quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

"NÃO HÁ CADEIA SUFICIENTE PARA LULA



Texto do um professor da UNB - Perci Coelho de Sousa












Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.

Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.
Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.

Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar

Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.
Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.

Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.

Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.
O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.

Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)

Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)

Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.

Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.

Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.

Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo

Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá"!  -  Via-Ismael Galeazzi

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O DEUS DE SPINOZA

Einstein, quando peguntado se acreditava em Deus, respondeu
- " Acredito no Deus de Spinoza que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa em premiar ou castigar os homens".





Estas palavras são de Baruch Spinoza, filósofo holandês que viveu em pleno sèc. XVII. Este texto foi chamado de "Deus segundo Spinoza" ou "Deus Falando com você".

"Para de ficar rezando e batendo no peito. O que eu quero que faças é que saias pelo mundo, desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Para de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.
Para de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos de teu filhinho... não me encontrarás em nenhum livro...
Para de tanto ter medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te castigar por seres como és, se sou Eu quem te fez?

Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos os meus filhos que não se comportam bem pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Para de crer em mim . . . crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho de
mar.

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro... aí é que estou, dentro de ti."

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

PARA OS BEM COMPORTADOS


Por Francisco Costa.

Se te disserem política não se discute,
Permanece atento, ligadíssimo:
Querem te tomar o prato,
Para mais sobrar.

Se te disserem religião não se discute,
Redobra a vigilância, ligadíssimo:
Este se julga porta voz da verdade,
Alternativa única entre alternativas,
E se não discute é por medo, temor
Da fragilidade das próprias convicções.

Todo aquele que se recusa à discussão,
Blinda-se nas próprias desconfianças
Erigidas certezas, é frágil e fraco.

Os tiranos agradecem a disciplina,
Os lobos rejubilam a inofensibilidade
Da ovelha quieta e calada, presa fácil
Para os que discutem o que fazer
Contigo, cardápio em fogo brando,
Esperando ser a refeição.

Se tua boca só serve para comer
Pouco comerás, perdido
Em orações de estranhos propósitos
E sorrisos sem motivo.

sábado, 26 de novembro de 2016

OS COXINHAS DE LÁ MORRERAM AFOGADOS



Um coxinha, essa anomalia que substituiu o cérebro por um HD externo, da mídia, veio ao meu chat, navegando em desaforos, para me perguntar porque exalto Cuba.
Meu caro coxinha!

Imagine um país sem shoppings, sem Black Friday, sem roupas de etiqueta, restaurantes de luxo, igrejas promovendo a salvação imediata e curas milagrosas, carros de último modelo, mansões, iates... Uma merda, não é mesmo?

Agora imagine um país onde TODOS fazem as três refeições diárias, TODOS estudam ou estudaram, TODOS têm assistência médica e odontológica, TODOS têm consciência, e os órgãos internacionais classificam esse país como modelo nos sistemas de saúde e educação.

Para que isso seja possível é necessário que não haja uma maioria trabalhando para sustentar os que consomem nos shoppings, aproveitam o Black Friday, vestem roupas importadas, freqüentam restaurantes de luxo, passeiam em seus carrões e iates de luxo e depois vão para suas mansões, descansar, ou para as igrejas, orar, para agradecer a Deus a graça alcançada.
Você falou mais, que Cuba é um país ateu.

Não! É tão laico quanto o Brasil. A diferença está em que lá não existe a profissão de líder religioso, alguém que vive da fé alheia, fazendo fortuna.

Lá o sujeito é médico, engenheiro, pedreiro ou carpinteiro durante a semana, e no final da semana, depois de ter dado o seu quinhão para a sociedade, pode escolher se vai à praia, se vai encher a cara de rum, jogar beisebol, visitar um parente ou ir para uma igreja ou macumba, lá chamada de santaneria.

Lá, liderança religiosa como atividade principal é sinônimo de charlatanismo e vagabundagem.
Depois você apontou as filas. É verdade, lá há fila para quase tudo.

Não sei onde você mora, coxinha, mas imaginemos que no seu bairro morem cinco mil pessoas.
O açougueiro do seu bairro compra carne suficiente para quinhentos fregueses, para não encalhar, e a carne é vendida sem filas.

Já em Cuba forma-se uma fila de cinco mil pessoas, e todos compram a carne.
Aqui o poder econômico determina quem vai comer carne. Lá, a ordem de chegada na fila determina quem vai comer carne primeiro, entre TODOS.

E vem você com a conversa que em Cuba não há liberdade.

O que é a liberdade, o direito de ambicionar uma jóia e comprar uma bijuteria, desejar ir à Europa e não ter dinheiro para tomar um ônibus e ir ao bairro vizinho, sonhar bacalhoada e comer ovo frito, consultar o índice da Bolsa, o mercado de capitais, a cotação do dólar, como quem lê livro de ficção?
Ser livre é ter o direito de admirar o iate alheio, a mansão alheia, as viagens alheias, o carrão alheio, sabendo que nunca terá igual, ou desejar o que está ao seu alcance porque ao alcance de todos, igualitariamente?

Lá, não procure por joalherias, agências de câmbio, corretoras de valores, shoppings... Os cubanos não conhecem isso. Como não pode ser para todos, não é para ninguém.

Achei interessante como você cobrou de Cuba (e de Fidel), como se fosse um país gigantesco, super armado.

Saiba que Cuba é uma ilha menor que o estado de Santa Catarina, com uma população aproximadamente igual à da cidade de São Paulo, mais próxima dos Estados Unidos (Flórida) que o Rio de Janeiro de São Paulo, e no entanto ousou desafiar e resistir à maior potência bélica do planeta, mesmo sob boicote internacional, sem poder comprar nada e vender nada para nenhum país, buscando a auto suficiência em tudo. Isso por meio século.

Fosse um povo infeliz ou revoltado e teria mais facilidade de se entregar aos algozes que um país maior e mais distante. Se não o fizeram é porque estão satisfeitos.

Quanto a Fidel, leia a sua biografia, ultrapassa muitos heróis de ficção, fabricados nos laboratórios do capitalismo.

Por fim, você sabe do que mais gosto em Cuba?
Lá não tem coxinhas, morreram todos afogados em livros, reencarnando seres conscientes.
Francisco Costa
Rio, 26/11/2016.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

CARTINHA PRUM COXINHA TRISTINHO


Boa tarde, amigo.

Antes de qualquer coisa, quero dizer que a minha raiva de você já passou.
O que era raiva virou piedade, pena, dó, tamanha a sua indigência mental.

