domingo, 6 de dezembro de 2015

O idoso

O idoso e o direito de morar sozinho


Outro dia, recebi um email que dizia assim: “Gostaria de saber qual é a idade permitida para uma senhora morar sozinha – sem acompanhante - tendo uma ótima saúde”. Primeiro, achei engraçado uma pergunta dessas. Mas depois relendo, percebi que a dúvida era real e me espantei. Ainda hoje muita gente pensa que existe limite para o exercício da capacidade civil, da autonomia de vontade.
Vamos esclarecer de uma vez por todas, no Brasil a capacidade civil começa aos 18 anos completos e não termina com idade alguma. O que determina esta capacidade é a lucidez, ou seja, uma pessoa pode ser lúcida aos 95 anos enquanto outra pode ser considerada incapaz aos 30 anos. Vale dizer: a incapacidade não é uma consequência do envelhecimento. A incapacidade civil, que gera o processo de interdição e consequente nomeação de um curador (para adultos) ou tutor (para crianças), pode surgir em qualquer fase da vida em decorrência de uma doença degenerativa, de um acidente ou de uma dependência química por exemplo.

Voltando a pergunta: não existe limite de idade para morar sozinho, ou melhor, para viver sozinho. A escolha deve ser do idoso e de ninguém mais. Mesmo que a decisão traga desconforto para os familiares e amigos, a decisão deve ser respeitada. O importante é fornecer subsídios para que o idoso faça uma escolha consciente, levando em conta sua liberdade, sua saúde, seu conformo e principalmente sua autonomia. E vale ressaltar, o fato do idoso morar sozinho não impede que a família lhe ofereça ajuda, se necessário.

Não obstante o auxílio prestado pela família em casos emergentes, cresce realmente a proporção de idosos vivendo sozinhos, tanto homens quanto mulheres, conforme comprovam o Relatório Nacional Brasileiro sobre o Envelhecimento da População Brasileira divulgado pelo IBGE.

Viver só representa, para os idosos, uma forma inovadora e bem-sucedida de envelhecimento, o que vai de encontro à imagem estereotipada de abandono, descaso ou solidão. Viver só pode ser uma situação temporária do ciclo de vida, mas pode também refletir uma opção pessoal, um exercício de vontade. Na verdade, a proximidade física ou geográfica, nem sempre pode ser traduzida por uma maior frequência de contato ou afetividade. Porém, o que acontece muitas vezes é que a família conta com os rendimentos do idoso para se sustentar e por isso vai morar com ele ou o leva para perto. Nas duas atitudes é preciso se preocupar com a vida, o objeto e o espaço físico do idoso, pois todos estes elementos constituem sua memória de vida e não devem ser descartados ou desqualificados.

Enfim o mais importante é garantir o direito de escolha do idoso. Ele deve ser motivado e orientado a decidir sobre sua vida, sua moradia, seus amigos e seus bens. À família cabe apenas o apoio. A família não deve expropriar o idoso de suas decisões, mesmo que seja sob o argumento de protegê-lo. O idoso deve continuar fazendo suas próprias escolhas e ninguém deve ser impedido de gerir sua própria  vida senão depois de exaustivamente demonstrada sua incapacidade em um processo legal chamado de interdição judicial. Somente através deste processo, que conta com perícia médica e psicológica, alguém pode ser considerado incapaz de coordenar sua própria vida.


*Pérola Melissa Vianna Braga é advogada, autora do livro Direitos do Idoso – (Quartier Latin-2005), mestre em Direito Civil pela PUC/SP, conferencista sobre Direitos do Idoso, professora universitária e Editora deste site.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Na Árvore da Vida Você É Folha ou Fruto?



Na Árvore da Vida Você É Folha ou Fruto?
Por Bemvindo Sequeira









Estava eu posto em sossego observando a Natureza num dos parques florestais do Rio. Sentado em silêncio vi o cair de uma folha. A Natureza depositou-a suavemente sobre a terra à minha frente. Pouco depois uma manga caiu pesadamente ao solo, esborrachada, aberta, sangrando seu sumo.

E eu estava justamente pensando por que as pessoas boas muitas vezes morrem cedo, de modo abrupto, ou mesmo quando maduras, com muito sofrimento, enquanto gente muito má vive o tempo além do tempo e morre suavemente como a folha que caiu aos meus pés.

