quarta-feira, 23 de outubro de 2013








POR ANTONIO MACHADO

O resultado de duas gerações, e mais outra saindo da adolescência, submetidas à crença ou à suspeita de que o petróleo nacional corre o risco de ser desnacionalizado por governantes mal intencionados, e assim já era mesmo quando não havia reservas conhecidas para servir o mercado interno, explica a razão embotada dos que temem o leilão do Campo de Libra, o primeiro sob as regras do regime de partilha.

A força dos dogmas turva o raciocínio, como se viu nas críticas de especialistas, ao menos assim apresentados pela imprensa, ignorando o viés estatizante do estreante modelo de partilha da produção. Não é por outra razão que as grandes petroleiras privadas se afastaram do certame, abrindo o caminho para a entrada de empresas estatais, sobretudo da China, cuja prioridade é a garantia de acesso a fontes de energia, não bem o lucro de mercado. Nenhuma dos Estados Unidos compareceu.

A ausência de ícones do mercado de petróleo, como Exxon e Chevron, ambas dos EUA, foi desconsiderada pela mobilização de sindicatos de petroleiros e de partidos de esquerda nas redes sociais e nas ruas contra a venda de uma fração do petróleo de Libra. Como dogma trata de verdade irrefutável, a internet foi inundada de acusações de que o governo Dilma Rousseff cedia ao interesse dos EUA, como denunciou o ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer. Ele foi à Justiça para sustar o leilão. Por tal lógica, as estatais da China vieram como laranjas da Exxon. Fato é que, sem o “yankee, go home”, o dogma perde a graça.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à central sindical CUT, braço do PT, viu a oportunidade de enfrentar o assédio no meio que representa da entidade rival criada pelo PSOL e pelo PSTU — partidos que buscam compensar os poucos votos com manifestações barulhentas, sobretudo no Rio de Janeiro — e contaminou a negociação coletiva da categoria com a Petrobras com uma greve pela suspensão do leilão de Libra.

Na verdade, o embate é salarial: a FUP pede aumento de 16,53% e a Petrobras propõe 6,09%. Alegar a defesa da riqueza nacional, além de mais simpático, constrange a presidente e o PT. Como a campanha à sucessão de Dilma já está na rua, ela concorre à reeleição e está à frente nas pesquisas, o vale-tudo está liberado — até dizer que o leilão configura “entrega do patrimônio nacional”, a diatribe de um diretor da FUP, Francisco José de Oliveira.

Desinformação politizada

O que há de verdade em meio à desinformação? Que a lei de partilha assegura ao governo, representado pelo Tesouro Nacional, a parte do leão do negócio, além do controle do ritmo da exploração, predicado não previsto pelo regime de concessão (anterior à aprovação da lei e que continua válido para as áreas fora do limite do pré-sal).

As condições da partilha de produção são favoráveis ao Estado, não ao mercado. É essa a razão de o leilão de Libra ter atraído somente 11 empresas, entre elas a Petrobras, por dever de ofício e obrigação legal. E foi menor o grupo que compareceu à disputa, que não houve. Houve um único consórcio, formado pela Petrobrás, com 10%, pela anglo-holandesa Shell e pela francesa Total, com 20% cada uma, e as chinesas CNPC e CNOOC, ambas também com 10%. O lance foi único, sem disputa.

Estado terá mais de 70%

Além de operadora única dos campos do pré-sal, a lei prevê para a Petrobras a participação mínima de 30% no capital de quaisquer grupos que sejam formados. Sem investir um centavo, o governo tem poder de veto nas decisões do negócio por meio da estatal criada para gerir e vender o “óleo-lucro”, a Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA), no mercado (por meio da Petrobras, provavelmente, como revendedora contratada).

A participação da União nos contratos de partilha da produção será variável, conforme a área do pré-sal. O único objeto em disputa nos leilões é o volume de óleo que os investidores se disponham a ceder ao governo acima da cota mínima. No de Libra, era de 41,65%. E foi isso o que o consórcio vencedor ofereceu. Na conta final, o Estado brasileiro terá o equivalente a 74% da produção de Libra (a parte direta, mais impostos, royalties e dividendos da Petrobras). E a estatal, 40% (30% obrigatórios, acrescidos dos 10% do consórcio).

Partilha entre gigantes

A concessão por 35 anos da exploração de Libra não saiu bem como o governo queria, já que a falta de concorrência implicou menos lucro à União, mas garantiu R$ 15 bilhões à vista, a taxa que o consórcio vai pagar ainda neste ano. O governo conta com isso para o superavit primário de 2013. A entrada de investimento para iniciar a operação também ajudará a fechar o deficit das contas externas sem a pressão de mercado, a médio prazo. E Shell e Total vão diminuir o risco de influência excessiva da China no consórcio. A atenção à geopolítica (num mundo crescentemente chinês), com a opinião do mercado e com o receio de desnacionalização, foi assegurada. Não foi de todo mal.



Brasília, 00h01min
Fonte : Correio Brasiliense 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Marina, morena Marina, você se traiu...
Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


Vamos ao ponto. Maria Osmarina Silva Vaz de Lima, a Marina Silva, é a incompetência vestida de verde ou laranja, talvez as duas cores juntas, e simboliza tudo aquilo que caminha e não sai do lugar. É como se ela andasse em uma esteira, porque o problema de Marina é a sua pretensão de falar sobre as questões brasileiras, ao tempo que ao fazer suas considerações ela não diz nada com coisa nenhuma, assim como se expressam, igualmente, seus correligionários mais próximos, a exemplo de Alfredo Sirkis e os bajuladores e matreiros Miro Teixeira, Roberto Freire, Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, bem como o maior quinta-coluna dos últimos tempos, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, aquele que no programa eleitoral do PSB pede “respeito”, sem, contudo, respeitar seus aliados históricos e a aliança de 25 anos com o PT e o PC do B.

No sábado, a ex-candidata a presidente e tucana de bico verde, Marina Silva, e o quinta-coluna, Eduardo Campos, político que remonta à golpista e reacionária UDN, afinal o PSB nos seus primórdios contava em seus quadros com udenistas e direitistas empedernidos, lançaram a chapa do PSB à presidência da República, sendo que Marina Silva se filiou ao PSB para ser candidata a vice-presidente, porque a Rede Sustentabilidade, partido que ela tentou criar para tentar concretizar seus desejos políticos e ambições pessoais foi rejeitado pelo TSE, porque Marina, incompetente, ideologicamente confusa e enfadonhamente prolixa não conseguiu as 50 mil assinaturas necessárias para que a Rede pudesse ser legalizada e, por sua vez, competir nas próximas eleições de 2014. Enquanto isso, os partidos PROS e Solidariedade foram legalmente aprovados pelo TSE, porque quem se organiza colhe bons resultados, o que, definitivamente, não é o caso de Marina e de seus apoiadores rancorosos, que apostam em qualquer um para verem o PT fora do poder.

