domingo, 23 de junho de 2013

A TV organiza a massa


A mudança da grade de programação, com a troca da novela pelas manifestações “ao vivo”, na última quinta (20), é ainda mais emblemática. Sinalizou para o telespectador que algo de muito grave estava ocorrendo e ele deveria ficar “ligado na Globo” para “entender” a situação.

(*) Artigo publicado originalmente na Rede Brasil Atual.

"Este não foi um movimento partidário. Dele participaram os setores conscientes da vida política brasileira"(Editorial de O Globo, 2/4/1964)

A TV, chamada de “Príncipe Eletrônico” pelo sociólogo Octavio Ianni, está conduzindo as massa pelas ruas brasileiras. À internet coube o papel de convocar, à TV de conduzir.

Ao perceber que o movimento não tinha direção e poderia assumir bandeiras progressistas, as emissoras de TV, com a Globo à frente, passaram a conduzi-lo.

Nos primeiros dias, para as TVs, eram vândalos que estavam nas ruas e precisavam ser reprimidos. Reproduziam em linguagem popular o que pediam os editoriais da mídia impressa.

Não esperavam, no entanto, que o movimento ganhasse as proporções que ganhou. Longos anos de neoliberalismo exaltando o consumo e o individualismo tiraram de algumas gerações o prazer de fazer política voltada para a solidariedade e a transformação social.

Os partidos que poderiam ser eficientes canais de participação passaram a se preocupar mais com o jogo do poder do que com debate e o esclarecimento político, tão necessário na formação dos jovens.

Tudo isso estava engasgado. O movimento do passe livre serviu de destape. Reprimido com violência como queria a mídia, ele cresceu. Milhões foram às ruas em repúdio ao vandalismo policial daquela quinta-feira (13).

As bandeiras, ao se multiplicarem, diluíram. A história registra o surgimento, nesses momentos, de líderes carismáticos ou de militares bem armados para levar as massas à trágicas aventuras. Alemanha nos anos 1930 e o Brasil em 1964 são apenas dois exemplos.

Em 2013, quem assumiu esse papel foi a TV. Percebendo a grandeza física do movimento, mudou o discurso e passou a exaltar a “beleza” das manifestações. Ofereceu para elas as suas bandeiras voltadas para assediar o poder central.

O grito genérico contra a corrupção ecoa a tentativa de golpe contra o governo Lula em 2005, ensaiado pelos mesmos agentes de hoje. Naquela época o esforço era maior. A TV tinha de convencer a massa a ir para a rua. Em 2013 ela já estava caminhando, era só entregar as bandeiras.

É o que estão fazendo com todo empenho. A exaltação ao povo que “acordou” foi só o começo. O JN, na sexta-feira (14), censurou uma entrevista dada no Rio por uma integrante do Movimento do Passe Livre, Mayara Vivian. 

Enquanto ela falava dos ônibus, tudo bem. Mas a parte em que ela defendia a reforma agrária, a reforma política e o fim do latifúndio no Brasil foi cortada pela censura global. Esses temas não fazem parte das bandeiras da família Marinho.

A mudança da grade de programação, com a troca da novela pelas manifestações “ao vivo”, na última quinta (20), é ainda mais emblemática. Sinalizou para o telespectador que algo de muito grave estava ocorrendo e ele deveria ficar “ligado na Globo” para “entender” a situação.

Tanto entenderam que às 20h30 centenas, se não milhares de pessoas, continuavam a sair das estações do Metrô na Avenida Paulista. Iam se juntar aos “apolíticos” que hostilizavam os militantes partidários insuflados por “pitbulls” (jovens parrudos) estrategicamente postados ao longo da avenida. Pela minha cabeça passaram imagens das brigadas nazistas vistas no cinema.

Os cartazes tinham de tudo. Alguém disse que era um “facebook” real. Cada um “postava” na cartolina a sua reivindicação. E a TV até disso se aproveitou.

Na sexta pela manhã, Ana Maria Braga ensinava como as mães deveriam orientar seus filhos na confecção desses cartazes. Como o Movimento pelo Passe Livre já disse que não iria mais convocar novas manifestações, parece que a Globo assumiu o comando. Quando será o próximo ato? Saiba na Globo.

