domingo, 10 de junho de 2012


           QUE MENSALÃO


No PT, desde a sua fundação, os filiados, os detentores de mandatos e os detentores de cargos públicos contribuem com uma porcentagem para a manutenção do Partido. Este dinheiro, conforme manda o estatuto partidário, é distribuído: nacional, estadual, regional e até zonal.

Quando falta dinheiro, não só para a estrutura partidária mas para eventuais despesas de campanha, muitas vezes o PT recorre a empréstimos.

Em 2005, a direita, descobrindo esta ajuda mútua entre as instâncias do PT, e também a candidatos da base aliada, coletou estas informações e tentou insinuar que o PT estava comprando deputados para votar a favor do governo. Apelidaram estes apoios financeiros internos de MENSALÃO.

No caso dos empréstimos, está lá registrado no banco o nome, endereço, número dos documentos etc.etc de quem sacou o dinheiro (se estes que sacaram não fizeram a prestação de contas deverão fazer). Portanto, não há qualquer irregularidade nisso. No entanto (Globo, Veja, DEM, PSDB, PPS e outros empresários de direita), sabendo destas contribuições internas, tentaram colar no PT uma prática delituosa.

Jogaram na mídia. A mídia, em especial (Globo, Veja, Estadão e outros), viraram partidos políticos de oposição ao PT, viraram delegados, viraram investigadores e viraram juízes, sem qualquer chance de defesa (igualzinho ao período da inquisição) e tentaram colar no PT, todos os males da terra, inclusive tentaram colar no PT práticas deles. A Mídia tentou fazer uma lavagem cerebral na população, dizendo que o PT é o mais corruptos da história brasileira.

Dava a impressão que a corrupção começou com a posse de Lula, no entanto a corrupção começou a ser descoberta a partir da posse do de Lula/PT no Governo Federal, antes ficava escondida. A Transparência criada pelo PT no Governo levou à descobertas de desvios quase centenários dentro do Governo, feitos em sua maioria, por empresários criminosos.

Por esta razão é que no governo Lula/PT e ainda agora no Governo Dilma/PT é que estão descobrindo os grandes roubos. Antes só eram presos “ladrões de galinhas”. Como o chamado “mensalão” foi uma farsa, hoje, todos os que, através de devaneios acusaram membros do PT, em especial o Zé Dirceu e o Delúbio Soares de criminosos, estão com dificuldade para justificar a acusação e a condenação pública que fizeram na época.

A direita está em desespero, chegando ao ridículo de tentar montar esquema para acusar o ex-presidente Lula, de interferência no Judiciário. Não podemos esquecer que, isso já aconteceu na questão dos falsos grampos no Supremo, e também do caso do esquema chamado de “Sanguessugas”, quando descoberto, já no governo Lula, o superfaturamento de ambulâncias feito em 2001, no então Governo FHC/SERRA/PSDB, respectivamente, Presidente da República e Ministro da Saúde. Neste caso segundo a mídia, o único culpado foi o churrasqueiro do Lula que queria divulgar o caso.

E, ainda, não podemos esquecer do caso do banqueiro Daniel Dantas, que foi solto por duas vezes pelo Ministro Gilmar Mendes e que o único culpado, execrado na mídia foi o delegado, que prendeu e algemou o banqueiro “suposto criminoso”.

Cada militante que achar importante discuta essa realidade e repasse para outros. Precisamos desmascarar a mídia e todos os criminosos.

POR :Nadir Cardozo dos Santos.
Advogado e Pedagogo – Florianópolis – SC."

sexta-feira, 8 de junho de 2012

FRANÇA ASSOCIA DOENÇA DE PARKINSON AO USO DE AGROTÓXICOS

Do site Ianotícia

Um decreto francês associa a doença de Parkinson ao uso de agrotóxico, afirmou o jornal francês Le Monde. A informação foi repercutida no Brasil entre agricultores familiares e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). No Espírito Santo, a notícia foi foi rapidamente repercutida entre movimentos camponeses que lutam pelo fim do uso de agrotóxico no Estado.

A informação entre os agricultores camponeses é que no País, assim como no Estado, faltam medidas que permitam a identificação das doenças geradas pelo uso de agrotóxico.

Segundo o Le Monde, na França, a atenção sobre a saúde dos agricultores tomou força após o processo movido pelo produtor de grãos Paul François, contra a gigante norte-americana Monsanto. A empresa foi julgada responsável pela intoxicação do produtor por meio da inalação do agrotóxico Lasso.

No dia 30 de abril, outra decisão condenou o Estado a indenizar um produtor de grãos de Meurthe-et-Moselle, que sofre de uma síndrome mieloproliferativa. A patologia foi associada ao uso de produtos que continham especialmente benzeno.