Marina teve todo o tempo, mas não conseguiu criar o partido Rede, o que deixou os mundos político e jurídico estupefatos, porque a incompetência dela e dos que estão a participar de seu projeto é irremediavelmente surreal, tanto o é que alguns ministros do TSE, notadamente a presidente Carmem Lúcia, consideraram um absurdo a ecológica Marina Silva ter dado declarações à imprensa de mercado desconcatenadas da realidade, com o propósito de pressionar os juízes a conceder o registro à Rede Sustentabilidade mesmo sem o partido de Marina estar legalmente a cumprir as leis, bem como não comprovou a autenticidade de dezenas de milhares de assinaturas para que a Rede fosse formalizada e, por seu turno, poder concorrer às eleições do ano que vem.

Entretanto, Marina Silva não se faz de rogada, porque não dá ponto sem nó. Por se comportar dessa maneira, a candidata das ONG internacionais, aliada dos fundamentalistas dos “diferentes ecossistemas”, tergiversa sobre sua personalidade egocêntrica, e, ardilosamente, dissimula seu autoritarismo de caráter pentecostal, que jamais a permitiu ter uma posição efetiva sobre assuntos importantes para a sociedade, como o aborto, o casamento gay, as células-tronco embrionárias e a legalização das drogas ilícitas. Cito especificamente a maconha, assunto este muito pertinaz e que tem a atenção do ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, que está muito preocupado com os baseados fumados pela rapaziada de classe média deste País e de outros cantos do mundo.

A verdade é que não há compreensão sobre o que Marina Silva pretende, fala, propõe e muito menos o que pensa em termos de projeto para o Brasil, bem como ninguém sabe qual é o seu programa de governo. Eu não sei e duvido se o Eduardo Campos saiba. Ela nunca disse, mesmo quando foi candidata derrotada do PV, em 2010. Seus parceiros e correligionários também prognosticam e reverberam o nada com coisa alguma, mas a verdade sobre essa realidade não pode ser escondida e dissimulada por tempo indeterminado. Por isso e por causa disso, considero que a candidata biodegradável e de mente reciclável demonstra, imponentemente, a característica  dos prepotentes e dos rancorosos, quando não deveria proceder assim, pois iniciou sua vida política no Partido Revolucionário Comunista (PCR), agremiação marxista que se abrigava no PT.

Depois deixou o partido, em 2008, e se aproximou da direita brasileira, sendo que hoje até o extremista de direita da UDR e dono de terras mil, deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO), anunciou seu apoio à Marina e ao Dudu Campos, aquele que pede “respeito” em programa eleitoral, ao tempo que trai seus aliados históricos. Correligionários que, no decorrer de 11 anos, sofreram todo tipo de boicote e sabotagem das “elites” econômicas herdeiras da escravidão, que tem como seu porta-voz o poderoso sistema midiático privado controlado por meia dúzia de famílias, que, de forma arrogante, tratam o Brasil de mais de 200 milhões de habitantes, além de ser a sexta economia mundial, como o quintal de suas casas. Aliás, magnatas bilionários de imprensa que, equivocadamente, pensam que tem a importância e a influência que, na verdade, eles não têm.

Voltemos à Marina. Após ser demitida do PT (na verdade ela se antecipou à demissão) por incompetência e sabotagem ao programa de Governo do presidente Lula, a política, filha de seringueiro, que conheceu Chico Mendes, um dos ícones da esquerda, logo passou a atacar os seus companheiros de lutas, no decorrer de três décadas. Marina seguiu o exemplo de políticos que guardam rancores no freezer, como os senadores Cristovam Buarque e Pedro Simon, lideranças que envelheceram e traíram seus ideais e as ideias que não condizem com os princípios programáticos e ideológicos da esquerda, pois a origem de Simon é o trabalhismo gaúcho, esquecido lá na década de 1950, e o Cristovam, ex-governador do PT, saiu do partido e ingressou no PDT. Contudo, tal político do Distrito Federal até hoje não disse para o que veio, a não ser se aliar aos tucanos e, vergonhosamente, combater, juntamente com a direita, os governos trabalhistas de Lula e de Dilma Rousseff. Cristovam é rancoroso e está “na bronca” há quase uma década, mas foi um medíocre ministro da Educação.

Marina Silva gosta de usar termos vazios e sem fundamento ideológico, como “nova política”, “acabar com o monopólio da política”, “por uma política sustentável” etc etc etc. Assim não dá! Haja paciência para entender o “marinês”. Ela é o FHC de saia. Quando o tucano neoliberal abre a boca é um “deus nos acuda”. Não se entende nada. Marina é a emissora-mor de frases desconexas e ininteligíveis, verbalizadas com falsas conotações de intelectualidade: “Hoje todos nós sabemos que somos finitos como raça. E, além de não saber como lidar com a imprevisibilidade dos fenômenos climáticos, temos pouco tempo para aprender como fazê-lo”. Ou: “Talvez o que tenhamos que aprender a fazer seja algo que tenho chamado de “aeróbica da musculatura do acerto”, fortalecendo-a como a melhor forma de combater a “musculatura do erro”. Oferecendo para este último o melhor dos ensinamentos do amor, que é o ato de oferecer a outra face. Para a face da prepotência, a humildade de aceitar-se também como falho. Para a face do descaso, o compromisso que cria e gera alianças. Para a face da vaidade, da voracidade pelo poder e para a autoria das coisas, o compartilhar autorias, realizações, reconhecimentos”.

É uma loucura, que deixaria um dos personagens da “Escolinha do Professor Raimundo”, Rolando Lero, com inveja de tanta incongruência, prolixidade e presunção, pois Marina Silva é a autêntica pseudo-intelectual, ao ponto de superar também o prefeito Odorico Paraguaçu, personagem de “O Bem Amado”, que também falava muito e não dizia nada, a não ser levar confusão a quem o ouvia e, por seu turno, deixava o público coxinha de classe média com um sentimento de orgulho por acreditar que somente um grupo social “estudado” e “culto” teria a opção em votar em candidato tão “cool” ao tempo que uma “referência” político e eleitoral para aqueles que desejam se livrar de “tudo o que está aí”, como afirmavam, genericamente, os coxinhas reacionários nas manifestações de junho, ao fazerem alusões “apolíticas” e “apartidárias” ao PT e ao Governo trabalhista de Dilma Rousseff.

Então, como se percebe, Marina Silva é autora de frases especialmente ininteligíveis, que se transformam em hilárias pelo ridículo. A líder das palavras incompreensíveis e que não tem programa de governo e muito menos projeto de País, a exemplo de Dudu Campos e do playboy Aécio Neves, se propõe a ser uma intelectual que poderia ser definida como “verde da vanguarda chique” e por isto tão a gosto da burguesia (ricos) e dos pequenos burgueses (classe média coxinha) que procuram, como agulha no palheiro, alguém que represente seus rancores, reacionarismos, conservadorismos, ódios e preconceitos políticos e de classe social para derrotar o PT e seus candidatos e lideranças trabalhistas e socialistas, exemplificados nas pessoas de Lula e Dilma Rousseff.

