domingo, 13 de maio de 2012

A CPI das Reviravoltas, por Marcos Coimbra

A CPI das Reviravoltas, por Marcos Coimbra




A CPI do Cachoeira está apenas no início e já ganha o troféu de a mais inusitada dos últimos anos. A cada dia, confirma a antiga sabedoria mineira a respeito da política.
É como as nuvens: você olha e vê uma coisa; olha de novo e tudo mudou.
 Foi assim desde o começo.

Quem acompanhava o noticiário estava convencido de que a CPI era uma invenção de Lula. Embora ninguém soubesse com certeza o que ele queria, havia quase um consenso a respeito de suas intenções: usá-la contra antigos - e novos - desafetos.
Não só, mas principalmente para atingir Marconi Perillo. (Consta que ele nunca teria perdoado o governador de Goiás por tê-lo acusado, em 2005, de nada ter feito quando o informou sobre o mensalão.)Era, nessa altura, a CPI do Acerto de Contas. 

Os comentaristas de nossa imprensa estavam perplexos. Não havia precedente de uma CPI - arma tradicionalmente usada pelas oposições para atacar o governo - patrocinada pelo partido que está no poder. Sem ter outra coisa para dizer, puseram-se a repetir a verdade acaciana: “Todos sabem como começa, mas ninguém como termina uma CPI”. 

Quando as lideranças da oposição perceberam que ela seria mesmo realizada, correram para estar na foto de comemoração da instalação. Isso tranquilizou os analistas, que logo formularam a hipótese de que Lula, no afã de prejudicar os oponentes, havia cometido uma ingenuidade: o feitiço ia se virar contra o feiticeiro.
A comissão mudou de nome. Passou a ser a CPI do Juízo Final.  

Daí, alguém achou que havia descoberto a verdade. Lula tinha, de fato, segundas intenções e não temia perder o controle da CPI. O que ele queria era servir-se dela para desviar a atenção do Supremo Tribunal Federal. Atrapalhar o julgamento do mensalão.

A suposição é tosca, mas teve larga circulação. Só poderia acreditar nela quem possui péssima imagem dos ministros do STF e imagina que julgam ao sabor das circunstâncias, de acordo com o que leem no jornal. Nem por isso, no entanto, deixou de ser reproduzida mil vezes, como se fosse uma descoberta extraordinária. 
Já então, a CPI recebeu o terceiro batismo: era a CPI da Cortina de Fumaça.

Na semana que passou, a confusão aumentou. As reviravoltas se sucederam diariamente.
Começou com o primeiro depoimento que colheu, do delegado da Polícia Federal responsável pela investigação da Operação Vega – o ponto de partida da história inteira. 
A parte relevante foi quando ele disse que o inquérito havia sido concluído e encaminhado à Procuradoria Geral da República em 2009. Uma dúvida ficou no ar: por que só em 2012 ela o remeteu ao Supremo?
Se a tese da “cortina de fumaça” fizesse sentido, a questão seria ainda mais intrigante. E conduziria a outras perguntas.

Será que o retardo - que fez com que as denúncias viessem à tona justo na véspera do julgamento do mensalão - significaria que o procurador-geral estava mancomunado com alguém? Será que queria melar o mensalão? Afinal, não foi de sua ação - ou omissão - que resultou que acontecessem ao mesmo tempo?

Logo que escutaram as declarações do delegado, vários membros da Comissão entenderam que precisavam ouvir o procurador. Os que primeiro se manifestaram foram parlamentares do PSOL e do DEM.

Isso não o perturbou. Afirmou que não iria e que quem o criticava eram os “que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão”.

Como? Se foi ele quem criou as condições para que o caso fosse utilizado como “cortina de fumaça”, o revelando agora? Como, se quem saiu à frente para convocá-lo foram políticos que nada têm a ver com o julgamento?
Será que a CPI precisa trocar, outra vez, o nome (que tal CPI das Piruetas da Lógica)?

Ou é melhor ficar como CPI do Cachoeira, uma oportunidade para que discutamos políticos, empresários, jornalistas, magistrados e procuradores?

Do Correio Braziliense
A CPI das Reviravoltas

Dilma agora tem um amigo

Dilma agora tem um amigo

O "casamento" entre Lula e Sarkozy foi por interesse. O de Dilma e Hollande será ancorado em "afinidades eletivas"


 

A melhor notícia das últimas semanas para um Brasil tumultuado por CPIs e escândalos veio da França. Com a eleição do socialista François Hollande, a presidenta Dilma Rousseff ganhou um aliado de peso no front internacional. E que dará adensamento ao discurso que a diplomacia brasileira vinha tentando construir diante da crise econômica global: o de que uma recessão não se combate com austeridade, mas com medidas de estímulo ao crescimento. Aliás, como o Brasil tem feito desde 2008.