O decreto que reconheceu a relação entre o uso de agrotóxicos e o mal de Parkinson foi considerado uma vitória entre agricultores franceses e de outros países. Segundo a Associação de Fitovítimas, uma das primeiras a quebrar o silêncio sobre os impactos do agrotóxico na saúde humana, a inclusão do mal de Parkinson na lista de doenças ocupacionais do sistema agrícola facilitará os esforços dos agricultores. Com a informaçào, acredita-se que a doença será diagnosticada em menos de um ano após a utilização dos pesticidas, além de beneficiar o agricultor que ficar incapacitado de trabalhar.

A Mutual de Saúde dos Agricultores (MAS) também se manifestou sobre o artigo do jornal francês e afirmou que apenas 20 casos de mal de Parkinson foram relatados aos comitês de reconhecimento de doenças ocupacionais em uma década. Segundo os agricultores capixabas, esse número deve ser ainda maior.

A informação é que 4.900 doenças são reconhecidas a cada ano como doenças profissionais, porém, apenas cinco delas estão ligadas ao uso de agrotóxico oficialmente, entre elas, o câncer.

Segundo o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA-ES), além de casos de câncer, o uso de agrotóxico pode gerar a perda de membros, impotência, depressão e, pode também, levar ao suicídio. Para os agricultores, o número de agrotóxicos em uso no Brasil é tão grande que mesmo diante do descaso, quem tenta associar as doenças do campo ao uso de agrotóxico tem grande dificuldade.

De acordo com os dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), José Agenor Álvares da Silva, o País é responsável por 1/5 do consumo mundial de agrotóxicos, ou seja, consome 19% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo; os Estados Unidos, 17%; e o restante dos países, 64%.

Somente no ano de 2011, o Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do trabalhador do Ministério da Saúde, registrou 8 mil casos de intoxicação por agrotóxico no País.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mídia ajuda tucanos na CPI 

 

Por José Dirceu, em seu blog:
Há um esforço desesperado dos jornalões de atacar a figura do ex-presidente Lula, já entrando no clima das eleições quando ainda faltam meses para o início da campanha oficial.

O articulista e membro da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, abriu seu artigo em O Globo deste domingo acusando o presidente Lula de "estar desestabilizado emocionalmente" e de se esmerar "nos últimos dias em explicitar uma truculência política que antes era dissimulada em público ou maquiada".


A contribuição da Folha de S.Paulo também não se fez esperar: centrou a cobertura do Encontro do PT em que foi lançada a candidatura Haddad, no sábado, na ausência da ex-prefeita e senadora Marta Suplicy (PT-SP). A matéria não é sobre o lançamento da candidatura. É sobre a ausência da senadora.

O esforço permanente para jogar a presidenta Dilma contra Lula

Por que atacar com tanta insistência o ex-presidente? Por que continuam todos nessa linha de contrapor, intrigar, fingir aprovação ao governo Dilma - que também não aprovam -, criar divergência entre a presidenta e seu antecessor?

A explicação, como eu disse a vocês, está nas pesquisas sobre a eleição nas pequenas, médias e grandes cidades de todo esse Brasil, unânimes em apontar a força político-eleitoral do ex-presidente. Como uma que saiu no fim de semana, por exemplo, sobre a eleição em Campinas, maior cidade paulista depois da capital. Título de manchete na mídia campineira: “Pesquisa aponta que 37,5% dos eleitores “muito provavelme​nte” atenderiam pedido do ex-preside​nte por um dos candidatos”.

Isso mudaria totalmente o cenário da eleição local. O mesmo pode acontecer com o quadro em São Paulo. A última pesquisa a respeito apontou que nada menos que 48% do eleitorado paulistano pode votar num candidato indicado ou apoiado pelo ex-chefe do governo.

Centram baterias contra ex-presidente e poupam DEM-PSDB na CPI

Está aí a explicação para o recrudescimento do ódio midiático contra o presidente Lula. O fato incontestável aferido pelas pesquisas e comprovado pelo incômodo da imprensa é que o ex-presidente conta, é a força eleitoral predominante neste pleito.

Atacam-no pelo medo do seu papel nas eleições, ao mesmo tempo em que poupam o DEM e o PSDB nos malfeitos dos dois e atacam a CPI do Cachoeira. Até procuram dirigi-la, para ajudar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e os demais tucanos que, segundo as denúncias, estão envolvidos até o pescoço no esquema Carlos Cachoeira. Querem evitar o pior para eles. O que, ao que tudo indica, será impossível.

O dedo do Lula e o ódio de classe

 

Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.


Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.

A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revolução de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.

A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.

A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.

Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.

Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.

Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.

O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.

Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.

domingo, 3 de junho de 2012

Há pessoas cometas e há pessoas estrelas.
 