Fustigado nas ruas e nas telas, o governo para responder, tem de se valer da mesma TV que o ataca. Julgou, como julgaram outros governos, que isso seria possível e por isso não constituiu canais alternativos de rádio e TV capazes de equilibrar a disputa informativa (a presidente Cristina Kirchner não entrou nessa).

Sem falar na regulamentação dos meios eletrônicos cujo projeto formulado ao final do governo Lula está engavetado. Se houvesse sido enviado ao Congresso e aprovado, outras vozes estariam no ar. Teríamos mais chance de evitar o golpe anunciado.

* Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. 

A alternância do poder


A Alternância do poder e o perigo do  retrocesso


Luiz Berto em A COLUNA DE LUCIANO SIQUEIRA escreveu:

“Aberta a temporada de especulações sobre o pleito de 2014, tudo é legítimo e nada estranho – afinal, democracia tem de tudo e todos são livres para sonhar. Mas ninguém, por mais confiante e afoito que seja, pode desdenhar da definição exata do espaço que pretende ocupar no espectro político. É como um quebra-cabeça: cada peça tem que se encaixar onde cabe.”
E ai vem uma discursão sobre a alternância de poder. Porém isso exige uma oposição forte e com propostas consistentes e coerentes.

E com muita sabedoria escreveu Bruno Moser Nunes:

A alternância de poder só deve ocorrer quando for saudável para o país, e que não volte para a mão das elites que sempre dominaram e quebraram o Brasil.” Alternar poder para piorar a situação, não é o caminho. Pois acima de qualquer coisa, a democracia é a vontade popular e sobretudo da maioria. E a vontade do povo tem sido bem clara nos últimos 10 anos, pois nunca houve governos e presidentes tão bem aprovados na história do Brasil...

E o nosso grande problema  que nenhum outro nome se consolida na disputa além da Dilma, e que qualquer um dos outros nomes seria um risco à economia e ao projeto de Nação que estamos construindo.
E outra: alternância de poder varia de país para país, conforme cultura, costumes, vontades, e contextos. Na atual conjuntura do Brasil, depois de 200 anos de letargia sob  o domínio das elites, duas décadas perdidas (80 e 90), e em apenas 10 anos o Brasil começou a se desenvolver e andar pra frente, não deve voltar atrás, pelo contrário, serão necessários mais alguns bons anos de governos populares pra consertar tudo o que foi feito e o que não foi feito pelos governos que não governavam para todos.

Na Arábia Saudita, por exemplo, nunca houve eleições diretas, sempre governadas pela monarquia da família Saúdi, e a mídia nunca falaram em alternância de poder ou nunca a chamou de ditadura, como se refere a países governados pela esquerda...

Portanto, alternância de poder depende de condições que a própria Nação pode oferecer, e principalmente, de insatisfação geral das pessoas, o que não é o caso do Brasil, onde ocorre justamente o contrário, governos com maior aprovação da história e que já vêm alternando de estilos, o que é bem saudável.”

Escreveu também sobre este assunto  Adelson Vidal Alves:

“Um dos pilares da democracia moderna que se reivindica é a chamada alternância do poder. A justificativa central se concentra no impedimento de que uma pessoa ou grupo político se perpetue no poder, impondo de forma excessivamente duradoura uma forma de governabilidade autoritária. No Brasil, a rotatividade no poder é garantida por uma lei que limita a reeleição de um candidato ao executivo a apenas uma vez. Não impede, contudo, que o mesmo partido do então candidato siga governando por tempo indeterminado.

Assusta-me, sobretudo, que a alternância do poder seja invocada por pessoas  de forma ainda mais desqualificada.

É bom que se diga que a alternância do poder é fruto de uma visão liberal de democracia. É justificável porque a direita insista tanto neste discurso, já que alternando grupos no poder, se impede que um projeto político se consolide, ou mesmo que se tenha tempo para se praticar mudanças mais estruturais na sociedade.

Não precisamos ir longe para entender a fúria da direita quando projetos alternativos e populares avançam no tempo e no poder. Hugo Chavez sofre forte pressão do imperialismo e da burguesia de seu país, sendo chamado de ditador, quando na verdade venceu todas as eleições por sufrágio universal, saindo vitorioso também em dois referendos revogatórios. Ainda sim é chamado de ditador.

