quinta-feira, 30 de setembro de 2010

NÃO! NÓS NÃO QUEREMOS!!



A elite "deformadora de opinião" representada por Caetano Veloso vota em Marina por não ter coragem suficiente para assumir seu desprezo a toda e qualquer vontade e manifestção popular e seu apoio ao neoliberalismo tucano. Já a juventude pseudo intelectualizada, completamente despolitizada e leitora dos periódicos do PIG, abraça o discurso pseudo ecológico de Marina e seu inexistente programa de governo para manter o status quo de juventude antenada e colocar-se acima do populacho ignorante e hipnotizado que vota em Dilma porque entende que o único Brasil possível agora é o que dá continuidade ao projeto de Lula.
São estas pessoas equivocadas, esnobes e empedernidas que condenam o Governo de um ex operário os verdadeiros ignorantes deste país, que têm raiva de admitir que Lula, o ignorante é o grande gênio político da contemporaneidade.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

13 razões que me levaram a votar em DILMA.


13 razões que me levaram a votar em DILMA.
Por ela ser:
1- brava
2- calma
3- decidida
... 4- dona de si
5- firme
6- humana
7- inteligente
8- meiga
9- mulher
10- guerreira
11- mandona
12- segura
13- sensível
E principalmente por ser MULHER

Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas e
sempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa
apesar dos seus atos.

Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes
sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.

Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.

Ser mulher...
É se perder em palavras e
depois perceber que se encontrou nelas.
É distribuir emoções
que nem sempre são captadas.

Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar,
vender sentimentos, mas jamais dever.
É construir castelos na areia,
vê-los desmoronados pelas águas.
E ainda assim amá-los.

Ser mulher...
É saber dar o perdão...
É tentar recuperar o irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher...
É ter a arrogância de viver
apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e
das decepções.

Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos...
Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.

Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e
aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis
em instantes inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher...
É entender as fases da lua
por ter suas próprias fases.

E Dilma é tudo isso!

O Ibope mostra que o refluxo da “onda vermelha”



Mapa do Ibope mostra refluxo de “onda vermelha” apenas em áreas ricas do Sul e Sudeste

por Jose Roberto de Toledo e Daniel Bramatti

O Ibope mostra que o refluxo da “onda vermelha” ocorreu apenas em áreas mais ricas do Sudeste e Sul do país: um corredor que começa em Porto Alegre, segue pelas serras gaúcha e catarinense, corta o Paraná de norte a sul, entra pelo interior paulista, passa pelos bairros ricos da capital, e chega ao vale do Paraíba.

No mapa nacional de intenção de voto do Ibope, Dilma Rousseff (PT) ganha, agora, em 82% das 255 áreas. Na consolidação anterior, a petista vencia em 86%. Aumentaram o número de empates técnicos (de 15 para 22) e as áreas onde José Serra (PSDB) é o mais votado: de 20 para 23.

O Ibope reúne nessas áreas municípios próximos ou, no caso das metrópoles, faz divisões internas, juntando bairros com perfil socioeconômico semelhante. O mapa é uma consolidação de 27 pesquisas estaduais do instituto feitas ao longo de setembro, principalmente nos últimos 10 dias.

Em comparação ao mapa anterior, entraram nesta edição novas sondagens feitas em Estados de várias regiões do país, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Distrito Federal, entre outros.

A porção pintada de vermelho do mapa representa as áreas onde a intenção de voto em Dilma é no mínimo 5 pontos porcentuais maior do que a de Serra. Nas áreas azuis, ocorre o oposto. As partes cinzas indicam empate técnico entre os dois candidatos.
Tão importante quanto o número de áreas em que cada candidato vence, é o tamanho da vantagem. Sob esse aspecto, a preferência pela petista manteve praticamente o mesmo nível de intensidade nos dois levantamentos.

Dilma tem mais de 50 pontos porcentuais de vantagem sobre Serra em 25% das áreas (todas elas localizadas no Nordeste ou no Amazonas). No mapa anterior, esse porcentual chegava a 27%. Entre as regiões dessa faixa estão áreas de Salvador (BA), Manaus (AM) e Sobral (CE), por exemplo.

As maiores vantagens proporcionais de Dilma estão no sertão e agreste pernambucanos, na regiões de Salgueiro e Garanhuns (terra de Lula), e no interior do Ceará e do Piauí.

A petista tem entre um terço e metade a mais de eleitores do que o tucano em 18% das áreas do Ibope, contra 16% na vez anterior. Agora, ela tem vantagem de 5 a 35 pontos sobre Serra em 39% as áreas, contra 43% no mapa da semana passada.

Há empate técnico de Dilma e o tucano nos bairros centrais e de classe média de várias capitais do país. Isso acontece nas algumas das áreas mais abastadas de Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e até de Natal (RN).

Os dois líderes da corrida presidencial também estão tecnicamente empatados em regiões afluentes do interior do país, como em Blumenau (em Santa Catarina), em Piracicaba (São Paulo) ou Telêmaco Borba (Paraná).

Serra se destaca nas áreas mais ricas de algumas capitais do Sul e Sudeste: Curitiba, de São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis. Bate ainda a petista em regiões do interior do Paraná, como Irati e Ivaiporã, no interior de São Paulo (Sorocaba e Mogi-Mirim), e no interior gaúcho (Vacaria).

Além das áreas mais ricas do Sul e do Sudeste, o tucano leva vantagem sobre Dilma em algumas regiões do Acre. É porque lá, no seu Estado de origem, Marina Silva tem maiores taxas de intenção de voto e divide a disputa com os outros dois rivais.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Marina Silva é uma grande traidora


Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o presidente Lula. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que, disfarçadamente, alegraram-se com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. Ela alimentava esperanças de que o presidente Lula a escolhesse para ser sua sucessora, e quando percebeu que não seria a escolhida deu o bote tal qual uma cascavel. Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo. Não seria capaz de entender a importância das descobertas no Pré-Sal pela Petrobras, nem conseguiria atribuir tais riquezas ao povo. Marina Silva, é óbvio, não vai para o segundo turno, mas vai para o colo do Serra /PSDB/DEM, que ela combateu nos 30 anos em que esteve no PT. Marina mostra que não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder por despeito e vingança. Está se vingando do presidente Lula porque não a escolheu, pouco se lhe dá prejudicar o país e milhões de brasileiros, desde que alcance seu seu objetivo de vingança. Marina é muito religiosa, ligada à Assembléia de Deus, mas não é nenhuma santa. É apenas uma traíra.

Jussara Seixas

Matéria publicada por Leda Ribeiro (Colaboradora do Blog)

Musiquinha especial para o Joaquim "RORIZ"


AMARELADA

Numa folha qualquer eu desenho uma bezerra de ouro
E com cinco ou seis cheques é fácil driblar uma investigação
Corro e digo que tudo foi um empréstimo pro Nenê
E se faço renúncia, em dois tempos fujo da cassação
Se dois milhões de reais caem na minha conta no BRB
Num instante imagino uma linda desculpa pra enganar o povão

Vou inventando estórias, contornando
A imensa massa
Vou com o Franklin Moura partilhar os meus milhões
Pinto e bordo e a corrupção segue navegando
Num mar de lama azul
É tanta safadeza que nem do brejo a vaca passa

Numa folha qualquer eu desenho uma nova candidatura
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma mulher a outra vou tentar limpar minha ficha
Giro um simples compasso e no grito tento virar a jogada

Uma bezerra caminha e caminhando chega numa renúncia
E ali logo em frente, a esperar pela gente, o TSE está
E o TSE é uma astronave que tentamos enganar
Mas eles não são bobos
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora pra julgar
Sem pedir licença TSE mudou nossa vida, depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe o leite derramado chorar
O fim dela todo mundo sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passeata
O rabinho entre as pernas, enfim, botar

Numa folha qualquer eu desenhei meu sol amarelo
Que descolorirá
E só daqui a 16 anos poderei voltar
Quem em mim votará?
Giro um simples compasso e com 90 anos estarei
Quem em mim acreditará?

domingo, 26 de setembro de 2010

ESCUTATÓRIA


ESCUTATÓRIA
Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... (O amor que acende a lua, pág. 65.)


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Fonte: http://rubemalves.locaweb.com.br/hall/wwpct3/newfiles/escutatoria.php

sábado, 25 de setembro de 2010

O PREÇO DA OMISSÃO


Meu especial amigo, que postagem densa... obriga-nos a uma profunda reflexão...

Na verdade, todos nós, em nosso comodismo, nos identificamos nestes textos. Seguimos aceitando, compreendendo, justificando, psicologizando, engolindo os pequeno...s desrespeitos, as pequenas ofensas, os pequenos deslizes, as pequenas decepções. E, "de repente", lá estão eles, enormes, intransponíveis barreiras a nos afrontarem... Construímo-las nós mesmos! Demos-lhes o material, os tijolinhos que lhes compõem a estrutura...

É um constatar triste esse de saber-nos co-responsáveis pelas mazelas, pelas injustiças... somos todos cúmplices à medida que cruzamos nossos braços, viramos nossos rostos à vil exploração do homem pelo homem... E a cada vez que nos distanciamos, que acreditamos que nossa presença, nosso protesto, nossa voz é pequena demais para não "fazer a diferença" , engrossamos a fileira dos espoliados: de sonhos, de desejos, de ideais.

Somos nós mesmos quem contribuímos para a não efetivação do que cremos! Somos nós mesmos os culpados por estarmos calados - protegidos na nossa pseudo segurança - acreditando que os pequenos deslizes são aceitáveis... ou não merecem punição... ou não nos dizem respeito...

Do que será que temos medo? Será resquício do lado mesquinho, protecionista de si e dos seus? Será covardia pura? Será cansaço por antever luta inglória, cansativa, longa? Será descaso puro - reflexo do mal estar, do enfado de nossa civilização atual?

Querido amigo, os ratos estão a alardear faz tempo que há ratoeiras! Mas não nos incomodam ratoeiras! Ratoeiras são para ratos... e somos outras espécies de bichos... Acreditamos apenas se tropeçamos tardiamente nas específicas armadilhas de nossas próprias espécies! Tardiamente dar-nos-emos conta de que as armadilhas são de um mesmo mecanismo e possuem a mesma função... independente das adaptações às várias espécies todas elas cumprem o mesmo objetivo!