Os cometas passam, apenas são lembrados pela
data que retornam e depois desaparecem.

''As estrelas permanecem''.
Importante é ser estrelas, permanecer, ser calor, ser vida.
Amigo é estrela.
Os anos podem passar mas
as marcas ficam no coração
assim são os amigos
na vida da gente, pode se contar com eles.

São coragem nos momentos difíceis,
são luz nos momentos de desanimo.

Ser estrela nesse mundo de cometas é um
desafio, mas acima de tudo é uma recompensa.

É nascer e ter vivido e não apenas
"EXISTIDO"

Autor desconhecido

sábado, 2 de junho de 2012

E agora os tão esperados Mantras para 2012


 
   Seu Uso...
O Mantra...
 
Como Mantras Gerais para viver a virada de 2011 para 2012 e mesmo para promover uma comunhão sua com o Universo ao longo de 2012   use:


Eu Te Adoro 2012
e
Saborosas Manhãs 2012
 
Para Ajudá-lo a Melhorar Sua Vida Material
 
  Gumbelzin Ori Valimando
 
Para Pessoas que tem Dificuldade de Focar seus Objetivos e Levá-los Adiante



Pomtibilanin Giminuz

Para Mudar O Rumo Da Vida Para Melhor, Quando Se Esta Vivendo Grandes Dificuldade
Ediazemtuge Forinabi
 
Para Desenvolver Numa Pessoa A Capacidade Dela Administrar Melhor A Sua Própria Vida

 
 Zomor Lubine Gandiper
 
Para Fazer Você Se Tornar Um Negociador Bem Sucedido
 
 
Tiro Certo Governador
 
Para Forçar Situações de Prosperidade em sua Vida

 
 
Me Traz Um Sapo Doido

Para Energizar e Harmonizar Pessoas Com a Saúde Debilitada use:
A Doença Acabou e a Saude Chegou

Para Ajudar Crianças Lentas ou Hiperativas a Desenvolverem Excelentes Capacidades de Comunicação, de Realização e de Equilíbrio

Tunga Lunga Bunga Pongondonis
 
Para Anular Ansiedade e Pânico

 
Gonpel Ubgiden Zermuz Omsi

 
Para Forçar O Sucesso De Um Empreendimento

 
Mero Lero Gatozinbo

Para Forçar Um Acontecimento
Alonbegeni Zimbrid
Para Acelerar um Acontecimento Que Se Deseja
Ari Ari Ari Dunkon Bomgim Farzin
Para Ajudá-lo a se Preparar Para Provas e Concursos:

Gitepumi Zip
Para Obter Apoio Total do Universo nas Caçadas que Empreendemos pela nossa Felicidade
Diga Sério Comendador
Para Ajudá-lo a Reverter Disputas a seu Favor
To nessa Meu Chapa
  Para Seduzir Parceiros e Tornar A Relação Sólida e Intensa
 

Goufema Liames Zembin Pinfen Formemti

 
 
Instruções para uso dos Mantras
Para que um Mantra possa atingir o seu objetivo, promovendo no seu interior as transformações que irão ajudá-lo a atingir um estado de poder, repleto de tranqüilidade, harmonia e de realizações bem sucedidas, é fundamental que ele seja vivenciado regularmente por seu cérebro. Isto significa que ele precisa  “entrar em você” algumas vezes por dia através de
seus órgãos sensoriais. 
Para que isto aconteça faça o seguinte:
Crie comunicações visuais com o Mantra e as coloque e lugares onde, no seu dia a dia, você seja obrigado a lê-las. Por exemplo, coloque etiquetas adesivas com o Mantra por dentro de suas bolsas, pastas e agendas, de tal forma que ao abri-las seja sempre forçado a lê-las.
Todos os dias, pelo menos duas vezes por dia, fique diante de um espelho e pronuncie o  Mantra  olhando no fundo de seus olhos.
Todos os dias escreva o  Mantra , de dez a quinze vezes por dia, de uma forma lenta e profunda, apertando a ponta da caneta, ou do lápis, no papel. Esta não é uma regra rígida. Se num determinado dia só quiser escrevê-lo apenas  duas vezes, vá em frente e assuma a sua vontade. Mas, por outro, lado é fundamental que você o escreva pelo menos uma vez por dia, todos os dias.

Todos os dias pronuncie o  Mantra  várias vezes por dia, independentemente do exercício do espelho. Falar alto ou baixo é indiferente, desde que você procure sentir a vibração do som das palavras que forem saindo de sua boca.

