domingo, 31 de maio de 2015

TRAIÇÃO E POLÍTICA




É muito comum principalmente nas eleições municipais nos depararmos com traições de lideranças políticas. Nicolau Maquiavel ( 1496-1527), que escreveu “ O Príncipe “, coloca que a traição política pouco tem a ver com moral e com o ódio.

A tendência a ser infiel está na busca pelo Poder e ganância pela grana que normalmente aparece nesses momentos. Esse fator sim se apresenta como responsável pela tendência de amigos, aliados ou companheiros se tornarem infiéis.

As traições ocorrem com maior incidência dentro do mesmo grupo político. Reações hipócritas e interesseiras, para subir numa escada virtual, em que se agarram os que vão à frente para se empurrarem para trás os que os ajudaram a subir.

E o fator mais agravante é a negação do anterior, ou seja, o traidor ainda se sente no dever de falar mal do traído por onde chega. Melhor explicando, aquele político que era elogiado e considerado um verdadeiro representante de uma comunidade por uma liderança política , simplesmente passa a ser chamado de político ultrapassado e sem ação de uma hora pra outra pela mesma liderança.

Será que existe algum elemento desses em nossa cidade?
Fica a dica aos eleitores: Quando uma liderança que vivia elogiando alguém bater á sua porta pedindo apoio para outro e difamando o anterior pense no que pode ter acontecido.

Segundo Maquiavel o cara se deu bem, quer dizer, botou a mão numa boa grana e precisa mostrar serviço para o novo chefe. Um cara desses que é capaz de vender a Mãe, o Pai, os filhos, imagine o que ele deve fazer com o povo. ( OLHO VIVO )
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terça-feira, 26 de maio de 2015

COMPETÊNCIA DOS PODERES

COMPETÊNCIA DOS PODERES
Por  Stanley Burburinho​


Me pediram para republicar o texto abaixo sobre competências. Coloquei mais informações:

1 - Educação: POR LEI: ensino fundamental é responsabilidade do prefeito; ensino médio é responsabilidade do governador e ensino superior é responsabilidade do Governo Federal. O Governo Federal subsidia, via FUNDEB, até 65% do salário do professor do ensino fundamental(município) e do professor do ensino médio(estado), só que prefeitos e governadores, muitos da oposição, não repassam para os salários. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador.

2 - Segurança Pública: POR LEI, segurança pública é responsabilidade do governador que é o chefe da Polícia Militar e da Polícia Civil. O Governo Federal é responsável só pela Polícia Federal e pela Força Nacional. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador.

3 - Saúde: POR LEI, atendimento médico é responsabilidade de prefeitos e governadores. O Governo Federal envia, via SUS, a grana para municípios e estados, mas prefeitos e governadores desviam a grana para outras coisas. A grana do SUS não falta. O problema do SUS é de gestão no atendimento municipal e estadual e não do Governo Federal. Repare que na sua cidade os hospitais são municipais(prefeito) e estaduais(governador). Poucas cidade têm hospitais federais que, na realidade, eram municipais ou estaduais, mas devido à má gestão, para evitar o fechamento, o Governo Federal assumiu. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador.

POR LEI, o MEC, Min Saúde não podem fiscalizar a aplicação das verbas para a Saúde(SUS) e Educação(FUNDEB). Isso cabe ao tribunal de contas do município (TCM) e ao tribunal de contas do estado(TCE). Só que os conselheiros da maioria desses tribunais são nomeados pelo prefeito e pelo governador. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador. Estados que têm tribunal de contas do município? RJ, SP, BA, CE, GO, PA. Na Bahia é o governador que nomeia os conselheiros dos municípios. Imagina se o o MEC e o Min da Saúde tivessem que fazer concurso público federal para contratar servidor público para fiscalizar a aplicação de verbas nos mais de 5.700 municípios do Brasil. "Diriam que a máquina do governo está inchada". Se houver roubo de verba do MEC e do Min da Saúde, que são federais, entram em cena a PF, o MPF, CGU t TCU.

