terça-feira, 25 de agosto de 2015

AS SEIS MEZINHAS DO DR. ULYSSES

Ensinamentos de DR. ULYSSES sobre politica dado ao  Fernando Morais em 1978


AS SEIS MEZINHAS DO DR. ULYSSES
Primeiro: não seja impaciente. A impaciência é uma das faces da estupidez. Eu entendo que quem está na vida política não pode entrar na história do dia para a noite. O caminho é longo, paciente, perseverante, difícil. A impaciência não acaba só com carreiras futebolísticas.
Segundo: na política, em geral, e especialmente no poder, se você não pode fazer um amigo, não faça um inimigo. O inimigo guarda o ódio na geladeira, para conservar. O inimigo, numa eleição, amanhece na boca da urna dizendo que a mãe do candidato não é honesta.
Terceiro: em política nunca se deve proferir palavras irreparáveis, irretratáveis. E aqui eu recordo um conselho do Perón a Isabelita, prevendo que ela assumiria a presidência da Argentina: ‘Minha filha, em política fale muito sobre coisas, pouco sobre pessoas e nunca sobre você’.
Quarto: em política você nunca deve estar tão próximo que amanhã não possa ser adversário ou inimigo. E nem tão distante que amanhã fique em dificuldade por ter que virar amigo.
Quinto: a grande arma de qualquer bom político é o trabalho. Eu próprio costumo dizer que eu tenho estrela. Está certo que fui muito ajudado pelos amigos e pelos acontecimentos, mas eu vivo passando Kaol na minha estrela.
Sexto: é preciso saber a arte de escutar. Escutar dá até enfarte, dá úlcera. O rei Faiçal, da Arábia Saudita, dizia que Deus deu ao homem dois ouvidos e uma só boca para ouvir o dobro e falar a metade.”

domingo, 23 de agosto de 2015

A direita raivosa, o CarnaCoxinha e a piada nas redes –


 Por Igor Pereira

direita raivosa


Saiba como a falta de livros de história, a utilização das redes sociais e o fim do bom senso criaram um show digno de piada nas manifestações contra o governo 
Em meus textos anteriores fiz questão de ressaltar que as manifestações convocadas contra o governo Dilma tinham um caráter fascista já visto há tempos atrás na década de 60. O hino nacional, as bandeiras e camisas do Brasil, a apologia à volta da ditadura e outras tantas características também estavam presentes na última manifestação do dia 16 de agosto, sem contar nas palavras de baixo calão, o ódio e a intolerância que pulsava dos tais “patriotas”. O perigo do comunismo e do chamado bolivarianismo também foram frases vistas nas manifestações, o que arrancou risos daqueles que tem um pouco de bom senso.
“Ah, então ninguém pode ser contra o governo que já é chamado de reaça e coxinha?”. Não é bem por ai. Qualquer pessoa pode ser contra ou a favor de um determinado governo, pois isso faz parte da democracia. O que não vale é sair por aí pedindo enforcamento de presidente, levantar cartazes pedindo a volta de um regime grotesco que o país viveu por 21 anos e muito menos tirar a roupa na avenida. “E o impeachment?”, perguntam. Parece coisa de Napoleão de hospício, ainda apoiado por alguns tucanos que sonham com uma nova eleição ou com a renúncia de Dilma. Podem rir à vontade.
#CarnaCoxinha usado nas redes foi mais do que justo. Começou com uma coreografia de uma galera pedindo o fora PT, Dilma, Lula e etc, que virou uma piada total. Fizeram montagens com músicas de balada, carnaval e até mesmo da Xuxa, tamanha foi a repercussão negativa que até quem é contra o governo não resistiu e caiu no riso. Agora juntem a coreografia, as senhoras maquiadas, as roupas tiradas na avenida e as músicas em ritmo de carnaval: é ou não micareta? Fizeram até um balão inflável com a imagem do ex-presidente Lula vestido com roupas de ladrão. Outra piada. Montagens em comparação com a cidade de Townsville, do desenho As meninas superpoderosas foram compartilhadas a exaustão.
Para não perder a piada, até dividiram a turma em Acadêmicos do Impeachment e Unidos da Esquerda. Bendito seja oTwitter! Quanto mais os ditos acadêmicos pregam o ódio, a gente vai fazendo graça e mostrando como essas ‘manifestações’ são ridículas. “E você não vai a nenhuma manifestação?”, claro que vou! Tenho enormes insatisfações com a atual situação do Brasil, mas nenhuma delas me faz abraçar um discurso golpista. Dia 20 estarei nas ruas a favor da democracia e de mais direitos para os brasileiros. De vermelho ou não, ser patriota é buscar o diálogo, sair para a rua, apontar soluções e propostas e dizer o que falta melhorar, ao contrário de montar um carnaval fora de época.
Fazer o discurso do “nem-nem” é outra piada. Não tomar parte de todas essas tentativas de assalto à nossa democracia tão vacilante é fazer coro com a direita. O momento agora é de ter coerência e serenidade para discutir a situação política do Brasil. Se você é contra o governo, perfeito, mantenha sua posição e saiba argumentá-la da maneira mais pacífica possível. Como eu sempre ressalto, dessa forma vamos garantir um bom diálogo e assim a gente segue mudando o Brasil.
Fonte:http://ujs.org.br/index.php/noticias/a-direita-raivosa-o-carnacoxinha-e-a-piada-nas-redes-por-igor-pereira/