Gilson Chveid Oen
Numerologia Científica e Engenharia Dimensional

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Agentes da tortura falam pela primeira vez: MP ouve depoimento de Guerra e Marival



Por Luiz Cláudio Cunha

Em sigilo, começou esta semana a autópsia da ditadura brasileira. Durante 16 horas de depoimento em Vitória, ES, ao longo de segunda (28) e terça-feira (29), o ex-delegado do DOPS Cláudio Antônio Guerra e o ex-sargento do DOI-CODI Marival Chaves Dias do Canto falaram pela primeira vez e formalmente ao Ministério Público Federal, na presença da coordenadora da Comissão Memória, Verdade e Justiça da Câmara de Deputados, deputada Luiza Erundina de Souza (PSB-SP).
Uma força tarefa de cinco procuradores do MP de quatro Estados (SP, RJ, MG e ES) foi enviada discretamente à capital capixaba pela subprocuradora geral da República, Raquel Elias Ferreira Dodge, para a inédita oitiva dos dois únicos agentes da repressão brasileira que ousaram testemunhar e confessar os abusos e crime praticados nos porões da ditadura. O depoimento de Guerra e Marival acontece apenas doze dias após a instalação oficial pela presidente Dilma Rousseff da Comissão Nacional da Verdade, ainda enrolada na discussão burocrática de seu regimento de trabalho.
Reprodução / Topbooks / iG


Cláudio Guerra, ex-delegado do DOPS | Foto: Reprodução / Topbooks / iG
Ninguém da imprensa teve acesso ou soube dos depoimentos em Vitória. Uma equipe da TV Câmara, que acompanhava Erundina e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), membro da Comissão Memória, Verdade e Justiça, não teve permissão dos procuradores para presenciar o ato. Uma equipe da própria Procuradoria Geral da República gravou os dois depoimentos na íntegra.
O ex-delegado Guerra, autor do livro recém-lançado Memórias de Uma Guerra Suja, em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, falou durante 12 horas — nove horas na segunda-feira, entre as 9h e as 18h, e outras três horas na manhã seguinte, respondendo a uma bateria de perguntas dos procuradores. Na tarde de terça-feira, entre as 14h e as 18h, o ex-sargento Marival deu o seu testemunho, o primeiro que faz desde a histórica entrevista que concedeu em novembro de 1992 ao repórter Expedito Filho, da revista Veja. 

No livro, o delegado do DOPS admite que matou com disparos à queima roupa, envolveu-se em atentados como o Riocentro e coordenou a incineração de corpos de presos políticos no forno de uma usina de açúcar em Campos, interior fluminense. Na revista, o sargento do DOI confirma, na frase dura que ilustra a reportagem de capa: “Eles matavam e esquartejavam”.
“É a primeira vez que o Estado brasileiro ouve formalmente os seus depoimentos”, observou o procurador Sérgio Gardenghi Suiama, que acompanhou o histórico evento na sede do Ministério Público Federal em Vitória, na companhia dos procuradores Antônio Cabral, Ivan Cláudio Marx, Silmara Goulart e Paulo Augusto Guaresqui. Os dois agentes da repressão falaram longamente sobre o que viveram e viram, apontando nomes e locais que servirão para instruir os três procedimentos criminais já abertos no MP.
Marival Chaves, sargento do DOI-Codi | Reprodução

Ex-sargento do DOI-CODI Marival Chaves Dias do Canto | Foto: Reprodução
Guerra, apesar de se sentir ameaçado por ex-colegas que serviram à rede do DOPS, DOI-CODI e SNI, dispensou a sua inclusão no Programa de Proteção a Testemunhas, instituído em 1998 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Apesar disso, a deputada Erundina, como coordenadora da Comissão Memória, Verdade e Justiça, formalizou ali mesmo, em Vitória, um pedido ao procurador da República em Campos dos Goytacazes, RJ, Eduardo Santos de Oliveira. “O depoente encontra-se sob frágil proteção policial executada pela PM do Espírito Santo”, ressaltou Erundina no ofício de terça-feira, 29, solicitando a cobertura da Polícia Federal ao ex-delegado.

“O Estado brasileiro, a partir desse ato formal perante o MP, é o responsável pela segurança pessoal de Guerra e de Marival e pela preservação dos locais e endereços onde foram praticados os crimes de tortura, morte e desaparecimento forçado”, observou Luiza Erundina, animada com as revelações detalhadas e as novas pistas oferecidas.

A deputada da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça espera, agora, que outras pessoas se inspirem no exemplo dos dois agentes da ditadura, contando o que viram e sabem sobre os porões da repressão. “Guerra e Marival provam que podemos e devemos buscar e revelar a verdade, por mais terrível que ela seja. A verdade está aí, basta ter vontade e coragem para ir atrás dela”.

Luiz Cláudio Cunha é jornalista
, (cunha.luizclaudio@gmail.com)