domingo, 27 de maio de 2012

Análise de sonhos


:: Silvia Malamud ::

Sonhos são mensageiros especiais para nós mesmos, portas escancaradas de acesso à nossa essência maior, às nossas múltiplas dimensões emocionais-espirituais e além. Observados como "portais" desde a mais remota antiguidade, esta potente ferramenta tem o poder de transformar radicalmente a existência de todo o que conscientemente a utilizar.

Acostumada a banalizar conteúdos e significados dos sonhos, a civilização ocidental perde referência sobre seu processo no plano terreno quando o olhar permanece apenas para o lado de fora. Conteúdos muitas vezes proféticos e altamente informativos advindos dos sonhos são observados como meros desenhos animados e a preferência é de tudo o que oferece compreensão exata, imediata, sem questionamentos maiores.

Entender sonhos é infinitamente mais simples do que se supõe. A falta de prática, porém, dificulta sobremaneira que estes sagrados mensageiros realizem suas importantes missões para o autoconhecimento.

A dificuldade de compreensão acerca dos "sonhos" ocorre durante período de vigília exatamente porque a mente racional, focada no padrão linear de entendimento, não reconhece a importância fundamental de outras realidades. A mente neste estado racional mente.

Traduzimos a realidade através das sensações, audição, olfato, tato e visão. Acostumamo-nos a ativar a compreensão do montante perceptivo tão rapidamente que sequer damos tempo para percebemos como essas sínteses acontecem e vamos direto expressando-as pela ordem do pensamento e fala. Incluindo em todo este montante, ainda somos assolados por redes associativas de conexões envolvendo experiências anteriormente vividas.

Todos estes outros sentidos de percepção possuem linguagens próprias de compreensão bem distantes da palavra falada ou pensada. O mesmo ocorre na linguagem dos sonhos, apenas com a diferença de que nos ensinaram a não prestar atenção nos mesmos. Desaprendemos a nos ler nessa ordem de conhecimento. Impossível, porém, negar ou não prestar atenção nos sonhos e em suas mensagens se inúmeras vezes passamos dias impregnados pelas sensações emocionais advindas e ainda que exista enorme tendência aprendida de banalizar estas importantíssimas vivencias, elas teimam sequencialmente em nos perturbar... Por que será?

Sonhos são tentativas que estes outros sistemas cerebrais nossos nos oferecem para compreensão maior sobre situações de interesse pessoal.
Exatamente todos os sonhos têm potencial transformador.

Existem inúmeros métodos para acessá-los e fazer uso dos mesmos. Sabemos que há vários tipos de sonhador: os que raramente sonham, aqueles que frequentemente sonham, até os mais conscientes dentro do universo onírico, incluindo as que literalmente sabem que estão sonhando durante um sonho; aqueles que movem o sonho dentro dos sonhos transformando-os, os que têm as conhecidas experiências "astrais" onde o experimentador conscientemente viaja para outros locais.

Possibilidades para a leitura e autoconhecimento através destes portais são infinitos. Particularmente, sou avessa a leituras prontas que dão significados ao que ocorre nos sonhos. Penso que as experiências e simbolismos são particulares dizendo respeito apenas e tão-somente ao sonhador. Não sempre e muito de acordo com a crença pessoal, alguns simbolismos universais podem ajudar no aspecto da compreensão e síntese do evento-experiência- sonho.

Aqui vão algumas dicas para quem se interessa em avançar neste tipo de conhecimento:
1- EMDR e Brainspotting: Terapêutica altamente potente e transformadora e conta com importante auxílio do profissional capacitado. Excelente para quem quer auxílio, foco, resolução e entendimento. (reprocessamento cerebral)
2- Existem livros e apostilas como "Sonho lúcidos em 30 dias", interessante para quem deseja aventurar-se por si mesmo. Se fizer passo a passo, os resultados tendem a acontecer.
3- Terapias convencionais que abrem espaço para este tipo de compreensão.
4- Grupos de estudos. Muito valioso e existem diversos grupos com diferentes abordagens, muitos dos sonhos são compartilhados no sentido de ativação dos mesmos onde o sonho compartilhado passa a ser de todos.
5- Logo ao acordar, ainda sob a influência do relaxamento advindo da noite, rememorar as cenas oníricas e anotar os eventos, com o tempo, ativa o descortinamento de um novo universo.