Deixo na mão de
 Raphael Tsavkko o fechamento no seu artigo:

 ALTERNÂNCIA DE PODER COMO INSTRUMENTO DE CONTROLE BURGUÊS

“Alternância de poder é o nome bonito que a burguesia, a elite, usa para garantir que nenhum governo de Esquerda possa durar mais do que o tempo que esta elite permitir”.

Alternância de poder é a forma pela qual a burguesia faz parecer que respeita a democracia, criada por ela, a mesmo tempo em que nada muda. De forma inteligente, transformam a alternância em algo ligado apenas à pessoa, ao indivíduo, mas jamais ao partido ou ao grupo político em si.

A ideia de alternância é corrompida por uma elite interessada em se perpetuar.

A elite fabrica um número quase infinito de candidatos, investe quanto dinheiro tiver interesse neles e pode trocá-los de tempos em tempos, fazendo parecer que houve alguma alternância, quando, na verdade, mudou a figura teoricamente no poder, mas não a classe por trás, não os que se beneficiaram do governo e muito menos mudou o modelo, a estrutura.”

sábado, 22 de junho de 2013

A questão da vinda dos médicos cubanos para o Brasil



Por Pedro Saraiva
Olá Nassif, sou médico e gostaria de opinar sobre a gritaria em relação à vinda dos médicos cubanos ao Brasil
Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.
- O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
- Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.
- Portugal já importa médicos cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros. Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes deste fato). A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu trabalho.
- Acho que é ponto pacífico para todos que médicos estrangeiro tenham que ser submetidos a provas aí no Brasil. Não faz sentido importar profissionais de baixa qualidade. Como já disse, o próprio ministro da saúde diz concordar com isso. Eu mesmo fui submetido a 5 provas aqui em Portugal para poder validar meu título de especialista. As minhas provas foram voltadas a testar meus conhecimentos na área em que iria atuar, que no caso é Nefrologia. Os cubanos que vieram trabalhar em Medicina de família também foram submetidos a provas, para que o governo tivesse o mínimo de controle sobre a sua qualidade. 
Pois bem, na última leva, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui procurar dados sobre o Revalida, exame brasileiro para médicos estrangeiros e descobri que no ano de 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo de estranho em tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos estrangeiros? 
Seria bem interessante que nossos médicos se submetessem a este exame ao final do curso de medicina. Não seria justo que os médicos brasileiros também só fossem autorizados a exercer medicina se passassem no Valida? Se a preocupação é com a qualidade do profissional que vai ser lançado no mercado de trabalho, o que importa se ele foi formado no Brasil, em Cuba ou China? O CFM se diz tão preocupado com a qualidade do médico cubano, mas não faz nada contra o grande negócio que se tornaram as faculdades caça-níqueis de Medicina. No Brasil existe um exército de médicos de qualidade pavorosa. Gente que não sabe a diferença entre esôfago e traqueia, como eu já pude bem atestar. Porque tanto temor em relação à qualidade dos estrangeiros e tanta complacência com os brasileiros? 
- Em relação este exame de validação do diploma para estrangeiros abro um parêntesis para contar uma situação que presenciei quando ainda era acadêmico de medicina, lá no Hospital do Fundão da UFRJ. 
Um rapaz, se não me engano brasileiro, tinha feito seu curso de medicina na Bolívia e havia retornado ao país para exercer sua profissão. Como era de se esperar, o rapaz foi submetido a um exame, que eu acredito ser o Revalida (na época realmente não procurei me informar). O fato é que a prova prática foi na enfermaria que eu estava estagiando e por isso pude acompanhar parte da avaliação. Dois fatos me chamaram a atenção, o primeiro é a grande má vontade dos componentes da banca com o candidato. Não tenho dúvidas que ele já havia sido prejulgado antes da prova ter sido iniciada. Outro fato foi o tipo de perguntas que fizeram. Lembro bem que as perguntas feitas para o rapaz eram bem mais difíceis que aquelas que nos faziam nas nossas provam. Lembro deles terem pedidos informações sobre detalhes anatômicos do pescoço que só interessam a cirurgiões de cabeça e pescoço. O sujeito que vai ser médico de família, não tem que saber todos os nervos e vasos que passam ao lado da laringe e da tireoide. O cara tem que saber tratar diarreia, verminose, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Soube dias depois que o rapaz tinha sido reprovado.