Sabe o que é interessante nesta negação da armadilha? Tendemos a não lhe creditar poder mortífero, pois foram confeccionadas por aqueles que confiamos... Fácil transpor para o campo da Política agora, não? Os construtores: nós os escolhemos! Os espoliadores: nós lhes demos a liberdade para nos invadir o âmago de nossos pensamentos; conhecem nossos pontos fracos, sabem como será a estratégia do engodo...

O preço da omissão é caro! Fatal não só para indivíduos e sim, para povos! Nilifica sonhos, escancara pesadelos à luz do dia, imola inocentes vítimas de nossos olhos fechados. Nossa aquiescência tácita compactua com valores deturpados, constrói verdades alicerçadas em mentiras que serão tidas à conta de necessárias...

Até quando iremos "passear" nesta estrada e não ajudar a construí-la conscientes de que uma estrada é um caminho que outros irão seguir? Até quando a desgraça será vista como alheia e, o máximo que poderemos fazer para aplacar uma superficial moral será a doação alardeada aos quatro cantos das esmolas que aplaquem um vestigial resquício de consciência?

Caminhamos todos surdos aos lamentos do outro e acreditamos que não nos dizem respeito... Pensamos que as ratoeiras são para ratos, porque somos incapazes de distinguir os vários formatos de ratoeiras... Precisamos de nomes certos para aquilo que nos irá atingir... perdemos nossa capacidade de ver através do formato e atingir a essência dos males... de tão diluídos entre nós que estão...

É urgente que retomemos nossa capacidade de nos sentirmos unos: mesmo na diversidade, ainda há tempo... as ratoeiras ainda podem ser desarmadas, basta que queiramos... Pensemos nisso.

Parabéns pela excelente postagem, meu professor; obrigada por me permitir esta reflexão. Alpha Leninha

VOTO BRANCO E VOTO NULO: PROTESTO NOTA ZERO


"Um pensar, um refletir, um sair do nosso comodismo, de nossa mesmice e questionar a realidade de forma crítica, coerente e responsável, para assim podermos caminhar a largos passos na luta permanente contra a corrupção e falta de ética na política, nas instituições, nos costumes e toda forma de atentado contra as liberdades democráticas. Todos juntos na estrada para a cidadania!" (Benito de Andrade)


VOTO BRANCO E VOTO NULO: PROTESTO NOTA ZERO

Uma leitura errada da legislação eleitoral tem levado muitos eleitores insatisfeitos e desencantados com os políticos do nosso país por suas práticas indecentes e desonestas, a criar e enviar mensagens de texto por e-mail incentivando o eleitorado a anular o voto como forma de combater a corrupção e todas as mazelas que existem na política. Esses textos dizem que se houver mais de 50% de votos nulos e brancos a eleição será cancelada e uma nova eleição terá de ser marcada, com candidatos diferentes dos atuais. Puro engano segundo as mais recentes interpretações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Outros dizem que votar em branco também é uma forma de protestar. Isto também não leva a nada. Nenhuma das duas opções irá influenciar no resultado do pleito, pois na prática não há mais diferença entre voto nulo e voto em branco. Nenhum deles conta na hora de fazer a soma oficial dos votos de cada candidato.

Desde 1997, quando houve uma mudança na legislação eleitoral, os votos brancos e nulos passaram a ter significado quase idêntico, ou seja, não ajudam e nem atrapalham a eleição. Como muita gente não sabe disso, a confusão persiste.

O voto nulo ocorre quando o eleitor digita, de propósito, um número errado na urna eletrônica e confirma o voto.

Para votar em branco, o eleitor aperta o botão "branco" do aparelho.

Antes de existir urna eletrônica, quem quisesse anular o voto rasurava a cédula de papel – tinha gente que escrevia palavrão e até xingava candidatos. Quem desejasse votar branco, simplesmente deixava de preencher os campos da cédula.

As dúvidas sobre esse assunto sobrevivem porque, até 1997, os votos em branco também eram contabilizados para se chegar ao percentual oficial de cada candidato. Na prática, era como se os votos em branco pertencessem a um "candidato virtual". Mas os votos nulos não entravam nessa estatística.

Com a lei 9.504/97, os votos em branco passaram a receber o mesmo tratamento dos votos nulos, ou seja, não são levados em conta. A lei simplificou tudo, pois diz que será considerado eleito o candidato que conseguir maioria absoluta dos votos, "não computados os em brancos e os nulos".

Mas por que então os votos em branco eram contabilizados antes? Há controvérsia sobre isso. Alguns juristas e cientistas políticos sustentam que o voto nulo significa discordar totalmente do sistema político. Já o voto em branco simbolizaria que o eleitor discorda apenas dos candidatos que estão em disputa. Daí, ele vota em branco para que essa discordância entre na estatística. Porém, depois da mudança da lei essa discussão perdeu o sentido, já que tanto faz votar branco ou nulo.

Já que estamos explicados, a melhor maneira que encontramos para combater a corrupção na política é procurar exercer com responsabilidade e consciência o direito do voto - a arma mais eficaz que dispomos para fazer uma revolução de verdade na política brasileira. Abdicar deste direito é o mesmo que concordar com esse quadro vergonhoso que ai está. É trabalhar contra o Brasil. Exerça, pois, o seu direito de escolher os seus governantes.

Não anule o seu voto. Lembre-se de que seu voto é sua lei.

Tenham todos os amigos leitores uma semana maravilhosa.

Benito

Diga nunca à omissão


Diga nunca à omissão
Sílvia Somenzi -
De todas as formas de comportamento que definitivamente interrompem um processo bem sucedido, a omissão é a pior, porque é consciente e atinge diretamente os alvos sem chance de defesa.

Quando alguém s...e omite, nega aos outros o mais precioso dos direitos, que é à informação.

E assim inicia uma cadeia de tropeços e desalinhamentos que de forma alguma são adequados aos processos de negócios, mas adequados ao interesse de poucos.

Você conhece alguém que se omite?

Você é omisso?

Cada um sabe muito bem quando uma informação faz falta e no fim das contas prejudica muitas pessoas, porque afeta o resultado comum.

No mundo dos adultos é inacreditável imprimir a inocência as decisões e movimentos que são realizados, principalmente quando se interage com outros.

As pessoas fazem o que elas querem fazer, logo, se omitem porque querem, com motivos que podem até não ser corretos, mas são reais e perceptíveis: para se preservar da exposição, para não ser o primeiro a opinar; para não se envolver; para se esquivar de responsabilidades; para manter-se ileso das conseqüências e, o mais difícil de engolir, para deixar os outros se “ralarem”.

É incrível pensar que em pleno século XXI, meio a tanto acesso à informação e esclarecimento, ainda haja os que façam isso, e ainda haja os que caiam nisso.

Se há omissão, há quem permita que haja continuidade desta.

O profissional que permite a omissão, seja a própria ou a dos outros em relação a si, e não age para mudar isso, está fadado à ser objeto de manipulação eterna.

Não pense que enxergar as coisas e deixar por isso mesmo, faz de você um excelente estrategista.
Na verdade afasta você de qualquer caminho que seja de crescimento.

Ninguém esconde este comportamento (de ser omisso na sua própria conveniência) por muito tempo, e é sabido que ninguém engana todo mundo o tempo todo, logo, a sua marca registrada para os outros é que você passa a ser mais um, descartável, e inviável estrategicamente.

A mudança no comportamento tem de ser muito bem entendida, inclusive sob o aspecto das conseqüências.

Por mais duro que seja colocar as cartas na mesa, é preciso fazer, pois você não tem o direito de prejudicar os outros, da mesma forma que os outros não têm o direito de lhe prejudicar.

Muitos receiam em ser claros na sua contribuição sobre as situações e os contextos e escondem-se atrás da própria zona de conforto, mas avaliam erroneamente, porque ao fazer isso só os deixa mais expostos e sujeitos a quaisquer percepções, em especial as negativas sobre o seu caráter.

Nunca se permita omitir.

Nunca permita que os outros sejam omissos com você.

Saiba que o resultado de um bom trabalho está diretamente relacionado à qualidade da informação que você possui, seja a que lhe precede ou a que lhe sucede.

Por isso, diga nunca à omissão.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Debate da Globo vai ser um massacre. A Dilma vai engolir o "jenio"PHA


Debate da Globo vai ser um massacre. A Dilma vai engolir o jenio

O PiG (*) e o Serra vivem no mundo da Lua.

Acham que meia dúzia de trapaças aplicadas no mundo da Lua altera a realidade.
A vida real.
O desemprego cai e a renda sobe.
Taxa de desocupação ficou em 6,7%, a menor desde 2002.
Informalidade também recuou.
O rendimento do trabalhador subiu 5,5% em relação a agosto do ano passado.
Essas todas são informações da seção de Economia do Globo.
Na Folha (**), editora do Datafalha, há um caderno publicitário, que diz, entre outras coisas horrorosas:
- Sonho cada vez mais verdadeiro – brasileiros vivem momento único de acesso ao marcado imobiliário, graças às facilidades proporcionadas por uma economia estável.
- A ampliação de prazos de financiamento – chegou a 30 anos !!!, 30 anos !!!, que horror ! – foi decisiva.
- A Caixa vai financiar este ano R$ 70 bilhões.
- Até agora, em 2010, os financiamentos da Caixa são 88% superiores aos do ano passado – 88%, que horror !
Num seminário, ontem, aprendi com Fernando Barbosa, do departamento de economia do Bradesco (ele trabalha com Otávio de Barros) que, em oito anos, a dívida do brasileiro em relação à renda passou de 17% para 40%.
O que é pouquíssimo.
O brasileiro ainda pode se endividar muito mais.
O ponto médio dos países emergentes é uma dívida de 70% da renda.
E por que o brasileiro passou a se endividar ?
Para comprar bens duráveis, automóveis sobretudo, e – cada vez mais – casa própria.
Que horror, pobre comprar casa própria, que horror !
O Barbosa não fez esta observação, mas o amigo navegante percebeu que a referência é “aos últimos oito anos”.
Porém, nada isso tem importância para o PiG (*) e o Serra.
Na hora de votar, o brasileiro vai votar com o pé na Lua e, não, na realidade em que vive.
O brasileiro vai votar no Lula, porque eles, o PiG (*) e o Serra são mais esperto que os brasileiros e criaram uma realidade supra-terrestre.
Nesse mundo da Lua, o Lula é um ditador.
A filha do Serra é uma santinha.
Será o primeiro milionário a entrar na História dos Santos.
A realidade é a que está no PiG (*).
É o que passa na Globo.
O Serra dividiu com o PCC a segurança de São Paulo, e vai criar um Ministério da Segurança para construir um pequeno muro em toda a fronteira do Brasil por terra, para não deixar passar cocaína.
No Governo dele e do FHC, o salário mínimo, em dólar, era 5 vezes menor do que é hoje.
Mas o jenio promete um salário mínimo de R$ 600, depois de fazer cálculos matemáticos incríveis.