Marina, além de ser mais uma quinta-coluna das tantas que existem por aí, também se mostrou, ao longo de sua trajetória, ser um animal político que se sente muito bem em seu habitat, que é sempre estar em cima do muro. Afinal sabemos que de habitat, de ecossistemas e de biodiversidades ela entende. Marina é da floresta e por isto sabe muito bem ficar em cima do muro sem jamais cair. Ela é evangélica e defende o estudo do criacionismo (Adão e Eva) nas escolas, mesmo o estado a ser laico. Todavia, a  Teoria da Evolução, de Charles Darwin, também deve fazer parte do currículo escolar. E a ambientalista soltou a seguinte pérola: “No espaço da fé, a ciência tem todo o acolhimento. Eu gostaria que a fé tivesse o mesmo acolhimento da ciência”. Sem palavras. Não as tenho em números suficientes para fazer qualquer comentário sobre este profundo e sábio pensamento de Marina Silva.

A pensadora é contra as pesquisas com células-tronco embrionárias, mas é favorável à utilização de células-tronco adultas, bem como se posicionou contrária à descriminalização do aborto, mas sugeriu que se realize um plebiscito para a população decidir sobre tal assunto tabu. Marina também é contra o casamento gay. Porém, se diz a favor da união de interesse financeiro, material e patrimonial entre as pessoas do mesmo sexo. A verde é contra as drogas consideradas ilegais, mas gostaria de consultar o povo sobre o assunto.  Esta é a Marina Silva, que, na verdade, não tem opinião formada sobre nada, bem como não se entende nada do que ela pensa e fala.

Acontece que muitos de seus eleitores são da classe média branca e conservadora, a de tradição familiar universitária e que controla há mais de um século os melhores empregos dos setores públicos e privados deste País e vão ficar em dúvida se apoiarão Aécio Neves ou Eduardo Campos, a ser o socialista a encabeçar a chapa, na qual Marina vai ser candidata a vice-presidente do Brasil, já que, por incompetência, não conseguiu legalizar a Rede Sustentabilidade. Agora, venhamos e convenhamos: um partido com um nome como esse realmente não poderia neste momento dar certo. Só a Marina mesmo.

Contudo, essa gente de direita sabe que Marina é negra e índia e nascida em uma comunidade pobre e extrativista no Acre, estado da região Norte e considerado pelos burguesinhos brancos e de classe média deste País, principalmente os do Sul e do Sudeste, um local atrasado, cercado por florestas, com um povo ignorante e etnicamente formado por “bugres”. Região que na ótica das “elites” brasileiras somente dá trabalho e despesa e que, por seu turno, não deveria ser alvo de atenção do Governo Federal, porque para eles o Acre e toda a região Amazônica não é Miami e nem Orlando, muito menos Paris ou Londres ou Nova York. A verdade é que se os ricos brasileiros pudessem entregariam a Amazônia aos Estados Unidos e aos europeus, se eles fossem os ingleses.

Para quem pensa que o que falo é exagero, lembro que certa vez, no programa do Sérgio Groisman, da Rede Globo, a atriz Fernanda Montenegro falou alto e em bom som que o Brasil deveria se livrar do riquíssimo Estado de Goiás e concedê-lo ou doá-lo aos Estados Unidos, país que tem estados climaticamente mais secos que o formidável Estado do Centro-Oeste brasileiro, que é uma potência no que tange à agropecuária, bem como tem ecossistemas dos mais ricos e diversificados, além de estar a se industrializar, o que, sobretudo, vai fazer com que Goiás se torne um dos estados mais importantes da Federação em poucas décadas.

Para a Montenegro, o Brasil se reduz às cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, bem como os bairros do Leblon ou Ipanema, Jardins ou Morumbi, por exemplo, são seus habitats, onde os pés da artista devem caminhar, sem esquecer, evidentemente, que a famosa atriz, certamente, tem como suas “cortes” Nova York, Miami, Londres e Paris, porque referências da burguesia brasileira de pensamento, gestos e ações subservientes e colonizados. O jornalista Ancelmo Gois, colunista de O Globo e que joga no time da família Marinho, discordou de Fernanda Montenegro. O colunista demonstrou todo seu descontentamento com o pensamento da artista, que não conhece o Brasil e pensa que Goiás, um estado economicamente poderoso, dono de uma cultura ímpar e que tem um povo trabalhador e produtivo, que ama aquelas terras, não passa de uma região onde não existe ninguém. Seria cômico se não fosse trágico a ignorância da atriz, bem como o é a da “elite” brasileira preconceituosa, ignara e de passado escravocrata. As classes sociais entreguistas.

Contudo, quero dizer que considero deplorável ver o senhor Eduardo Campos e a dona Marina Silva se prestarem a um papel feio desse, a fingir que são uma terceira via, quando a verdade eles querem, a fim de ser eleitos, desconstruir e desqualificar o que até agora foi realizado pelos governos trabalhistas e conquistado pelo povo brasileiro. Quando Marina Silva se coloca como uma novidade na política e se diz ética — a ética que afrontou o TSE por querer legalizar seu partido sem as assinaturas necessárias por lei, com o apoio contumaz da imprensa golpista e de mercado, a política verde e também laranja e agora socialista de carteirinha simplesmente tergiversa e dissimula o desejo de poder e o rancor já indissociável de seu caráter e personalidade egocêntricos, que prefere não reconhecer os avanços do Brasil nos últimos anos ao afirmar, sem nenhuma convicção, que o País piorou e que nada foi construído e melhorado pelos trabalhadores brasileiros, cuja maioria preferiu eleger Lula e Dilma, além de recusar o blá, blá, blá de Marina Silva. O Brasil há 11 anos diz não à política de alienação do patrimônio público e ao entreguismo dos tucanos José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso, que trataram o valoroso povo brasileiro como pária e não tiveram a responsabilidade de pelo menos empregá-lo.

Os propósitos políticos de Marina são como uma colcha de retalhos e suas ideias são díspares, a verdadeira miscelânea, porque seus interlocutores e o cidadão comum que ouvem seus argumentos para governar o Brasil não os compreendem, pois seu pensamento político e ideológico e suas propostas no que concernem à economia e até mesmo à biodiversidade são quase que incompreensíveis, porque a verdade é que Marina Silva e seus escudeiros do Itaú, da Natura, da Globo e da comunidade “verde” nacional e internacional em geral não elaboraram um programa de governo, não formam uma equipe para governar, administrar e projetar um País da complexidade e do gigantismo do Brasil e muito menos tem condições de formar uma maioria no Congresso e, consequentemente, aprovar as proposições para poder governar.