Não sei se todas as provas do Revalida são assim, pois só assisti a uma, e mesmo assim parcialmente. Mas é muito estranho os médicos cubanos terem alta taxa de aprovação em Portugal e pouquíssimos passarem no Brasil. Outro número que chama a atenção é o fato de mais de 10% dos médicos em atividade em Portugal serem estrangeiros. Na Inglaterra são 40%. No Brasil esse número é menor que 1%. E vou logo avisando, meu salário aqui não é maior do que dos meus colegas que ficaram no Brasil. 
- Até agora não vi nem o CFM nem a imprensa irem lá nas áreas mais carentes do Brasil perguntar o que a população sem acesso à saúde acha de virem 6000 médicos cubanos para atendê-los. Será que é melhor ficar sem médico do que ter médicos cubanos? É o óbvio ululante que o ideal seria criar condições para que médicos brasileiros se sentissem estimulados a ir trabalhar no interior. Mas em um país das dimensões do Brasil e com a responsabilidade de tocar a medicina básica pulverizada nas mãos de centenas de prefeitos, isso não vai ocorrer de uma hora para outra. Na verdade, o governo até lançou nos últimos anos o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que oferece salários mensais de R$ 8 mil e pontos na progressão de carreira para os médicos que vão para as periferias. O problema é que até hoje só 4 mil médicos aceitaram participar do programa. Não é só salário, faltam condições de trabalho. O que fazemos então? vamos pedir para os mais pobres aguentar mais alguns anos até alguém conseguir transformar o SUS naquilo que todos desejam? Vira lá para a criança com diarreia ou para a mãe grávida sem pré-natal e diz para ela segurar as pontas sem médico, porque os médicos do sul e sudeste do Brasil, que não querem ir para o interior, acham que essa história de trazer médico cubano vai desvalorizar a medicina do Brasil. 
- É bom lembrar que Cuba exporta médicos para mais de 70 países. Os cubanos estão acostumados e aceitam trabalhar em condições muito inferiores. Aliás, é nisso que eles são bons. Eles fazem medicina preventiva em massa, que é muito mais barata, e com grandes resultados. Durante o terremoto do Haiti, quem evitou uma catástrofe ainda maior foram os médicos cubanos. Em poucas semanas os médicos dos países ricos deram no pé e deixaram centenas de milhares de pessoas sem auxílio médico. Se não fosse Cuba e seus médicos, haveria uma tragédia humanitária de proporções dantescas. Até o New England Journal of Medicine, a revista mais respeitada de medicina do mundo, fez há poucos meses um artigo sobre a medicina em Cuba. O destaque vai exatamente para a capacidade do país em fazer medicina de qualidade com recursos baixíssimos (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1215226). 
- Com muito menos recursos, a medicina de Cuba dá um banho em resultados na medicina brasileira. É no mínimo uma grande arrogância achar que os médicos cubanos não estão preparados para praticar medicina básica aqui no Brasil. O CFM diz que a medicina de Cuba é de má qualidade, mas não explica por que a saúde dos cubanos, como muito menos recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, tem índices de saúde infinitamente melhores que a do Brasil e semelhantes à avançada medicina americana (dados da OMS).
- Agora, ninguém tem que ir cobrar do médico cubano que ele saiba fazer cirurgia de válvula cardíaca ou que seja mestre em dar laudos de ressonância magnética. Eles não vêm para cá para trabalhar em medicina nuclear ou para fazer hemodiálises nos pacientes. Medicina altamente tecnológica e ultra especializada não diminui mortalidade infantil, não diminui mortalidade materna, não previne verminose, não conscientiza a população em relação a cuidados de saúde, não trata diarreia de criança, não aumenta cobertura vacinal, nem atua na área de prevenção. É isso que parece não entrar na cabeça de médicos que são formados para serem superespecialistas, de forma a suprir a necessidade uma medicina privada e altamente tecnológica. Atenção! O governo que trazer médicos para tratar diarreia e desidratação! Não é preciso grande estrutura para fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!
Que venham os médicos cubanos, que eles façam o Revalida, mas que eles sejam avaliados em relação àquilo que se espera deles. Se os médicos ricos do sul maravilha não querem ir para o interior, que continuem lutando por melhores condições de trabalho, que cobrem dos governos em todas as esferas, não só da Federal, melhores condições de carreia, mas que ao menos se sensibilizem com aqueles que não podem esperar anos pela mudança do sistema, e aceitem de bom grado os colegas estrangeiros que se dispõe a vir aqui salvar vidas.
Infelizmente até a classe médica aderiu ao ativismo de Facebook. O cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook, repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é Facebook morre à míngua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano.