1) Por lei, combate à dengue é responsabilidade do prefeito e do governador e não de Dilma. Imagina se o Governo Federal tivesse que combater a dengue, sozinho, e controlar os mata-mosquito nos mais de 5.700 municípios do Brasil. Teria que fazer concurso público federal para contratar os mata-mosquitos. É a LEI.

2) Por lei, abastecimento de água é responsabilidade do governador e não do Governo Federal;

3) A greve de professores em São Paulo, no Paraná e no Pará, todos do PSDB, é responsabilidade dos prefeitos, se for professor municipal, e dos governadores se for de professor estadual, e não do Governo Federal. Por lei, ensino fundamental é responsabilidade do prefeito, ensino médio é responsabilidade do governador e ensino superior é responsabilidade do Governo Federal;

4) Chacinas em São Paulo: POR LEI (está na Constituição), segurança pública é responsabilidade do governador que é o chefe da Polícia Militar e da Polícia Civil e não do Governo Federal que é responsável pela Polícia Federal e Força Nacional. O Governo Federal só pode enviar a PF e a Força Nacional para um Estado, somente se o governador daquele estado solicitar ajuda oficial.

Um sr disse abaixo: "Não pode intervir? Então explique por que na época do FHC, não tinha operações da Polícia Federal? Ou você acha que a Polícia Federal pode atuar sem autorização judicial? FHC tinha o Poder Judiciário na mão, a Polícia Federal e o Engavetador Geral. Quem montou essa arapuca contra o PT foi o próprio PT."

1) O diretor-geral da Polícia Federal durante os governos de FHC era filiado ao PSDB: "Diretor-Geral da Polícia Federal é filiado ao PSDB desde 2001" - www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0803200217.htm

2) Lula e Dilma sempre nomearam Procurador-Geral da República(PGR) o procurador mais votado pelos membros do MP que era apresentado numa lista tríplice. FHC não respeitou a lista tríplice e nomeou o Geraldo Brindeiro, primo do Marco Maciel que era o vice-presidente de FHC e que foi o vice-presidente da ditadura, o engavetador-geral da República, que era o sétimo colocado na lista tríplice;

3) Quem fiscaliza as investigações da Polícia Federal é o MP que faz a denúncia, o Judiciário acata, julga e condena. Não adianta a PF investigar se o MP e o Judiciário não acatarem;

4) A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça que é subordinado à presidência da República. O presidente pode determinar uma investigação da PF, mas nada adiantará se o MP engavetar e não denunciar ao Judiciário ou se o Judiciário não acatar a denúncia. A PF pode denunciar diretamente uma investigação para o Judiciário, mas se um juiz não acatar e mandar arquivar, o presidente da República não poderá fazer nada a não ser recorrer.

5) Se a Polícia Federal está investigando a corrupção na Petrobras no inquérito da Lava Jato é porque Dilma, chefe da Polícia Federal quer que tudo seja investigado, doa a quem doer.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

PROUNI

Como funciona o Prouni?


 O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi criado em 2004, pela Lei nº 11.096/2005, e tem como finalidade a concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de cursos de graduação e de cursos sequenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior. As instituições que aderem ao programa recebem isenção de tributos.

 Qual a relação entre ProUni, Sisu e Fies?

O Programa Universidade Para Todos – ProUni, distribui bolsas de ensino gratuitas em Instituições Privadas de Educação Superior, com base na nota do Enem.

 O Sistema de Seleção Unificada – Sisu, é um sistema pelo qual as Instituições Públicas de Educação Superior (Universidades Federais) selecionam estudantes para as vagas nas Federais também com base na nota do Enem. 

E o Fies é um Financiamento do Governo para que você possa arcar com os custos de um curso superior em uma Instituição Privada, o Governo paga sua faculdade e depois de se formar você paga de volta ao Governo, é um financiamento literalmente.

Como funciona o ProUni?

O ProUni é um programa que escolhe os candidatos de acorda com a nota do Enem do ano anterior à inscrição, portanto para se inscrever no ProUni 2013 o candidato, obrigatoriamente, deverá ter realizada o Enem 2012. Basicamente, as etapas para se inscrever no ProUni 2013 serão:

O candidato se inscreve no Enem 2012 e realiza a prova.
O candidato confere o resultado do Enem 2012, se tiver tirado uma pontuação mínima de 450 pontos nas provas e não tiver zerado a redação, então ele estará apto a se inscrever no ProUni 2013.
Em janeiro de 2013, o candidato se inscreve no ProUni 2013.
Quem pode se candidatar ao ProUni?