Marina Silva é incompetente. Enquanto o PROS e o Solidariedade cumpriram junto ao TSE com os requisitos básicos para existirem como partidos, o Rede Sustentabilidade da ex-petista demitida pelo presidente Lula, em maio de 2008, não conseguiu listar 492 mil assinaturas de eleitores e, por conseguinte, sua criação foi rejeitada por seis votos a um, a ser o único voto favorável à Rede foi exatamente o do condestável do STF, o juiz Gilmar Mendes, a herança maldita de FHC — o Neoliberal I —, que mais uma vez em sua vida navegou contra a maré da insensatez, do que é legal e constitucional e defendeu, no pleno do TSE, que fosse permitido a criação do partido de Marina Silva, mesmo sem ser reconhecidas como legais e verídicas cerca de 95 mil assinaturas. Gilmar, novamente, fez política. A política baixa, rasteira e devotada aos interesses do partido que ele defende com unhas e dentes, o PSDB, que reiterou a nomeação de FHC — o Neoliberal I — para ser juiz do STF, um magistrado useiro e vezeiro em tentar desestabilizar os Poderes da República.

Resta-nos esperar pelo jogo de xadrez política que se apresenta para 2014. Marina já definiu sua posição ideológica, programática, partidária, e disse: “Nem oposição e nem situação; nem esquerda e nem direita”. Genial, não? Contudo, todo mundo sabe — até os recém-nascidos e os mortos mais antigos — que Marina Silva se exibiu sem propostas na Rio+20, além de fazer o jogo das ONGs estrangeiras alinhadas à agricultura europeia e estadunidense para que a poderosa agricultura nacional não domine mercados específicos deste setor em âmbito internacional. Todos nós sabemos que Marina Silva compôs com os tucanos e os seus apêndices PPS e DEM para derrotar a Dilma nas eleições de 2010. Todo mundo sabe que a ex-candidata verde, por conveniência, traiu o presidente trabalhista, Lula, depois de ser ministra do Meio Ambiente por seis anos, e, mesmo assim, obter péssimos resultados em comparação com o seu sucessor, Carlos Minc.

Minc, em quase dois anos, ou seja, em um tempo muito menor à frente do MMA obteve resultados, no que tange à preservação do meio ambiente — combate às queimadas, aos madeireiros, aos caçadores e multas pesadas aos fazendeiros que não tinham autorização para desmatar, e, criminosamente, poluir ou assorear rios, lagos, córregos e nascentes — muito melhores do que os de Marina Silva, que insiste em uma retórica sem fim, cansativa, enfadonha e nenhuma praticidade como comprovou quando foi ministra. Todo mundo sabe que a Marina Silva não passa de uma quinta coluna que atrai verdes do mercado de capitais e uma classe média ressentida e envergonhada de votar na direita, que entorta o nariz, porém, mais despolitizada (muito mais) que a maioria das pessoas moradoras de comunidades carentes do Rio de Janeiro que eu conheço.

E todo mundo sabe que os quase 20 milhões de votos que a Marina teve (60%) não são dela, mas sim dos eleitores conservadores, que, evidentemente, não iriam votar em Dilma. Eles pensaram que a Marina fosse superar o Serra ou ajudá-lo a ir para o segundo turno, o que aconteceu. Mesmo assim os dois candidatos de oposição acabaram com os burros n’água, pois derrotados pela realidade das conquistas econômicas e sociais efetivadas pelo governante trabalhista do PT. Marina Silva é o que é; porque sua ideologia e seus propósitos são o que são: oportunismo político, inveja da Dilma, traição a Lula e ao PT, ou seja, rancor, muito rancor e ressentimentos congelados no freezer, tal qual, volto a lembrar, o senador Cristovão Buarque (PDT/DF), que, demitido por Lula do Ministério da Educação, saiu do PT e foi fazer oposição ao lado dos tucanos derrotados pelas urnas e pelo povo brasileiro, que sabe que gente neoliberal suga o sangue do direito à cidadania e vende o patrimônio do Brasil.

Marina Silva tem um problema muito sério e grave: o povo do Acre (seu colégio eleitoral) não vota nela. Nas eleições de 2010, ela ficou atrás do Serra e da Dilma. O povo do Acre sabe quem ela é e por isso não a “compra” e nem a “vende”. Somente os burguesinhos verdes de etiqueta e butique e os reacionários de direita também “verdes” ou de outras cores, por oportunismo, votam nela. O sistema midiático neoliberal e de direita vai manipular e criticar açodadamente o governo, pois é de oposição. Contudo, não vai adiantar, porque fatos são fatos; realidades são realidades; e números e estatísticas são números e estatísticas. Não vai dar para mentir e dissimular indefinidamente, para sempre...

Os verdes e principalmente os neoverdes não têm compromisso com o povo brasileiro, com algumas exceções. Eles têm compromissos com os jabás das ONGs estrangeiras e brasileiras, que se dizem verdes e lutam para que o Brasil não se torne a maior potência agroindustrial do planeta, apesar de estar entre as três maiores, porque nós temos terra, água e sol, a base para que uma nação se torne independente e autossuficiente no que diz respeito à agricultura e à pecuária, bem como no que é relativo a outros segmentos do setor primário.

A senhora quinta coluna, Marina Silva, combateu Belo Monte e tenta atrasar o desenvolvimento da superagricultura brasileira, de forma que ela não se torne hegemônica no mundo. Mas vai ser, porque nós temos o que os outros países não têm. Volto a repetir: sol, água e chuva todo ano, além de terras imensas, agricultáveis e apropriadas ao plantio. Ainda temos a nossa Nasa, que é a Embrapa, empresa estatal de ponta, de alto rendimento, que deixa muita gente da oposição e da imprensa entreguista e subserviente com ódio ao tempo que frustradas e inconformadas.


Sorry, periferia. Marina Silva é uma tucana de bico verde como o é também o Cristóvão Buarque, que deveria sair do PDT, partido aliado do governo trabalhista em âmbito federal. Marina tem de ter o cuidado de não cair na Rede e sem base de sustentação e abraçada pela banqueira do Itaú e do empresário dono da Natura. Ela detesta o chavismo do PT e do Governo Federal, como disse recentemente. Por sua vez, Marina sabe, por ter sido ministra do Meio Ambiente, que Lula e Dilma estabeleceram limites e sempre atuaram e agiram politicamente de maneira autônoma e independente mesmo perante seus principais aliados em termos de América do Sul. Marina sabe disso. É que a política verde e também laranja quer agradar como música os ouvidos da direita. Marina, morena Marina, você se traiu... Agora, a pergunta que teima em não se calar: a quem representa, de fato, a senhora Marina Silva? É isso aí.

sábado, 24 de agosto de 2013

O DEBATE SOBRE A CHEGADA DE MÉDICOS CUBANOS É VERGONHOSO .

Em vez Havana?



Paulo Moreira Leite

Do ponto de vista da saúde pública, temos um quadro conhecido. Faltam médicos em milhares de cidades brasileiras, nenhum doutor formado no país tem interesse em trabalhar nesses lugares pobres, distantes, sem charme algum – nem aqueles que se formam em universidades públicas sentem algum impulso ético de retribuir alguma coisa ao país que lhes deu ensino, formação e futuro de graça.

