Mas o que é isso?
por Wagner Francesco

Os advogados do Lula deram (mais) um argumento para rebater
as denúncias contra seu cliente: segundo eles, "Lula é vítima de
‘Lawfare’.
Mas o que é Lawfare? A grosso modo, é uma guerra travada por
meio da manipulação das leis para atingir alguém que foi eleito como inimigo
político. É o uso (muitas vezes) abusivo da lei como uma arma de guerra. É a
estratégia de utilizar - ou abusar - do direito como um substituto de
tradicionais métodos militares para obter sucesso em um conflito.
Ora, numa democracia é necessário que a lei seja obedecida;
o Estado, dessa forma, se vale do uso da lei para atacar aqueles/aquilo que
considera como inimigo. Desenhando: dar um ar de legalidade aos abusos. Sabe
quando alguém diz que apesar do impeachment ter seguido os trâmites legais,
ainda assim ele foi golpe? Tipo quando o diabo, para tentar Jesus, usou as palavras
de Deus? Pois, quem defende isso defende que houve, no Brasil, uma Lawfare e
que Dilma saiu derrotada...
Segundo os advogados do Lula, há a prática de Lawfare, pois,
para deslegitimar o ex-presidente, há manipulação do sistema legal, abuso de
direito, tentativa de influenciar a opinião pública, judicialização da política
e promoção de desilusão popular. Isso porque uma"guerra legal" parte
da ideia de que um grupo político vai tentar usar a lei para impedir ou punir a
ação de outro grupo político - e esse argumento é usado pela defesa do Lula
para passar a impressão de que a atuação do Ministério Público não é só
jurídica, mas política também.
Resumo: os advogados do Lula argumentam que nas urnas
ninguém o vence, então seus opositores se valem da Lawfare, que é uma guerra
jurídica, para derrubá-lo politicamente.
Não caindo no mérito sobre se os advogados do Lula têm razão
ou não, o fato é que o uso da lawfare é mais eficiente e menos cansativo que
ganhar uma eleição. Nada melhor que derrubar um opositor usando uma via mais
destrutiva: de forma legal - ainda que camuflada.
O que posso afirmar é que a Lawfare é inerentemente
negativa. Não é uma coisa boa. É o oposto da busca pela justiça, pois, por meio
de apresentação de processos judiciais frívolos e do mau uso de processos
legais, intimida e frustra os adversários. E ganha uma Lawfare quem tem mais
poder: político e econômico - e essa guerra nunca foi novidade num cenário
internacional. Se chegou ou não ao Brasil devemos, sim, discutir: mas de
repente pode ser só um jus esperniandi...
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