Existe um universo à sua espera pronto para conversar, para ser visitado. Se você de algum modo foi tocado, ouse nessa sua aventura terrena, que é única. Como benefício, o enriquecimento ilimitado. O templo da sincronicidade e das supostas coincidências terão espaço único de manifestação. Você efetivamente pode entrar para o lugar do conhecedor. A vida ganha novo colorido e as transformações, de verdade, têm chance de acontecer.

Boa sorte!

ARTIGO: A Procuradoria Geral da República e o mensalão


José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua*

O ex-Ministro do Trabalho Almir Paziannotto, no artigo “O STF e o mensalão“, publicado neste Estado de São Paulo em sete de maio passado, engrossou o coro de vozes que pressiona por um julgamento imediato.

O autor insinuou que o Ministro Lewandowski pertenceria à classe dos “juízes vagarosos”, relembrou supostas falhas históricas do Supremo, alertou do perigo da decisão ficar apenas para 2013 e defendeu a “pressão legítima” pela rapidez. Mas não mencionou um dado já bastante divulgado: o próximo marco prescricional virá somente no distante ano de 2015. Portanto, a ocorrência da prescrição não é motivo para se jogar pedras no gabinete do Ministro Revisor cobrando-lhe que devolva já o processo.

Celeridade é fundamental em qualquer julgamento, beneficia a sociedade e é especialmente buscada por réus que confiam na própria inocência. É errado dizer que a lentidão é desejada por todos os acusados na ação penal batizada de “caso do mensalão”. José Dirceu, apontado como o principal denunciado, desistiu de testemunhas que não foram localizadas, não ingressou com nenhuma questão de ordem ou recurso e compareceu pessoalmente na secretaria do STF para informar seu endereço e agilizar as futuras intimações.

É preciso, então, enxergar um pouco além. Os defensores da “pressão legítima” por rapidez no julgamento não querem somente celeridade processual. Além da imposição de uma data, exigem que o Supremo lhes entregue uma sentença condenatória. Constrói-se, em alguns setores da mídia e sociedade, a ideia de que os juízes do STF têm a obrigação de condenar todos os acusados, sob pena de traírem a pátria e enxovalharem a história do Tribunal.

Há de se conviver com essas manifestações, numa democracia qualquer ideia é aceitável, até as mais obscuras. Mas se a onda é fazer pressão pela condenação, porque não olhar um pouco para o trabalho do órgão responsável por promover a acusação? Sim, porque no caso do mensalão, a Procuradoria Geral da República (PGR) é a principal responsável pelo fato de o processo ainda não ter sido julgado. Inseriu quarenta acusados em uma única denúncia somente para criar a analogia com o bando de saqueadores da estória de Ali Babá.

Inacreditável? Ora, não há outra explicação para o fato de pessoas que sacaram valores no Banco Rural serem apontadas ora como testemunhas de acusação, exemplo de Áureo Marcato, ora como criminosos, como é o caso do réu Antonio de Pádua. Tanto não há diferença que a PGR pediu, ao fim do processo, a absolvição deste denunciado, admitindo que ele poderia se juntar a turma das simples testemunhas.
Se quisesse um julgamento rápido, a PGR poderia facilmente ter desmembrado a sua acusação, oferecendo denúncias separadas para episódios relacionados com pessoas que, já desde aquela época, não tinham foro privilegiado. Um bom exemplo é o caso da acusação lançada contra o publicitário Duda Mendonça. Envolve doze réus que não exerciam cargos públicos, poderia se desenvolver no foro comum. Mas não, o então Procurador Geral da República optou por “inchar” a denúncia até chegar ao número de quarenta acusados, desprezando possibilidades claríssimas de impingir celeridade e racionalidade na análise dos fatos.