- Sou economista (êpa , êpa !) e fiz as contas – disse ele à urubóloga Miriam Leitão, no Bom (?) Dia Brasil.
O Governo dele e do FHC chamava os aposentados de “vagabundos”, mas ele vai dar um abono de 10% aos aposentados.
Agora, ele vai dar um décimo-terceiro aos beneficiários do que os aliados dele chamam de “Bolsa Vagabundagem”.
Nesse mundo supra-terrestre, o Datafolha diz, primeiro, que havia o “zero a zero”, da Eliane Catanhêde.
Agora, que a Dilma desabou.
No caderno Eleições, a repórter Ana Flor (o Conversa Afiada há algum tempo observa que esta moça vai longe, no PiG (*)) assegura que “debate da Globo terá papel decisivo, avaliam partidos“.
A Ana Flor concorre com Chico Xavier.
Vai acabar filme da Globo.
Os partidos, presume-se, são o PSDB e o PT.
A Folha(**) não precisa entrevistar ninguém do PSDB, porque a Folha é o PSDB.
Mas, seria o caso de citar alguém como fonte do PT, uma vez que as relações entre a Folha (**) e o PT não são exatamente cordiais.
Mas, a Ana Flor detém poderes paranormais.
Ela sabe o que o PT acha, sem que a reportagem diga o que PT acha.
Quem disse que o PT acha que a Dilma vai perder a eleição no debate da Globo ?
Isso faz parte do mundo da Lua em que vivem o Otavinho, o Serra e, agora se vê, a Flor da Folha (**).
Eles diziam que, em 2002, o Serra ia triturar o Lula, no debate da Globo.
No debate da Globo, no segundo turno, o “mais preparado” ia fazer gato e sapato de um nordestino sem dedo, matalúrgico que não fala inglês.
De fato, foi um massacre.
O Serra massacrou o Lula por 39% a 61%.
Foi humilhante a preeminência do Serra sobre o Lula.
O PiG (*), a Folha (**), o Serra e a elite branca (e separatista de São Paulo) pensam que o brasileiro é burro.
Que pobre é burro.
Especialmente pobre nordestino.
É tudo burro.
E eles têm o papel Iluminado, Enciclopédico, de levar a luz da Razão ao burro.
Põem o burro no colo e falam: o Lula é ditador, vai tapar a boca do Bonner; o Palácio do Planalto é um covil de ladrões; a Dilma mata criancinhas; e o PT come as criancinhas que a Dilma matou.

E o burro acredita.

O debate da Globo vai, sim, provocar um massacre.

Paulo Henrique Amorim

Marina, queridinha da mídia


Marina, queridinha da mídia

De jurásica, ecologista fundamentalista, que travava o desenvolvimento do país, Marina virou a nova queridinha da mídia – lugar deixado vago por Heloisa Helena. Mas o fenômeno é o mesmo: desespero da direita para chegar ao segundo turno e incapacidade de alavancar seu candidato. Daí a promoção de uma candidata que, crêem eles, pode tirar votos da Dilma, para tentar fazer com que a derrota não seja tão acachapante, levando a disputa para o segundo turno e dando mais margem do denuncismo golpista de atuar.

Marina, por sua vez, para se prestar a esse papel, se descaracterizou totalmente, já não tem mais nada de candidata verde, alternativa. Não tem agenda própria, só reage, sempre com benevolência, às provocações da direita, seja sobre os sigilos bancários, a Casa Civil ou qualquer insinuação da direita.

Presta um desserviço fundamental à causa que supostamente representaria: é um triste fim do projeto de construir um projeto verde, uma alternativa ecológica, uma pauta fundada no equilíbrio ambiental para o Brasil. Tornou-se uma candidata vulgar, em que nem setores de esquerda descontentes com outras correntes conseguem se representar.

Uma vez mais uma tentativa de construir alternativa à esquerda deixa-se levar pelo oportunismo. Quantas vezes Marina denunciou o monopólio da mídia privada e seu papel assumido de partido político da oposição? Nenhuma. Quantas vezes afirmou que a imprensa é totalmente alinhada com uma linha radical de oposição, não deixando espaços para a informação minimamente objetiva e para o debate democrático da opinião pública? Nenhuma. Quantas vezes se alinhou claramente com a esquerda contra a direita? Nenhuma.

Nenhuma, porque já não está no campo da esquerda – e os aliados, incluídos os que fazem campanha par ao Serra, como Gabeira, entre outros, provam isso. Se situa em um nebuloso espaço da terceira via – refúgio do oportunismo, quando os grandes enfrentamentos polarizam entre direita e esquerda. Nenhuma, porque essa mesma imprensa golpista, monopolista, que a criticava tanto, agora lhe abre generosos espaços para desfilar seu rancor porque não foi a candidata do Lula e vê a Dilma ser promovida a continuadora do governo mais popular da história do país.

Esses 15 minutos de gloria serão sucedidos pela ostracismo, pela intranscendência. Depois de usada, sem resultados, pela direita, Marina voltará ao isolamento, o suposto projeto verde, depois de confirmado o amálgama eleitoreiro que o articulou, desaparecerá, deixando cadáveres políticos pelo caminho.
Emir Sader
Ilustração by: Maurício Porto

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O povo de Brasília acordou


Era uma vez um fazendeiro feliz.
Plantava lotes e colhia votos.
O nome dele era Joaquim Roriz.
Fez sucesso, dinheiro e fama.

Um dia, porém, tropeçou nos Passos.
A Roda da Fortuna se inverteu.
O dinheiro não se foi,
mas o prestígio escafedeu.

Por conta de uma bezerra de ouro
teve que se apagar do Senado Federal.
Tentou ser candidato mais uma vez.
Valia tudo,queria ser rei ou general.

Arriscou governar o Distrito Federal.
De novo, sim senhor, achava que ia dar.
Mas, logo começou a se dar mal.

O sempre azul nas pesquisas amarelou.
Depois, a luz vermelha é que piscou
no Planalto Central, e Roriz se enterrou.

Tanto taz se na reta final
o Supremo Tribunal Federal
amarelar de vez e se sujar todo
para livrar os vida-suja da Lei da Ficha Limpa.

Roriz, era uma vez.
Por si só se enterrou.
Quem tudo queria, tudo perdeu.

Nem mais precisa do Supremo
para enterrar sua candidatura.
O povo de Brasília acordou
e mandou Roriz pra sepultura

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Que inveja, hein, FHC?


O site Opera Mundi publicou uma matéria sobre o alinhamento dos partidos políticos da França em relação à disputa eleitoral no brasil A matéria não traz grandes novidades, mas a foto de Luiza Duarte que ilustra a matéria me fez lembrar a brincadeira de Paulo Henrique Amorim, dizendo que, agora, FHC corta os pulsos.

Imaginem como deve estar doído o ego do ex-presidente, o Monsieur Cardosô, vendo as paredes do centenário metrô de Paris com uma enorme foto de um Lula sorridente e o título – não identifiquei de qual revista ou jornal é – dizendo: Brasil, o país onde a esquerda teve sucesso”.

Que tristeza, hein, FHC?

Por que votarei em Dilma Rousseff


Por que votarei em Dilma Rousseff
por Celso Barros *

Os três principais candidatos nessa eleição presidencial são muito bons. A terceira colocada deve ser Marina Silva, e Marina Silva seria melhor presidente que 90% dos presidentes do mundo. Levando em conta só os competitivos, nos últimos dezesseis anos só Garotinho (que a The Economist traduzia como “Little Kid”) avacalhou nosso currículo, onde, na minha modesta opinião, devemos ter orgulho de ostentar Lula e FHC.

Mas é preciso escolher, e, no que se segue, argumentarei que a melhor opção para o Brasil no momento é uma ex-guerrilheira nerd.

1.
Um bom governo, na minha opinião, deve (a) ser democrático, (b) não avacalhar a estabilidade econômica, e (c) combater a pobreza e a desigualdade. Por esses critérios, o governo Lula foi indiscutivelmente bom.

O governo Lula, tanto quanto o governo FHC, foi um governo democrático. Quem lê jornal no Brasil não apenas percebe que é permitido falar mal do governo, mas pode mesmo ser desculpado por suspeitar que falar mal do governo é obrigatório por lei. Os partidos de oposição atuam com plena liberdade, os movimentos sociais, idem, e, aliás, eu também. O Olavo de Carvalho se mandou para os Estados Unidos, dizem que com medo de ser perseguido politicamente, mas, se tiver sido por isso, foi só frescura. De qualquer modo, nunca antes nesse país exportamos tantos Olavos de Carvalho.

A economia foi muito bem gerida durante a Era Lula, a despeito do que falam muitos petistas (talvez preocupados com a falta de oposição competente). Companheiros, deixemos de falar besteira: a política econômica foi um sucesso. Mantivemos o bom sistema de metas de inflação implantado por Armínio Fraga no (bom) segundo governo FHC, e acrescentamos a isso: uma preocupação quase obsessiva por acumular reservas internacionais, a excelente ideia de comprar de volta nossa dívida em dólar, e medidas de incentivo fiscal quando foi necessário. A dívida como proporção do PIB caiu consideravelmente, e só voltou a subir quando foi necessário combater a crise. Certamente voltará a cair já agora.