Provas no hospício






Janio de Freitas

É até engraçada, sem que deixe de ser o oposto disso, a expectativa generalizada sobre o que um acusado da extorsão de US$ 5 milhões causará ao país: vai abalá-lo ainda mais com suas pautas-bombas, ou enfim vai reprimir sua natureza? Incluirá na pauta da Câmara um pedido de impeachment, ou vai investir contra o procurador-geral da República?

Se um país chega a esse ponto, com o ambiente político e econômico em dependência tão patética, está muito enfermo. Fosse gente, seria recolhido ao hospício. Como não é gente, faz suspeitar de que seja o próprio hospício.

Logo, falemos de Eduardo Cunha. Para começar, duvidando de que alguém possa prever com razoável segurança a conduta do presidente da Câmara no futuro imediato. Apesar disso, pode-se sondar, em linhas gerais, hipóteses que tenha à sua frente.

A primeira: agravar a linha provocativa que mantém na Câmara pode ser negativo para sua situação judicial. Como resposta, é bastante provável que o Judiciário e o Ministério Público se sintam no dever de acelerar a tramitação do processo, para que seus ritmos habituais não sejam acusados de dar oportunidade à conturbação política. Não é menos provável que o apoio dos oposicionistas da linha Aécio incentive a tendência natural de Eduardo Cunha para a pauta-bomba e bombas sem pauta.

A hipótese de autocontenção valeria ao menos como originalidade biográfica para Eduardo Cunha —ao custo de parte do apoio que recebe do oposicionismo extremado, como o grupo aecista do PSDB, e peemedebistas paus-mandados. A liderança de Eduardo Cunha perderia alguma coisa, e é muito incerto que ele conceda essa perda.

Eduardo Cunha tem uma inteligência esperta. Até hoje, não foi capaz de convencer da sua inocência nas irregularidades, graves todas, em que figurou. Mas está na presidência da Câmara, não está arruinado. As acusações que o Ministério Público agora lhe faz em 85 páginas (ou um terço disso em espaço normal) são mesmo pesadas. Mostram, inclusive, conhecimento de truques atribuídos ao acusado, como uso de igreja evangélica para recebimento de suborno.

Mas, teoricamente, condenação depende de prova. É verdade que o Supremo já teve prática diferente e, na Lava Jato, o juiz Sergio Moro já emitiu condenação em cuja sentença admite falta de provas. É recomendável esperar o confronto entre as acusações duras e as respostas experientes de Eduardo Cunha.
A denúncia entregue ao Supremo suscita duas observações. Ficou claro que Rodrigo Janot esperou a condenação de Nestor Cerveró e Fernando Soares por Sergio Moro. Citar na acusação a Eduardo Cunha duas condenações consumadas pelos mesmos fatos dá um reforço e tanto contra o deputado, que fica como comparsa de criminosos condenados.