Os requisitos para se candidatar ao ProUni são:

1- Ter tido uma pontuação de pelo menos 450 pontos no último Enem e não ter zerado a prova de redação.
2- Ter renda familiar per capita de 1,5 salário mínimo (bolsa integral) ou 3 salários mínimos (bolsa parcial).
3- Não possuir curso de graduação.
4- Ter cursado o ensino médio completo em escola pública.
5- Ter cursado o ensino médio completo em escola privada, desde que na condição de bolsista integral.

Também podem se candidatar ao ProUni:

1- Pessoa com deficiência.
2- Professor da rede pública de ensino, no efetivo exercício do magistério da educação básica e integrando o quadro de pessoal permanente de instituição pública e concorrer a bolsas exclusivamente nos cursos de licenciatura, normal superior ou pedagogia. Nesses casos não é exigida a comprovação de renda.

É cobrado alguma taxa para participar do ProUni?
Não, nenhuma taxa é cobrada para participar do ProUni.

terça-feira, 12 de maio de 2015

PRATICANDO O DESAPEGO



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário....
Perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: Diga a sí mesmo que o que passou jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo...
- Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Encerrando ciclos, não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba...
Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais em sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Quando um dia você decidir a pôr um ponto final naquilo que já não te acrescenta.
Que você esteja bem certo disso, para que possa ir em frente, ir embora de vez.
Desapegar-se, é renovar votos de esperança de sí mesmo,
É dar-se uma nova oportunidade de construir uma nova história melhor.
Liberte-se de tudo aquilo que não tem te feito bem, daquilo que já não tem nenhum valor, e siga, siga novos rumos, desvende novos mundos.
A vida não espera.
O tempo não perdoa.
E a esperança, é sempre a última a lhe deixar.
Então, recomeçe, desapegue-se!
Ser livre, não tem preço!
Fernando Pessoa

quarta-feira, 22 de abril de 2015

MINHA GUARANI

Cyro Marcos Silva
Hoje às 14:42






GUARANI, 25 DE MARÇO! Cem anos mais um. Hoje, dia de aniversário.

Antes que as primeiras letras da sua história começassem a ser cravadas na argila desse lugar, o que se sabe é que....

Era uma vez um rio, que deixava ver ao longe insinuantes contornos de suaves montanhas, rio vindo de um outro lugar, passando, cortando e dividindo um tanto de chão, a que resolveram dar o nome de Guarani.

E o rio lá ia, indiferente, cavando sempre mais fundo e engordando larguras, procurando algum outro rio ou mar pra desaguar, pois já nem caberia na tão pequena Guarani. Gente?

}Já tinha gente: ali veio um, mais um, já podia ter nome de povo...

 Enfim, mais história está contada por aí. Eis, portanto, um lugar em que nossos pais estavam.

E deu que ali viemos ao mundo. E o que é Guarani?

Um clima, um tempo, um lugar onde, desde seu próprio nascer, ali se nasce, se vive, se morre. Lugar de onde se parte, para onde se regressa, porém por lá uns ficam, vivendo na solidariedade em torno das festas maiores, nascimento, casamento e mortes do outros, sempre esfregando nas proximidades, lugar efervescente em torno de amores, de dissabores, das sempre constantes divertidas ou pérfidas fofocas, em torno de choros comungados, alegrias abraçadas, dia a dia muitas vezes monótono, procurando saber quando uma surpresa chegará, para depois melhor saborear a monotonia.

 Olhada lá, lá do alto, lá de muito alto,

 Guarani é um grão de areia perdido no planeta, se ainda visível se fizer. Olhando cá, dentro, o mais perto que puder, o mais encostado possível ao nariz,

Guarani é um mundão de marcas, de lembranças encobridoras investidas de bobos encantamentos, de grandes avalanches dos momentos de inaugurados amores, primeiras decepções, sabores de duras dores, esbranquiçadas fumaças de saudades.