Mas a piedade também passou agora dou risadas. Isso mesmo, acho engraçadíssima a sua carinha de me enrabaram no escuro e não sei quem foi.

Vamos começar por política externa, meu doce energúmeno?

Um dos seus argumentos era que a sua bandeira nunca ficaria vermelha, optando pelo azul dos conservadores, já que o vermelho é dos comunistas.

Outra maneira de você tentar desmoralizar a esquerda era ridicularizando o slogan “a Esperança vencerá o medo”.
Outra das suas afirmações, ainda, é que a esquerda queria o poder (a direita quer o quê, pamonha ou cachorro quente?).

Você é uma pessoa triste e entendo: você queria ter nascido em Miami ou na Pensilvânia e se chamar Herald ou Paul, mas ao invés nasceu cá nos trópicos bananeiros e é um Silva ou Costa, casado com uma Maria ou Raimunda, fueda, né, amigo? E por isso acompanha atentamente o que rola na matriz, invejando os mendigos de lá (pedem esmolas em inglês, que luxo!).

Sabia que a cor do partido Democrata é o vermelho? Não vai me dizer que você acredita que Bill e Hilary Clinton, Obama... São comunistas.

À truculência de Trump, os democratas responderam com o slogan “Hope Will overcome fear”.
Vá ao dicionário bilingue, meu beócio de estimação, sabe o que isso quer dizer? “A esperança vai vencer o medo”. Vai ridicularizar?

Olhe os dizeres que ficam no fundo dos palcos onde a Hilary discursa: Strong Together, Fortes juntos, mais o menos poderosos juntos.

Está tão parecido com o cá que me parece que a espionagem os ensinou.

Se você não está torcendo para a Hilarya Clinton, você é Trump, e louvo a coerência do coxinha, Trunp afirma que não é político, mas empresário, um gestor, exatamente como o Doria, em Sampa, o Quibe, em Belô, e o Bispo, no Rio.
Mas vamos ficar por aqui, por estas plagas tropicais, que os seus líderes querem transformar em praga tropical.
Você foi para as passeatas, para gritar Luladrão. O Moro continua acalentando o seu sonho de consumo: prender Lula, mas não encontra provas. Ajude-o.

E já que toquei no assunto, lembra quando você falou “somos todos Cunha”? Ele está preso, é ladrão.
E as delações da Odebrecht, você está acompanhando? Marcelo e os outros executivos da empresa já citaram mais de oitenta nomes: Temer, Serra, Aécio, Aloysio, Temer, Agripino, Jucá, Alkimin, FHC, Cunha, Cabral, Heráclito...
Sacanagem, o Lula não está, nem a Dilma.

Mas você odeia ladrões.
Agora vamos esquecer os ladrões, vamos falar de Economia.

O Temer está impondo uma política de austeridade, de economia das finanças públicas. Deu dois banquetes aos parlamentares golpistas, com o nosso dinheiro, mais de trezentos mil, o custo de cada rega bucho.
Patrocinou um show de pagode com a nossa grana, mais de meio milhão.

De julho para cá o cartão corporativo, aquele que as autoridades usam sem ter que ressarcir as despesas feitas, já estourou mais do que foi estourado no primeiro semestre desse ano, em nome da austeridade.
Os ministros, aspones e puxa sacos já realizaram quase 300 vôos em aviões da FAB, contrariando a lei e queimando o dinheiro público.

Você foi para as ruas para quê mesmo? Pedir austeridade e responsabilidade, não é mesmo?
Como você disse que o PT aparelhou o Estado, não é? Só numa tacada Temer nomeou mais de 14 000 para cargos comissionados, rateio entre os partidos que apoiaram o golpe, e aí?

Pelo apoio ao golpe, o Judiciário recebeu aumento, que vai nos custar mais de 56 paus. Teve ministro do STF que este mês embolsou contra cheque (olerite, na terra do volume morto, Cantareira, cabeça e pinto) de R$ 116 000,00, o que quer dizer que em dezembro vai receber mais de duzentos paus.

Os procuradores receberam aumento, na mesma proporção. A polícia federal recebeu aumento. Os deputados e senadores receberam aumento, todos os golpistas, e você?

Também, claro, aumento no gás, aumento no arroz, feijão, óleo de soja... E ainda vai ficar com o salário congelado por 20 anos.

Desculpe-me. Congelado, não. Vai crescer abaixo da inflação, o que quer dizer que vai diminuir.
Isso sem contar os seus direitos em risco: décimo terceiro, aumento na jornada de trabalho, redução nos dias de férias...
E o desemprego continua subindo, a inflação não se estabilizou, a dívida pública se agigantando...
Lembra do patinho da Fiesp? Ele tinha uma faixa: “eu não vou pagar o pato”.

Realmente a Fiesp não vai pagar, vai receber mais e mais e mais...
Está sabendo da situação do Rio de Janeiro? Tem mais 22 estados na fila de espera, para o povo dizer nóis si fudemo também.
Termino por aqui, meu caro sacripanta, sei que você não gosta de ler, prefere que o Bonner leia para você, mas me permite só mais três perguntas?
1) O que você fez com as panelas e camisetas da CBF?
2) Doeu?
3) Você usou vaselina sólida ou líquida?
Francisco Costa
Rio, 08/11/2016.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Jamais vou me conformar!!!