Nota-se ainda que Janot preserva linguagem apenas profissional, técnica. Não a violenta com os insultos e impropérios usuais em seus antecessores Antonio Fernando de Souza (hoje defensor de Eduardo Cunha) e Roberto Gurgel, sem que sequer os alvos das ofensas estivessem condenados.


De passagem, a denúncia usa de uma expressão perigosíssima para Eduardo Cunha: "desvio de finalidade", aplicada como referência indireta aos ameaçadores pedidos de informação, em nome da Câmara, que Eduardo Cunha teria feito com assinatura da então deputada Solange Almeida. Destinavam-se, disse o lobista delator, a pressionar ele e uma empresa para quitarem o saldo de US$ 5 milhões do suborno. Tal uso da Câmara é conduta que justifica processo interno de perda de mandato. Bem entendido, em Câmaras com certa dignidade.

NOTA DE DESABAFO

Atenção companheiros e companheiros
A minha página do facebook é política eu não a tenho pra assuntos pessoais,aqui não há censura a quem faz, mas não tem este fim.A finalidade é participar da militância virtual. Por isso compreendo que amigos reais ,que não gostam deste assunto, não queiram ser meus amigos na vida virtual. Compreendo e aceito. É melhor assim ,do que ficar lendo minhas postagens e ficar tecendo comentários desagradáveis. Prometo a eles que quando enjoar da politica crio uma página pessoal.( risos)

A minha página , devido ao face ter limitação de número de pessoas e eu ter seguidores que gostam de acompanhar minhas publicações, eu fiz a opção pra torná-la pública.

Porém isso, por ela ser pública ,não dar o direito as pessoas que não são minhas amigas de vir a minha página e usar minhas imagens para atacar o meu partido e nem a minha pessoa. Usar indevidamente a imagem , o nome e a foto das pessoas é crime. Além disso é imoral e abusivo . Ainda mais quando estas pessoas tem sua página travada para comentários de quem não é seu amigo.Ato covarde ,pois deixa você desarmado pra ir na página deles tecer comentários e rebater as injurias cometidas.

As estas pessoas eu deixo um recado:
Quando encontrar uma imagem que queira compartilhar ,pra falar mal,por favor, salve a imagem e compartilhe com seu nome. Compartilhar a imagem tendo o nome e a foto da gente é desagradável e ilegal .É um ato covarde!É um ato de corrupção!

O que muitas pessoas ao criar uma página na internet não sabem, é que nem tudo que se vem a cabeça é permitido. Existem regras e leis, criadas justamente para proteger o mundo da internet. O uso indevido de imagem alheia é crime. Essa é a lei Civil – Direito de imagem – Reprodução indevida – Lei nº 5.988/73 (art. 49, I, f) – Código Civil (art. 159)

sábado, 22 de agosto de 2015

Os analfabetos funcionais


Por Eder Barbosa de Sousa ·

Como a maioria dos Coxinhas tem curso superior, isto confirma o que digo há mais de vinte anos. O Brasil está cheio de analfabetos funcionais, QUE SABEM LER EM CARREIRINHA, mas que não conseguem ter nenhum senso crítico de nada. Porém, tem um diploma superior, e sobem nos cascos, achando que é o supra sumo da inteligência. Isto virou epidemia, porque as faculdades/universidades não ensinam mais, apenas dão diploma. A grande maioria nunca leu um livro na vida.

Esta epidemia está nas ruas e nas instituições, onde analfabetos funcionais ocupam cargos importantes, ás custas do IPD- indicado pelo deputado ou através de concursos que não medem a capacidade cognitiva de ninguém.

A cognição, diz o pai dos burros, "envolve fatores diversos como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio etc., que fazem parte do desenvolvimento intelectual".

Os concursos públicos não medem conhecimento, apenas selecionam os menos burros. Tudo isso terá fim, quando mudarmos o sistema das grades curriculares universitárias, primeiro ensinando a pensar, através do estudo da filosofia, sociologia e da psicologia. É preciso aprender a pensar e a pensar em sociedade.