Com o passar do tempo, nossos primeiros tempos já agora dando lugar aos penúltimos tempos, Guarani vai se tornando uma foto amarelada, esmaecida, pelos dedos que já pegaram no preto e branco, uma aposentada passagem de trens, de bailes e carnavais.

Guarani, no entanto, sempre se revive, sempre é suposta ser algum ponto de encontros para nós, nessa altura do campeonato, já bem desencontrados, ainda que encontros marcadamente faltosos.

Para essa senhora de 101 anos que nos dá , num soletrado nome próprio, G U A R A N I, nossa quase única e mínima referência comum, fica aqui escrita essa lembrança de aniversário. Em momentos como este, cabe orientar-se com a escritora francesa Marguerite Duras, que não achava muito importante perguntar: por que escrevo?

Ela, tomada pela escrita, só podia perguntar: por que e como não escrever?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Numa democracia, quem manda é o povo — e não os juízes.


Por Mauro Santayana

Quando suas decisões afetam não apenas o réu e sua vítima, mas centenas, milhares de cidadãos, o promotor deve acusar e o juiz, julgar, com a mente e o coração voltados para o que ocorrerá, in consequentia.
Nos últimos anos, a nação tem tido, na área de obras públicas, bilhões de reais em prejuízo. E isso não apenas devido a falhas de gestão – que, com a exceção dos Tribunais de Contas, não devem ser analisadas pelo Judiciário – ou de casos de corrupção, alguns com mais de 20 anos.
Houve também a paralisação – a caneta – de grandes obras de infraestrutura. Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, em construção na Amazônia em um momento que o país precisa desesperadamente de energia, teve suas obras judicialmente suspensas por dezenas de vezes, o que também contribuiu para que se somassem meses, anos de atraso ao seu prazo de entrega; e também para a multiplicação de seus custos.
O mesmo ocorreu com Teles Pires e Santo Antônio, com a refinaria Abreu e Lima e com a transposição do São Francisco. Em todos esses empreendimentos foram encontrados problemas de algum tipo, mas justamente por isso, é preciso que o Ministério Público e o Judiciário busquem outro meio de sanar eventuais falhas e punir irregularidades, que não seja, a priori, a imediata paralisação das obras. Afinal, ainda é melhor obras com problemas, que podem ser eventualmente corrigidos, do que nenhum projeto ou iniciativa desse porte, em setores em que o país esteve praticamente abandonado durante tantos anos.
Uma das soluções, para se evitar esse tipo de atitude drástica, poderia ser a de que se nomeasse interventores que pudessem investigar irregularidades e fiscalizar, in loco, em cada obra, o cumprimento das determinações judiciais.
Declarações bombásticas e precipitadas também não ajudam, quando se trata de projetos essenciais para o desenvolvimento do país nos próximos anos.
No contexto da Operação Lava Jato, centenas de milhares de trabalhadores e milhares de empresas já estão perdendo seus empregos e arriscando-se a ir à falência, porque o Ministério Público, no lugar de separar o joio do trigo, com foco na punição dos corruptos e na recuperação do dinheiro – e de estancar a extensão das consequências negativas do assalto à Petrobras para o restante da população – age como se preferisse maximizá-las, anunciando, ainda antes do término das investigações em curso, a intenção de impor multas punitivas bilionárias às companhias envolvidas, da ordem de dez vezes o prejuízo efetivamente comprovado.
Outro aspecto a considerar é a interferência indevida, em esferas da administração pública que não são da competência do MP, como foi o pedido de paralisação, no mês passado, das obras de ciclovias que estão em execução pela prefeitura de São Paulo.
Não cabe ao Ministério Público, em princípio, julgar, tecnicamente, questões viárias. E menos ainda, limitar o debate e a busca de consenso, em âmbito que envolve a qualidade de vida de metrópoles como a capital paulista, uma das maiores do mundo.
A não ser que haja uma mudança constitucional que faça com que venham a ser escolhidos por meio das urnas – e mesmo que viesse a ocorrer isso – é preciso que o Ministério Público e o Judiciário tenham especial cuidado para que alguns de seus membros não passem a acreditar – e a agir – como se tivessem, com base na meritocracia, sido ungidos por Deus para tutelar os outros poderes, e, principalmente, o povo.
Aos juízes e ao Ministério Público não cabe interferir, de moto próprio, nem tentar substituir o Legislativo ou o Executivo, na administração da União, dos Estados e municípios, que devem recorrer ao Supremo Tribunal Federal sempre que isso ocorra, assim como cabe ao STF coibir, com base na Constituição, esses eventuais excessos.
Em uma democracia, todo o poder emana do povo.
É ele que comanda. É ele que, em última instância, executa. É ele que, indiretamente, legisla. É ele que, a cada dois anos, julga, por meio do processo eleitoral, segundo o rito político. A sua sentença é o voto.
O eleitor é o Estado. E o juiz supremo