Por Afranio Silva Jardim

Às vezes, bate na gente um certo desânimo. Somos tentados a pensar que as coisas devem ser assim mesmo e que a nossa “luta” é inglória, que as nossas aspirações de justiça social contrariam a “natureza das coisas”.
Em outras palavras, somos tentados a admitir que a perversidade e ganância do ser humano têm de levar à criação e manutenção da divisão da sociedade em classes, divisão esta própria do sistema capitalista. Dizem: não tem jeito, pois uns têm que ser ricos e outros têm que ser pobres. Se todos forem ricos, quem vai nos servir nos necessários trabalhos braçais?
Enfim, dizem que a injustiça social seria natural, pois o homem é egoísta e individualista. O ser humano deseja tudo para si. Se sobrar algo, que os outros catem as migalhas. Dizem, ainda, “ eu quero ser feliz e, para isso, não posso me importar com o sofrimento dos outros”. Em resumo: o capitalismo estaria mais de acordo com a natureza humana e as ideias de Marx e Engels seriam incompatíveis com o individualismo, que a todos nos caracteriza.
Aceitar ser esta a nossa realidade é profundamente doloroso. Pode nos levar à submissão e à depressão. Será que os valores que nortearam toda a trajetória de nossa vida são irrealizáveis, são incompatíveis com a natureza humana? Será que temos de capitular e aceitar a triste situação que nos asfixia? Seria ingenuidade acreditar em uma sociedade igualitária, baseada na solidariedade, fraternidade, enfim, seria possível uma sociedade mais justa?
Não tenho dúvida de que a nossa história social está caracterizada pelos conflitos entre as classes sociais. A história nos mostra que sempre uma classe social oprimiu as demais, através do poder econômico e todos os demais instrumentos de coerção e persuasão. Não é de hoje que a classe subalterna assimila a ideologia da classe dominante. Hoje, este é o papel estratégico e predominante dos grandes meios de comunicação de massa.
Não tenho dúvida, entretanto, de que a nossa sociedade já foi muito pior: a guerra foi uma constante necessária para a dominação de territórios na antiguidade, sendo escravizados os vencidos, quando não exterminados;  a servidão era a base da economia na Idade Média, idade das trevas; os descobrimentos de outros continentes (na verdade, invasão) levou ao genocídio dos povos nativos e à escravidão de populações africanas, asiáticas e outras.
Enfim, por incrível que possa parecer, vendo a trajetória fraticida da humanidade, percebemos que o mundo de hoje é menos ruim …
Disto tudo, resulta uma outra reflexão: por que a sociedade de hoje é menos ruim que as sociedades do passado? A resposta nos anima: porque os oprimidos não aceitaram este determinismo social. Porque muitos deram sangue e suas vidas para não aceitar a opressão, as injustiças, o processo social de exploração do homem pelo homem. Porque sempre surgirão novas “Anas Júlias” …
Então levantamos a cabeça e afastamos o desânimo e o conformismo. A rebeldia é fundamental. Por isso, a juventude é fundamental. A história não para e sua evolução se dá através de um dinamismo dialético, que as forças conservadoras jamais conseguirão deter.
Não podemos desistir e temos de resistir, até mesmo em homenagem a todos aqueles que pereceram, na maioria ainda jovens, na luta por um mundo melhor. Se a sociedade já foi pior, é sinal que pode melhorar. Temos que manter válidos os nossos corretos valores e lutar para que eles, ao menos, permaneçam orientando as futuras gerações.
Temos pressa, mas tudo em termos sociais é muito lento. Atualmente, somos minoria, mas poderemos ser majoritários, quando o povo tiver cultura e adquirir consciência política. Quando o povo compreender o processo econômico de exploração a que está submetido. A cultura nos libertará …
Não estaremos presentes para colher os frutos desta possível e gradual melhoria social, mas resta a esperança de que estaremos tentando algo em prol de nossos netos ou bisnetos. A “luta” é boa por si só … Como dizia Eduardo Galeano, a utopia nos faz caminhar, embora ela permaneça sempre distante.
Por ora, por absoluta falta de condições objetivas para o sucesso, qualquer perspectiva revolucionária está descartada. Temos, sim, que “ganhar” os jovens para o nosso lado, mostrar a eles quais são os melhores valores. Todos devem ter as mesmas oportunidades de ser realizarem socialmente. É possível uma sociedade que não seja baseada na competição, no lucro, na concorrência, na ganância e na cobiça. É possível uma nova sociedade. É possível uma nova cultura. É possível um novo homem.
Enfim, não desanimo, embora a idade tenha diminuído em mim o açodamento juvenil. Não abro mão das minhas utopias, embora já não tenha tantas condições de correr em sua direção. Não aceito os “fatos consumados” e acho que podemos, algum dia, no futuro, subverter os fatos.
Jamais abandonarei a “luta por justiça social”, pois não consigo achar natural que as pessoas tenham tantos sofrimentos em razão de sua pobreza. Termino, dizendo: quando virem o meu caixão sendo levado para a sepultura, tenham certeza de que ali vai um eterno inconformado, um inadaptado, um rebelde nato.
Espero ter deixado caída uma semente por este nosso caminho de vida percorrido …
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Primavera, de 2016

Afranio Silva Jardim.
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Afranio Silva Jardim é mestre e livre-docente em Direito Processual Penal. Professor Associado da Faculdade de Direito da Uerj (graduação, mestrado e doutorado).
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sábado, 5 de novembro de 2016

Os acendedores de manhãs

Quem são os jovens que ocupam as escolas

Até a UFRJ!
UFRJ.jpg
Hoje na UFRJ
Por Joan Edesson de Oliveira no Portal Vermelho:
Os acendedores de manhãs
Ah! Esses meninos. Ah! Essas meninas.
Espalham-se pelas ruas, pelas escolas, pelas universidades. Não se contentam mais em esperar pelo amanhã, não querem apenas, como deles dizia Máximo Górki, ter a face do amanhã. Têm sede de hoje, estão famintos pelo agora.
Quem são esses meninos, que ocupam o Brasil, que transbordam em sua juventude e em sua rebeldia, que não podem mais ser escondidos, por mais que tentem? São herdeiros de outros meninos, em lugares e em tempos tantos da nossa história. São herdeiros daquele menino baiano Antônio de Castro Alves, abolicionista e republicano, voz tão poderosa a pregar aos séculos que “toda noite tem auroras” e a dizer aos moços como ele que “não tarda a aurora da redenção”. Descendem eles do menino alagoano Zumbi, que imberbe ainda comandou homens e sonhou a liberdade.
Quem são essas meninas, buliçosas e de olhar tão vivo, que transpiram beleza e coragem, que erguem a voz doce e firme em tribunas hostis, obrigando velhos conservadores a desviar o olhar, envergonhados e derrotados, por mais que se vistam de vencedores? São descendentes diretas daquela menina Anita Garibaldi, que aos dezoito anos fazia guerra e amor, incendiando o sul do Brasil com a chama da liberdade. Elas vêm da baiana Maria Quitéria, pondo em fuga o opressor português. Vêm de outra baiana, Maria Bonita, que aos vinte anos armou a ternura e alou-se em lenda na caatinga sertaneja.
Por que despertam tanto ódio nas elites, por que são tão atacados? Não são um exército com tanques, mísseis, fuzis. Não são uma força estrangeira a nos invadir. Qual o perigo que representam, então? Por que jornais e emissoras de TV se empenham tanto em atacá-los? Por que representantes de um governo ilegítimo, velho, machista e misógino, atacam com tal força essas meninas que discursam? Por que recrutam milícias que parecem integralistas saídos de um mofado livro de história para atacar esses jovens?
É que esses meninos, essas meninas, riso solto e gargalhada livre, são uma grande ameaça. Os alicerces desse edifício secular das classes dominantes tremem ante o riso deles, temem a sua gargalhada. Mas acima de tudo, o que causa temor mesmo são os sonhos desses meninos e meninas. Sim, eles sonham. Sonham com educação de qualidade, sonham com justiça, sonham com uma polícia que não seja executora da juventude, sonham com um Brasil novo e têm a mais pura e justa certeza de que o novo sempre vem.
É por isso que eles são tão perigosos. É por isso que há jornalistas vendidos que os atacam. É por isso que há promotores de justiça que ordenam que eles sejam algemados. É por isso que há juízes que autorizam e recomendam o uso de técnicas de tortura contra eles. É por isso que há policiais prontos a bater, a socar, a prender. Porque esses meninos e essas meninas são perigosos, porque eles agarraram o futuro com as mãos e querem que o futuro seja aqui e agora, e não num tempo que nunca chega. Esses meninos são perigosos porque eles podem colocar o mundo de ponta cabeça, e de virá-lo em festa, trabalho e pão, como sonhou o poeta.
E esses meninos e essas meninas estão armados. Suas armas são as ideias que carregam, são o verbo que corta, a voz que inflama. Estão armados, eles. Trazem consigo a arma mais poderosa que há. Como em Pessoa, trazem em si todos os sonhos do mundo.
Parece que saíram de algum poema, esses meninos, essas meninas. Parecem que saíram de algum poema, para em tempos de tanta escuridão, de noite tão comprida, correrem pelas esquinas do Brasil, chamando pela aurora, acendendo as manhãs.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Geni, a calcinha enfiada na bunda e os erros do PT