Enquanto isto tudo não mudar, estaremos sujeitos à burrice crônica poderosa, falando pelos cotovelos e fazendo asneira em todos os setores deste país, seja público ou privado. Quando não se é capaz de pensar criticamente, ficamos completamente vulneráveis à carga maciça de desinformação, imbecilização e ignorância e aí, com um diploma qualquer debaixo do braço, o orgulho cresce, e ao invés de dizer como dizia Platão:

"O que sei é que nada sei", SOBE NOS TAMANCOS e berram a todo pulmões: SOU DIPLOMADO. Lembro do Prof. Eli Pereira da Silva, já falecido, professor da UFT, que após se tornar DOUTOR PELA USP, LÁ NUNCA FOI BUSCAR O DIPLOMA E ME DIZIA: NÃO VOU, "NÃO ENSINARAM NADA, AQUILO É UMA PORCARIA, NÃO VALE A PENA NEM PEGAR ESTE DIPLOMA".

O Prof. Eli, vivia sempre com um livro debaixo dos olhos. Morreu e não pegou o diploma de doutor. Creio que este problema do analfabetismo funcional, pode ser analisado, criticamente, através do estudo da psicologia social, tanto na psicologia social coletiva, como na individual.
Quem sabe, estudando um pouco este assunto, consigamos entender, um pouco, porque a imbecilização tomou conta de uma parte considerável da população brasileira dotada de ensino formal.

Ando preferindo conviver com a massa pensante popular, vejo muito mais senso crítico nos humildes, que não tiveram acesso ao ensino formal, do que nos diplomados.

A mudança do eixo do poder



Por André Araújo

Pela primeira vez na República, o eixo determinante do Poder, aquele que rege o Estado, sai do Executivo-Legislativo e passa para o aparelho Judiciário, ai incluída a Polícia Federal, hoje parte desse aparelho e a ele completamente agregado.
A mudança foi pouco percebida pela classe politica, entretida em suas brigas internas de baixa altitude.

Quem manda é quem pode prender qualquer membro dos poderes Executivo e Legislativo a qualquer momento, através de narrativas arbitradas pelo aparelho Judiciário, sem contraste e sem possibilidade de defesa prévia para evitar a prisão, a devassa, o bloqueio de bens, a humilhação, o escracho, a liquidação de empresas tradicionais.

Quem pode prender pode ameaçar de prender e essa ameaça é o Poder de Fato.
Qualquer político hoje pode ser preso a qualquer momento pelo aparelho Judiciário conhecido como "força-tarefa", que inclui, na prática, não só o juiz federal de Curitiba mas também os Tribunais Superiores que lhe dão aval.

No desenho do Estado Democrático que vem dos clássicos penadores e operadores Charles Louis de Secondat (barão de Montesquieu), Alexis de Tocqueville, Thomas Jefferson e Alexander Hamilton, esse tipo de Estado que se contrapõe ao Estado Autoritário exige o mecanismo conhecido como CHECKS AND BALANCES, que seria CONTROLES E CONTRAPONTOS - cada Poder deve ser controlado pelos outros dois, de modo a um fiscalizar o outro.

No momento atual, o governo da força tarefa não se submete ao controle dos outros dois Poderes, é absolutamente autônomo em relação a eles, é o verdadeiro PODER de fato e o Estado deixa de ser democrático para ser autoritário.

O Poder Executivo e o Poder Legislativo são hoje MENORES E MAIS FRACOS que o governo da força tarefa que é que dá a agenda da vida política do País. Todos estão na dependência do que é resolvido em Curitiba, nova capital politica do Brasil. O domínio do poder não se dá pela lei, mas pela INTERPRETAÇÃO DA LEI.