Respeitando o direito individual de cada pessoa resolver seu destino, o governo Dilma decidiu procurar médicos estrangeiros. Não poderia haver atitude mais democrática, com respeito às decisões de cada cidadão.

O Ministério da Saúde conseguiu atrair médicos de Portugal, Espanha, Argentina, Uruguai. Mas continua pouco. Então, o governo resolveu fazer o que já havia anunciado: trazer médicos de Cuba.

Como era de prever, a reação já começou.

E como eu sempre disse neste espaço, o conservadorismo brasileiro não consegue esconder sua submissão aos compromissos nostálgicos da Guerra Fria, base de um anticomunismo primitivo no plano ideológico e selvagem no plano dos métodos. É uma turma que se formou nesta escola, transmitiu a herança de pai para filho e para netos. Formou jovens despreparados para a realidade do país, embora tenham grande intimidade com Londres e Nova York.

Hoje, eles repetem o passado como se estivessem falando de algo que tem futuro.

Foi em nome desse anticomunismo que o país enfrentou 21 anos de treva da ditadura. E é em nome dele, mais uma vez, que se procura boicotar a chegada dos médicos cubanos com o argumento de que o Brasil estará ajudando a sobrevivência do regime de Fidel Castro. Os jornais, no pré-64, eram boicotados pelas grandes agencias de publicidade norte-americanas caso recusassem a pressão americana favorável à expulsão de Cuba da OEA. Juarez Bahia, que dirigiu o Correio da Manhã, já contou isso.

Vamos combinar uma coisa. Se for para reduzir economia à política, cabe perguntar a quem adora mercadorias baratas da China Comunista: qual o efeito de ampliar o comércio entre os dois países? Por algum critério – político, geopolítico, estético, patético – qual país e qual regime podem criar problemas para o Brasil, no médio, curto ou longo prazo?

Sejamos sérios. Não sou nem nunca fui um fã incondicional do regime de Fidel. Já escrevi sobre suas falhas e imperfeições. Mas sei reconhecer que sua vitória marcou uma derrota do império norte-americano e compreendo sua importância como afirmação da soberania na América Latina.

Creio que os problemas dos cidadãos cubanos, que são reais, devem ser resolvidos por eles mesmos.

Como alguém já lembrou: se for para falar em causas humanitárias para proibir a entrada de médicos cubanos, por que aceitar milhares de bolivianos que hoje tocam pedaços inteiros da mais chique indústria de confecção do país?

Denunciar o governo cubano de terceirizar seus médicos é apenas ridículo, num momento em que uma parcela do empresariado brasileiro quer uma carona na CLT e liberar a terceirização em todos os ramos da economia. Neste aspecto, temos a farsa dentro da farsa. Quem é radicalmente a favor da terceirização dos assalariados brasileiros quer impedir a chegada, em massa, de terceirizados cubanos. Dizem que são escravos e, é claro, vamos ver como são os trabalhadores nas fazendas de seus amigos.

Falar em democracia é um truque velho demais. Não custa lembrar que se fez isso em 64, com apoio dos mesmos jornais que 49 anos depois condenam a chegada dos cubanos, erguendo o argumento absurdo de que eles virão fazer doutrinação revolucionária por aqui. Será que esse povo não lê jornais?

Fidel Castro ainda tinha barbas escuras quando parou de falar em revolução. E seu irmão está fazendo reformas que seriam pura heresia há cinco anos.

O problema, nós sabemos, não é este. É material e mental.

Nossos conservadores não acharam um novo marqueteiro para arrumar seu discurso para os dias de hoje. São contra os médicos cubanos, mas oferecem o que? Médicos do Sírio Libanês, do Einstein, do Santa Catarina?

Não. Oferecem a morte sem necessidade, as pragas bíblicas. Por isso não têm propostas alternativas nem sugestões que possam ser discutidas. Nem se preocupam. Ficam irresponsavelmente mudos. É criminoso. Querem deixar tudo como está. Seus médicos seguem ganhando o que podem e cada vez mais. Está bem. Mas por que impedir quem não querem receber nem atender?

Sem alternativa, os pobres e muito pobres serão empurrados para grandes arapucas de saúde. Jamais serão atendidos, nem examinados. Mas deixarão seu pouco e suado dinheiro nos cofres de tratantes sem escrúpulos.

Em seu mundo ideal, tudo permanece igual ao que era antes. Mas não. Vivemos tempos em que os mais pobres e menos protegidos não aceitam sua condição como uma condenação eterna, com a qual devem se conformar em silêncio. Lutam, brigam, participam. E conseguem vitórias, como todas as estatísticas de todos os pesquisadores reconhecem. Os médicos, apenas, não são a maravilha curativa. Mas representam um passo, uma chance para quem não tem nenhuma. Por isso são tão importantes para quem não tem o número daquele doutor com formação internacional no celular.

O problema real é que a turma de cima não suporta qualquer melhoria que os debaixo possam conquistar. Receberam o Bolsa Família como se fosse um programa de corrupção dos mais humildes. Anunciaram que as leis trabalhistas eram um entrave ao crescimento econômico e tiveram de engolir a maior recuperação da carteira de trabalho de nossa história. Não precisamos de outros exemplos.

Em 2013, estão recebendo um primeiro projeto de melhoria na saúde pública em anos com a mesma raiva, o mesmo egoísmo.

Temem que o Brasil esteja mudando, para se tornar um país capaz de deixar o atraso maior, insuportável, para trás. O risco é mesmo este: a poeira da história, aquele avanço que, lento, incompleto, com progressos e recuos, deixa o pior cada vez mais distante.

É por essa razão, só por essa, que se tenta impedir a chegada dos médicos cubanos e se tentará impedir qualquer melhoria numa área em que a vida e a morte se encontram o tempo inteiro.

Essa presença será boa para o povo. Como já foi útil em outros momentos do Brasil, quando médicos cubanos foram trazidos com autorização de José Serra, ministro da Saúde do governo de FHC, e ninguém falou que eles iriam preparar uma guerrilha comunista. Graças aos médicos cubanos, a saúde pública da Venezuela tornou-se uma das melhores do continente, informa a Organização Mundial de Saúde. Também foram úteis em Cuba.

Os inimigos dessas iniciativas temem qualquer progresso. Sabem que os médicos cubanos irão para o lugar onde a morte não encontra obstáculo, onde a doença leva quem poderia ser salvo com uma aspirina, um cobertor, um copo de água com açúcar. Por isso incomodam tanto. Só oferecem ameaça a quem nada tem a oferecer aos brasileiros além de seu egoísmo.

O ultrajante jornalixo da CBN (a rádio que TROCA notícia).


Por : Rafael Patto


Como de costume, eu não vou colocar o link aqui porque este mural não é aterro sanitário, mas eu ouvi hoje uma conversa do Carlos Sardenberg (o “analista” dos gráficos birutas do Jornal da Globo) com o Merdal Pereira (o bolagateiro do FHC) que me deixou incrédulo. A conversa foi ao ar, ao vivo, na quarta-feira da semana passada (14/08), e os dois bons amigos conversaram informalmente sobre “amenidades”: o destino que terão as vidas de seres humanos que estão sendo julgados pelo STF na AP 470.