Deixando de lado a questão da morosidade, é preciso lembrar que a PGR abraçou cegamente a tese da existência de compra de votos, mesmo ciente de que apenas o Deputado cassado Roberto Jefferson sustentava tal fato. Depois de um gigantesco trabalho investigativo, feito pela Polícia Federal e por duas comissões parlamentares de inquérito, tudo amplamente acompanhado pela imprensa, não havia outra prova ou voz nesse sentido, senão a do excelente orador que assumia agir por instintos primitivos.

O fato é que a PGR sequer tentou provar a existência da imaginada compra de votos. Talvez descrente de sua própria criação, não indicou parlamentares como testemunhas. Imputou a prática de corrupção no processo legislativo, mas não buscou ouvir um único membro do Congresso Nacional, nem mesmos os mais ferrenhos políticos de oposição ao Governo. Suas testemunhas basicamente foram Jeany Mary Corner e alguns gerentes do Banco Rural. Foram os acusados que trouxeram ao processo o testemunho de parlamentares das CPMIs da época, que atestaram a completa ausência de relação entre os saques de dinheiro e as votações.


Uma acusação fantasiosa inviabiliza o trabalho do acusador. As alegações finais da PGR não trazem a produção de um único testemunho ou documento justamente contra o réu apontado como “chefe da quadrilha”. Durante todo o longo processo a acusação simplesmente não fez provas contra o ex-Ministro da Casa Civil. Zero. Enquanto isso, dezenas de fatos surgiram no processo, mostrando, de forma ampla e exaustiva, que todas as acusações contra José Dirceu são improcedentes.

Não bastasse a proeza de não conseguir edificar uma só prova, as acusações feitas contra José Dirceu foram ignoradas pela própria PGR. A denúncia afirmava que o ex-Ministro da Casa Civil outorgou benefícios indevidos ao banco BMG e agia junto aos órgãos de controle financeiro para que não houvesse fiscalização nas operações de saques de dinheiro. E o que foi dito sobre isso ao fim do processo? Nada. Silêncio total. O atual Procurador Geral da República simplesmente se “esqueceu” destas acusações em suas alegações finais, como se estas graves imputações nunca tivessem sido escritas pelo seu antecessor.

Todo cidadão é livre para exercer a “pressão legítima” contra os Ministros do STF. Mas antes, até por uma questão de honestidade, seria bom questionar o que a PGR contribuiu para um julgamento rápido, se acertou ao construir suas teses acusatórias e como se saiu para prová-las.
* José Luis Oliveira Lima, 45, e Rodrigo Dall’Acqua, 35, advogados criminalistas e defensores do ex-ministro José Dirceu na ação penal nº 470 do STF.

sábado, 26 de maio de 2012

Jurista prega conciliação já na escola


Para a presidente do TSE, faculdades devem mudar ênfase do ensino de direito do litígio para a pacificação, o que ajudaria a acelerar os processos


A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia Antunes Rocha, disse ontem, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, que a reforma do Judiciário para dar mais celeridade à Justiça deve se iniciar não pelo telhado, mas pelas fundações. “As faculdades de direito precisam passar por uma transformação”, afirmou, referindo-se ao fato de que atualmente os alunos são ensinados a litigar, não a pacificar e a conciliar. “O futuro não comporta mais tanto litígio”, considerou, depois de lembrar que quando Gilmar Mendes assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) registrou 45 milhões de processos em andamento no país. Ao assumir, dois anos depois, o seu sucessor, Cezar Peluso, declarou haver 75 milhões de processos. “Isso significa que mais de um terço do país está litigando”, disse.