Até agora, nas duas principais viagens internacionais que fez, à Alemanha e aos Estados Unidos, Dilma falou para as paredes. Com a chanceler Angela Merkel, a empatia recíproca foi próxima de zero. Na visita à Casa Branca, representantes da comitiva brasileira enxergaram em Barack Obama um interlocutor desinteressado e alheio ao que se passava ao seu redor. Quase uma rainha da Inglaterra.

Por isso mesmo, a vitória do socialista francês foi muito comemorada, ainda no domingo, no Palácio da Alvorada. Dilma e Hollande nem se conhecem, mas falam a mesma língua: a de que a legitimidade dos governos provém das urnas, e não dos mercados financeiros. No discurso da vitória, Hollande reconheceu as dificuldades que terá pela frente, mas não deixou de mencionar a esperança que sua eleição representou não apenas para os franceses, mas também para vários países do sul da Europa e de outros continentes. O modelo suicida que vem sendo aplicado na Espanha, por exemplo, terá vida curta, diante da inevitável convulsão social.

Se há um discurso comum, também existem oportunidades imensas. Brasil e França já vinham solidificando sua relação nos governos de Lula e Nicolas Sarkozy. Mas aquele era um casamento pragmático, ancorado em interesses legítimos: o do Brasil, de ser reconhecido como potência, com direito a voz nas questões internacionais, e o dos franceses, de aprofundar a cooperação econômica com a sexta economia do mundo e que, em breve, será a quinta, superando a própria França.

No “casamento” entre Dilma e Hollande os mesmos interesses estarão em jogo, mas os dois líderes têm aquilo que os poetas chamam de “afinidades eletivas”. São semelhantes, são irmãos em pensamento, enfim, são amigos potenciais. E essa amizade é necessária num mundo em transformação e em busca de um novo modelo de paz social.

sábado, 12 de maio de 2012

 Homenagem a minha mãe


"Quatro meses se passaram .....
Penso nas horas que estive a teu lado
Nas horas que conversamos  e rimos
Sentadas naquela varanda
Olhando as suas belas flores do jardim
traçando sonhos a serem concretizados.
Nunca cansou de me ouvir e eu te escutar
Éramos apesar das desavenças ,amigas.
Quanta saudade no meu coração!!!!!
Se o tempo pudesse retroceder eu queria
abraçar-te novamente sentir seu carinho
abundantemente.
O que mais sinto é não ter me despedido
Você não me esperou e partiu sem dizer Adeus!!!
Mãe...Te guardarei no cofre forte
Naquele que somente a gente entra
Naquele que tantos querem entrar
Mas não é para um ser indiferente
É somente para quem sabe amar a gente
Assim como te amei e sei que me amou
Pois sempre foi a Mãe que sonhei ter
Sua lembrança está neste lugar guardada
Perfeitamente bela e maravilhosa como era
Dentro deste cofre que posso quando quiser
Encontrar-te a qualquer momento
E matar a saudade que me mata lentamente
Aqui! Mãe... Dentro do meu coração"AD

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O dilema da oposição, por Marcos Coimbra

O Dilema da Oposição
Por Marcos Coimbra

Em mais um de seus elegantes artigos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso repetiu coisas conhecidas. Lá estavam, por exemplo, o cosmopolitismo de sempre e as contradições que marcam seu pensamento de uns anos para cá. Disse, porém, algo novo.
Publicado no último domingo, o texto tem o título “Política e Moral” e foi escrito a propósito do livro recém lançado de um amigo - e ex-comensal dos tempos de Palácio da Alvorada -, o sociólogo francês Alain Touraine.

Aos 86 anos, Touraine permanece ativo na discussão dos rumos de seu país e dedica o ensaio à campanha bem sucedida de François Hollande, que terminou por levá-lo à vitória contra Sarkozy e a se tornar o primeiro presidente socialista francês desde Mitterrand.
Mas não foi isso que motivou o artigo de FHC.

Discutir as reflexões do colega foi uma oportunidade para que exibisse sua familiaridade e conhecimento da situação internacional. Transitando com facilidade entre temas tão complexos quanto o cotidiano das sociedades avançadas e os acontecimentos recentes nos países árabes e na China, FHC deixou claro que não pendurou as chuteiras: provou que - a seu modo - entende tudo que acontece no mundo. 
(Daí, provavelmente, vem sua preferência por assinar-se “sociólogo”, deixando em segundo plano a menção a que “foi presidente da República” - um modo curioso de dizer quem é (não seria engraçado se Lula continuasse a se apresentar como “sindicalista”?).