domingo, 29 de março de 2015

O radical classe média


Por Daniel Menezes *
Geralmente, o Radical Classe Média se apresenta como politizado, para, na verdade, repetir os velhos cacoetes do senso comum da política - é contra partidos;
Mais. Todo político é ladrão. Aliás, para o Radical Classe Média, o problema do Brasil não é o da desigualdade, mas o da corrupção. Por isso, não perde a oportunidade de comparar a nossa suposta natural propensão para a malandragem com a sonhada condição positiva dos EUA, ou numa perspectiva intelectualizada, dos países escandinavos;
Nesse sentido, a eleição não passa de uma chantagem. Tanto faz quem vai ganhar - "é tudo igual mesmo". O Radical Classe Média, quando não é capturado pelo moralismo e/ou suposta superioridade gerencial de um bonachão, prega o voto nulo;
Radical Classe Média não gosta muito de se "misturar". Quer exclusividade. No fundo, ele não suporta que ônibus coletivo passe nas praias "nobres" de sua cidade. Ou, em sua versão intelectual, defende a criação de "espaços" para os mais "humildes";
Para o Radical Classe Média, as instituições devem aprender a se relacionar com ele, já que o dito cujo apresenta muitas especificidades;
Instituição a favor dele é democracia. Contra ele? Fascismo;
Seguranças-policiais-trabalhadores devem fazer cursos de capacitação só para aprenderem a se relacionar com ele;
Ele é anarquista para os deveres, mas não para os direitos;
Ele é contra impostos, mas quer que tudo funcione a seu favor;
Um bom Radical Classe Média critica o inchaço do Estado, mas sempre tem alguém da família gozando de acesso privilegiado ao próprio Estado - um cargo, um contrato etc;
Radical Classe Média não tem diploma de graduação. Ele tem diploma de nobreza. E o "resto"? É resto, alienado. Ele se vê como o (único) "intelectual orgânico";
Ele é terminantemente contra o Bolsa Família, a quem ele chama de bolsa-esmola, pois produz preguiçosos e premia quem nunca "quis" estudar;
Para o Radical Classe Média, quem não sabe escrever o português corretamente deveria ser impedido de votar, de expor sua opinião num blog ou jornal. Enfim, de argumentar;
Pensar é sinônimo de dominar a gramática. Do contrário, o dito cujo se encontra no nível dos animais irracionais;
Para ele, às vezes, o problema do Brasil é porque o pobre-analfabeto - ele chama de "não esclarecido" - não sabe votar. Uma cientista política advinda da USP teria um bom conceito radical de classe média para isso - ausência de "sofisticação política";

Na versão intelectualizada, o Radical Classe Média é um crítico do jeitinho brasileiro, gosta de ler Nietzsche, Foucault, Deleuze, Guatarri. É um crítico do "micropoder", dos "fascismos da norma", conceitos mobilizados para negar qualquer coisa que lhe cobre alguma contrapartida social;
Há também aquelas versões do Radical Classe Média que tornam Karl Marx, ou o socialismo, numa questão de superioridade ético-moral;
Radical Classe Média é um supercidadão. Os demais... subcidadãos;
Afinal, o Radical Classe Média estudou. Merece mais do que os simples mortais;

Radical Classe Média se imagina como o que resta de bom no Brasil. Não raro, flerta com o fascismo.