Cármen Lúcia lembrou que há 40 anos, quando ainda era estudante de direito e assistiu na PUC à palestra do então ministro do STF, Aliomar Baleeiro, a lentidão da Justiça já era criticada. “É preciso saber por que a morosidade da Justiça continua, por que há demora em dar resposta ao cidadão”, disse, afirmando ser necessário avaliar se o que se está ensinando nas bases é a litigância pela litigância, mesmo quando ela é de má-fé. “É preciso saber que Judiciário queremos, pois não basta que o cidadão tenha acesso ao fórum. É preciso ter respostas com a rapidez necessária”, disse. Segundo Cármen Lúcia, compete a todos os professores, entre os quais ela se incluiu, a formação de futuros advogados com uma nova mentalidade, de tal forma que situações cotidianas venham a ser solucionadas pela conciliação.

“Temos de começar pela transformação das faculdades, para a comunidade de direito do século 21, para os cidadãos do século 21”, afirmou, conclamando os estudantes a repensarem o que querem fazer, como querem viver e que tipo de serviço querem prestar para a sociedade. “O valor máximo da Constituição federal, assinalado já em seu preâmbulo, é uma sociedade justa. Que esses estudantes se comprometam com a causa da garantia da prestação jurisdicional mais eficaz, para uma sociedade mais justa”, concluiu.

Cármen Lúcia Antunes Rocha foi homenageada ontem pela Faculdade Mineira de Direito, da PUC, dentro do projeto de valorização de sua trajetória histórica. Também foram homenageados os professores Hugo Bengtsson Júnior, desembargador aposentado, e Juventino Gomes de Miranda Filho, advogado. O curso de direito da PUC Minas recebeu há pouco o selo OAB Recomenda, concedido pela Ordem dos Advogados do Brasil. O curso ficou em primeiro lugar entre as instituições de ensino superior particulares de Minas Gerais participantes das duas últimas edições do Exame Unificado de Ordem, aplicado pela OAB.

Contracheque Depois de ter saído à frente divulgando o próprio contracheque no site do TSE do primeiro dia de vigência da Lei de Acesso à Informação, Cármen Lúcia considerou ontem que a tendência é de que o tribunal siga o exemplo do STF que definiu, em reunião administrativa na terça-feira, pela liberação das informações sobre vencimentos dos ministros e dos servidores. “No caso do TSE, o encaminhamento é o mesmo, embora não tenha havido ainda a reunião administrativa. Todos os tribunais terão, cada um com a sua autonomia, de resolver como farão”, acrescentou.

Segundo Cármen Lúcia, no TSE foi criado um núcleo no qual o cidadão terá acesso às informações sobre tudo o que se passa na instituição. “Todos os contratos, todos os pagamentos, tudo o que acontece, enfim, para que o cidadão tenha acesso”, explicou, informando que o espaço físico para a prestação do serviço já foi delimitado no TSE. Na segunda será lançada uma linha telefônica na Corte por meio da qual as pessoas poderão demandar informações. O número é 30308000. Os dados também poderão ser pedidos pela internet.

Crime contra animais

A comissão de juristas que discute a reforma do Código Penal no Senado aprovou ontem a inclusão do crime de abandono de animais no texto do código. As propostas dos juristas precisam ainda ser votadas pelo Congresso para virar lei. Atualmente, o abandono pode ser incluído na lista dos crimes de maus-tratos contra os animais, previsto na legislação ambiental. Entretanto, o juiz pode entender que não houve o crime, já que ele não é citado explicitamente na lei. A pena prevista vai de três meses a um ano de prisão. Com a proposta aprovada ontem, o mero abandono passa a ser crime, com uma pena que vai de um a quatro anos de prisão – ou seja, quatro vezes maior do que atualmente.

Autora: Bertha Maakaroun

quarta-feira, 23 de maio de 2012

ABRAÇO....