A garantia tradicional do DIREITO POSITIVO que é o conjunto de regras escritas que fundamenta o espirito do Estado de Direito no modelo brasileiro herdado dos princípios do Direito Romano transformado pelo Direito Civil francês foi substituído, pela falta de atenção dos outros poderes, por princípios completamente alheios ao direito positivo que é a base do arcabouço do Estado Democrático brasileiro por  REGRAS IMPORTADAS de outro sistema de direito, o anglo-americano e essas Regras são IMPLANTES não assimiláveis pelo corpo legal legitimador do Estado Democrático brasileiro.

Regras como DOMÍNIO DO FATO e DELAÇÃO PREMIADA são do direito anglo-americano MAS lá são aplicadas com muito maior prudencia que no Brasil, a delação não se faz com réu preso e nem se vaza imediatamente o teor das delações, por exemplo. Importamos sem critério e sem cuidados, importamos como PEÇA PIRATA para encaixar no mecanismo original de um sistema jurídico sólido e consolidado, hoje estraçalhado por vírus invasores.

A culpa se deve a incultura, à ignorância , à falta de bons filtros que examinem essas importações exóticas antes que virem leis e jurisprudência. Agora é um pouco tarde e só um novo regime autoritário pode expurgar esses princípios estranhos que aboliram as garantias constitucionais, base do Estado Democrático de Direito.

O PODER DE FATO hoje não tem " controles e contrapontos". Os Poderes Executivos e Legislativo não podem indagar por exemplo como se estabelecem métodos e critérios de concursos para juízes e procuradores, quais os mecanismos de promoção na carreira. No entanto o Poder Judiciário pode indagar, investigar e mudar regras dentro dos Legislativos e do Executivo, punir seus membros, mudar procedimentos, dizer o que pode e o que não pode nos outros Poderes.

Politicamente, analfabetos disfuncionais


Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro


Um brasileiro, em fins do século XIX, competente para ler e escrever, seria um nobre ou até um coronel da Guarda Nacional. Na virada do século, éramos 35% de alfabetizados e, em 1950, apenas 49%.
O Brasil somente não foi mais paupérrimo na manipulação das letras e dos números quando a população deixou os campos e chegou às cidades: em 1960, os brasileiros alfabetizados já somavam 60%.
Agora, nos nossos tempos, teremos apenas 8% de analfabetos nacionais? Motivo de orgulho? Não. Esse número, apontado e avalizado pelo IBGE, é uma lastimável balela.
A iniciativa de criar um Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional no Brasil, medindo diretamente as habilidades da população por meio de testes, foi tomada por duas organizações não-governamentais: a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro. As pesquisas que passaram a ser feitas, utilizado o conceito de alfabetismo funcional mostram qual é o quadro real: atinge cerca de 68% da população; somados aos 8% da totalmente analfabeta, resultando em 76% da população que não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas um em cada quatro brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado.

Agora sim, fica viável entender as manifestações lastimáveis promovidas nos protestos, aqueles que querem a deposição do governo democrático, a volta da ditadura militar e mais:a morte dos que consideram como seus grandes inimigos. O survey (sondagem de opinião, sem rigorismos estatísticos) realizado por um professor da USP permite o desenho do perfil desse povo, o que é razoavelmente evidente. Trata-se de uma maioria absoluta de indivíduos brancos, com a exclusão de negros e de pobres, gente de faixa etária mais alta, vários tendo chegado à senilidade, muitas mulheres, voyeurs sedentos de corpos nus, vendedores ambulantes em trabalho, diversos interessados na carteira e no celular alheios.

Os depoimentos colhidos dessa gente são inacreditáveis, decretando a obsolescência definitiva do Festival da Besteira que Assola o País (Febeapa), obra muito interessante e que retrata as cabeças de generais, coroneis, almirantes e brigadeiros, mentores da ditadura (golpe de 64), mas que se reveste de candura infantil diante da produção que se faz e mostra, na avenida Paulista dos dias atuais. As faixas transportadas pelos “mulas” contratados trazem dizeres sem sentido, escritos em língua que identifica o analfabetismo funcional predominante. Mas não estamos tratando de um segmento social e economicamente privilegiado? Sim, estamos. E as pesquisas também mostram que 38% dos nossos universitários gozam dessa condição: são analfabetos funcionais.