É triste ver picaretas travestidos de jornalistas abordarem de forma tão irresponsável um assunto que requereria tanta sobriedade. Os réus são tratados como inimigos pessoais e, por isso mesmo, o que se quer não é justiça, mas sim punição, a qualquer custo. E que seja rápido! Os dois amigos, confessamente ávidos por verem os réus “em cana” (sic), se assumem despudoradamente como torcedores e não como “analistas”. Eles acompanham um espetáculo e anseiam pelo gran finale. Sequer fingem qualquer distanciamento. Não. Eles querem algemas para os réus e reclamam da demora para a conclusão do julgamento, alegando que essa tal demora pode passar a ideia de que o Supremo está sendo leniente (o curioso é que eles não falam da leniência do Supremo em relação aos réus do processo do MENSALÃO TUCANO, que não tem ainda sequer uma data para começar, se é que acontecerá...).

Eu só me pergunto o seguinte: onde estavam José Dirceu e José Genoíno nos últimos 50 anos da História do Brasil? E onde estavam José Serra, Eduardo Azeredo e FHC? Genoíno e Dirceu lutaram contra a ditadura. Foram perseguidos, presos e torturados por isso. Serra fugiu. Azeredo, ninguém viu. E FHC se dedicava a plágios de textos acadêmicos. Uma coisa é certa: esses que estão sendo escalpelados pelo Supremo são os que sempre incomodaram os privilégios das oligarquias nacionais. É natural que nossas instituições, impregnadas pelos valores rançosos que definem o ethos dessa elite, não desperdiçariam a oportunidade de, ainda que tardiamente, punir seus inimigos por todos esses anos de insubordinação. Já em relação ao Serra, ao Azeredo e ao FHC, esses não têm com o que se preocupar. Eles sempre foram defensores dos interesses e privilégios dessa elite sorrateira e vingativa. E sádica! Eles jamais serão alvo de apostas entre dois “jornalistas”. Ao contrário: eles serão convidados para o jantar e para o brinde.

Pois sim, os bons amigos Sardenberg e Merdal Pereria falam descansadamente sobre as condenações dos “mensaleiros”, as quais serão comemoradas com um elegante jantar regado a bom vinho. Gente fina é outra coisa... Paga o vinho quem perder a aposta. Que aposta? Se os réus “irão em cana” até dezembro deste ano ou não... Se sim, Merdal ganha e Sardenberg paga. Se não, o contrário. Claro que Sardenberg quer que Merdal ganhe.

Então ficamos assim: o STF, em nome do ódio de classe nutrido pela elite brasileira,

promove um espetáculo de perseguição política e vingança contra lideranças que sempre lutaram ao lado do povo (o mesmo povo que sempre foi desprezado pelas instituições brasileiras) e a imprensa trata isso como um evento esportivo. “Jornalistas” fazem apostas como se fossem torcedores.

É aviltante perceber os sorrisinhos sádicos que o Sardenberg deixa escapar despreocupadamente enquanto calcula o prazo que ainda resta para os “mensaleiros irem em cana”. É muito descaramento. É muito despudor. A conversa que os dois travaram deveria ser privada. Eles tinham obrigação de saber que aquilo que eles se diziam não poderia jamais ser tornado público. Mas não, que pudor que nada, vale tudo no espetáculo da indecência e do escárnio contra sociedade brasileira. 

Eu chego a sentir fincadas no estômago de tanta indignação. Se você não sente, acesse o site da rádio que TROCA notícia e vote no vinho que você considera mais indicado para o grande jantar comemorativo que Sardenberg e Merdal Pereira farão na noite em que os “mensaleiros forem em cana”...

O “comentarista de vinhos” (seja lá o que isso for) da rádio dá três opções para os ouvintes elegerem uma. Interatividade é tudo... 
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Do site da CBN (não é mentira, eles tiveram mesmo a capacidade de fazer isso. Dê uma olhada na descrição dos vinhos e me diga se não é de corar de vergonha e ódio. Mal-aventurado o país que tem uma imprensa dessas):

Opções de vinho para a aposta entre Sardenberg e Merval Pereira
A aposta é a seguinte: se os mensaleiros 'entrarem em cana' até o fim do ano, Sardenberg pagará um vinho ao Merval. Caso contrário, Merval paga ao Sardenberg.

Jorge Lucki apresenta três opções: o barolo de Bartolo Mascarello, um camponês muito intelectual e politizado; o Châteauneuf-du-Pape, em homenagem à pureza e justiça de papa Francisco; por último, o vinho Borgonha é uma boa opção por ser produzido com a uva Pinot Noir, que reflete cruelmente o trabalho do produtor.
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Não recomendo a ninguém ouvir a conversa. Mas se alguém tiver o mau gosto que eu tive e resolver ir lá ouvir, peço, por favor, para não colar o link aqui nos comentários. Obrigado

Vargas e a revolução errada que o derrubou



Por : Paulo Moreira Leite

O aniversário do suicídio de Getúlio Vargas, que completa 49 anos, é e sempre será motivo de reflexões políticas indispensáveis. Mas esta é uma conversa difícil por uma razão simples. 

Poucos homens públicos e intelectuais tem contas a receber no debate sobre a herança Vargas. 
Muitos têm contas a pagar pelos erros e injustiças que cometeram. 

Um dos poucos homens públicos com coragem para fazer uma avaliação desprovida de preconceitos e segundas intenções, o advogado e antigo ministro José Gregori produziu linhas exemplares em seu livro de memórias, “Os sonhos que alimentam a vida.” Vale a pena recordar o que ele diz. É surpreendente. 

Na década de 1950, estudante da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a mais tradicional do país, Gregori era um líder estudantil vinculado a UDN, principal força de oposição a Vargas. 

O poder de sua oratória era tão grande que, certa vez, usando apenas as palavras e o apoio da platéia, o líder estudantil José Gregori conseguiu impedir um emissário de Vargas de falar aos estudantes.

Gregori estava na linha de frente das mobilizações que, em 1954, ajudaram a criar encurralar Getúlio.
Nas vésperas da tragédia, estava de viagem marcada para o Rio de Janeiro, capital do país, como uma liderança que iria participar de toda agitação civil-militar para forçar a renuncia de Vargas. 

“Abaixo a ilegalidade! Instaure-se a legitimidade,” chegou a dizer num comício. 
Meio século depois, o antigo líder estudantil Gregori se refere a morte de Vargas com palavras que, publicamente, nunca empregou antes. Recordando o que disse, viu e lembrou, diz no livro que com o passar dos anos chegou a conclusão de que ao participar do movimento anti-Vargas tinha “feito a revolução errada.” 
Descreve a noite da morte de Getúlio “como a mais triste que São Paulo já viveu.” 
Afirma que, embora pudesse ter convicções corretas, havia participado de um movimento “contra a história.” 
Ao fazer essa auto-crítica, diz Gregori, foi como se “me libertasse de um fantasma.”
O depoimento é importante quando se considera o personagem. Grande amigo de FHC, personagem destacado na luta pelos direitos humanos sob o regime militar, a atitude de Gregori chama atenção por suas companhias políticas. 