Por :Cauê Madeira

 

O gigante foi criado a leite com pera e Ovomaltine na geladeira

Militantes das antigas, comunistas comedores de criancinhas, políticos corruptos e malvados em geral: tremei! O gigante acordou.

Acordou, de fato, não há o que se discutir quanto a isso. Mas acho que acordou com amnésia. Ou o gigante esqueceu da história recente do país ou talvez não a tenha vivenciado. Estava dormindo, afinal de contas.

O gigante também quer brigar contra o que está errado, mas não entende muito bem o que está acontecendo. Acho que ele acordou assim meio de supetão  no susto. Ouviu uma gritaria, uma certa baderna e à princípio achou ruim – quem gosta de baderna? Mas depois que viu algumas pessoas apanhando da polícia sem qualquer motivo aparente, mudou de ideia e resolveu participar.

Foi assim que descobriu um pessoal brigando por seus direitos. Mas no calor do momento ele não pôde parar para entender o que de fato estava acontecendo. Simplesmente entrou na dança.

Correndo ali no meio do povo, o gigante ouviu dizerem que todo o vuco-vuco era para baixar o preço da tarifa do transporte público, que havia subido vinte centavos. Aquilo era meio estranho pro gigante, pois ele nunca andou de ônibus e alguns centavinhos para ele era mixaria.

Foi aí que ele ouviu alguém gritar: “É mais do que vinte centavos!” e tudo fez sentido. Gigantes, você deve saber, têm dificuldade para interpretar as coisas, por isso ele entendeu que aquela era a hora de lutar por TUDO de uma vez só: saúde, educação, salários justos, etc.
Em meio àquele carnaval ideológico, o gigante se sentiu em casa. Escreveu cartaz, pintou a cara e se vestiu de branco. Até que finalmente encontrou uma causa ainda mais nobre para defender: chegara a hora de lutar contra o verdadeiro Mal.

Gigantes não compreendem nuances de pensamento. Eles são maniqueístas por natureza, por isso precisava de um vilão bem malvado para lutar contra. Imagine como ele ficou contente ao sussurrarem em seu ouvido: o governo atual é o vilão, pegou dinheiro do povo. E como ele esteve dormindo por tanto tempo, achou que foi o partido do governo que inventou a corrupção, e que antes deles nada disso tinha ocorrido no Brasil.

E quem pode culpar o gigante? Poxa, ele não sabe das coisas. No fundo ele é bem intencionado, se você pensar bem: quer acabar com a corrupção, quem poderia ser contra isso?




Então o gigante avistou um monte de bandeiras vermelhas, cada uma com uma sigla totalmente diferente da outra, mas como ele não sabia ler direito, achou que todas eram a favor do governo, achou que todas representavam o Mal. E se chateou, pediu para baixarem a bandeira.

Amigos compatriotas, vermelho é mal. Como vocês podem defender algo assim? Não pode! – bradava o gigante.

O pessoal não quis ouvir o grandalhão. Até tentaram explicar o conceito de democracia pro gigante, mas o blá blá blá acabou por irritar o colosso ainda mais, que bateu nos manifestantes sem a menor cerimônia. Gigantes são assim: muito fortes, bastante estabanados e têm um pavio muito curto.

O gigante tem fome.

Mas quem poderia culpar o gigante? Ele dormiu durante as aulas de História, por isso não sabia que aquelas pessoas estavam acordadas muito antes dele. Já tinham lutado muito, conquistado direitos, derrubado governantes. Mas para ele isso tudo não queria dizer nada.
O que poucos sabem, entretanto, é que gigantes são muito vaidosos. E toda aquela confusão que ele já tinha causado acabou chamando a atenção da mídia. Só que ao invés de contrariá-lo, a mídia resolveu bajular o gigante. Disse que aquilo que ele estava fazendo era o certo, e o gigante ficou todo cheio de si.

Papai gigante chegou.