Por essas e outras, fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair da maior crise econômica desde 1929. Os tucanos se consideravam uma espécie de Keynes coletivo por terem sobrevivido à crise do México. Com muito menos custo, sobrevivemos à crise dos EUA. E isso se deu porque a economia durante a Era Lula foi muito mais bem administrada do que durante o primeiro governo FHC. No segundo governo FHC, aí sim, a economia foi bem gerida, e Lula fez muito bem em copiar seus métodos de gestão.

E, na área social, o Lula realmente se destaca na história brasileira, e na conjuntura econômica mundial. FHC não merece nada além de parabéns por ter copiado o Bolsa-Escola do governo petista do Distrito Federal (cujo governador havia idealizado o programa ainda na década de 80), e o PT merece críticas por ter atrasado sua adoção insistindo no confuso “Fome Zero” por tempo demais; mas, uma vez re-estabelecida a sanidade, o programa foi implementado com imenso sucesso, e, associado à política de recuperação do salário mínimo, e à boa gestão da economia, geraram resultados que não estavam nas projeções do mais otimista dos petistas em 2002. Para ser honesto, eu sempre votei no Lula, mas nunca achei que fosse dar tão certo.

A pobreza caiu algo como 43%. Vou dizer com palavras, para não dizerem que sou cabeça-de-planilha: a pobreza no Brasil caiu quase pela metade. Rodrigo Maia, escreva essa frase no quadro cem vezes. Mais de 30 milhões de pessoas (meia França, não muito menos que uma Argentina inteira) subiram às classes ABC. Cortamos a pobreza extrema pela metade (mas ainda é, claro, vergonhoso que tenhamos pobreza extrema). A desigualdade de renda caiu consideravelmente: a renda dos 10% mais ricos cresceu à taxa de 3 e poucos % na Era Lula, enquanto a renda dos mais pobres cresceu mais ou menos 10% ao ano, as famosas taxas chinesas. E tem uns manés que acham que os pobres votam no Lula porque são ignorantes ou mais tolerantes com a corrupção. Dê essas taxas à nossa elite e o Leblon inteiro tatua a cara do Zé Dirceu.

Não é à toa que o economista Marcelo Neri, um dos mais respeitados estudiosos da pobreza no Brasil, fala no período de 2003-2010 como “A Pequena Grande Década”. Tanto quanto sei, Neri não é petista.

Por outro lado, há algumas semanas, o sociólogo Demétrio Magnoli escreveu um balanço crítico do governo Lula, que considera um desastre. O artigo praticamente não tem nenhum número. I rest my case.

2.
Seria idiota dizer que isso não é, em nenhum grau, motivo para votar na Dilma. Dilma participou ativamente disso tudo, e, no mínimo, apoiou isso tudo. Marina Silva, é verdade, apoiou quase tudo isso. José Serra não o fez, e muitos de seus simpatizantes continuam convictos de que os últimos oito anos, em que a renda dos brasileiros mais pobres cresceu no ritmo da economia chinesa, foi uma era das trevas da qual a nossa elite bem pensante (hehehe) acordará em breve, chorando de felicidade porque era só um pesadelo.

Mas, até aí, eu considero que a Era FHC também foi boa para o país, por outros motivos, e mesmo assim foi bom que Lula fosse eleito em 2002 (como irrefutavelmente provado acima). Por que não seria esse o caso, agora?

Em primeiro lugar, porque não acho que será bom para o Brasil se o governo Lula tiver sido só um intervalo. Se Serra ganhar a eleição, eis o que se tornará a versão oficial sobre esse período: uns caras com diploma governavam muito bem o Brasil por muitas décadas, aí surgiu um paraíba muito carismático que acabou % ganhando a eleição, mas não fez nada demais, por isso eventualmente a turma do diploma retomou o controle da coisa toda. Coloquei um sinal de porcentagem no meio da frase para que ela tivesse pelo menos um erro que não fosse também papo furado.

É importante compreender que os novos atores que compõem o PT vieram para ficar, pois são sócios-fundadores de nossa democracia, e que, de agora em diante, o Brasil é um país com uma esquerda que sabe ser governo. Isso quer dizer que agora a direita, para vencer eleições, precisa apresentar boas candidaturas (de preferência sem roubar nossos sociólogos, ou economistas heterodoxos) e, o mais crucial de tudo, apresentar propostas para os mais pobres, que acabam de descobrir que podem melhorar imensamente suas vidas com o voto. A direita brasileira ainda não fez esse trabalho: continua pensando como se fosse um direito natural seu governar o país, e esperando que algum movimento legitimista re-estabeleça a ordem nesta budega.

Enquanto a justiça eleitoral não fizer o voto do Reinaldo Azevedo ter peso 50 milhões, a estratégia de fingir que o governo Lula não desmoralizou os anteriores, diminuindo a pobreza sem desestabilizar a economia, não vai ganhar eleição. Enquanto não tiver um projeto para o país (o que, diga-se, o Plano Real foi), a oposição não merece voltar ao governo. Como o PT dos anos 90, por exemplo, não merecia ganhar a presidência, pois seu programa era o que, no jargão sociológico, era conhecido como “nhenhenhém”. O PT venceu quando reconheceu que o papo agora era outro, e era preciso partir das conquistas já alcançadas. Não há sinal que consciência semelhante exista na oposição como bloco político, embora, sem dúvida, o candidato Serra o tenha compreendido.

3.
Mas esse tampouco é o melhor motivo para se votar na Dilma. O melhor motivo para se votar na Dilma é a Dilma.

Dilma tem uma trajetória política muito singular, como, aliás, tinham FHC e Lula. Quem tiver lido seu perfil recente na revista Piauí pode notar que há tantos fatos interessantes na sua vida que o jornalista mal teve espaço para falar dela, como pessoa. Dilma foi guerrilheira, foi torturada, e, durante a democratização, entrou para o PDT. Quando visitou, recentemente, o túmulo de Tancredo, a turma de sempre reclamou que o PT não o havia apoiado no Colégio Eleitoral. Bem, Dilma, como o PDT, apoiou Tancredo. Eventualmente, foi parar no PT, onde cresceu fulminantemente, e foi beneficiada pela decisão da oposição de queimar um por um dos quadros petistas mais famosos, algo pelo que, suspeito, já começam agora a se arrepender. Estariam pior agora se o candidato do Lula fosse, digamos, o Dirceu?

Tem gente que, com temor ou esperança, acha que Dilma mudará o rumo da economia. Eu posso estar errado, mas, baseado no que vi até agora, acho o seguinte: Dilma está singularmente posicionada para fazer com que, sob essa mesma política econômica, e com o mesmo compromisso com a justiça social, o país comece a crescer bem mais rápido do que cresceu nos últimos dezesseis anos.

Eu gosto de dizer o seguinte sobre política econômica: é verdade, o Banco Central desacelera o crescimento quando mantém os juros altos (e segura a inflação). Mas, a essa altura, o crescimento econômico já levou uma surra; antes de chegar no Banco Central, o carro do crescimento já tomou batidas da nossa falta de política de inovação, da baixíssima capacidade de investimento do Estado, da pobreza (que diminuiu, mas, para nossa vergonha, ainda está aí), do nosso abissal nível de qualificação educacional, dos entraves inacreditáveis para se abrir ou fechar um negócio, dos problemas gravíssimos da nossa urbanização. Essa desacelerada que o Banco Central dá é porque, depois de tomar tanta batida, ou nosso carro desacelera ou ele desmonta na pista.

Nossa visão deve ser a seguinte: queremos ter produção tecnológica como a Índia, mas com muito mais preocupação com a justiça social, e queremos ter o crescimento da China, mas com a mais absoluta democracia e com as garantias ambientais necessárias. Se esses limites nos atrasarem um pouco, paciência, somos, em nossos melhores momentos, um país que leva essas coisas a sério. O que não é admissível é que qualquer coisa que não nossos princípios atrase nosso progresso.

Muita gente diz que Lula entregou a candidatura à Dilma de mão-beijada, mas, aproveito para advertir, muita calma nessa hora, meu povo. Lula também lhe entregou uma roubada incrível, que foi também um teste. Quando Dilma foi colocada na direção do PAC, experimentou em primeira mão o quão ineficiente é nosso Estado como indutor do investimento: uma legião de entraves burocráticos, pressões políticas e uma história de más prioridades tornaram nosso Estado incapaz de investir e de oferecer infra-estrutura (tanto física quanto legal quanto humana) para o investimento privado.

A beleza da coisa é que Dilma é uma c.d.f. obcecada por políticas públicas. Quem leu sua entrevista no livro organizado pelo Marco Aurélio Garcia e pelo Emir Sader não pode ter deixado de se divertir com a diferença entre as coisas que os entrevistadores querem perguntar e as coisas que ela quer responder: os caras lá falando do liberalismo, de não sei o que mais, e ela animadona com um jeito de furar poço de petróleo, com um jeito qualquer de administrar hospital. Respeito muito o Marco Aurélio, que foi meu professor, mas a Dilma sai da entrevista muito melhor que ele e o Sader.

Me anima especialmente que, em vários momentos, tenha visto Dilma puxando o assunto das políticas de inovação. O Brasil não vai dar um salto qualitativo em termos de desenvolvimento enquanto não produzir tecnologia. Tecnologia é o tipo de coisa que depende de bons arranjos entre governo e setor privado, e, a crer nos relatos até agora a respeito de sua passagem pelo ministério de Minas e Energia, Dilma tem uma postura pragmática saudável nessas questões.

Lula deu ao capitalismo brasileiro milhões de novos consumidores, e essa descendência política exigirá de Dilma compromisso forte com a inclusão social. Mas agora é hora de dar ao capitalismo brasileiro a competitividade necessária para que ele gere os empregos de que precisam os novos ex-miseráveis, os formandos do ProUni, ou das novas Universidades Federais, inclusive; é hora de montar um Estado que entregue aos cidadãos as cidades necessárias à boa fruição da vida moderna, e montar um sistema de inovação tecnológica que tire da direita o monopólio do discurso moderno.

Por conhecer melhor do que ninguém o tamanho desse déficit, e pelo que se depreende de sua postura até agora diante desses problemas, Dilma Rousseff é a melhor opção para a presidência do Brasil nos próximos oito anos.