O meu ABRAÇO nos humildes
O meu ABRAÇO naqueles cujo teto é uma marquise
O meu ABRAÇO nos miseráveis, excluídos
O meu ABRAÇO nas crianças sujas debaixo dos viadutos
O meu ABRAÇO nas mulheres agredidas
O meu ABRAÇO nos expulsos de suas humildes casas
O meu ABRAÇO nos trabalhadores incansáveis em suas lutas
O meu ABRAÇO nos justos que lutam por dias melhores
O meu ABRAÇO nos amigos e amigas dignos como são
O meu ABRAÇO nos que comigo trabalham
O meu ABRAÇO nos meus filhos amados
EU TE ABRAÇO, UNIVERSO....
(Wagner Marins)

terça-feira, 22 de maio de 2012

A violência simbólica do fundamentalismo religioso


Márcio Retamero: A violência simbólica do fundamentalismo religioso 

 Violência simbólica é um conceito do grande sociólogo francês Pierre Bourdieu. O conceito descreve os mecanismos de opressão entre dominadores e dominados, os primeiros impondo seus valores e culturas sobre os segundos. Para Bourdieu, "a violência simbólica expressa-se na imposição 'legítima' e dissimulada, com a interiorização da cultura dominante, reproduzindo as relações do mundo do trabalho. O dominado não se opõe ao seu opressor, já que não se percebe como vítima desse processo: ao contrário, o oprimido considera a situação natural e inevitável" (Nadime L'Apiccirella). "A manutenção do sistema simbólico de uma sociedade é vital para a sua perpetuação", afirma o sociólogo.

O conceito bourdieuano não me sai da cabeça desde que li os comentários dos leitores desta coluna na sua última edição. É impressionante como os dominados incorporam, sustém e reproduzem o discurso e as práticas dos dominados que os fazem sofrer! A chamada homofobia internalizada - precisamos refinar mais e escrever mais sobre este conceito - nasce desta violência simbólica e é imperceptível ao reprodutor da homofobia, pois é considerada por este como "natural e inevitável".

Para Bourdieu, as instituições sociais são as grandes perpetuadoras destes mecanismos de opressão, a igreja é um deles. É necessário que o povo LGBT, para romper de vez as algemas que ainda os escraviza, pense mais sobre tais estruturas de dominação e os mecanismos usados por elas com o único objetivo de manter "tudo como sempre foi". É a visão do dominador que deseja, para seu próprio benefício em detrimento e prejuízo para os demais - principalmente as chamadas minorias (negros, judeus, ciganos, deficientes, LGBT) manter "tudo como está".

Nós precisamos enxergar o quanto mal causa às pessoas LGBT o discurso religioso de tipo fundamentalista, ao invés de garantir a reprodução do tal discurso - verdadeiro grilhão - na vida de milhares de pessoas, inclusive, nas nossas.

Um leitor que usa o codinome "Boydog" me pergunta: "Você do cimo do seu púlpito aceitaria restrições?" Outro, chamado Rubens, se sentiu "injuriado" pelas minhas palavras! Rosseau escreveu: "O homem pensa que é livre, mas por toda parte está acorrentado!"

Nós não podemos garantir o discurso da liberdade religiosa e da liberdade de expressão, se isso significa garantir a eles o direito de violentar verbalmente as pessoas LGBT, como eu mesmo demonstrei através de comentários de tipo fundamentalista numa matéria que tratava do assassinato de uma travesti. A liberdade religiosa e a liberdade de expressão numa democracia de fato não é, e jamais será, uma carta branca ao opressor para, através do discurso, violentar o oprimido. Liberdade sem responsabilidade é anomia, não liberdade! Assim sendo, é preciso sim e urgente, mecanismos legais que coíbam o discurso violento seja ele laico (como os discursos dos "carecas", envenenado pelo discurso religioso), seja ele religioso (como o dos padres e pastores fundamentalista como Malafaia).