Gigantes gostam de ser tratados assim, com todo o carinho. Experimente dizer “não” a um gigante. Não dá certo. Gigantes foram criados na base do leite com pera e Ovomaltine na geladeira. Quando vão no supermercado com os pais, sempre saem com um brinquedo novo. Quando vão para a balada, acreditam que todas as meninas são obrigadas a dar atenção pra ele. E se por acaso forem contrariados, os gigantes brigam. Brigam muito, esperneiam, se jogam no chão, batem, quebram tudo. Se a briga não der certo, chamam os pais. Aí a coisa fica séria, pois os pais dos gigantes são gigantes também, mas têm muito mais poder. Normalmente mais dinheiro, mais influência, mais cara-de-pau.

Todos achavam que o gigante acalmaria em algum momento, mas aí a tal da manifestação da tarifa deu certo: reduziram o preço pago pelo transporte público. Foi a maior festa. Só que o gigante queria mais, não podia simplesmente parar ali. Finalmente ele estava acordado, não queria dormir de novo.

Por favor não julgue o incompreendido gigante. Faltou educação, faltou mais carinho e menos mimos. Tente entender o lado do gigante: um belo dia ele acorda e vê que o povo tem poder. E assim, sem entender, ele se envolve com a luta e consegue atingir um dos principais objetivos. Ora, não tem nada que um gigante goste mais do que quando cedem a seus pedidos. Por isso ele acabou se descontrolando de vez.

Começou a carregar placas de tudo quanto é tipo. Falaram de um tal de PEC e que isso era ruim. Ele passou a ser contra. Falaram que a Copa era ruim, ele gritou contra. Falaram que os médicos de Cuba queriam roubar emprego dos médicos brasileiros, e o gigante gritou contra. Falaram que o melhor era tirar os vermelhos do poder, e então ele passou a gritar pelo impeachment da presidenta – mesmo sem ter nenhuma proposta do que fazer depois que ela saísse do poder. Mas ele gritou mesmo assim.




E foi aí que resolveram fazer o gigante de bobo de vez. Pois gigantes são, como eu falei antes, muito fortes e maniqueístas, estão sempre preocupados em fazer o Bem e lutar contra o Mal. Mas são ingênuos, coitados. É só fazer um carinho aqui, um lero-lero ali e eles já ficam todo abertos. E a tal da mídia – amiguinha do gigante – tinha um plano. Sabendo que o gigante estava todo cheio de “causas”, apresentou para o grandalhão um amigo de longa data, o Novo Candidato. Era um fulano genérico, sem bandeira de partido nenhum. Vestia branco e dizia que o Brasil não tinha que ir pra esquerda nem pra direita: tinha que ir pra frente. O gigante foi ao delírio.

Diziam que esse cara era do Bem. Com “B” maiúsculo mesmo. Daqueles que acredita na família tradicional, no avanço do país. É totalmente contra a corrupção, contra os vermelhos, contra todo mundo que visa desestabilizar o modo Do Bem de viver que o gigante levava. Com um amigo grande, forte e meio burro como esse, foi muito fácil para o Novo Candidato chegar ao poder.

Ele falou pro gigante que ter partidos era ruim e o gigante acreditou. No dia seguinte não haviam mais partidos políticos no Brasil.

Ele falou pro gigante que baderneiro tem que levar bala mesmo e o gigante concordou. No dia seguinte qualquer tipo de manifestação estava proibida.

Ele falou pro gigante que toda essa burocracia era ruim pro país e o gigante entendeu. No dia seguinte o Congresso Nacional, as assembleias legislativas e câmaras de vereadores amanheceram fechadas.

O Novo Candidato fez uma limpa. Apagou todo mundo que pensava diferente, jogou os pobres numa vala qualquer e chamou o gigante para um coquetel. Para comemorar o Novo Brasil.
O gigante se sentia satisfeito. Na noite do coquetel ele comeu e bebeu muito. Sentia que tinha feito algo muito importante pelo país e estava orgulhoso. Ao mesmo tempo se sentia cansado, com dores pelo corpo todo. Percebeu que há muito não parava, há muito não descansava.
Agora o país estava em boas mãos, finalmente.


E então o gigante dormiu de novo.