Numa instável aproximação ideológica com o pensamento conservador organizado em torno do Estado de S. Paulo, núcleo principal do anti-varguismo no país desde 1932, intelectuais e personalidades que mais tarde seriam identificadas com o PSDB ajudaram a construir e preservar a visão de Vargas como uma versão brasileira do fascismo. 

Essa noção se encontra em Boris Fausto, o mais importante e competente entre eles. No primeiro tomo da trilogia Getúlio, o escritor Lira Neto recorre a Boris Fausto para dizer que “por diferentes caminhos e diferentes conjunturas, brotaria o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o franquismo na Espanha, o salazarismo em Portugal e, em certa medida, com suas especificidades, o getulismo no Brasil.” 

Pesquisando os jornais no dia da morte de Vargas, em seu blogue de hoje o jornalista Mário Magalhães recorda que os principais veículos da época fizeram um coro unânime de oposição a Getúlio. 

A exceção, recorda Magalhães, era a Ultima Hora, jornal que o próprio presidente ajudou a lançar e financiava com ajuda de dinheiro público e empresários amigos. 

Você vê os jornais e pode pensar que Vargas era um presidente impopular. Pode achar, como é sempre mais confortável em eventos históricos, que “deu-se o inevitável.” Como era comum se dizer em 1964, após a morte de Jango: “Caiu de maduro.” Errado. 

Vargas foi um dos principais líderes políticos vinculados aos trabalhadores e aos mais pobres. Um dos poucos, em 124 anos de república. 

Chefe de governo revolucionário, ditador, presidente eleito, deixou um legado duradouro. Simplificando: como contestar a importância da Petrobras? O que dizer dos direitos trabalhistas num país que menos 60 anos antes da CLT aceitava a escravidão? 

Morto um ano depois da morte de Josef Stalin, Getúlio segue um personagem difícil de nossa história por uma razão muito simples. De uma forma ou de outra, grande parte das forças políticas em atividade naquela época atuaram para inviabilizar seu governo, forçar sua queda – passos que antecederam ao suicídio. Há algo pouco estudado na oposição a Vargas. 

É normal e aceitável que fosse combatido por conservadores, adversários assumidos de seu nacionalismo e sua atuação social. Estava na cartilha da UDN e seus aliados. 

O problema é que, em 1954, os comunistas também estavam contra Vargas. Eram diretos e radicais. A linguagem do partido era revolucionária e sua oposição a Vargas tinha tintas de muita ferocidade. 
Num primeiro momento, os jornais do PCB chegaram a comemorar a morte de Getúlio, aqui também tratado como ditador, revoltando uma população que destruiu a redação. 

Alinhado inteiramente ao comando do aparato comunista na União Soviética, naquele momento o PCB praticava a política da Guerra Fria. Definia Vargas como “agente do imperialismo,” para combate-lo pela esquerda, enquanto a UDN, a Casa Branca e os demais atacavam pela direita. 
Comunistas e conservadores, naquele momento, eram incapaz de enxergar o país com uma nação autônoma, em busca de seu desenvolvimento e com direito a própria soberania. Estavam convencidos, cada um a sua maneira, que era obrigatório alinhar-se e, em última análise, submeter-se. 
Partindo de pontos de vista ideologicamente diversos, ambos chegavam a uma ação comum contra um mesmo governo. 
O pensamento anti-Vargas nunca teve grande aceitação popular, mas deixou ideias e conceitos que fizeram sucesso no meio acadêmico e em nossas elites políticas. 

Noções como “populismo” foram assumidas à direita e à esquerda, como forma de desmoralizar sua herança política, dando caráter de demagogia a medidas de grande alcance na melhoria de vida da população, a começar pelo salário mínimo e o conjunto da CLT. 

Em novo casamento de conveniências, o combate a estrutura sindical, descrita como “herança fascista”, uniu adversários ideológicos em novas comunhões da vida prática, esquecidos de que boa parte da inspiração de Vargas, nesse terreno, e em outros, veio de Franklin D. Roosevelt e o New Deal. (O próprio Roosevelt achava que o New Deal devia muito ao que Vargas fizera no Brasil). 

À direita, Vargas e seus herdeiros eram inconvenientes porque já haviam “feito muito.” À esquerda, eram atacados porque haviam “feito pouco.”

Com tantas contas para ajustar, compreende-se que poucos herdeiros de nossa árvore ideológica mental tenham disposição para contar o que fizeram, falaram e ouviram.

sábado, 10 de agosto de 2013

LULA, 13 ANOS ATRÁS.


Por Rafael Patto

Fui à minha estante de livros pegar o “As grandes esperanças”, do Charles Dickens, para emprestar a um amigo e acabei encontrando um exemplar da saudosa Revista Bundas, número 34, de fevereiro de 2000, que publicou uma grande entrevista com o Lula.

Ainda bem que eu guardei essa revista porque é realmente uma entrevista histórica. Nela, Lula fala do PT, que completava 20 anos desde sua fundação; fala da imprensa brasileira; de Hugo Chávez e da esquerda latino-americana; do Fernando Henrique Cardoso e do patrimonialismo, clientelismo e coronelismo das oligarquias brasileiras, entre outros “ismos”, e muito mais.

A seguir, alguns trechos das respostas de Lula a essa entrevista memorável, que eu dividi por temas. O que aparece entre colchetes é acréscimo meu.

FHC , “o único que, saindo do nosso meio, venderia a sua alma”.

Minha decepção com determinadas pessoas se deve a vacilações delas em momentos decisivos. FHC chegou a participar dos encontros no Colégio Sion, com Sérgio Buarque de Hollanda, Mario Pedrosa, Lélia Abramo, fundando o PT, mas pra cabeça dele era muito difícil participar de um partido político que tivesse um metalúrgico como presidente. Isso era duro prum cara que estudou tanto. Ele pode ser o Príncipe da Sociologia, mas também é o rei da vaidade. Mario Pedrosa, Paulo Freire e Sérgio Buarque assimilaram o PT, ele não.

Durante muitos anos FHC foi considerado um dos grandes intelectuais brasileiros. Só não era o rei da Sociologia por causa do Florestan Fernandes [duas vezes deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores]. Mas nem todo sociólogo sabe fazer política. Parece que no curso que FHC fez não tinha a cadeira de Política, ou, se tinha, ele tirou zero.

Nós do PT poderíamos ter tido uma influência mais forte no governo Itamar. O PT tinha força, mas deliberamos por não participar e nos enfraquecemos. E aí figuras que não tiveram nada a ver com o impeachment, como FHC, ganharam destaque. FHC se aproximou de Itamar, que tinha poucos aliados, e ocupou espaços. Mas ele não tinha participado de nada daquilo. Inclusive, se não fosse a esquerda do PSDB, ele teria entrado na barca do Collor.