O projeto de massificação do ensino foi parido pela ditadura, sob orientação do Coronel Jarbas Passarinho, com o malfadado MOBRAL, enquanto o ensino de História e outras ciências sociais era substituído por aulas de “educação moral e cívica”. Tempos de “Brasil – ame-o ou deixe-o”, recitado nas aulas obrigatórias de educação física. A ditadura formou milhares e milhares de jovens alienados, coerentes, e que hoje são fascistas. Uma geração de intelectuais que estudava o Brasil foi levada ao ostracismo: Caio Prado Junior, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado, Antônio Cândido, Florestan Fernandes.
O cinema nacional ficou reduzido à produção de pornochanchadas, o teatro foi transformado em forma de lazer que antecede a pizza do sábado à noite, em que pesem os esforços magníficos de Gianfracesco Guarnieri, Zé Celso, Vianinha, Ruth Escobar e outros. A música foi proposta na forma alienadora da “jovem guarda”, perdida nas curvas das estradas de Santos, embora, e exatamente aí, tenha havido a contestação mais séria à violência: Chico Buarque foi o maior exemplo de como a sensibilidade artística e a inteligência cultivada podem ridicularizar a violência dos torturadores assassinos.
O segundo momento de aviltamento do ensino no Brasil veio com os oito anos FHC.
Da mesma forma que privatizaram as empresas do Estado, privatizou-se o ensino. A universidade federal foi empobrecida em quantidade e qualidade; o MEC orientou para que as escolas públicas falissem, sendo substituídas pelas empresas do comércio do ensino. Mais do que nunca, elitizaram-se o ensino e a cultura: os filhos das elites que estudassem nos ótimos colégios particulares, habilitando-se ao doutoramento das universidades públicas ou nas universidades norte-americanas.

Há uma reversão de tendência a partir do primeiro governo Lula, quando o MEC começou a atuar para o fortalecimento da Universidade Federal, incentivando a pesquisa, remunerando de forma digna os professores, criando universidades. O ensino obrigatório de Ciências Sociais, Filosofia e Sociologia volta a ser obrigatório no Ensino Médio. Contemplam-se a Música e as Artes.

Neonazistas, perfilados na última manifestação convocada pela ultradireita, fazem a saudação que marcou o regime do alemão Adolf Hitler e mostram como reagem os analfabetos desfuncionais, no Brasil
Neonazistas, perfilados na última manifestação convocada pela ultradireita, fazem a saudação que marcou o regime do alemão Adolf Hitler e mostram como reagem os analfabetos disfuncionais, no Brasil
E cometem equívocos e omissões muito sérios. Os chamados “sistemas de ensino”, produzidos por empresas comerciais que negociam suas ações em Bolsa de Valores, bestificam jovens brasileiros com material didático de péssima qualidade e onde o professor fica reduzido à condição humilhante de “repetidor de aula”. A tentativa política de deputados hoje, na era Eduardo Cunha, no sentido de esvaziar o conteúdo do ensino nas escolas, já é uma realidade rotineira. Em meados da década passada, o Sistema de Ensino da Abril Cultural utilizava a revista Veja para caluniar escolas que se preocupavam em transmitir a realidade brasileira aos seus alunos, identificando e acusando professores “comunistas”. A mesma Abril inaugurou o mecanismo de corrupção, junto a prefeituras e prefeitos, facilitando a venda do seu material para consumo nas escolas municipais. Corruptores e corrompidos.

Eis aqui um desafio aos que não entenderam ainda a necessidade de uma Constituição de olhos voltados para o século XXI. O pacto federativo precisa ser revisto radicalmente!
Sobre Educação, a maioria dos Estados e a quase totalidade das prefeituras carecem de condições mínimas para cumprimento das atribuições que lhes são delegadas. A Carta de 1988 adotou uma descentralização irreal e que vai provocando disfunções seriíssimas. Entre as diretrizes elaboradas pelo MEC e a ação política de governadores e prefeitos há um abismo intransponível.