Geni, a calcinha enfiada na  bunda e os erros do PT


Uma das maiores contradições do mundo em que vivemos é a culpabilização da vítima de estupro, principalmente quando a mulher é pobre.
– “Ah, mas também, com uma saia curta destas…”
– “Você não viu que ela anda com os peitos quase de fora?  E a calcinha? Assim, chama atenção mesmo”.
Esse absurdo de inversão de culpa, que dá  razão total ao estuprador, já é caso corriqueiro. Vou  fazer aqui um paralelo ao lembrar das acusações contra o PT por ter se coligado a partidos de direita para se viabilizar no poder e proporcionar uma verdadeira revolução na justiça social brasileira durante 13 anos. Depois do golpe jurídico-parlamentar-midiático, a “culpa” do PT é escancarada todos os dias pela direita e por parte da esquerda.
Os políticos de direita buscaram o mote da corrupção, num conluio com a mídia e o judiciário, passando a ideia de que quem inventou o dolo foi o Partido dos Trabalhadores. Já uma parte da esquerda prefere apontar o dedo e acusar o PT de ter se iludido com a conciliação de classes. Ou seja, andou mostrando as pernas e os peitos de forma tão escandalosa que o estuprador não teve outra saída a não ser  estuprá-lo. Outra parte da esquerda, se autoimola, se chicoteia, entra no discurso do erro pelo erro.
Simone de Beuvoir dizia que o “opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”. Nem  que sejam cúmplices involuntários.
Vivemos  um momento em que parte da esquerda, em vez de constatar que o golpe viria de toda a forma e que o governo só o sofreu em razão de suas virtudes, e não pelos defeitos tão sobejamente apontados, de ter se coligado com partidos de direita em busca de uma maioria para se manter no poder, une-se  aos opressores e  faz do Partido dos Trabalhadores a Geni da música de Chico Buarque. E haja pedra e haja bosta.
As virtudes, como a de tirar o Brasil do mapa da fome,  colocar pobres nas universidades em escala nunca antes alcançada,  unir-se à Rússia, Índia, China e África do Sul em busca de uma nova correlação de forças contrária aos Estados Unidos, valorizar o Mercosul e contribuir para o seu “empoderamento” e nacionalizar o pré-sal, entre outras conquistas, estão sendo esquecidas para que, tão somente, pedras sejam jogadas.
Mas onde estavam essas pessoas de esquerda quando os governos Lula e Dilma trabalhavam para reduzir um pouco da desigualdade que data de mais de 500 anos?
É verdade, alguns estavam, mesmo com as vitórias contra a miséria, apontando o dedo, mas a maioria posicionava-se  ao lado do governo. Agora, se não com a direita, estão na zona de conforto de acusar os meios, tendo se beneficiado dos fins. Estavam naquela de “vai com ele, vai Geni, você pode nos salvar, você vai nos redimir”.  E Agora se esgoelam na base do “maldita, Geni!”.
E tem gente de esquerda que ainda vibra e torce para que o PT se estraçalhe de vez, de olho no legado. Falam tanto em unidade da esquerda, mas são os primeiros a lhe dar as costas. Os votos são bem-vindos, mas que não venham carimbados com a marca do Partido dos Trabalhadores e do Partido Comunista do Brasil. Geni, nem pensar.
Querem se mostrar puros, mesmo sabendo que não há pureza ideológica numa urna. Enquanto a direita se delicia e resolve tudo explodir, parte da esquerda higienista prefere acusar e buscar o inimigo dentro de sua própria trincheira. Maldita Geni. Quem mandou andar com a calcinha enfiada no meio da bunda?

domingo, 30 de outubro de 2016

Minha opção ideológica: ainda faz sentido falar em direita ou esquerda?