É sempre uma pergunta que o povo faz quando morre alguém bom:  - Por que este homem bom morreu assim, enquanto aquele malvado continua vivo e feliz?

É a árvore da vida, percebi… há pessoas que não são frutos. São como folhas estéreis, que se despregam leves e suaves da árvore. Há outras que são generosas, como um fruto suculento. Quando maduras, ou atingidas por um imprevisto como uma tempestade,  desabam dolorosamente sobre a terra.  Mas mesmo assim, por sua generosidade, levam consigo a semente que uma vez na terra gerará mais e mais vida, mais e mais frutos.

Divagação que tive que interromper. Começou a chover. A bendita água caindo generosamente sobre tudo e todos: folhas e frutos, inclusive sobre mim, que enquanto me abrigo da chuva penso se vou ficar ou não pra semente.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Tatu subiu no pau

Aldir Blanc , compositor desnuda o  FHC:
Não, Fernandinho. Nunca se apurou tanto.


Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem
O gatuno e atiçador dos cães assassinos da ditadura militar J. M. Marin foi preso na Suíça. Por que não aqui? A resposta cabe à Polícia Federal, Receita e outros órgãos complacentes diante da corrupção de direita. J. Hawilla, da Traffic (que não se perca pelo nome), também está entre os envolvidos e já foi confessando geral. Só no caso dele, a roubalheira pode chegar, por baixo, a quase meio bilhão de reais. Será que os outros membros dessa quadrilha de trafficantes serão presos no Brasil?
Aos 68 anos, vi a tal foto que vale por mil, ou bilhões de palavras: no evento de 1º de Maio da Força (faz força, Paulinho, que a sujeira sai!), quase abraçadinhos sob o pé do flamboayant, Dudu Cucunha e Anéscio Neves, o canibal do avô, cochichavam. Cucunha enfiou o indicador da mão direita na deep narina, enquanto fazia Aócio rir feito Mutley, o cachorro do Dick Vigarista. A chopeidança primou pelos discursos que pediam a cabeça da Dilma. Por isso, um dos seus aliados estava lá, quase osculando o Abóstulo do Terceiro Turno. De vomitar. Aócio chamou Dilma de covarde por ter evitado pronunciamento na telinha. Está exercendo seu direito de livre expressão em uma democracia. Minha opinião é diferente: covarde é marmanjo que, entupido de pó, bate em mulher.

Outra frase jocosa foi de FHC I e II: “Nunca se roubou tanto nesse país”. Não, Fernandinho. Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem. Taí o mensalão do Azeredo, 20 anos de esbórnia nos trens metropolitanos de São Paulo, escândalos nas privatizações selvagens etc. que não me deixam mentir. Empreiteiros corruptos estão sendo soltos. Banqueiro condenado a 21 anos de cadeia tem a sentença anulada, todos em casa, aliviados, preparando o próximo golpe. A balança da Cegueta precisa de um ajuste fiscal...
O cenário pornopolítico foi dominado pelo massacre dos professores no Paraná. Depois do “prendo e arrebento”, temos Bato Racha, vulgo Beto 9.9 em violência na escala Richa. Bato Racha levou nove dias para se arrepender, e com a frase mais — desculpem, não há outra palavra — escrota que pode brotar da boca de um covarde: “Machucou mais a mim...” O perdigoto não agradou, Racha deu ré e agora aprova de novo a pancadaria sanguinolenta, balas na cara, bombas, pitbulls... Foi um tremendo rasgo na Cortina de Penas do bom-mocismo tucano. Eles são aquilo mesmo. Bato Racha mandou fitas para jornalistas comprovarem a ação de “elementos infiltrados” no protesto. Ninguém encontrou um único agente provocador. Bato Racha é também um deslavado mentiroso.
Estão soltas no pedaço as feras do CCE (Comando de Caça aos Esquerdistas). Parecia que o senadô Lulu Menopausa Nunes dedaria sem luva a próstata do Fachin, em plena sabatina. Dez horas de humilhação. Mas vento que venta pra lá... Uma delação premiada saiu pela culatra: propinas para caixa 2 na reeleição de Bato Racha. Não invadiram a casa do espancador para apreender obras de arte. Afinal, convenhamos, são todos “artistas” medíocres.
Por Aldir Blanc , compositor

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cabeça de coxinha que sofre lavagem do PIG


Por Francisco Costa
Macaé, RJ, 10/11/2015.