Não foi, no entanto, apenas para mostrar-se cidadão do mundo que FHC decidiu comentar o livro.
Ele mesmo explica a razão: “Porque, mutatis mutandi, também no Brasil se sentem os efeitos da crise (da sociedade industrial)” diagnosticada por Touraine. Que adviria da “petrificação” das instituições e de sua perda de legitimidade, em um mundo regido por um economicismo que nega espaço ao humanismo.
Para enfrentá-la, seria necessário ir além da social-democracia, e libertar o “pensamento político da mera análise econômica”. Nas palavras de FHC: “É preciso contrapor os temas morais ao predomínio do econômico”.

Como fazê-lo?

O caminho estaria em sair do espaço convencional da política, superar os partidos, buscar as ruas. Como diz o ex-presidente: “Só os movimentos sociais e de opinião, movidos por um novo humanismo expresso por lideranças respeitadas, pode despertar a confiança perdida”.
Talvez seja uma receita adequada para o sociólogo Fernando Henrique.
Mas será boa para os partidos de oposição? Se só os movimentos sociais são confiáveis, para que serviriam os partidos - incluído o PSDB?

O ex-presidente se sente bem no papel de “sábio maduro”. Afinal, integra o grupo dos Elders (os “Anciãos”), que congrega lideranças experientes do mundo inteiro - de Desmond Tutu a Jimmy Carter. E tem proposto a discussão de temas polêmicos, como a descriminalização do uso de drogas leves.
Quem lideraria o “novo humanismo”? Quem conseguiria transformar o “rosário do mal-estar cotidiano” dos brasileiros e mobilizá-los? Quem melhor que ele? 

Mas seria com esse discurso que as oposições deveriam se apresentar nas próximas eleições municipais? Ou na sucessão de Dilma?

 É difícil acreditar que Fernando Henrique não perceba que a agenda da vasta maioria da sociedade brasileira nada tem de “pós-econômica”. Que a discussão relevante para ela é como alcançar níveis satisfatórios de vida, de acesso ao consumo e aos bens públicos.  E que não compreenda que não será inventando prioridades que as oposições terão de volta o apoio popular que perderam.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Bem, esse post não é de minha autoria exatamente. Recebi esse texto por e-mail, achei bacana compartilhar.Autor infelizmente é desconhcido.


Triste realidade

Uma análise da evolução da relação homem - mulher, através das músicas que marcaram época.
Vejam como os quarentões e cinquentões de hoje tratavam seus amores de ontem.

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Década de 30:
Ele, de terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:
"Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por Deus esculturada.
És formada com o ardor da alma da mais linda flor,
de mais ativo olor, na vida é a preferida pelo beija-flor..."


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Década de 40:
Ele ajeita seu relógio Pateck Philip na algibeira,escreve para Rádio Nacional e,
manda oferecer a ela uma linda música:
"A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua,costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho,
que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar"


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Década de 50:
Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:
"
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça.
É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar.
Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema. O teu balançado é mais que um poema.
É a coisa mais linda que eu já vi passar."

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Década de 60:
Ele aparece na casa dela com um compacto simples embaixo do braço,
ajeita a calça Lee e coloca na vitrola uma música papo firme:
"Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor, nem
mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar, como é grande o meu amor por você..."

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Década de 70:
Ele chega em seu fusca, com roda tala larga, sacode o cabelão,
abre porta pra  mina entrar e bota uma melô jóia no toca-fitas:
"Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar...
Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar..."

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Década de 80:
Ele telefona pra ela e deixa rolar um:
"Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias,
luz das acácias, você é mãe do sol. Linda..."

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Década de 90:
Ele liga pra ela e deixa gravada uma música na secretária eletrônica:
"Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há caminhos pra voltar.
E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?"

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Em 2001:
Ele captura na internet um batidão legal e manda pra ela, por e-mail:
"Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão!
Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim! Eu vou te cortar na mão!
Vou sim, vou sim! Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim"!

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Em 2002:
Ele manda um e-mail oferecendo uma música:
"Só as cachorras! Hu Hu Hu Hu Hu!
As preparadas! Hu Hu Hu Hu!
As poposudas! Hu Hu Hu Hu Hu!"

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Em 2003:
Ele oferece uma música no baile:
"Pocotó pocotó pocotó...minha éguinha pocotó!

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Em 2004:
Ele a chama p/ dançar no meio da pista:
"Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso? Elas Estão descontroladas!
Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas!"