Até porque, contará com um recurso que só o PT tem: uma imprensa tão hostil que o sujeito realmente, realmente tem que prestar atenção para não fazer besteira. Superego é uma coisa útil, senão você trava.

4.
Certo, mas deve ter gente pensando, ah, mas ela é só uma tecnocrata, vai ser engolida pelos políticos (o bom é que essa mesma turma dizia que o Lula, por não ser um tecnocrata, ia ser engolido pelos políticos). Deve ter gente, à direita e à esquerda, com esperança de manipular a Dilma. A Dilma, no caso, é aquela menina que, aos vinte e poucos anos, inspirava respeito até nos caras do Doi-Codi, como se depreende dos documentos da época. Se quiser ir tentar manipular essa dona aí, rapaz, boa sorte, vai lá. Depois você conta pra gente como é que foi.

* Celso Barros, Rio de Janeiro-RJ, é mestre em Sociologia pela Unicamp e doutor em Sociologia por Oxford. Blog: napraticaateoriaeoutra.org

DO QUE A ELITE GOLPISTA BRASILEIRA TANTO SE RESSENTE


DO QUE A ELITE GOLPISTA BRASILEIRA TANTO SE RESSENTE.

Quem acompanha o processo eleitoral brasileiro nesse ano de 2010 talvez tenha se deparado com a grande ferida ainda aberta na “Boa” Sociedade Brasileira: a perda do poder da elite golpista nacional. O que assistimos dia após dia é o resultado do acuamento de uma elite que perdeu o poder que por tantos anos exerceu sobre o povo brasileiro. O histórico nacional nesse sentido e os golpes impetrados pela elite brasileira ao processo democrático foram inúmeros. Não saberia aqui remontar ao Império e analisar as prováveis ingerências da elite nacional na manutenção do poder naquela época. Contudo, é fácil lembrar de algumas frases de nossos professores de história, de alguns bons livros lidos e porque não recorrer à nossa própria memória histórica para enumerar algumas das vezes em que nossa democracia sofreu golpes, sejam eles de estado sejam eles de mídia.
“Façamos a revolução antes que o povo a faça”, célebre frase de um estadista brasileiro, que antevendo o rumo insustentável de um governo onde o povo não teria voz, lançou mão do populismo, dando ao povo conquistas sociais que mundo afora já tinham sido consolidadas e conquistadas. Getúlio viu isso muito bem. Do alto de sua engenhosidade política deu ao povo o que ao povo já pertencia, ainda que potencialmente. Deste modo, acalmou-se os ânimos, evitou-se a revolução e garantiu-se mais alguns anos de tranqüilidade no poder. Contudo, não podemos esquecer de que, ainda que controverso, Getúlio deu início a grandes transformações sociais, notadamente nos Direitos Trabalhistas e na criação de grandes estatais que hoje são fundamentais para o nosso país. Não é de se espantar que a elite golpista nacional já emitia rugidos ferozes diante desse tipo de política. A elite direitista nacional sempre andou de mãos dadas com os golpes e atentados à nossa democracia. Dando um salto na história e certamente deixando para trás outros episódios semelhantes, chegamos ao momento onde a estratégia do Golpe nos valeu páginas das mais tristes de nossa história. Bastou a potencialidade de um discurso social, de distribuição de renda e de reforma agrária para que a elite nacional desferisse seu golpe mais sangrento à democracia: o Golpe Militar de 1964. Golpe amplamente apoiado pela “boa” sociedade civil brasileira. Veio então o processo de redemocratização do país. Longo e demorado, oriundo do desgaste da própria ditadura e com os militares nos deixando um país quebrado, com uma dívida externa astronômica e o pior: muitos políticos oriundos dessa época que por muito tempo assombraram e outros ainda assombram o Congresso Nacional.
Nossas primeiras eleições diretas desde aquele Abril de 1964 foi resultado de outro golpe. Desta vez inaugura-se no país o Golpe de Mídia, cuja grande paladina é a rede Globo de Televisão. A elite mordida, acuada pela queda de um regime militar que lhe assegurou o status quo, temeu a voz do povo que vinha do ABC Paulista.
Contra o povo construiu-se uma falácia, a grande alternativa, o saudável, o simpático herdeiro das oligarquias nordestinas: Fernando Collor de Melo. Suas saudáveis corridas matinais eram veiculadas dia após dia pela Globo que sempre contrastava seu rosto liso, seu sorriso largo e seu porte elegante com o do barbudo, carrancudo, ignorante, extremista, radical, perigoso e iletrado metalúrgico do ABC Paulista. Sustentado pela elite, filho direto dela e moldado para mantê-la no poder, Collor foi eleito. Não demorou para que a verdade se escancarasse aos nossos olhos: uma mentira tinha sido colocada no poder. A mesma mão que o colocou no Planalto, ou seja, a Globo, de lá o arrancou, saindo deste modo incólume de um processo que envolveu entre outros, mansões, marajás, enriquecimento ilícito das elites, cujo estômago não tem fundo e até mesmo assassinatos nunca esclarecidos à população. A elite brasileira e seus paladinos têm as mãos sujas de sangue. Entretanto, continuou com armas poderosas que a manteria no poder por um bom tempo ainda.
Amargamos um período de grande melancolia, uma população empobrecida, uma inflação assustadora e um cenário onde a política nacional freqüentava mais páginas policias do que políticas. Eis que um sociólogo, cujo pensamento desmoronou com o tempo e que mais tarde mandou que se rasgasse seus livros, encabeçou o grande projeto nacional: o controle da inflação. Do sucesso deste projeto dependiam mais alguns anos da elite no poder. O controle da inflação, paliando o desespero popular, fornecia um forte argumento para que se elegesse, mais uma vez, um filho da elite: Fernando Henrique Cardoso. Seu nome e o sucesso ainda incipiente do controle inflacionário forneceriam mais alguns anos de argumentos para que se mantivesse a elite no poder. Elite que já batia nas portas dos 500 anos de hegemonia, 500 anos de uma política anti-povo, 500 anos em que a Casa Grande permanecia de pé, sustentada pela mão-de-obra vinda da Senzala, seja ela assalariada ou não. Aos 45 minutos do segundo tempo a elite dá mais um golpe: aprova uma emenda constitucional que lhe daria mais 4 anos de poder e que ensejava seu tão sonhado, mas em seguida frustrado projeto: permanecer por mais vinte anos no poder. Da conjuntura que se permitiu mais este golpe nada se apurou. Entretanto, sua concepção só foi possível através da compra de votos do Congresso Nacional e do esperado silêncio das cortes supremas do país. Foram mais 4 anos em que a Casa Grande imperou absoluta sobre a Senzala.
Rojões são ouvidos, data digna de bailes palacianos e imperiais. Feliz Aniversário. Em 2000, a nossa atual sofrida e ressentida elite golpista festejava 500 anos de hegemonia. Nada mal! Entretanto ela tropeça em si mesma. Aliás, tropeça em seu maior inimigo, o ego inflado de Fernando Henrique Cardoso. O então presidente despenca de popularidade, entra na espiral da rejeição, deixa transparecer aqui e ali o nojo que tem de seu povo, de seus pobres, de seus aposentados. O país sofre sua maior espoliação: o patrimônio nacional é vendido aos quatro ventos em privatizações espúrias que sangraram o patrimônio nacional na medida em que se vendia grandes empresas a preço de banana e sem o devido funcionamento das agencias reguladoras. A arrogância e a prepotência do presidente seriam as principais armas (e talvez as únicas) que puderam, em seguida e de modo inesperado, levar a Senzala ao poder.
O desgaste é enorme, a insatisfação nacional fica difícil de abafar e A Esperança Vence o Medo. Mas a elite golpista nacional não cede fácil e tenta mais um golpe amparado pela sua mão mais pesada: a mídia. Suas duas armas mais poderosas são até hoje a GLOBO e a VEJA. Basta entrar nos arquivos da revista VEJA e ver as capas da época. Basta lembrar das frases da Global Regina Duarte: Eu Tenho Medo. A elite brasileira parece um bezerro que jamais desmama, um elefante gordo, pesado e envelhecido, mas que insiste em se arrastar nas tetas da mãe. Um parasita. À mando de seus interesses, a agonizante elite golpista foi capaz de tudo, inclusive colocar a estabilidade política e financeira do país em jogo. Permitiu-se o aumento da inflação e como o povo não se amedrontava mais, tentaram amedrontar o capital estrangeiro. O risco-Brasil atingia valores absurdos e um candidato ainda não eleito teve que ir à televisão dizer que não quebraria o país. E não quebrou.
Choro e ranger de dentes na Casa Grande. Festa na Senzala. Pobres e favelados nadando nos espelhos d’água do Congresso. E que não esqueçamos: uma elite intelectual séria e compromissada com um projeto social também festeja. Nem só de analfabetos, favelados e desdentados vive a democracia. A lista é longa, mas podemos citar Dom Hevaristo Arns, Marilena Chauí, Augusto Boal, Chico Buarque de Holanda, Leonardo Boff, Sebastião Salgado e também a festa no céu, puxada por nomes como Darcy Ribeiro, Gilberto Freire e Dom Helder Câmara. Foram necessários 500 anos para que a maioria da população percebesse que era maioria e que poderia eleger quem quisesse.
Lula passa pelo primeiro mandato com um congresso que só vota pagando, como que cobrando a dívida pela perda da teta secular. VEJA e GLOBO lideram o esquadrão de frente, mas esbarram no inesperado: na pujança econômica do país, na ascensão de classes, na respeitabilidade internacional de um governo, no apoio dos intelectuais e o pior: na popularidade de um presidente vindo da Senzala.
A elite em peso torceu contra, mas seu mau-olhado não podia ter efeito quando do outro lado se tinha a justiça social como escudo. De tudo fizeram e ainda fazem. Não dão valor aos programas sociais do governo, ainda que reconhecidos por órgãos como a ONU e a UNICEF. A elite golpista não é sequer arrogante ao desqualificar o que o resto do mundo ratifica, na maioria das vezes lhe falta erudição para tanto, ela está mais para perdida. Não contando mais com argumentos apocalípticos, sobra-lhe fazer uma oposição louca e pragmática. Sem conhecer como funcionam, qualifica os programas sociais de assistencialistas. Não sabem, por exemplo, que no programa nacional de habitação as pessoas pagam, na medida do possível, por suas casas. O que seria melhor? A ouvir a voz anacrônica da elite golpista nacional talvez a saída fosse continuar o processo de favelização de nossas cidades que é herança maldita dos 500 anos em que ela esteve no poder. Durante 500 anos nossa “boa” sociedade ignorou que a maioria da população agonizava às portas de suas mansões. No processo de desqualificação e desconstrução de um projeto de sucesso abre-se mão de todo o pudor e o pragmatismo rola solto. Com argumentos espúrios e falsetes transformam quem lutou pela democracia em criminoso e de quebra transformam as mãos sangrentas dos generais em heróicas obreiras da paz. A ouvir seus argumentos transformaríamos Nelson Mandela, Prêmio Nobel da Paz, em bandido e o Apartheid em justiça social. A elite tenta inverter os valores da democracia e injeta nos jovens, que não sabem ou não tiveram bons professores de história, os mais perigosos, desumanos e nocivos anti-valores.
Temos uma eleição plebiscitária. De um lado a velha elite golpista representada pelo PSDB e do outro lado o PT que trouxe sim uma alternativa de crescimento para o país e que soube aliar inclusive, os interesses da própria elite. Parte dela, percebeu isso. Muitos empresários se deram conta dessa nova realidade. Perceberam que com justiça social suas empresas podem mais. Espertos? Sem dúvida. Getúlios modernos antevendo o óbvio. Descobriram que não há mais espaço para trabalho escravo, desvalorização do ser humano e exploração. Crescerão de braços dados com essa nova realidade que é mundial e ajudarão o país a crescer. O contrário só se observa ainda em rincões do país onde o coronelismo re-moldado impera, onde se desvaloriza o ser humano, onde se explora a mão-de-obra barata e de onde provavelmente mais saem deputados e senadores de partidos como PSDB e DEM. Cidades longínquas onde a elite agonizante ainda resiste, mantendo-se agarrada nas tetas seculares.
A política do Estado Mínimo (que tem no PSDB defensores roxos) e os excessos do liberalismo levou o mundo à crise econômica que por pouco não fez ruir o que começamos a construir. No entanto sobrevivemos. Sim. Para o ódio dos que torcem contra. Graças aos programas sociais, ao aquecimento do mercado interno, à ascensão de classes e à tremenda competência dos ministros do atual governo. O último passo, a carta de alforria final só virá quando tivermos no país uma imprensa séria, a favor do crescimento, do desenvolvimento nacional, de um projeto de Brasil para todos os Brasileiros. Essa imprensa, todavia ainda não existe e continua a mando da elite ressentida. Basta abrir diariamente a imensa maioria dos jornais e revistas que circulam em Minas Gerais e no País ou assistir a TV Globo, para ver o espetáculo de parcialidade e o poder que essas elites anacrônicas e desesperadas ainda exercem sob a inculta opinião pública nacional.
A grande virtude de um novo governo será impor limites legais e constitucionais que poderão nos livrar de uma vez por todas do poder da mídia aloprada que age sempre a mando dos interesses mesquinhos e anti-povo de uma elite ensandecida. Nossa democracia não pode prescindir de uma imprensa série e isenta.
Chegou a hora de nos re-erguermos, de levantar a cabeça e ficarmos alertas, pois tão logo se aviltar a possibilidade, a elite golpista nacional, com suas mãos historicamente sujas e seu passado maquiavélico, tentará chegar ao poder novamente. Precisamos consolidar nossas vitórias no âmbito social, precisamos transformar o Brasil num país de classe média que não mais ficará à mercê dos interesses espúrios da elite ressentida.
Chega de Casa Grande! Inauguramos o ciclo da Senzala e precisamos mantê-lo para que o retrocesso social não volte a fornecer os escravos e as tetas de cuja falta tanto se ressente nossa falida elite golpista e em cuja origem repousam os troncos da escravidão.