Fuii jantar,a pouco. Melhor, fui distrair o estômago, e tem uma casa que faz um churrasquinho no espeto de primeira, cadeiras e mesas na calçada.

Chego e o assunto reinante é o interminável chororô de está uma merda.

Peço um espetinho de alcatra com molho e guaraná natural, sento-me, para esperar, me irritando cada vez mais com o que ouço, a alienação coxesca em grau máximo, até que vem a gota d’água:

- Se não tirarem a Dilma não sei aonde vamos parar, tem que tirar essa mulher.

É muito para a minha parca e superficial paciência, solto a voz:
- Tirar a Dilma porque, meu amigo?
- Não está vendo essa roubalheira, o país parando, as empresas demitindo?

Como falei alto, em tom intimidatório, há silêncio.
- Mas não é que eu concordo com o amigo? Você tá certo! A roubalheira está terrível, o país está parando, as empresas estão demitindo.

Há sorrisos de concordância.
- Vamos começar pela roubalheira: se tirarem a Dilma, quem sobe?

Ninguém responde.
- A turma do Aécio Neves, Serra, Eduardo Cunha, Aloysio Nunes... Zé Serra tem dezoito processos por corrupção, Cunha, vinte e dois processos por corrupção, só esses dois juntos são quarenta processos por corrupção. Alguém aí pode me dizer quantos processos Lula e Dilma têm, juntos?

É o silêncio, até que uma vozinha ousa:
- Vai dizer que não roubam?
- Lembram do mensalão? Fuçaram a vida da mulher toda, fuçaram a vida do Lula toda. Agora a mesma coisa na Lava Jato, não pegaram nada. Vocês acham que a polícia federal, Joaquim Barbosa e Moro são otários e Dilma e Lula são espertos ou acham que nesse jogo só tem espertos e se não pegaram nada é porque não tem? Lula e Dilma não têm processo nenhum.
É ladrão querendo pegar a Dilma ou a ladra Dilma querendo pegar os honestos?

Já ouviram falar da operação Zelotes? Dezenove bi de rombo, só empresário poderoso: banco, mineradora, operadora de telefone, siderúrgica... Tudo sonegador ladrão, querem derrubar a Dilma.
Já ouviram falar no banco HSBC, esse que o Eduardo Cunha tem quatro contas? São oito mil contas iguais as dele, a maioria aberta na época do FHC, nas privatizações, tão lembrados? Os donos dessas contas todas querem derrubar a Dilma.

Sabem porque a gente tá na merda? Porque tem um rombo de caixa de cem bilhões. É muito? Os empresários devem quinhentos bilhões de impostos, vocês acham que eles querem derrubar a Dilma para pagar ou para não pagar? Os do HSBC e da Zelotes querem derrubar a Dilma para se prenderem ou para não serem presos?

Vamos nos tocar, amigos!
E aparece logo o coxa mestre, o que vai ser o pato da hora:
- E porque essa bronca da Dilma, menos de dez por cento vai com a cara da mulher?
- Vocês sabiam dessas coisas que falei?

Silêncio.
- Sabem porque? Porque a única fonte de informações da maioria aqui é o Jornal Nacional, não deu lá não existe, deu é porque é verdade.

Acontece que a Globo deve quase um bilhão de impostos, vocês acham que ela quer pagar ou quer ir no embalo dos outros?

E aí foi a vez do dono do negócio:
- Todo mundo tem bronca dela.
- Meu amigo, sabe porque eu como aqui? O teu estabelecimento é limpo, a carne é macia e gostosa e o preço é bom. Agora imagina que eu fosse o dono da maior rádio aqui da cidade e não gostasse de você, que passasse o dia todo dizendo que o teu estabelecimento é sujo, a carne é dura, o preço é caro, o atendimento é péssimo... Eu ia te levantar ou te derrubar?
- Derrubar.
- Então faz de conta que você é a Dilma e eu sou a Globo. Entendeu?
- Agora a situação braba! As empresas estão mandando embora? Estão, eu não sou cego, estou escutando, estou vendo uma porrada de placas de aluga-se, nas lojas e nas casas, mas vamos ver o motivo, para tudo tem uma explicação.