A Imprensa

Fui a um debate em Paris com Roberto Marinho e sabe o que ele disse, publicamente? “No Brasil havia três candidatos [em 89]. O governador Brizola vivia dizendo que ia fechar a Globo. O pessoal do PT, representado pelo Sr. Lula, vivia enterrando a Globo, passando em frente da sede do Jardim Botânico com meu caixão. O Collor era filho de um ex-amigo meu, falava fluentemente o inglês, então resolvi adotá-lo como candidato”.

Se um jornalista resolvesse escrever o “Notícias do Planalto” do governo FHC, vocês veriam que o resultado seria ainda pior que o do Collor. Vou contar uma história pra vocês. Junho de 1998. A Folha de SP publica uma pesquisa: “Lula tecnicamente empatado com FHC”. FHC chama a Brasília os donos dos principais canais de televisão: “Se vocês continuarem a falar da fome, do desemprego e da seca no Nordeste, o Lula vai ganhar as eleições e eu não estou disposto a ser candidato para perder. Então escolham outro candidato”. Esse foi o teor da conversa. Quase num passe de mágica, a fome saiu da TV, a seca desapareceu dos jornais, e ninguém mais falou em desemprego.

(Vladimir Sachetta, um dos entrevistadores, emendou: “Você contou esse episódio no Roda Viva e nenhum dono de jornal negou.”)

As elites

Agora por ocasião dos 500 anos do Brasil, estou lendo sobre as revoltas brasileiras. Muitas delas não foram nem contadas. Somente agora aprendemos a verdadeira história de Canudos, porque Antonio Conselheiro era apresentado como um bandido, monarquista inveterado. Zumbi era um monte de coisas, menos herói. Sabe o que mais me assusta? A competência da elite brasileira. Nomes que hoje estão no poder já eram o poder há 200 anos! Algumas famílias estão mandando desde a morte dos dinossauros. Lembrei de uma cena no comício das Diretas em 84, em Belo Horizonte, onde Tancredo Neves pega na minha mão e fala: “Lula, o que a gente faz com esse povo agora?” A elite brasileira que se colocava contra os portugueses queria liberdade mas não queria que o povo viesse junto. Índio, negro e pobre tinham que ficar fora do processo. Essa elite ainda mantém isso.

Qual a diferença entre São Paulo e o Rio Grande do Sul? É simples: a política gaúcha passa por Getúlio, Jango e Brizola [Olívio Dutra e Dilma Rousseff]. A paulista passa por Adhemar de Barros, Jânio Quadros e Paulo Maluf [Serra, Alckmin e FHC...].

Hugo Chávez

O Estadão e a Folha ficaram “nerviosos” porque falei bem do Chávez. Falei bem de um cara que ganhou as eleições com 57% dos votos, que conseguiu juntar toda a esquerda em torno dele, que fez campanha baseada na convocação de uma Constituinte para diminuir o poder das elites, que elegeu 90% dos membros dessa Constituinte, que ainda fez um referendo sobre essa Constituinte e conseguiu 80% de apoio, e que agora vai se candidatar de novo antes mesmo de terminar seu mandato. Porra, o Chávez é muito mais decente do que o FHC que tá aí esse tempo inteiro.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Importância da mãe na vida do filho

Com a correria dos dias, sempre sentimos que não temos tempo mais para nada e muitas vezes gostaríamos de ter mil clones.

Atualmente, muitas mulheres, necessitam dividir seus afazeres do trabalho com a tarefa de ser mãe, esposa, dona de casa e ainda conseguir tempo para cuidar da saúde do corpo, beleza e ainda um tempinho para a diversão Mas não podemos esquecer do principal: dos filhos.
As mães trabalhadoras devem compensar o tempo que permanecem longe dos pequeninos por inúmeros motivos.

“Prestar atenção ao que filho gosta de fazer, acompanhar seu desempenho na escola, alimentação e o mais importante, realizar tarefas ao lado da criança, sejam elas de lazer ou educação e responsabilidade”, alerta o psicólogo Alexandre Bez Alexandre, especializado em relacionamento na Universidade de Miami,
A mãe representa pontos cruciais na formação do ser humano, é a partir dos conceitos passados por ela que se desenvolverão habilidades no trato social, familiar, psicológico e até mesmo ambiental. A harmonia da casa, o bom relacionamento com o marido e a satisfação própria como mulher devem caminhar juntos para um ambiente familiar saudável. “Estes conceitos estão presentes na formação caráter, que são responsáveis pelo desenvolvimento da responsabilidade e crescimento pessoal de cada ser”, afirma o profissional. Relação intensa entre mãe e filho

A figura da mãe dentro de uma família é tão importante que chega a superar a figura paterna. De acordo com o especialista, a presença da mãe representa a continuidade da vivência no útero “Até os 3 anos de idade a criança se enxerga como uma extensão da mãe. Somente após essa idade e que o pai ganha espaço na personalidade do filho”, complementa o psicólogo. A ligação da mãe com o filho é mais intensa, pois foi no útero que o bebê recebeu seus primeiros cuidados, como a alimentação, calor, proteção e conforto. “É através do cheiro, da audição, do paladar que a criança se liga mais à mãe após o nascimento, pois foi dentro do corpo dela que ele sentiu essas primeiras sensações.

O ato de oferecer o peito e mamar já é uma ligação forte entre os dois”, explica Alexandre. Tempo X afeto. Como administrar? Nos casos dos bebês, o ideal é que as mães permaneçam no mínimo duas horas com a criança. Em muitos casos, a ausência faz com que os bebês se identifiquem com quem cuida como avós e babás, e acabem naturalmente rejeitando, o colo da mãe. Outra dica, é aproveitar a hora de dormir para cantar para o bebê, já que no útero ele estava habituado a ouvi-la. Nas crianças com idade de 3 a 7 anos, é realmente importante que a mãe participe de brincadeiras com os filhos.

A partir dessa idade até a pré-adolescência, a criança começa a entender e a sentir a necessidade da presença do pai, principalmente as meninas. Saber dividir o afeto Em muitos casos, as mulheres deixam os maridos de lado após o nascimento do primeiro filho. Para que a relação continue a dar certo, ela deve se dividir entre os cuidados com o bebê e a atenção ao marido, pois o primeiro passo para que o conceito família se estabeleça, é a união do casal. Bater para educar?


Um ponto que gera discussão na educação dos filhos é o ato de bater para educar. Alexandre afirma que dar um tapa é diferente do castigo e poucas vezes faz mais efeito para a criança. “Jamais parta para violência, ela gera revolta e desunião do lar. Uma palmada de leve no bumbum pode servir como advertência. Muitos ainda acreditam que um tapinha de leve no dorso da mão é inofensivo, mas a mão da criança ainda possui ossos finos em formação o que pode levar a uma fratura”, complementa o profissional.