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Em 2005:
Ele resolve mandar um convite para ela, através da rádio:
"
Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bunda lele!"

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Em 2006:
Ele a convida para curtir um baile ao som da música mais pedida e tocada no país:
"Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!!
Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim!"

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Em 2010:
Ele encosta com seu carro com o porta-malas cheio de som e no máximo volume:
" Chapeuzinho pra onde você vai, diz aí menina que eu vou atrás.
Pra que você quer saber?
Eu sou o lobo mau, au, au
Eu sou o lobo mau, au, au
E o que você vai fazer?
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer"


Em 2011

Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai, se eu te pego,
Ai, ai, se eu te pego

Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai, se eu te pego
Ai, ai, se eu te pego




ONDE FOI QUE NÓS ERRAMOS?
SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL PIORAR?

domingo, 6 de maio de 2012


“CADA UM DE NÓS NASCE SÓ, VIVE SÓ E VAI MORRER SÓ”

*     




Solidão e liberdade




O que é solidão?
O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) afirma em ‘Ser e Tempo’ que estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte. Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. A partir daí podemos construir dois estilos de vida diferentes: o autêntico e o inautêntico.
O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. Desse modo não assume responsabilidade sobre as suas escolhas. Não aceita correr riscos para atingir seus objetivos, nem se sente responsável por sua existência, passando a buscar amparo e segurança nos outros. Com isso abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal. Permanece na vida sendo um coadjuvante em sua própria história. Você já pensou nisso?
Sendo autêntico você assume a responsabilidade por todas as suas escolhas existenciais, aceita correr os riscos que forem necessários para atingir os seus objetivos, e passa a encontrar amparo e segurança em si mesmo. Com isso, apropria-se da existência, torna-se indivíduo, torna-se autônomo, torna-se dono da sua própria vida, dono da própria existência, torna-se senhor de si mesmo. Você se percebe sendo o senhor de si mesmo?


Angústia

A angústia provocada pela solidão é o sentimento que muitas pessoas experimentam quando se conscientizam de estarem sós no mundo. É o mal-estar que o ser humano experimenta quando descobre a possibilidade da morte em sua vida, tanto a morte física quanto a morte de cada uma das possibilidades da existência, a morte de cada desejo, de cada vontade, de cada projeto.

Cada vez que você se frustra, que você não se supera, que você não consegue realizar seus próprios objetivos, você sente angústia. É como se você estivesse morrendo um pouco.

Muitas pessoas sentem dificuldade de estarem a sós consigo mesmas. Não conseguem viver intensamente a sua própria vida. Muitas vezes elas acreditam que o brilho e o encantamento da vida se encontram no outro e não nelas mesmas. Sua vida tem um encantamento, um brilho, algo de especial porque é sua, apenas sua. Independentemente do que você esteja fazendo, sua vida pode ser intensa, prazerosa, simplesmente pelo fato de ser sua e por você ser único. Cada um de nós pode ser uma pessoa especial para si mesmo.


Solidão: A Condição do Ser

A solidão é a condição do ser humano no mundo. Todo ser humano está só.

Esta é a grande questão da existência, mas não significa uma coisa negativa, nem que precise de uma solução definitiva. Ou seja, a solução não é acabar com a solidão, não é deixar de sentir angústia, suprimindo este sentimento. A solução não é encontrar uma pessoa para preencher o vazio existencial, não é encontrar um hobby ou uma atividade. A solução não é se matar de trabalhar e se concentrar nisso para não se sentir sozinho. Também não é encontrar uma estratégia para driblar a solidão. A solução é aceitar que se está só no mundo. Simplesmente isso. E sabendo-se só no mundo, viver a própria vida, respeitar a própria vontade, expressar os próprios sentimentos, buscar a realização dos próprios desejos. Quando se faz isso, a vida se enche de significado, de um brilho especial.

O objetivo não é fingir que a solidão não existe, não é buscar a companhia dos outros, porque mesmo junto com os outros você está e sempre será solitário. O outro é muito importante para compartilhar, trocar. O outro é muito importante para a convivência, mas não para preencher a vida, não para dar sentido e significado à uma outra existência. A presença do outro nos ajuda, compartilhando, mostrando a parte dele, dando aquilo que não temos e recebendo aquilo que temos para dar, efetivando a troca. Mas o outro não é o elemento fundamental para saciar a angústia ou para minimizar a condição de solidão.
Cada um de nós nasceu só, vive só e vai morrer só.