Acho que quem mais está sentindo isso é vocês, sabe por quê? Vocês estão em Macaé, a capital brasileira do petróleo, e a Petrobras está passando por um aperto, e por quê?
Incompetência da direção da empresa? Não!
Roubalheira? Não!
Culpa da Dilma? Não!
Acontece que os americanos precisam do petróleo do PreSal, aqui, pertinho da gente, precisa do petróleo da Venezuela e de quebra precisa quebrar a China, o Irã e a Rússia, e o que fizeram, mandaram a Arábia Saudita, que é a maior produtora mundial de petróleo, encharcar o mundo de petróleo, para os preços caírem e arrebentarem com a Petrobrás e as estatais de petróleo da China, Rússia, Irã e Venezuela, arrastando o mundo todo.
A Petrobras ficou na merda? A Esso também, a Shell também, a Chevron também... Todo mundo no vermelho. E o que vocês queriam, que a Dilma fosse lá dar porrada no Obama? Que a gente declarasse guerra aos Estados Unidos?

Meu churrasco chegou, galera, vou alimentar os meus vermes (risos), outra hora a gente conversa mais.
Sentei-me e fiquei ouvindo: “aí o cara tá certo”, “quem sabe, sabe”, “culpado é a gente mesmo, que vota nesses filhos da puta”...

Terminei de comer, paguei e:
- Boa noite, galera. Desculpem-me aí por falar alto, é que agente fica nervoso, vendo os amigos tomando veneno pensando que a dor de cabeça vai passar.

Um se pronuncia, tímido:
- O senhor é petista?
- Sou brasileiro, como todo mundo aqui, só que procuro me informar, e digo pra vocês, com toda a sinceridade: se a merda está começando a feder, ainda dá pra Dilma fazer a faxina. Agora, sem o PT a fedentina vai ser geral, nós vamos ter saudade do dia de hoje. Boa noite.
Responderam-me e vim embora. A discussão deles continuou.

Carta Aberta a FHC

Theotonio dos Santos e a Carta Aberta a FHC: uma das manifestações públicas mais demolidoras da nossa história política recente

 

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960.


A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população.

Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você…

Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação.

Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.

TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO.

E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”.

ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE?

Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID.

Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações.

A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista.

E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.

Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/09/carta-aberta-fhc-theotonio-santos-historia.html

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

HIPOCRISIA



Eu só queria entender a cabeça de alguém , que odeia e fala mal de uma pessoa. Diz que não suporta nem olhar nos olhos dela. Porém... nas ocasiões que precisa de seus favores finge que é super amiga. 


Quer dizer ... ela usa esta pessoa pra atender seus interesses ...mesmo o odiando. 



E ainda usa a religião pra justificar sua hipocrisia. 

Não consigo conviver com este tipo de pessoa. Juro, gostaria de entender a mente de um ser humano assim. O mundo infelizmente está repleto de pessoas hipócritas. As pessoas fazem e dizem coisas para mostrarem que são bondosas e caridosas, mas na verdade são enganadoras e falsas.

Existe um ditado que diz:
“Quer conhecer uma pessoa? Então não escute que os outros dizem dela; escute o que ela diz dos outros.

Como escreveu Chico Buarque
“Eu vou virar artista
Ficar famosa, falar inglês
Autografar com as unhas
Eu vou, nas costas do meu freguês"

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

QUEM COM FERRO FERE, COM FERRO... MEU QUERIDO.


(Os fabricantes de Frankensteins)
Por : Francisco Costa

 
















Anteontem, um motorista e segurança da Câmara dos Deputados agrediu a um deputado, de 67 anos, e o colocou no hospital.

A princípio, por princípio, desaprovo, sou contra, é covardia um homem novo, forte, praticante de lutas, agredir um velho.

Mas algumas coisas me levam a esperar mais, para emitir um juízo político com mais convicção, por alguns motivos: o deputado, Takayama (PSC), é pastor, da tropa de choque de Eduardo Cunha, Magno Malta e Marco Feliciano, pessoas agressivas; os que assistiram a briga afirmam que foi por causa de manobras de carros, na porta do Congresso, que Nakayama gritou com o motorista, este respondeu com uma ofensa e, a partir daí Nakayama, certamente por ser autoridade ou já ter idade, se sentir impune, agrediu primeiro, tornando-se vítima do revide; o senador Delcídio Amaral (PT-MS) emitiu nota defendendo o motorista e a oposição caiu de pau no senador, o que aponta para uma história mal contada e que precisa ser esclarecida.