Thiago de Castro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”


Por Altamiro Borges


O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, que ocorrerá nesta quinta-feira, dia 23, às 19 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, parece que incomodou o poderoso monopólio da família Marinho. O site do jornal O Globo deu manchete: “Após ataques de Lula, MST e centrais sindicais se juntam contra a imprensa”. Já o jornal impresso publicou a matéria “centrais fazem ato contra a imprensa”. Como se nota, o império global sentiu o tranco!
Diante desta reação amedrontada, é preciso prestar alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, o ato do dia 23 não está sendo convocado pelas centrais sindicais, MST ou partidos. Ele é organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entidade fundada em 14 de maio último, que reúne em seu conselho consultivo 54 jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais ligados à luta pela democratização da comunicação. A entidade é ampla e plural, e tem todo o direito de questionar as baixarias da mídia golpista.
As mentiras sobre o protesto
As manchetes e a “reporcagem” do jornal O Globo tentam confundir os leitores. Insinuam que o protesto é “chapa-branca” e serve aos intentos do presidente Lula, que “acusa a imprensa de agir como partido político”. A matéria sequer menciona o Centro de Estudos Barão de Itararé e tenta transmitir a idéia de que o ato é articulado pelo PT, “siglas aliadas”, MST e centrais. A repórter Leila Suwwan, autora do texto editorializado, cometeu grave erro, que fere a ética jornalística.
Em segundo lugar, é preciso explicitar os verdadeiros objetivos do protesto. Ele não é “contra a imprensa”, como afirma O Globo, jornal conhecido por suas técnicas grosseiras de manipulação. É contra o “golpismo midiático”, contra a onda denuncista que desrespeita a Constituição – que fixa a “presunção da inocência” – e insiste na “presunção da culpa” que destrói reputações e não segue os padrões mínimos do rigor jornalístico – até quem saiu da cadeia é usado como “fonte”.
Falso defensor da liberdade de imprensa
O Globo insiste em se travestir como defensor da “liberdade de imprensa”. Mas este império não tem moral para falar em democracia. Ele clamou pelo golpe de 1964, construiu o seu monopólio com as benesses da ditadura e tem a sua história manchada pelo piores episódios da história do país – como quando escondeu a campanha das Diretas-Já, fabricou a candidatura do “caçador de marajás”, defendeu o modelo destrutivo do neoliberalismo ou criminaliza os movimentos sociais.
Quem defende a verdadeira liberdade de expressão, contrapondo-se à ditadura midiática, estará presente ao ato desta quinta-feira. Seu objetivo é dar um basta ao golpismo da mídia, defender a soberania do voto popular e a democracia. Ele não é contra a imprensa, mas contra as distorções grosseiras dos donos da mídia. Não proporá qualquer tipo de censura, mas servirá para denunciar as manipulações dos impérios midiáticos, inclusive dos que são concessionárias públicas.

Caetano Veloso: Um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso.


Caetano Veloso: Um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso.

Música de verdade

Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-Ba.

Eu já estava estressado
Temendo até por vingança.
Meus alunos na escola
Leitores da ‘cordelança’
E a galera em geral
Sempre a me fazer cobrança.

Todo mundo me acusando
De cordelista medroso
Omisso, conservador
Educador preguiçoso
Por não me pronunciar
Sobre Caetano Veloso.

Logo eu, trabalhador,
Um pouco alfabetizado
Baiano de Santa Bárbara
Sertanejo antenado
Acima de tudo um forte…
E por que ficar calado?

Resolvi tomar coragem
E entrei logo em ação.
Fui dialogar com o povo
E colher a opinião
Se Caetano está correto
Ou merece punição.

Lápis e papel na mão
Comecei a anotar
Tudo em versos de cordel
Da cultura popular
A respeito de Caetano
Conforme vou relatar.

— Artista santo-amarense
Amante da burguesia
Esse baiano arrogante
Cheio de filobostia
Discrimina o presidente
Esbanjando ironia.

— Caro artista prepotente
Tenha mais discernimento.
Seja um Chico Buarque
Seja Milton Nascimento
Seja a luz do Raul Seixas
Deixe de ser rabugento.

— O Caetano deveria
Ser modesto e mais gentil
Porém o seu narcisismo
Que não é nada sutil
Faz dele um homem frustrado
Por ser bem menor que Gil.

— Seu comportamento vil
É algo de outra vida
Ele insiste em muitos erros
Não cura sua ferida
Por isso sua falação
É de alma involuída.

— Caetano é um arrogante
Partidário da exclusão
O que ele fez com Lula
Faz com qualquer cidadão
Sobretudo gente humilde
Que não tem diplomação.

— Por que este cidadão
( o Caetano escleroso )
Não criticou Figueiredo
Presidente desastroso ?
Além de aproveitador
O Caetano é medroso.

— Esse Cae que ora vejo
Não representa a Bahia.
Ser o chefe da Nação
Esse invejoso queria
Mas a sua paranóia
Pouco a pouco lhe atrofia.

— Já pensou se o Caetano
Fosse então educador ?!
“Mataria” os seus alunos
Pela falta de pudor
Pela discriminação
Pelo brio de ditador.

— Ele não leu Marcos Bagno
Pois é leitor displicente.
Seu preconceito lingüístico
Contra o nosso presidente
Discrimina Santo Amaro
Terra de Assis Valente.

— Ele ofende até os mortos:
Paulo Freire, Gonzagão
Patativa do Assaré
O Catulo da Paixão
Ivone Lara, Cartola
Pixinguinha, Jamelão…

— Caetano é um imbecil
Da ditadura um amante.
Um artista egocêntrico
Decadente ambulante
Se julga intelectual
Mas é mesmo arrogante.

— A Bahia está de luto
Diante da piração
Desse artista rabugento
Que adora a exclusão,
Vaca profana, ególatra
Que quer chamar a atenção.

— Vai de reto, Caetanaz
Pega o Menino do Rio
Garoto alfabetizado
Que te provoca arrepio.
Esse sim, não é grosseiro
Nem cafona pro teu cio.

— Um burguês reacionário
Que odeia a pobreza.
Ele não gosta de negro
E só vive na moleza.
Sempre foi um lambe-botas
Do Toninho Malvadeza.