O Analfabeto Político

Francisco Pantera - O Analfabeto Político

Não é preciso ser PHD
Doutor, professor, astronauta, ou juiz de distrito
Mas, “o pior de todos os analfabetos
É o analfabeto político”
Ele é um desgraçado
Na História está escrito.

“Ele não ouve, não fala
Nem participa dos acontecimentos políticos”
É um idiota...
Carregado por seus cambitos
Não sabe que é responsável
E é um agente do mundo dos malditos.

O analfabeto político
Da humanidade é um bregueço
É uma ilha perdida
No meio do universo
Por causa da sua omissão
Do mundo civilizatório o canalha é o inverso.

Confunde política com politicalha
Para ele todo político é igual
Sua mente é moldada
Pra ser um alienado do espaço sideral
Não entende o energúmeno
Que a política deve ser encarada como uma ciência social.

“Ele não sabe o custo de vida,
O preço da carne, do arroz, do feijão”
Quando se fala em política
Ele faz a maior confusão
Se o país está bem ou está ruim
Deveria saber que teve a política no centro da decisão.

Não é preciso ser partidário, candidato ou exercer mandato.
O indivíduo tem que exercer o seu papel de cidadão
Vivemos numa sociedade contraditória
Tem pilantra em toda e qualquer profissão
Assim é a sociedade capitalista
Quando não participamos da vida política, a política serve ao ladrão.

Quando decidimos fazer qualquer coisa
Nós tomamos uma decisão
Tomamos uma opção política
Queiramos ou não
A política está na família, no estado, no amor, na arte, na religião...
Ela está presente em toda e qualquer instituição.

Não interessa o que você seja
Você é um agente político em ação
Você faz parte da história
Você pode junto com outros homens fazer revolução
O que move a humanidade
É a sede por transformação.

Ele é um animal irracional
“O analfabeto político é tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo que odeia política”
Não sabe o quadrúpede que da história ele é um pulha
Um animal que vegeta
Que a humanidade entulha.

Não sabe que as guerras do nosso tempo
São provocadas por forças colossais
Que a ganância imperialista
Provoca desgraças sociais
Que o capitalismo selvagem
É o responsável pelos grandes desastres ambientais.

“O homem é um animal político”
Afirmava Aristóteles em sua filosofia
É impossível viver sem a política
Em nosso dia a dia
“O homem é um ser social por natureza”
Na busca por um ideal pleno de democracia.

“Não sabe o imbecil, que da sua ignorância política, nasce à prostituta.
O menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista.
Pilantra, corrupto e lacaio.
Das empresas nacionais e multinacionais” do lucro oportunista
Aqui termino este simples cordel.

Homenageando Bertolt Brecht, o genial dramaturgo socialista.

DICAS IMPORTANTES PARA OS INICIANTES DE POLITICA NÃO PASSAREM VERGONHA !!!!!



Dicas  para os desinformados, ignorantes, para que não se transformem em massas de manobra:  

1) PRESIDENTE DA REPÚBLICA NÃO VETA EMENDA CONSTITUCIONAL. Sendo assim, não é para a Dilma que vocês têm que pedir a não aprovação da PEC 37 (ah, para quem não sabe, PEC significa Proposta de Emenda Constitucional), mas, sim, ao Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal).


2) PRESIDENTE DA REPÚBLICA NÃO TEM O PODER DE DETERMINAR A PRISÃO DE NINGUÉM (ainda bem, né?!). Por esse motivo, caso vocês queiram ver os "mensaleiros" (sic) na cadeia, terão que pedir isso ao idolatrado Ministro Joaquim Barbosa, pois é o Poder Judiciário (no caso dos mensaleiros, o STF) que tem competência para fazê-lo.


3) NÃO É O PRESIDENTE DA REPÚBLICA QUE ELEGE O PRESIDENTE DO SENADO. É o próprio Senado que escolhe o seu presidente. Assim, a Dilma não pode chegar lá no Senado e gritar: "Fora, Renan Calheiros".


4) TRANSPORTE PÚBLICO MUNICIPAL É DA COMPETÊNCIA (ADIVINHEM!) DO
S MUNICÍPIOS. Então, a pessoa mais indicada para resolver esse problema, a princípio, é o prefeito de cada cidade, e não a Dilma.

5) TAMBÉM NÃO É ATRIBUIÇÃO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA INSTAURAR CPI. Quem instaura CPI é o Poder Legislativo (no âmbito federal, a Câmara dos Deputados e/ou o Senado Federal).