Mais um indício de que há alguma coisa estranha é que o deputado não formalizou queixa à polícia, mas, como o Estatuto do Idoso preconiza que agressão a idoso é crime de âmbito público, Eduardo Cunha fez a denúncia, indiciando o motorista.

Corta!

Velório do ex deputado, ex senador, ex governador, ex presidente da Petrobrás, ex ministro e ex presidente do PT, uma voz combativa e altamente patriótica, sem que sobre ele nunca houvesse dúvidas quanto à honestidade, na vida pública ou particular, ficha limpíssima: um bando de celerados, já identificados, de famílias ricas e católicas praticantes, nas imediações de onde acontecia o velório, gritando ofensas ao parentes do morto, à memória do morto e espalhando panfletos, afirmando que petista bom é petista morto.

Desrespeito a cerimônias fúnebres também é crime previsto no Código Penal.

E nenhuma voz da oposição, para desautorizar a “atitude heróica” dos manifestantes.
Ficarei nestes dois casos, mas poderia citar dezenas, talvez centenas, de outros mais, semelhantes ou assemelhados, mas ficarei nestes, o bastante.

Estive no velório de Edson Luis, secundarista assassinado pela ditadura, enquanto almoçava, no refeitório estudantil do Calabouço, no Rio, quando militares invadiram de surpresa, atirando a esmo, para intimidar os estudantes, em 1968, e houve ódio, mas nem tanto como agora.

Estive na passeata dos cem mil, havia ódio contra o militares, mas não tanto ódio como agora, de todos contra todos.

Estive nas manifestações da frustração pela reprovação da Emenda Dante de Oliveira, que restabelecia as eleições diretas, e havia ódio, mas não como agora.

Nunca vi tamanha radicalização emocional, tanto passionalismo político, ou, melhor, vi sem compreender: a minha paquidérmica memória registra que na morte de Getúlio vi muita gente chorando, inclusive dentro de minha casa, a começar por meu pai, muita gente aturdida, a começar por minha mãe, e o espocar de fogos, muitos fogos de artifício, sem que até hoje eu tenha entendido se de homenagem a Getúlio ou comemoração da oposição conservadora, fascista, corrupta, golpista, como a de 64 e de agora, afinal, eu só tinha 4 anos.

Mas esta situação não é natural, foi plantada, planejadamente cultivada, pela mídia, pelas religiões, com pastores demonizando o que é só humano, com padres fascistas divinizando o que é cesariano, nas igrejas, com professores e médicos, líderes naturais, sobre as mentes alheias, incitando ao ódio, os discursos e declarações levianas e descompromissadas de lideranças vazias, a começar pelo Sr. Aécio Neves, do qual os cariocas têm a imagem de um jovem alternando surf, drogas e detenções policiais, por arruaças, chegando à política na sombra de um cadáver, do avô, sem que tenha mudado.

As conseqüências estão aí, mas, como quem com ferro fere... O ódio já chegou na porta do Congresso Nacional, onde um velho deputado, pastor, autoridade política e religiosa, foi agredido.
Breve estará lá dentro, na fonte do ódio.

As conseqüências estão aí, quando já não se respeita a memória de mortos, o dor dos parentes dos mortos e se tripudia até sobre a morte, evidenciando a vulgarização da morte, pelos fanáticos fabricados, os robôs movidos a ódio, frankensteins contemporâneos.

Só que o romance Frankenstein, de Mary Shelley, bem desnudou a alma humana: os anormais, os produtos da maldade e do equívoco sempre se voltam contra os seus criadores, ou, como afirmou Friederich Nietzche, na monumental obra Assim Falava Zaratustra, “Mal corresponde ao mestre o que nunca passa de discípulo”.

Fizeram bons alunos, e se querem uma Síria aqui, sabemos todos quais serão os alvos primeiros e preferenciais, e se arrependerão do que fizeram, se tiverem tempo.



Macaé, RJ, 07/10/2015.