se referir à "banalidade do mal", Arendt em momento algum busca rebaixar a sua gravidade, mas, pelo contrário, aumentá-la – e isso, à época, foi muito pouco compreendido, maiormente pelo furor dos tão recentes acontecimentos.

Na verdade, é que o mais horrível do mal está no fato das autênticas perversões poderem se apresentar e ser vividas como atos corriqueiros, triviais, indiferentes e neutros do cotidiano.

Ora, se chego a acreditar que praticar tais atos é um direito (ou um dever) meu, é muito mais fácil cometê-lo, publicizá-lo e defendê-lo.

Assim, sob tal concepção, Eichmann não era um assassino monstruoso.

Ele era, simplesmente, um funcionário estatal comum encarregado de fazer pessoas entrarem nos trens para que chegassem a um determinado lugar, inadmitindo juízo de valor.

Sim, mera peça de uma engrenagem, circunstancialmente travestida de "gente", que deveria funcionar sob estrito aparo da convicção e da convenção populares vigentes no contrato social daquela Alemanha.

E uma peça de engrenagem não é moral e nem é imoral: é, simplesmente, uma "peça".

Logo, qual o paralelo que queremos propor?

É que a mesma lógica sucede com esta coisa chamada "mercado" que nesta sociedade produz, como fruto fiel da sua capital libertinagem, uma atroz "injustiça social", banalizando-se na sua essência.

A dinâmica invisível de uma estrutura abstrata que afeta a vida de bilhões de pessoas assenta-se em comportamentos cujos reflexos são encarados como meros fenômenos naturais – e a sua existência, pois, refuta qualquer ordem valorativa.

Não há monstruosidade na conformação deste regime do capital e não há perversidade na atuação dos seus agentes: neles somente se fazem "escolhas" e "investimentos”.

Como Eichmann, que só organizava transportes e pessoas.

Ora, os responsáveis em ambas as situações não se movem por instintos malévolos, por regras de conduta malvadas e por ódio; há, apenas, a renúncia a ser homem e, pois, a "pensar".

Pensar não deve ser entendido, jocosamente, como uma abstração máxima da não-atividade.

Pensar revela-se como a capacidade para refletir e para saber as causas e as consequências dos próprios atos, ainda que resultem da mera obediência e cumprimento do dever, sem reduzi-los às dimensões individuais e sem abstraí-los das implicações globais, como inclusive aqui já foi narrado.

Pois é, neste anonimato do "mercado", pessoas tomam singelas decisões sócio-econômicas que abrem o caminho para dramas, tragédias e a falência financeira, pessoal e moral de outras bilhões.

Tal qual Eichmann e os agentes do mercado, mundo afora agentes políticos também trabalham com esta "lógica".

E se não levam centenas de milhares de seres humanos aos trens que levam às câmaras de gás, amontoam-nas pelas periferias sob a redoma de uma câmara de asfixia pessoal e social.

Estes agentes políticos são cruéis e malevolentes?

Não, certamente não.

Afinal, tal qual os agentes do mercado (e Eichmann), eles também creem que estão apenas a cumprir os seus deveres.

E assim segue a toada, e assim se perpetua a banalização do mal, no caso, a banalização da injustiça social.


Diante da qual poucos se atrevem a pensar ("sapere aude!"), como lá atrás exigia a filósofa judia alemã, sob a lição de Kant.

Fonte: http://abuladabola.blogspot.com.br/2016/05/mal-banal.html?spref=tw