Pierre Bourdieu afirma: "É enquanto instrumentos estruturados e estruturantes de comunicação e de conhecimento que os 'sistemas simbólicos' cumprem a sua função política de instrumentos de imposição ou de legitimação da dominação, que contribuem para assegurar a dominação de uma classe sobre a outra (violência simbólica) dando o reforço da sua própria força às relações de força que as fundamentam e contribuindo assim, segundo a expressão de Weber, para a 'domesticação dos dominados'".

Não pense você que um adolescente gay não sofre consequências gravíssimas - seja psicológica ou física - depois que seus pais saem do culto dominical após terem ouvido por horas um pastor berrando que "homossexualismo é coisa do diabo, um pecado contra o Criador!" Não pense você que uma menina lésbica não sofre graves consequências depois de sua mãe ouvir pela TV ou rádio o discurso de um pastor que diz que homossexualismo (sic) é encosto de demônios.

Não pense você que famílias não são quebradas por tal discurso. Na verdade, tal discurso leva ao suicídio de centenas de pessoas LGBT e outras milhares são expulsos de seus lares e privadas do afeto de seus familiares por conta de tal discurso. Posso entrevistar milhares de pessoas aqui que passaram e ainda passam por um verdadeiro "vale da sombra da morte", justamente por conta da violência simbólica do fundamentalismo religioso!

Sei que sair da caverna é doloroso e que a alteridade é um processo complexo e difícil, contudo, nós, LGBT do Brasil, precisamos, "pra ontem", abrirmos nossos olhos para enxergar o que ocorre com o nosso povo de norte a sul deste imenso país! A omissão, bem como o silêncio conivente, suja nossas mãos com o sangue do nosso semelhante que sucumbe, vítima deste discurso opressor que o adendo redigido pela senadora Marta ao PLC 122, quer garantir.

A fé que professo me faz dizer e agir: "sei que eu não sou livre, enquanto uma pessoa permanecer escrava". Por fim, viva o nosso Supremo Tribunal Federal! 10 x 0 foi emoção demais da conta! Graças ao saber construído, às luzes do conhecimento que liberta, a fome e a sede de justiça somos mais cidadãos hoje que ontem. Viva o Estado laico! 

Por: Márcio Retamero


Xuxa: a nova vítima do sensacionalismo baixo do Fantástico




por :Nina Lemos


Antes de tudo, eu não vou ser analista da Xuxa. O Brasil inteiro já se coloca nesse papel agora. Todas as pessoas do país falam hoje (em tom de especialistas ou de julgadores) sobre a entrevista que a apresentadora deu ontem para o Fantástico.

Xuxa chorou e disse que foi abusada sexualmente com câmera dramática, cenário dramático e trilha dramática. Tudo ali cheirava a sensacionalismo. A chamada, de que Xuxa revelaria coisas inéditas, já soava como puro circo sensacionalista barato armado pelo ainda mais “importante” programa dominical do Brasil.

Xuxa ter sofrido abuso é muito triste. Mesmo. Ela chorar na TV também. Mas isso não é exatamente novidade. Ela sempre usou a mídia como divã. E ela não é a única. Muitas celebridades usam, sim, a imprensa, a TV, para tentar se resolver. Não sou capaz de dizer por que uma pessoa faz isso. Mas sou capaz de entender que a culpa não é só dela.

A mídia e os fãs, esses “amigos da onça”, estão sempre apontando as câmeras para você. São sempre carinhosos, afinal, te amam, se importam e querem saber ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE VOCÊ. Só que essa mesma gente que te ama um dia vai te usar e pode te matar.

De novo. Eu não vou analisar a vida da Xuxa. Essa hora mesmo, enquanto escrevo, todo mundo já está fazendo isso. E tem mais. O que ela disse não me assusta. Faz parte da trajetória de alguém que sempre se expos. O que assusta é o sensacionalismo do Fantástico e da TV Globo com uma das suas funcionárias mais rentáveis (se não está rendendo tanto, desculpem, já rendeu mais que o suficiente por muito tempo).