Por Afranio Silva Jardim



Julgo interessante alternarmos textos jurídicos com outros sobre temas diversos, aqui na coluna deste excelente site.
Desta forma, trago à reflexão um recente escrito sobre a nossa opção ideológica, forjada em nossa juventude. Acho importante que o leitor saiba exatamente qual é o “nosso local de fala”, quais os condicionantes existenciais que, de alguma forma, acabam tendo influência em todo o nosso labor e trajetória de vida.
Desde logo, deixo bem claro: sempre tive aguçado o meu sentimento de justiça, mais especificamente, o de justiça social. Por influência de meu falecido pai e de várias outras circunstâncias, sempre achei possível uma sociedade menos injusta, alicerçada sobre outros valores que não a competição e a cobiça.
Na verdade, o mundo sempre esteve dividido entre pessoas que só pensam em si e pessoas que se preocupam com a desgraça dos outros. A falta de informação ou informação deturpada impedem a divulgação dos melhores valores, fundantes de uma sociedade mais justa. A questão é, principalmente, ideológica.
Embora tenha nascido em um lar privilegiado, sempre pugnei por justiça social. Agradeço ao meu saudoso pai por ter despertado em mim esta consciência crítica, como disse acima. Malgrado corra o risco de cair num reprovável maniqueísmo, digo que se trata de uma luta da solidariedade contra o egoísmo. Pode ser até utopia ou romantismo juvenil, mas é a utopia que nos faz caminhar, como dizia Eduardo Galeano e a utopia é absolutamente necessária.
O mundo já foi muito pior (mataram quase todos os índios, escravizaram os negros e dizimaram civilizações, em razão do racismo e da ganância). Graças à luta contra os egoístas, o mundo melhorou e, algum dia, a solidariedade, e não a competição, fará surgir um novo ser humano. Como disse Leon Gieco, em uma das suas belas músicas, “há de vir uma nova cultura”.
A nossa esperança é que, ao menos, todos tenham as mesmas oportunidades. Que os filhos da nossa empregada doméstica tenham as mesmas oportunidades sociais que os nossos filhos, vale dizer, que o filho do empregado não nasça empregado e que o filho do patrão não nasça patrão.
Espero que consigamos vencer este trágico determinismo de uma sociedade profundamente injusta e indiferente à dor dos outros. Que jamais uma criança morra nos braços de sua mãe em razão de falta de recursos para o seu tratamento médico, enquanto outros jogam “dinheiro pelo ralo”.
Fala-se que, nos dias de hoje, já não fazem mais sentido as “categorias políticas” chamadas de pensamento de esquerda e de direita. Não penso assim, e abaixo justifico o meu entendimento, embora de forma bastante simplificada e, até mesmo, de forma simplista.
O pensamento de esquerda prioriza a justiça social, sustentando que o Estado Popular deve assegurar, no mínimo, as mesmas oportunidades para todos.
Para isso, os chamados “bens de produção” devem ser gerenciados pelos trabalhadores, que são aqueles que realmente produzem a riqueza. As riquezas produzidas pela mão dos trabalhadores e trabalhadoras devem ser distribuídas e não concentradas nas mãos de uns poucos. Ninguém pode explorar o trabalho alheio.
Os valores da esquerda são a solidariedade e igualdade. Busca-se uma sociedade justa, sem explorados e exploradores.
Já a chamada “direita” privilegia a competição e a concorrência na sociedade. É individualista.
Os liberais acreditam que a livre iniciativa na economia vai fazer a sociedade se desenvolver. Apostam no lucro, na cobiça, embora acreditem que os empresários são “bondosos”, pois criam empregos. Querem liberdade na economia, mas são “castradores” no que diz respeito à evolução dos costumes na sociedade. Neste particular, quase sempre a direita é conservadora ou mesmo reacionária.
A direita fala em total liberdade. Entretanto, tal liberdade é meramente abstrata pois, no mais das vezes, não é o Estado que a subtrai. No dia a dia das pessoas, a liberdade é suprimida pela relação privada de emprego.
Através do contrato de trabalho, mormente em uma sociedade onde não há pleno emprego, tenho que obedecer ao meu patrão, tenho que a ele ser submisso.
Muitas vezes, se o empregado não for um “bajulador” do seu patrão, pode ser colocado no “mar da amargura”. As pessoas saem de casa com o risco de voltarem desempregadas.
Isto não ocorre com os funcionários concursados, que têm estabilidade no serviço público ou em uma sociedade coletivizada, onde o patrão seja uma cooperativa de trabalhadores.
Minha empregada doméstica tem liberdade para viajar para Paris ou Londres. Entretanto, ela pode efetivamente exercer esta liberdade? Posso dizer o que desejo aqui, atingindo centenas de pessoas. Entretanto, de noite, a TV Globo destrói tudo, atingindo mais de 20 milhões de pessoas …
Dizem que antes de distribuir, é preciso fazer “crescer o bolo”. Sucede que raramente o “bolo cresce” e, quando cresce, eles não querem distribuir…
A esquerda pode ser um pouco utópica, mas a “poesia” está com ela. A direita aposta no egoísmo do ser humano, cria uma sociedade individualista e indiferente à dor alheia. Um verdadeiro “darwinismo” social. Que vençam os mais astutos, os mais aptos ou os mais “fortes”!
Esta é a avaliação de alguém que sempre se negou a aceitar uma sociedade onde crianças peguem comida no lixo e mães assistem a seus filhos morrerem por falta de dinheiro para tratá-los das suas doenças graves. Não me conformo com esta miséria, embora este “sistema econômico” sempre me tenha sido favorável. Por isso, julgo ter legitimidade para criticá-lo: não falo em causa própria.
Enfim, por tudo isso, me insiro no pensamento de esquerda. O grande problema é conseguir uma sociedade justa sem sacrificar a liberdade individual, efetiva e concreta, pois ninguém abre mão de seus privilégios senão pela coerção.
A utopia é como o horizonte; está sempre distante. Entretanto, vale a pena repetir, ela é que nos faz caminhar (Galeano). Caminhemos sempre. Digamos não ao imobilismo. Digamos não ao conformismo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Porque é uma falácia comparar a economia doméstica com a do governo