6) O projeto de CURA GAY é de autoria de um deputado do PSDB . O Governo Dilma já se posicionou contra o projeto da Cura Gay, por meio da SDH. Cabe agora agora ao Presidente Nacional do PSDB e os afiliados do PSDB retirarem o Projeto de Cura Gay, pois o mandato é do Partido e não do Deputado do PSDB.
É hora de colocar cada exigência endereçada para as pessoas corretas!

Por : Ester Neves

Completando a aula de Ester:



Uma breve explicação para quem ficou em dúvida:
O Legislativo elabora as leis. Na cidade, quem faz as leis são os vereadores, nas câmaras municipais. No Estado, são os deputados estaduais, nas assembleias legislativas. No  DF enquanto ente federativo, tem deputados distritais, que elaboram leis comuns, de competência dos Estados e Municípios.A casa do Legislativo Distrital é chamada de Câmara Legislativa.
O Executivo executa as leis. Ele  responde também pela produção de todos bens e serviços públicos, cobrança de todos os impostos,  arrecadação de dinheiro e pagamentos de todos os investimentos e despesas, tanto na União, Estados e Municípios, os 3 níveis de governo.
O Judiciário tem por função aplicar a lei a fatos particulares e, por atribuição e competência, declarar o direito e administrar justiça. Resolve os conflitos que surgem na sociedade e toma as decisões com base na constituição, nas leis, nas normas e nos costumes, que adapta a situações específicas.
Os três poderes são independentes e harmônicos entre si.  Não há hierarquia entre eles.
E há quem diga que o Brasil tem um quarto poder:

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vejam a grande diferença.




 

1- Movimentos organizados pelo povo


Diretas Já


O movimento organizado por diversos setores da sociedade brasileira ,inúmeros partidos políticos de oposição ao regime ditatorial, além de lideranças sindicais, civis, artísticas, estudantes e jornalísticas.
Reuniram milhares de pessoas sem violência .Nem brigas com a polícia.E muito menos lojas saqueadas,vitrines quebradas,monumentos e prédios públicos depredados.Nada disso.



Fora Collor 

Foi um movimento político ocorrido no ano de 1992, onde milhares de brasileiros saíram às ruas em passeatas pedindo a saída do poder do então presidente da República Fernando Collor de Mello1 .
Foi fruto da indignação popular em relação ao grande esquema de corrupção, do congelamento das contas bancárias, da alta inflação. Com a comprovação do esquema de corrupção isso quer dizer que seu irmão sabia de tudo e teve que fazer uma boa ação antes de partir,, denunciado por Pedro Collor, irmão de Fernando Collor, que já estava em fase terminal de câncer, a sociedade indigna-se, a juventude vai a rua pedir o impedimento. Os grandes movimentos são organizados pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), DCEs, centros acadêmicos, grêmios livres, e do descontentamento popular em relação ao governo Collor. Sua origem tem bases nas famosas passeatas dos caras pintadas, aonde os populares saíam na rua com slogam contra o Governo. Daí desenvolveu-se ao movimento denominado Fora Collor, e dos escândalos de corrupção sobre seu tesoureiro, no caso, PC Farias.

2- Movimento organizado  usando o povo




MPL

O movimento teve a origem numa revindicação  justa.O movimento (MPL) apesar de ter uma bandeira não estava preparado para um movimento de tamanha proporção .Dai foi um prato cheio para os fascistas, a midia , a Rede Globo , os burgueses e seus filhinhos, tomarem o movimento .
Um movimento sem bandeira, sem partidos, sem sindicatos sem a presença de grupos organizados da sociedades ,só pode dar nisso.


Como muito bem escreveu Rafael Patto:
Essas “manifestações” são a expressão da abominação cognitiva, da abominação ética e da abominação política da classe média brasileira.
Jovens pautados pela Rede Globo. Só pode ser!!! Do contrário, como explicar que de uma hora para outra tenha aparecido um mar de cartazes contra a PEC 37? Parece que é uma forma de provar que as razões do “descontentamento geral” não se resumem mesmo apenas aos vinte centavos.

Então a Rede Globo se encarregou de soprar para esses jovens animalescos outras “bandeiras de luta”.