— Vou atender meu cachorro
Pois é algo salutar
Muito mais que prazeroso
Que parar pra escutar
O Caetano elitista
Que começa a definhar.

— Certamente o Caetano
Esqueceu do Gardenal.
Bem na hora da entrevista
Lá se foi o bom astral
Desandou no Estadão
Dando um show de besteiral !

— Caetano ‘Cardoso’ segue
Sempre a favor do “vento”
Por entre fotos e nomes
Sem lenço nem argumento
Vivendo só do passado,
Cada vez mais ciumento.

- Eu respeito a sua arte
Mas preciso declarar
Que quando não tá na mídia
Cae começa a atacar
Sobre tudo as pessoas
De origem popular.

— O Caetano gosta mesmo
É de gente diplomada:
Serra, Aécio, Jereissati,
Toda tribo elitizada…
Bajulou FHC
Que fez muita trapalhada.

- O Caetano discrimina
Pois está enciumado.
Na verdade, o nosso Lula
É um homem educado.
Um nordestino sensível
Muito mais que antenado.

— Dona Canô, com 100 anos
Não perdeu a lucidez.
Mas seu filho Caetano
Ficou pirado de vez
Transformando- se num “cara”
De profunda insensatez.

— Ofendeu Marina Silva
— Através do Silogismo
Mistura de Lula e Obama
Logo quer dizer racismo:
Mulher cafona, grosseira
Analfabeta – que abismo!

Adoro Mabel Veloso,
Betânia, dona Canô…
Para toda essa família
Meu carinho, meu alô.
Mas o mestre Caetanaz
Já está borocoxô!

É proibido proibir
O cordelista versar
Pois conforme disse Cae
“Gente é para brilhar”.
Então permita ao poeta
Liberdade de pensar.

Brasileiros, brasileiras
A Bahia está de luto.
Racistas em nossa terra
Radicalmente eu refuto.
Estamos envergonhados,
Todos fomos humilhados
Oh Caetano ‘involuto’.

FIM

Este é o dono da página que está detonando o Marcos Lula e o PT de modo geral.

Tucanada infiltrada nos nossos murais




domingo, 19 de setembro de 2010

A onda de denúncias



Marcos coimbra
A onda de denúncias

Só a velhinha de Taubaté acredita que a coincidência de tantos "escândalos" é obra do acaso. A onda nasceu em tal momento que é impossível não desconfiar que exista intencionalidade por trás dela
Marcos coimbra


Por uma coincidência extraordinária, denúncias pipocam a toda hora nestes últimos dias de campanha eleitoral. Faltando duas semanas para a eleição do sucessor ou, pelo que parece, da sucessora de Lula, falar delas se tornou uma verdadeira obsessão para nossa grande imprensa.

Se contarmos o tempo transcorrido desde quando surgiu o “escândalo da Receita”, já faz quase um mês que os grandes jornais de São Paulo e Rio, as maiores revistas de informação e o noticiário da principal emissora de televisão dão cobertura máxima a denúncias de vários tipos contra Dilma, sua campanha, o PT e o governo Lula. O caso da Receita e o mais recente, envolvendo o filho da ex-ministra Erenice Guerra, receberam a atenção de todos. Outros, como a bombástica revelação de que uma “falha” de Dilma redundara em prejuízo de R$ 1 bilhão aos consumidores de energia elétrica, ficaram reduzidos ao esforço isolado de um veículo. Como ninguém a levou a sério (sequer o jornal que a havia patrocinado), foi logo esquecida.

Essa disposição para denunciar não atinge o universo da imprensa. Brasil afora, jornais e revistas regionais e estaduais mostram-se menos dispostos a fazer coro com os “grandes”. O mesmo vale na mídia eletrônica, na qual o tom escandaloso não é o padrão de todas.

É curioso, mas nenhuma dessas denúncias nasceu na internet, contrariando tendência cada vez mais comum em outros países. Lá, é nos blogs e sites independentes que coisas assim começam e têm seu curso, muitas vezes enfrentando a inércia da mídia tradicional. Aqui, ao contrário, são os jornalões e os grupos de comunicação mais poderosos os mais afoitos na apresentação e apuração de denúncias.

Não se discute se são falsas ou verdadeiras. É certo que algumas, como o “escândalo da eletricidade”, são apenas bobagens. Outras são importantes e produzem consequências reais, como a que levou à saída de Erenice. Existem as que estavam na geladeira, ao que parece aguardando um “bom momento” para vir à tona, como o “escândalo da Receita”. E há as que, aparentemente, apenas coincidiram com outras, como o “escândalo do caseiro”, que ressurgiu das cinzas agora que a Caixa Econômica foi condenada a indenizar a vítima.

Também não se discute o que fazer nos casos em que há suspeita fundamentada ou confirmação de que alguma irregularidade foi praticada. Partindo da premissa de que somos um país sério e que as instituições funcionam, qualquer denúncia com verossimilhança precisa ser apurada e os culpados, punidos. Aliás, todas estão sendo acompanhadas pelo Ministério Público, a Polícia Federal e a própria imprensa.

Mas só a velhinha de Taubaté acredita que a coincidência de tantos “escândalos” é obra do acaso. A onda nasceu em tal momento que é impossível não desconfiar que exista intencionalidade por trás dela.

Os segmentos na sociedade e na mídia insatisfeitos com a possibilidade de vitória de Dilma aguardavam ansiosos o começo da propaganda eleitoral na televisão e no rádio. Sabe-se lá de onde, imaginavam que Serra reagiria a partir de 17 de agosto e que conseguiria reverter suas perspectivas muito desfavoráveis. Não viam que o mais provável era o oposto, que Dilma crescesse quando Lula chegasse à televisão. Como resultado de mais um dos equívocos que cometeram na avaliação das eleições, se surpreenderam quando a vantagem da candidata do PT rapidamente aumentou.

Foi de repente, quando a decepção com a performance de Serra e o susto com o bom desempenho de Dilma se generalizara, que começamos a ter uma denúncia atrás da outra. A temporada de escândalos teve sua largada na última semana de agosto, quando saíram as primeiras pesquisas públicas feitas após o início do horário gratuito, mostrando que a diferença entre eles passava de 20 pontos.

De lá para cá, nada mudou nas intenções de voto. Alguns comentaristas procuram indícios de oscilações, com lupas esperançosas, ansiosos para encontrar sinais de que tanto barulho produza efeitos. Até agora, nada.

Chega a ser engraçado, mas há países em que se proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais nos 30 dias que antecedem uma eleição. Tudo para não perturbar as pessoas na fase da campanha em que deveriam pensar mais. Eles acham que ninguém deveria interferir nesse momento de recolhimento e reflexão.

É porque não conhecem o que é capaz de fazer (ou de tentar fazer) nossa “grande imprensa”.

Eu sou assim apenas um Sopro!


Faço parte de um pequeno grupo de pessoas
Que não gostam das coisas mais óbvias…

Enquanto todos vão aos mesmos lugares
Eu procuro ir aonde acho mais “bacana”
Enquanto todos seguem a "modinha"
Eu prefiro fazer o que me dá prazer

Enquanto todos olham para o mesmo lado
Eu desvio o meu olhar para o que atrai o meu instinto

Procuro estar no Presente
Mas confesso que o passado é algo inerente a minha condição humana…

Diariamente ouço com atenção as pessoas que chegam a mim
Mergulho no interior de cada uma quando me permitem
E juntas descobrimos um caminho para emergir…

Tento sempre compreender o que querem de mim
Quando sintonizam comigo
Mas às vezes a própria pessoa não sabe o que quer
Aí fica mais difícil!

Troco energia na medida do possível
Mudo de Polaridade se preciso for
Posso ser o que você quiser
Não tenho Medo
Participo de tudo que sou Capaz
Mas só posso ir até onde me permitem

De qualquer forma eu tento
E sempre dou o melhor de mim

Sou o que a sua percepção lhe permitir enxergar…

Talvez Eu seja Mais louca do que você acredita…

E mais inteligente do que você imagina!

Talvez eu seja mais Intensa do que você pensa…

E mais Feliz do que você jamais sonhou!

Talvez eu tenha Coragem de dizer o que você não ousa

Ou Saiba dizer de forma simples o que você não consegue expressar…

Talvez você não compreenda nada do que eu digo…

Mas se não, é porque não é mesmo para você compreender.

Talvez Eu me permita ser diferente a cada dia

Ou talvez eu simplesmente seja assim

E realmente goste de ser assim…

Talvez eu goste de acordar todos os dias e fluir com a vida

Dizer o que sinto porque sinto.

Gosto de rir de mim mesma

De fazer Drama quando estou muito triste até passar a dor…

Mas também quando passa vai de uma vez só!

Gosto de ler coisas que me façam pensar diferente…Amo mudar de idéia!!!

Gosto de pessoas de "atitude" que fazem com que eu reflita sobre as minhas…Gosto de aprender tentando E crescer através das minhas experiências.Amo ser surpreendida…

Acredito muito no Potencial humano…

Na verdade eu Amo o Ser Humano de uma forma em Geral

Escolhi minha profissão por Amor … Tornei-me o que sou por amor

Alias “o amor me move… Só por ele eu falo…”

Tenho paixão pela minha Vida!

Por isto estou sempre sendo complacente comigo mesma…

Mas sei admitir quando erro

Sei pedir desculpa

E estou aprendendo a lidar com a minha amiga ansiedade.

Acredito que quando é meu vem com força…Quando é mais ou menos não é para ser!

Não gosto de situações obscuras

Não gosto de pessoas que estão metade junto a mim… E a outra metade na duvida sem saber para onde vai…

Não Gosto de viver mais ou menos

Beijar mais ou menos

Abraçar mais ou menos

Sentir mais ou menos…

Nestas situações eu não sou eu…Sou parte de mim e acredito que não flui como deveria…

Algo que aprendi é que se eu não compreendo você a culpa é sua e vice versa…Me Mostro à medida que você se mostra … Mas às vezes você só vê aquilo que quer ver…Ou que pode … rs!