por João Sicsú
A administração das finanças do lar da maioria da população é complexa, mas não guarda qualquer semelhança com a economia do setor público “O governo é como sua família. Se estiver endividada, precisa diminuir despesas para pagar dívidas. Por isso, uma de nossas primeiras providências foi impor limites para os gastos públicos”, declarou o recém-empossado Michel Temer, em pronunciamento em cadeia nacional na quarta-feira 31, dia do golpe.
É um equivoco recorrente pensar que se deve administrar a economia do setor público tal como se administram as finanças domésticas. Chefes de família, homens ou mulheres, aprendem ao longo de suas vidas como devem organizar suas receitas, despesas e dívidas. Tarefa que não é simples.
A administração das finanças do lar também é complexa, mas muitos a simplificam para que possam tirar falsas lições para serem aplicadas a economias de governos.
Pensam que a economia doméstica se resume a cortar gastos quando as receitas (salários) estão em queda ou quando a família está endividada. Contudo, essa é uma visão das elites, que nada sabem sobre finanças domésticas, sobre como a população (os mais pobres) administram recursos escassos.
As elites nada sabem sobre povo. O povo pobre, no dito popular, “se vira”. Faz cheques pré-datados (o nome disso é crédito, é endividamento), utiliza o escambo de serviços (o nome disso é criar receitas e liquidar compromissos), pede um vale ao patrão (antecipa receitas), arruma “um bico” (fonte extraordinária). Faz um biscate. Pernoita na rua para economizar no transporte, etc. A economia doméstica da maioria da população é complexa, mas não guarda qualquer semelhança com a economia do setor público.
As fontes de financiamento do setor público são bem diferentes das fontes de receita de um lar. Um governo se financia com impostos e taxas, que ele próprio pode aumentar ou diminuir. E, além disso, pode decidir quem pagará e quanto pagará. Um governo pode escolher quem vai tributar. Em geral, um chefe de família não pode decidir sobre o valor do seu salário e para quem vai trabalhar.
Um governo pode se financiar, ainda, através do endividamento, vendendo títulos da dívida pública. Somente governos que têm credibilidade podem se financiar dessa forma. Títulos de governos ditatoriais, caloteiros ou sem fontes robustas de receita não possuem compradores potenciais.
Não há limites ideais (teóricos ou empíricos) para níveis de endividamento público, o que existe é sempre uma avaliação do setor privado sobre a capacidade de solvência do setor público. Isso ocorre sempre, com altos ou baixos níveis de endividamento, com trajetória acentuada ou tênue de endividamento.
Inflação
A primeira atitude de uma família não é cortar gastos essenciais diante de dificuldades financeiras. Mas, sim o endividamento (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) Uma família também pode se endividar. E se endivida. Por exemplo, o pagamento com o uso do cartão de crédito é um tipo de endividamento. A primeira atitude de uma família não é cortar gastos essenciais diante de dificuldades financeiras. Mas, sim o endividamento e, posteriormente, incorrem em inadimplência.
A diferença importante é que de maneira oposta às finanças domésticas o endividamento público é até mesmo necessário. Um governo que tem uma dívida pública com volume considerável pode administrar mais facilmente a liquidez da economia através da compra e venda títulos.
Quando vende títulos tira liquidez (moeda) da economia e quando recompra seus títulos aumenta a liquidez (a quantidade de moeda). Idealmente, governos devem possuir dívidas (com custos baixos). Esse é mais um canal para regular a economia. Idealmente, famílias não devem possuir dívidas.
Governos possuem, também, algo que para as famílias é um sonho: uma máquina de fazer dinheiro. E podem se financiar colocando a sua máquina para funcionar. A ignorância econômica, sempre precipitada, dirá que isso provoca inflação. Não é verdade. Mais dinheiro na economia é até necessário quando há crescimento real, quando temos mais produtos e serviços.
Mais dinheiro na economia somente provoca inflação quando há um boom econômico, quando há superaquecimento. Mas, sob essas condições, governos têm receitas de impostos e taxas suficientes e não precisam ligar a máquina de dinheiro para financiar seus gastos.
Toda decisão de governo, inclusive sobre suas fontes de financiamento, é sempre uma decisão política. A técnica econômica subsidia a política, mas não se sobrepõe a ela. Portanto, a decisão de conter gastos públicos diante de supostas necessidades de melhorar os resultados das contas públicas é uma decisão política (decorrente de uma ideologia) e não uma decisão baseada na vida econômica doméstica.
Se não existe receita pública de taxas e impostos suficiente é porque não há crescimento. Mas há outras fontes alternativas de financiamento, tal como mencionadas anteriormente. Portanto, o caminho adequado é sempre o estímulo ao crescimento e a readequação das fontes de financiamento.
Uma decisão de conter públicos gastos essenciais está longe de ser uma lição da economia do lar. Nada tem a ver com o comportamento, tido como óbvio, da vida da maioria da população.
As dificuldades orçamentárias do governo brasileiro não têm nenhuma relação com seus gastos primários (saúde, educação, Previdência etc.), nem com o seu nível de endividamento. Tanto é verdade que somente não houve superávit no orçamento primário, recentemente, nos anos de 2014 e 2015.
O problema central é que tem havido ao longo dos anos um gasto público excessivo com o pagamento de juros a rentistas e banqueiros (credores do governo) e, dessa forma, os recursos são insuficientes para a saúde, educação e demais áreas.
O governo Temer fará a opção de conter gastos públicos em áreas essenciais, mas vai transferir bilhões de reais, sem limites, a banqueiras e rentistas. Por exemplo, deixará de atender milhões de indivíduos no SUS para que sobrem recursos para pagar juros da dívida pública.
Mas como Temer gosta de utilizar a economia familiar como referência para suas decisões de orçamento público, então deveria perguntar a um chefe de família o que faria diante da escassez de recursos: pagaria juros ao banco ou deixaria seu filho sem atendimento médico?
Será melhor não perguntar, já que a resposta advinda da economia doméstica não deve ser aplicada à economia do governo. A opção de conter gastos em áreas essenciais feita pelo governo Temer é uma opção política de cunho ideológico. É somente isso. O governo não é como uma família.

sábado, 8 de outubro de 2016

O PT não perdeu; quem perdeu foi o povo brasileiro

Por Graça Fonteles Grossi

" Estou de saco cheio e cansada de ler baboseiras tipos o PT perdeu, acabou, se esfarelou e outros adjetivos mais.


Não, o PT não perdeu; quem perdeu foi:


- o residente de medicina que não vai mais receber bolsa;


- o estudante universitário que não terá mais o FIES;


- o quilombola que não terá mais suas terras;


- o pobre que recebe salário mínimo e que não terá mais reajuste acima da inflação;


- o necessitado que precisa da farmácia popular que foi extinta pelo golpista Temer;


- os estudantes das escolas de ensino fundamental que passarão a ser ratos de laboratórios nas escolas sem "partido" onde serão suprimidos os debates;


- a população do interior brasileiro que ficará sem atendimento médico;


- o estúpido funcionário público com seu salário congelado;


- o negro pobre que não poderá mais ingressar na faculdade com a extinção das cotas;


- as domésticas que receberão menos que um salário mínimo, sem pagamento de INSS e FGTS, e terão de aceitar ou perdem o emprego;


- o pequeno e micro empresário que inevitavelmente fechará as portas por total falta de condições financeiras de seguir adiante;


- as estudantes universitárias, filhas de domésticas, que utilizam cotas ou FIES que deixarão as faculdades por não possuírem condições financeiras de pagá-las e seguirão a carreira de domésticas de suas mães trabalhando para o povo que odeia vermelho;


- empregados do comércio que serão demitidos ou terão seus salários reduzidos por lojistas em pré falência;
- os industriários que serão demitidos de seus empregos;


- o povo do nordeste que voltará a pedir esmolas durante a seca;


- os beneficiários do bolsa família que perderão a regalia de receber R$ 70,00 de ajuda governamental;


- o pobre que depende de creche pública já que o MEC resolveu que as creches serão privatizadas;
- o pobre que necessita do SUS;


- o agricultor familiar que terá as verbas do governo reduzida pela metade;


- industria naval que não vai mais construir plataformas para Petrobrás e demitiu milhares de empregados;
- os empregados da refinarias;


- e finalmente os corruptos continuarão mandando e a boiada midiota acreditando no tucano golpista Moro e seu exército de malfeitores da da Vaza Jato como solução para seus demônios. 