Mas não. É preciso aumentar o ibope. É preciso ganhar dinheiro. Faça um exercício. Imagine tudo o que a Xuxa disse escrito em uma revista ou em um jornal. Ela contar que sofreu abuso continuaria triste. Mas não seria tão chocante. O Michael Jackson ter a pedido em casamento seria apenas uma historia curiosa e quase engraçada. Ela ser solitária? Normal. Quantas estrelas solitárias existem por aí?

Mas com aquela luz. Aquela câmera próxima. Aquela trilha. Tudo pode virar filme de terror. E virou. No twitter, as pessoas BRIGARAM por causa da entrevista. Se brigamos por causa de uma entrevista dada por uma apresentadora de TV para um programa dominical, quem somos nós para chama-la de louca?

Pelo jeito não foi só a Xuxa que caiu no jogo do Fantástico. Nós, telespectadores, também caímos. E, na dúvida, saímos chamando a mulher de maluca. E esquecemos que aquilo era um programa de televisão usando o sensacionalismo mais barato.
Na internet, as pessoas dizem que estão com vergonha alheia da Xuxa. Eu também estou com vergonha alheia. Só que é do Fantástico.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Kátia Abreu, panfleto "Veja", Policarpo Junior e o crime organizado de mãos dadas

21 de maio de 2012

Do blog do Altamiro Borges

Na quinta-feira (17), integrantes da CPI do Cachoeira tentaram aprovar um requerimento solicitando que a Polícia Federal encaminhe todas as escutas telefônicas em que é citado Policarpo Junior, redator-chefe da Veja. A proposta gerou bate-boca na comissão. De imediato, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) rejeitou a proposta e justificou as relações do jornalista com o crime organizado.

“Às vezes as informações estão no inferno. O jornalista precisa ir até as profundezas do inferno para buscar a informação”, reagiu a senadora ruralista, que preside a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). De inferno, a ex-demo entende um bocado!
"Ameaça velada à liberdade de imprensa"

Kátia Abreu teve o apoio inconteste do senador tucano Álvaro Dias, que adora esbravejar sobre ética. Para ele, a convocação do chefão da Veja “é uma ameaça velada à liberdade de imprensa”. Já o senador Pedro Taques (PDT-MT), o novo queridinho da mídia que deve fazer Leonel Brizola revirar na cova, afirmou que o requerimento “se revela como vingança, um autoritarismo”.

Diante da forte reação da tropa de choque da Veja, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), que havia encaminhado o voto favorável ao requerimento, recuou rapidamente. O pedido para o envio das escutas telefônicas, apresentado pelo senador Fernando Collor de Mello e apoiado pela própria bancada petista, acabou nem sendo votado.
O acordão dos barões da mídia

Há um grande esforço para blindar a revista Veja, evitando que Policarpo Jr. e o capo da publicação, Bob Civita, sejam chamados para depor na CPI. Na semana passada, executivos do Grupo Abril e da Rede Globo circularam em Brasília com esta missão sinistra. Há um pacto entre os barões da mídia para abortar a convocação e eles já contam com a sua tropa de choque no Congresso Nacional.

Mas o tema ainda deve render vários bate-bocas na CPI. Em seminário nacional realizado em Porto Alegre, o PT decidiu investir na convocação de Policarpo Jr. e Bob Civita. Em carta divulgada ao final do evento, o partido defende a apuração das ligações “entre o crime organizado e alguns órgãos de imprensa”. O texto rechaça a tese de que a apuração representa um ataque à liberdade de expressão, “como tentam confundir setores da mídia conservadora”.

Ocupando o espaço de Demóstenes

A ruralista Kátia Abreu, o tucano Álvaro Dias e os “pedetistas” Pedro Taques e Miro Teixeira terão muito trabalho para defender a Veja. É certo que ganharão mais algum espaço na principal revista da direita brasileira, hoje também acusada de associação com o crime organizado. Eles poderão ocupar a vaga deixada por Demóstenes Torres, que sempre gozou de prestígio nas páginas da Veja.