segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Crianças passam fome: nenhuma é Cubana




A Revolução Cubana sempre foi alvo de criticas e especulações, mas contra fatos não se discute: o relatório "Progresso para a Infância, um Balanço sobre a Nutrição", último relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), confirma que Cuba é o único território livre na América Latina e Caribe das mazelas da desnutrição infantil. Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos que vivem abaixo do peso no mundo hoje é cubana.

Em relação ao documento, das crianças que passam fome com graves problemas de desnutrição, 28% destas são da África, 17% do Oriente Médio, 15% da Ásia, 7% da América Latina e o Caribe, 5% da Europa Central, e 27% de outros países em desenvolvimento.

A pesar de 50 anos de bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, a própria Organização das Nações Unidas, (ONU) coloca Cuba na vanguarda do cumprimento do item de desenvolvimento humano. Isto se deve ao estado cubano garantir uma cesta básica de alimentos e benefícios na lactação materna, mantendo até o quarto mês de vida a lactação exclusiva e complementando-a com outros alimentos, até seis meses de idade. Junto com outros alimentos, ainda se entrega diariamente um litro de leite a todas as crianças de zero a sete anos de idade.

Gostaria de fazer uma analogia ao filme recém lançado nos EUA sobre a chamada “Operação Peter Pan” da diretora estadunidense cubana Estela Bravo. A película narra o seqüestro de 14 mil crianças e adolescentes cubanas que foram levadas para os Estados Unidos nos anos 60. A CIA – Agencia Central de Inteligência e a hierarquia da  igreja católica cubana resolveram “salvar” aquelas “pobres almas do comunismo” em Cuba. A Revolução vitoriosa em 1959 passou a declarar sua opção pelo modelo socialista de desenvolvimento a partir de 1962. Esse talvez seja o primeiro sequestro por motivos políticos, o segundo que tenho conhecimento aconteceu anos depois com crianças e adolescentes vietnamitas. Com que direito, entidades como a igreja e a CIA, tinham de afastar os filhos de seus pais? Esperamos poder assistir a esse filme no Brasil.

Esses meninos e meninas enfrentaram diversos problemas para se adaptarem ao “american way of life”: má alimentação, gangues nos centros de recepção e maus-tratos. Eram obrigados a fazer tarefas domésticas humilhantes, além de enfrentarem inesperadamente outra língua, outros costumes, outra cultura, solidão e abandono nos estados de Michigan, Montana, Washington e Nova York. Muitas não conseguiram voltar e foram adotados por casais americanos.

O sistema “comedor de criancinhas”, segundo uma paranóia ridícula criada pelo regime ditatorial brasileiro de 64, observa que 200 milhões de crianças no mundo dormem hoje nas ruas. Nenhuma é cubana. 250 milhões de crianças com menos de 13 anos são obrigados a trabalhar para viver. Nenhuma delas é cubana. Mais de um milhão de crianças são forçadas à prostituição infantil e dezenas de milhares foram vítimas do comércio de órgãos. Nenhuma delas é cubana. 25 mil crianças morrem a cada dia no mundo por sarampo, caxumba, difteria, pneumonia e desnutrição. Nenhuma delas é cubana.

Panorama similar refletia Cuba antes de 1959, como foi denunciada em 1953 pelo jovem advogado Fidel Castro que, passaria anos na prisão, em seu histórico depoimento A História me Absolverá:
"De tanta miséria somente é possível libertar-se com a morte; e a isso ajuda o Estado: a morrer. Os 90 por cento das crianças do campo estão sendo devoradas pelos parasitas que se infiltram da terra pelas unhas dos pés descalços. A sociedade se comove ante a notícia de seqüestro ou de assassinato de uma criatura, mas permanece criminalmente indiferente ante ao assassinato em massa que se comete com tantos milhares de crianças que morrem todos os anos por falta de recursos, agonizando entre os estertores da dor e cujos olhos inocentes, já neles o brilho da morte, parecem olhar até o infinito como pedindo perdão para o egoísmo humano, e que não caia sobre os homens a maldição de Deus".

Excelente texto do meu amigo Prof. Laércio Julio

Um comentário:

Sebastião Bach disse...

Por isso que ninguém quer fugir de lá. É o paraíso, com uma refeição diária o povo vive, não tem obesidade, não tem diabetes, não precisam fazer academia, ô beleza