A experiência de cada um de nós é única. O nascimento é uma experiência única, pois ninguém nasce pelo outro. Da mesma forma que a morte é uma experiência única, pois ninguém morre pelo outro. E a vida inteira, cada momento, cada segundo da existência, é uma experiência única pois ninguém vive pelo outro.

Trechos do livro “Solidão e Liberdade” do psicólogo Jadir Lessa

quinta-feira, 3 de maio de 2012


O segredo de Demóstenes Torres 

Por Paulo Moreira Leite, em sua coluna em Época
3/05/2012
Confesso que não dá para ficar espantado com as delinqüências do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Sem ser preconceituoso, pergunto: o que se poderia esperar de um contraventor a não ser que se dedicasse à contravenção?
          Que fosse rezar ave-maria depois de pagar aposta no jacaré e no leão?
Mas há motivo para se espantar com o sucesso de Demóstenes Torres. Como ele conseguiu enganar tantos por tanto tempo?
A resposta não se encontra no próprio Demóstenes, mas em quem se deixou ser enganado.
O senador é um produto típico do radicalismo anti-Lula que marcou a política brasileira a partir de 2002. A polarização política criada em certa medida de modo artificial foi um campo fértil para políticos sem programa e aproveitadores teatrais.
Demóstenes contribuiu com sua veemência e sua falta de freios para criar um ambiente de intolerância política no Congresso, reeditando o velho anti-comunismo da direita brasileira, da qual o DEM é um herdeiro sem muitos disfarces.
Num país onde a oposição se queixava de que não havia oposição, Demóstenes apresentou-se. Contribuía para estimular o ódio e o veneno, com a certeza de que nunca seria investigado. Aliás, não foi.
Caiu na rede de seu amigo e parceiro Cachoeira. Se aquele celular fajuto de Miami fosse mesmo à prova de grampos, é provável que até hoje o país estivesse aí, ouvindo Demóstenes e seus discursos…
Quem sabe até virasse uma estrela da CPI…sobre Carlinhos Cachoeira.
Nunca se fez um balanço da passagem de Demóstenes pela secretaria de Segurança de Goiás, nunca se conferiu a promessa (doce ironia!) de acabar com o jogo do bicho no Estado nem as razões de seu afastamento do PSDB de Marconi Perillo.
Demóstenes dava até entrevistas contra as cotas e escrevia textos citando Gilberto Freyre.
Pelo andar da carruagem, em breve seria candidato a Academia Brasileira de Letras e um dia poderíamos ouvi-lo tecendo comentários sobre a obra de Levi-Strauss, sobre a escola austríaca de economia…
O senador foi promovido, tolerado e bajulado por uma única razão: necessidade.
Nosso conservadorismo está sem quadros e sem votos. Lembra a conversa de que “faltam homens, faltam líderes”? Vem desde 64…
A dificuldade de construir um programa político autêntico e viável para enfrentar a competição pelo voto está na origem de mais um embuste.
Já tivemos Jânio Quadros, Fernando Collor… Felizmente Demóstenes não chegou tão longe.
Mas todos foram mestres na arte de esconder seu real programa político e oferecer a moralidade como salvação suprema.
O carinho, a atenção, a boa vontade com que Demóstenes foi tratado mostra que teria um longa estrada pela frente. Não lhe faltavam sequer intelectuais disponíveis para oferecer um verniz acadêmico, não é mesmo?
Há um problema de origem, porém.
A história da democratização brasileira é, basicamente, a história da luta da população mais pobre para conseguir uma fatia melhor na distribuição de renda. Este era o processo em curso antes do golpe que derrubou Jango. A luta contra o arrocho e contra os truques para escamotear a inflação esteve no centro das principais manifestações populares contra o regime.
Desde a posse de José Sarney que o sucesso e o fracasso de cada presidente se mede pela sua competência para para responder a esse anseio.
Aquilo que os economistas chamam de plano anti-inflacionário, estabilização monetária e etc, nada mais é, para o povão, do que defesa de seu quinhão. O Cruzado e o Real garantiram a glória e também a desgraça de seus criadores apenas e enquanto foram capazes de dar uma resposta a isso.
Essa situação também explica a popularidade de Lula, ponto de partida para o Ibope-recorde de Dilma.
E aí chegamos à pior notícia. O conservadorismo brasileiro aposta em embustes porque não quer colocar a mão no bolso. Quer votos mas não quer mexer – nem um pouquinho – na estrutura de renda. Quer embustes, como Demóstenes.
Fiquem atentos. Quem sabe o próximo Demóstenes apareça na CPI do Cachoeira, do Cavendish … e do Demóstenes.
O conservadorismo preocupa-se apenas com seu próprio bolso. Para o povo, oferece moralismo.