Tanto a incompetência interesseira de políticos regionais como o utilitarismo dos comerciantes do ensino, ambos tornaram absolutamente impossível a modernização do ensino básico. Como resultado dessa paralisia no tempo, as paredes das salas de aula formatam hoje um espaço que sufoca os jovens, expostos às dimensões quase infinitas da Internet que se abrem através do computador. Os adolescentes, aprisionados na escola convencional, ainda encontram liberdade nos espaços dos shopping centers. O que está sendo afirmado aqui fica evidente quando se lembra que as últimas experiências inovadoras significativas no Brasil foram a Universidade de Brasília, com Darcy Ribeiro, e os CIEPS, com Brizola e o mesmo Darcy Ribeiro.

O Direito à Educação é assegurado pela Constituição Federal como um direito fundamental, tendo sido contemplado pela Constituição no artigo 6 º, localizado no capitulo intitulado “Direitos Sociais”. O Ensino Básico (Fundamental + Médio) impõe-se como direito assegurado a todo cidadão brasileiro. Tanto quanto a reforma agrária, ou a limitação do direito de propriedade pelo interesse social … Letras, letras mortas. É bem verdade que os governos de Lula e Dilma se fixaram no ideal do “ensino para todos”. A partir disso, desenvolveu-se e desenvolve-se um esforço orientado por critérios de quantidade, mas não de qualidade.
No afã de formar gente de nível universitário, os governos do PT quase que atingiram o exagero de uma antiga piada: “brasileiro, ao nascer, ganha o título de doutor, aos 18 anos devendo fazer uma opção”. A universalização universitária não será uma utopia desastrada? De novo a mesma preocupação: quantidade; e o que fazem com a qualidade: É baixa, pouca e insuficiente?

Um dos equívocos mais grosseiros foi cometido com a criação do FIES. O Ministro da Educação acaba de corrigir as distorções gritantes de um programa demagógico. Até recentemente, alguns vários bilhões de reais foram destinados ao financiamento de estudantes, em universidades reconhecidas pelo próprio MEC como sendo de qualidade inferior, concentrados nos Estados mais ricos, com financiamento concedido a filhos de famílias de classe-média, para matrícula em cursos de Direito, Administração e similares. O Ministro Renato Janine Ribeiro limitou o uso do benefício a famílias pobres, nas regiões mais pobres do país, para cursos de Engenharia, Medicina e similares, ministrados em escolas que venham merecendo boa conceituação.
Alvíssaras. As coisas vão tomando forma digna,pois tivemos alguns anos de descalabro descompromissado.
Reconhecidamente, o sistema de ensino brasileiro não é menos do que péssimo. Em diversos momentos forma bons profissionais. Mas, praticamente, nunca forma bons cidadãos. Os brasileiros não sabem o que é o Brasil, não conhecem a sua História, recebem informações rudimentares sobre a sua geografia e são ignorantes completos quanto à sua economia, problemas atuais e potencial. Não estão sendo ensinados a pensar, não sabem ler, não leem, carregam uma lastimável preguiça mental.
A pobreza é tal que, mesmo à esquerda, frequentemente se vê o dogmatismo tolo, simplificador de tudo: ‘os que não pensam exatamente como eu penso são fascistas’. Perderam alguns a capacidade de pensar e, de pensar indagativamente. Não há espírito crítico, o que o ensino puramente técnico e de má qualidade não contempla.

O que tudo isso tem a ver com o 16 de agosto? Serve para que se entenda toda aquela gente como o lixo social que as nossas escolas estão deformando. Para pedir a ditadura militar e a morte de políticos desagradáveis, as pessoas precisam passar por um apurado processo de animalização, aquele que o nosso sistema de ensino tem oferecido. O marketing transformando tudo em produto de consumo não durável, consumidores consumíveis, produz o restolho obsoleto do que teria sido um ser, e humano; hoje na avenida são zumbis alucinados.

Enfim, o esforço dos governos Lula e Dilma tem revertido tendências perversas, mas incorpora equívocos. Quem, não apenas os dois, mas pensados todos os que habitam hoje o nosso mundo político, possui competência para distinguir o que é humano daquilo que é simples charlatanismo?