Vivo intensamente sim… E se o equilíbrio está no caminho do meio…

Há momentos em que você precisa optar…

Tudo é passível de mudança e é preciso ser Forte para perceber que a “persona”também é flexível e muda…

A questão então é ter Flexibilidade…

É preciso saber ser Intenso mas Flexível ao mesmo tempo…

E se viver intensamente é estar entre a vida e a Morte…

Não deixa de ser o caminho do meio… rs

Eu… sempre filosofando demais…

Talvez você tenha uma idéia equivocada sobre a minha pessoa …Talvez você me conheça mais do que você imagina …Ou talvez você realmente não me conheça…

Talvez você não conheça a si mesmo…Ou Talvez eu seja apenas alguém bem diferente de você!

Talvez nada disso Me importe tanto quanto você pensa…Talvez você tenha lido Tudo isto até aqui porque se importe mais do que eu … rs

De que Serve a Bondade


De que Serve a Bondade

1

De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

2

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela

La neves vá


La neves vá
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Gilson Reis, blogdogilsonreis.blogspot.com

Em 1983 Frederico Fellini lançava a mais importante obra cinematográfica da sua pródiga e bem sucedida carreira: La Nave Va.

O filme retrata o cenário fúnebre do início da primeira guerra mundial. Fellini reúne em um navio personagens bizarros e membros da alta elite italiana para uma viagem surreal. O funeral de uma cantora lírica é interrompido em pleno oceano para que o capitão da embarcação resgate uma comunidade sérvia que fugia da guerra. Os sérvios, cidadãos de segunda categoria, são jogados no porão do navio e assim a trama se desenvolve.

Na transferência de cargo do governador Aécio Neves para o seu vice, Antônio Anastasia, os arredores do Palácio da Liberdade pareciam a embarcação do filme de Fellini. Nas dependências do Palácio, encontrava-se a fina flor da corte mineira. Estavam lá embarcados cinco governadores mineiros: Francelino Pereira, Itamar Franco e Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Antonio Anastasia. Os artistas globais Luciano Huck, Cristiane Torloni, Maitê Proença e até o galinho de Quintino, o jogador Zico. A duzentos metros de distância, populares espremidos na cerca de proteção observavam o cortejo da nobreza. De sorrisos ocos, lá estavam os pobres e desavisados mineiros a servir de sérvios para a fúnebre festa da elite mineira.

A posse do novo governador encerra um período de sete anos e três meses de profunda unidade das elites mineiras. Uma unidade construída em torno do governador tucano Aécio Neves e do seu ambicioso projeto presidencial. A tradicional política mineira, que ainda persiste nas várias regiões do estado, sempre foi marcada pela divisão entre dois blocos antagônicos vinculados à elite: os conservadores e os liberais. O primeiro grupo de concepção conservadora, rural, ligado inicialmente às fileiras da UDN e suas congêneres ao longo da história. Já o segundo grupo, de viés liberal, urbano, nasceu e consolidou-se com a urbanização do estado de Minas. Essa corrente política iniciou sua trajetória a partir do PSD. Esse grupo político também foi mudando de siglas, mas sempre mantendo suas raízes teóricas liberais. A aspiração das elites mineiras em retornar o comando da Presidência da República possibilitou esta inédita unidade.

Consolidada a fusão de conservadores e liberais, a segunda medida do Palácio da Liberdade foi dividir o setor oposicionista. Primeiro, aproximou-se de forma habilidosa do presidente Lula, utilizando-se de recursos federais para projetar as políticas públicas em Minas Gerais. No campo político, manteve permanente diálogo com o Palácio da Alvorada, permitindo ao não menos hábil presidente Lula usar e abusar da aproximação com o governador mineiro, chegando ao limite de construir em 2006 o Lulécio, em oposição ao candidato tucano Geraldo Alckmin.

No Estado não foi diferente. O governador Aécio Neves administrou com ampla maioria na Assembléia Legislativa, chegando a atrair em vários momentos a base parlamentar vinculada ao Partido dos Trabalhadores para votações de emendas constitucionais e projetos de interesse do governo. O PMDB dividido e sem grandes lideranças foi uma presa fácil para o Palácio da Liberdade. Porém, foi na eleição municipal da capital mineira que Aécio Neves demonstrou todo o seu conhecimento, adquirido através da convivência com o avô Tancredo Neves: a arte de manter-se neutro sem sê-lo. No processo sucessório de Belo Horizonte, lançou um candidato pelo PSB, dividiu o PT através de um acordo com o então prefeito Pimentel e conquistou depois de dezesseis anos a prefeitura da capital mineira.

No campo da economia, Aécio e Anastasia desenvolveram e consolidaram o choque de gestão. Trata-se do projeto neoliberal, que é a marca do governo de Minas, mesmo com a falência do neoliberalismo em escala mundial, principalmente a partir da crise internacional do ano passado. No entanto, o choque de gestão cantado em verso e prosa pelos quatro cantos de Minas não passa de uma gestão fiscal do estado que beneficia amplamente o setor privado, em detrimento do setor público. Minas Gerais foi, ao longo dos últimos anos, um laboratório de destruição das políticas públicas, a exemplo da saúde, educação, segurança e previdência, entre outras. Nos sete anos e três meses de governo, milhões de reais foram retirados das políticas públicas e repassados para a iniciativa privada, seja através da isenção fiscal, seja por meio de obras faraônicas, a exemplo do Centro Administrativo, que custou aos cofres do estado dois bilhões de reais. A inversão de prioridades e o endividamento do estado, a destruição do Ipsemg, a focalização da educação, a centralização da saúde e o aumento da criminalidade são apenas alguns dos resultados da fracassada política econômica.

No âmbito das relações de trabalho, a atitude foi ainda mais perversa. Durante todo o governo, a relação com os servidores foi amplamente desrespeitosa. A permanente precarização nas relações de trabalho em todas as áreas do estado culminou com a prática criminosa da terceirização realizada pela MGS.

A empresa foi criada pelo estado para contratar trabalhadores de forma precária, com o objetivo de diminuir o custeio da máquina e conseqüentemente a qualidade do serviço público. A ausência de concursos públicos para ingresso na carreira de estado, o achatamento salarial, a emenda 100, que criou uma distorção inconstitucional na carreira pública, a negativa do governo em aplicar o piso nacional dos trabalhadores em educação são apenas alguns dos exemplos da política desenvolvida pelo governo Aécio/Anastasia.

Para cumprir essa plataforma política, o governo mineiro praticou duas estratégias complementares. A primeira e mais refinada foi a cooptação dos movimentos sociais e sindicais. Ao longo de todo o período, dirigentes sindicais e sociais passaram a cooperar com o governo, abdicando das bandeiras históricas pela qualidade dos serviços públicos, controlando a mobilização e a luta dos trabalhadores. A segunda estratégia foi criminalizar os movimentos sociais e sindicais que lutavam e enfrentavam a política neoliberal e o choque de gestão do Palácio da Liberdade. O resultado foi uma permanente ação de repressão das forças policiais contra os trabalhadores urbanos e rurais.

Na área da comunicação e informação, o governo Aécio/Anastasia construiu um “bunker” jamais visto em toda a história política de Minas. O governo, a partir de um núcleo operacional de comunicação, constituído no Palácio da Liberdade e coordenado pela sua irmã Andréa Neves, controlou ao longo dos anos todos os meios de comunicação de Minas, do maior jornal à menor rádio e jornal do interior do estado. O controle da mídia foi cotidiano e permanente. Alguns jornalistas que tentaram romper o cerco do governador foram imediatamente punidos, demitidos ou mesmo “varridos” dos meios de comunicação do estado. Ao longo de sete anos, a população de Minas Gerais foi impedida de ser informada, a máxima da comunicação fascista foi expressão de um tempo com profunda ditadura midiática. O que importa ao governo Aécio/Anastasia é a propaganda oficial, com gastos extraordinários, para utilizar a mesma prática fascista de Hitler, pela qual “uma mentira contada mil vezes se transforma em verdade”.

Todavia, o que se sobressai com mais evidencia nesses sete anos e três meses de governo é o projeto de desenvolvimento proposto pela dupla Aécio/Anastasia. A verdadeira situação das condições políticas e econômicas veio à tona no período da crise internacional, ocorrida no ano de 2009. Minas Gerais, mesmo ocupando o segundo PIB do país, é o décimo terceiro em distribuição de renda. Mais de sessenta por cento da população recebe até um salário mínimo. O estado, apesar de rico, é um dos maiores concentradores de renda e riqueza do país. Em Minas Gerais, dos dez principais produtos de exportação, nove estão relacionados a produtos primários: agrícolas ou minerais. A única exceção é a exportação de veículos produzidos pelo setor automotivo, constituído no estado no final dos anos setenta. O choque de gestão neste contexto é uma farsa, não alterou um milímetro sequer as condições sociais e econômicas da população. O estado está paralisado, Minas Gerais não possui hoje um único projeto de desenvolvimento que avance na área de ciência e tecnologia.

É navegando nesse mar aparentemente tranquilo, porém revolto, que Minas e os mineiros se encontram à deriva. Para as nossas condições de povo da montanha, longe do mar, que nossa situação se torna ainda mais emblemática. Espero que a nave que trouxe o governador Aécio Neves não volte a atracar por aqui. Que Minas e os mineiros, agora livres do governo Aécio Neves, compreendam com mais clareza a farsa que foi esse período histórico, e possam refletir com mais profundidade as reais aspirações políticas, econômicas e sociais que, aliás, sempre foi a nossa maior virtude. Fellini trouxe para a ficção os dilemas de um tempo de guerra. Nós, mineiros, precisamos trazer para a realidade os dilemas de um tempo de paz, que exige avanços sociais e democráticos. La Neves Vá! E leve consigo Anastas!

Gilson Reis nasceu em Belo Horizonte, é professor de Biologia e especialista em Economia do Trabalho pela Unicamp. Nos últimos vinte anos, esteve à frente de importantes lutas políticas e populares em Minas Gerais e no Brasil. Fundou e presidiu o Diretório Acadêmico da Faculdade Metodista Izabela Hendrix, na capital mineira, foi dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE), vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Minas Gerais e dirigente da Executiva Nacional da CUT. Atualmente é presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), membro da Direção Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) e presidente estadual da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/MG).