Os corruptos estão no poder e quem perdeu foi você "."

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Lula é uma liderança popular invulgar



Precisamos falar sobre Lula.
Por Luis Felipe Miguel

Ninguém se iluda: passado o frenesi dos resultados do primeiro turno das eleições municipais, o cerco contra Lula retoma seu curso. A questão não é "se" ele será preso na Operação Lava Jato, mas "quando". Afinal, sua culpa foi determinada desde sempre. É uma operação que não nasce para investigar se há culpa, mas para encontrar algo que justifique uma culpa definida de antemão. Imagino que, nesse momento, Sérgio Moro e o alto comando de sua Wehrmacht curitibana estejam discutindo se a vitória da direita no pleito de domingo significa que Lula já pode ser preso sem risco de comoção popular ou se esse tipo de interpretação é só o discurso oficial a ser veiculado na mídia.

O antilulismo da direita tem razões claras. Lula é o mau exemplo, Lula é o operário que não soube seu lugar. Lula liderou o movimento que fez a classe trabalhadora ganhar protagonismo na política brasileira, a partir do final da ditadura militar. E Lula conduziu um governo que, com todos os seus problemas, contribuiu para reduzir a vulnerabilidade de milhões de brasileiros e para desafiar hierarquias centenárias. Embora sempre se lembre que a burguesia lucrou muito nos governos petistas, o antilulismo das elites brasileiras é perfeitamente razoável: para elas, manter a vulnerabilidade extrema da maioria dua população e proteger as hierarquias sociais faz muito sentido.

Mais difícil é entender o antilulismo de parte da esquerda. Sim, Lula optou por um pragmatismo político exacerbado e apostou na conciliação de classes. Os governos petistas foram covardes no enfrentamento de muitos privilégios e, quando atacados, só conseguiam reagir fazendo mais concessões. Lula se tornou bem mais amigo de empreiteiros e outros capitalistas do que seria razoável. Há muito o que criticar em sua trajetória.

Mas a esquerda antilulista age não como quem analisa erros políticos e desvios de caminho, mas como quem sofreu uma desilusão amorosa. O maior pecado de Lula é não ter sido aquilo que projetavam nele. E é essa vingança, que se traveste de radicalidade política mas nasce do coração partido, que faz com que o cerco a Lula, a destruição de seu legado e de sua imagem, sejam vistos por alguns com alegria aberta ou disfarçada.

É um sério equívoco, eu creio. Com todos seus erros, Lula é uma liderança popular invulgar - e o que se quer destruir é essa liderança, não os erros. Lula buscou um caminho, que foi conciliatório, tortuoso e limitado, mas era um caminho para retirar da miséria e ampliar os horizontes dos brasileiros mais desprivilegiados. Pouco, talvez, para quem sonha com o fim da exploração e da alienação. Mas o caboclo do interior do Brasil que não tinha energia elétrica e viu chegar o Luz para Todos, aquele outro que botou comida na mesa com o Bolsa Família, o trabalhador na base da pirâmide que ganhou com o aumento real do salário mínimo, o menino pobre que chegou na universidade, será que trocariam esses ganhos, ainda que insuficientes, por um punhado de teses sem ressonância no mundo social, brandidas de intelectuais da extrema-esquerda?

Vamos criticar a experiência petista? Vamos. Ela acomodou, ela cedeu, ela não foi tão firme quanto devia na defesa da classe trabalhadora, dos direitos das mulheres, da cidadania de gays, lésbicas e travestis. Compactuou com a corrupção, contribuiu para a sobrevida de elites políticas carcomidas, em vários momentos deixou de avançar quando podia, por culpa de sua incontrolável pulsão pela conciliação. Acreditou na sua própria fantasia de transcendência do conflito social. Terminou por enfraquecer as forças populares, ao promover sua desmobilização como forma de mostrar aos grupos dominantes que permaneceria dentro dos estreitos limites pactuados. Mas vamos também reconhecer os ganhos que foram alcançados e, sobretudo, a tentativa real de dar uns passos para a frente, poucos que fossem, mas para a frente - nas condições adversas de um país atrasado como o Brasil.

E vamos reconhecer em Lula o que ele é: com seus limites, com suas contradições, com seus vacilos, com o diabo a quatro, ele é a maior liderança popular da história deste país. Alguém que, por mais críticas e discordâncias que possamos ter, está do lado de cá, não do lado de lá. Não se trata de endeusar Lula, nem torná-lo imune a críticas, mas de compreender quem ele é e o que ele simboliza. 

Por isso, defender Lula contra a perseguição criminosa que ele sofre, protestar contra a arbitrariedade de que ele é alvo, contribuir para, sim, incendiar o país quando ele for preso - esses são compromissos de qualquer pessoa que se queira de esquerda, progressista ou democrata no Brasil.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

VITÓRIA FALSA




A vitória nem sempre pertence ao vencedor


Como pode um candidato se sentir vitorioso quando ele sabe que conseguiu a vitória usando meios espúrios.  As armas e os artifícios políticos utilizados na batalha eleitoral permitiu que  atingissem o seu propósito: ficar no poder, a qualquer custo. Comprando a consciência do povo com mentiras e falsas promessas. A estratégia eleitoreira "vitoriosa", por meio espúrios e populistas, trará como consequência a perda de legitimidade e credibilidade junto aos eleitores.

Nesse sentido, permito-me analisar a "vitória" que vêm sendo obtida como referência a história de Pirro. Em 281 a.C., Pirro, Rei de Épiro, partiu com o seu exército para conquistar Roma. Após enfrentar e derrotar os romanos na Batalha de Heracleia, constatou que havia sofrido enormes perdas em homens e material bélico. Ao receber de um oficial o cumprimento pelo triunfo, Pirro respondeu: "Mais uma vitória como essa e estarei arruinado".

O mito de Pirro serve para mostrar aos detentores do poder que é preciso mudar a forma de fazer política, pois a "vitória" nem sempre pertence ao vencedor.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A má jogada na politica




Podemos aceitar apoio de parlamentares a uma candidatura que apoiamos, desde que o parlamentar não seja do partido que apoia o nosso adversário. Aceitando este tipo de apoio, a gente é obrigada a entrar no jogo perigoso e oportunista, que não fortalece em nada a democracia, muito ao contrário alimenta o jogo sujo da politicagem.

Devemos procurar  crescer politicamente, procurar se informar ,aprender a jogar limpo , sem se deixar contaminar pelo lado cruel que algumas pessoas fazem da política. Este pensamento não é ser radical e sim coerente com o princípio ético que deve permear a boa política. Não existe o fato ,de por ser amigo pessoal do parlamentar, tentar impor aos nossos companheiros este tipo de apoio.

Vamos jogar o jogo de xadrez da política de maneira inteligente e limpo, com jogadas precisas e certeiras. Segundo Sérgio Boechat, o xadrez tem semelhanças com a política. Começa pela origem. Não se sabe ao certo, a origem do xadrez. Já foi atribuída a sua invenção aos chineses, aos egípcios, aos persas e até mesmo a Aristóteles e ao Rei Salomão, mas a história não confirma nenhuma dessas lendas. Da mesma forma, em relação à política. Não se sabe quem começou, mas a encontramos em todos os momentos históricos desde os primórdios da humanidade e até mesmo nas páginas bíblicas.

No jogo de xadrez as jogadas têm que ser feitas dentro do tempo estabelecido. Na política, também existe um “timing” e quem não o conhece ou não o respeita, ganha o estigma de perdedor. E a gente pode com atitudes acima descritas ganhar o estigma de perdedor.

Na política, não há limite de peças e nem movimento certo. “Todas se movimentam em todas as direções, às vezes equivocada e atabalhoadamente, como aceitar qualquer tipo de apoio política em nome da governabilidade.
Certamente no xadrez político teremos protagonistas que terão comprometimento com o público e que no seu cotidiano terão como bandeira os princípios éticos. Nesse cenário teremos uma democracia consolidada e a expectativa de um País mais justo para que as futuras gerações de brasileiros possam realizar seus sonhos e alcançarem a plena felicidade. Oxalá isso aconteça.


Xadrez da política



Nada se assemelha mais à política que o jogo de xadrez. Começa pela origem. 

Não se sabe, ao certo, a origem do xadrez. Já foi atribuída a sua invenção aos chineses, aos egípcios, aos persas e até mesmo a Aristóteles e ao Rei Salomão, mas a história não confirma nenhuma dessas lendas. 

Da mesma forma, em relação à política. Não se sabe quem começou, mas a encontramos em todos os momentos históricos desde os primórdios da humanidade e até mesmo nas páginas bíblicas. Os diálogos de Moisés com o Faraó são belos exemplos de uma negociação política.

O jogo de xadrez exige inteligência e o mesmo ocorre na política, onde os menos inteligentes não se destacam e por isso não passam de meros figurantes. E como temos figurantes no jogo político ! 

No jogo de xadrez as jogadas têm que ser feitas dentro do tempo estabelecido. Na política, também existe um “timing” e quem não o conhece ou não o respeita, ganha o estigma de perdedor.

Tancredo Neves não era um grande administrador, nem estava entre os melhores oradores do Congresso Nacional, mas tinha um “timing” político perfeito e em consequência disso foi quase tudo o que quis ser na política, menos Presidente, porque daquela vez prevaleceu o “timing” divino.

No jogo de xadrez existe uma previsibilidade de jogadas e o bom jogador prevê a jogada do seu oponente e as próprias jogadas com algumas rodadas de antecedência .

Na política, também tem que existir essa previsibilidade e isso faz a diferença entre o bom e o mau político.

No xadrez, os objetivos são avançar as pedras, conquistar espaços no tabuleiro, capturar o rei e dessa forma, vencer o jogo. 

Na política, os objetivos são avançar no terreno adversário, enfraquecer os adversários, conquistar espaços políticos, convencer os eleitores e dessa forma, vencer a eleição.

Assim como há semelhanças, há também sensíveis diferenças entre o jogo de xadrez e o jogo político. 

No jogo de xadrez, cada peça se movimenta de uma maneira diferente, há um número certo de peças e cada uma tem o seu próprio movimento. 

Na política, não há limite de peças e nem movimento certo. Todas se movimentam em todas as direções, às vezes equivocada e atabalhoadamente. Há “peões”que querem se movimentar como torre, bispo, cavalo, dama e até fazem pose de “rei”. Ao primeiro movimento, aparentemente bem sucedido, se empolgam e se consideram os “reis” do tabuleiro político. 

O xadrez prevê a promoção do peão, quando ele atinge a última fila do tabuleiro e é trocado por outra peça, de maior importância, à escolha do jogador , mas estabelece um limite: Não pode ser trocado por outro peão nem pelo rei. Na política também deveria ser assim : o peão só seria promovido depois de alcançar a última fila do tabuleiro e assim mesmo respeitando o “rei” ou o líder maior, que ele jamais poderá ser. 

Um ponto que ainda merece ser destacado no jogo de xadrez é que as peças brancas sempre iniciam a partida.

Na política, também existem as peças brancas e as peças pretas. A norma deveria ser a mesma, mas não raro, as peças pretas se esquecem disso e querem iniciar a partida, esquecendo-se que as peças brancas sempre têm a precedência, pelas regras do jogo. 

As semelhanças de todos esses conceitos com a nossa política não são meras coincidências. Temos jogadores despreparados, sem inteligência política, sem capacidade de previsão das jogadas, sem conhecimento das regras do jogo e sem história política, em suma, peões pretos que , arrogantemente, se arvoram em líderes políticos e se esquecendo da limitação dos seus movimentos, tentam, sem sucesso, dar um chequemate no “rei”. Chegaram à última fila do tabuleiro, foram trocados por outra peça mais importante, mas não chegarão a ser “rei”, porque esta é também a lei do xadrez da política.
Fonte: O Xadrez da política
(Opinião - Sérgio Boechat)

FONTE: http://inteligenciapolitica.bloguepessoal.com/8026/O-Xadrez-da-politica/