quinta-feira, 30 de setembro de 2010

NÃO! NÓS NÃO QUEREMOS!!



A elite "deformadora de opinião" representada por Caetano Veloso vota em Marina por não ter coragem suficiente para assumir seu desprezo a toda e qualquer vontade e manifestção popular e seu apoio ao neoliberalismo tucano. Já a juventude pseudo intelectualizada, completamente despolitizada e leitora dos periódicos do PIG, abraça o discurso pseudo ecológico de Marina e seu inexistente programa de governo para manter o status quo de juventude antenada e colocar-se acima do populacho ignorante e hipnotizado que vota em Dilma porque entende que o único Brasil possível agora é o que dá continuidade ao projeto de Lula.
São estas pessoas equivocadas, esnobes e empedernidas que condenam o Governo de um ex operário os verdadeiros ignorantes deste país, que têm raiva de admitir que Lula, o ignorante é o grande gênio político da contemporaneidade.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

13 razões que me levaram a votar em DILMA.


13 razões que me levaram a votar em DILMA.
Por ela ser:
1- brava
2- calma
3- decidida
... 4- dona de si
5- firme
6- humana
7- inteligente
8- meiga
9- mulher
10- guerreira
11- mandona
12- segura
13- sensível
E principalmente por ser MULHER

Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas e
sempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa
apesar dos seus atos.

Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes
sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.

Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.

Ser mulher...
É se perder em palavras e
depois perceber que se encontrou nelas.
É distribuir emoções
que nem sempre são captadas.

Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar,
vender sentimentos, mas jamais dever.
É construir castelos na areia,
vê-los desmoronados pelas águas.
E ainda assim amá-los.

Ser mulher...
É saber dar o perdão...
É tentar recuperar o irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher...
É ter a arrogância de viver
apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e
das decepções.

Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos...
Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.

Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e
aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis
em instantes inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher...
É entender as fases da lua
por ter suas próprias fases.

E Dilma é tudo isso!

O Ibope mostra que o refluxo da “onda vermelha”



Mapa do Ibope mostra refluxo de “onda vermelha” apenas em áreas ricas do Sul e Sudeste

por Jose Roberto de Toledo e Daniel Bramatti

O Ibope mostra que o refluxo da “onda vermelha” ocorreu apenas em áreas mais ricas do Sudeste e Sul do país: um corredor que começa em Porto Alegre, segue pelas serras gaúcha e catarinense, corta o Paraná de norte a sul, entra pelo interior paulista, passa pelos bairros ricos da capital, e chega ao vale do Paraíba.

No mapa nacional de intenção de voto do Ibope, Dilma Rousseff (PT) ganha, agora, em 82% das 255 áreas. Na consolidação anterior, a petista vencia em 86%. Aumentaram o número de empates técnicos (de 15 para 22) e as áreas onde José Serra (PSDB) é o mais votado: de 20 para 23.

O Ibope reúne nessas áreas municípios próximos ou, no caso das metrópoles, faz divisões internas, juntando bairros com perfil socioeconômico semelhante. O mapa é uma consolidação de 27 pesquisas estaduais do instituto feitas ao longo de setembro, principalmente nos últimos 10 dias.

Em comparação ao mapa anterior, entraram nesta edição novas sondagens feitas em Estados de várias regiões do país, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Distrito Federal, entre outros.

A porção pintada de vermelho do mapa representa as áreas onde a intenção de voto em Dilma é no mínimo 5 pontos porcentuais maior do que a de Serra. Nas áreas azuis, ocorre o oposto. As partes cinzas indicam empate técnico entre os dois candidatos.
Tão importante quanto o número de áreas em que cada candidato vence, é o tamanho da vantagem. Sob esse aspecto, a preferência pela petista manteve praticamente o mesmo nível de intensidade nos dois levantamentos.

Dilma tem mais de 50 pontos porcentuais de vantagem sobre Serra em 25% das áreas (todas elas localizadas no Nordeste ou no Amazonas). No mapa anterior, esse porcentual chegava a 27%. Entre as regiões dessa faixa estão áreas de Salvador (BA), Manaus (AM) e Sobral (CE), por exemplo.

As maiores vantagens proporcionais de Dilma estão no sertão e agreste pernambucanos, na regiões de Salgueiro e Garanhuns (terra de Lula), e no interior do Ceará e do Piauí.

A petista tem entre um terço e metade a mais de eleitores do que o tucano em 18% das áreas do Ibope, contra 16% na vez anterior. Agora, ela tem vantagem de 5 a 35 pontos sobre Serra em 39% as áreas, contra 43% no mapa da semana passada.

Há empate técnico de Dilma e o tucano nos bairros centrais e de classe média de várias capitais do país. Isso acontece nas algumas das áreas mais abastadas de Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e até de Natal (RN).

Os dois líderes da corrida presidencial também estão tecnicamente empatados em regiões afluentes do interior do país, como em Blumenau (em Santa Catarina), em Piracicaba (São Paulo) ou Telêmaco Borba (Paraná).

Serra se destaca nas áreas mais ricas de algumas capitais do Sul e Sudeste: Curitiba, de São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis. Bate ainda a petista em regiões do interior do Paraná, como Irati e Ivaiporã, no interior de São Paulo (Sorocaba e Mogi-Mirim), e no interior gaúcho (Vacaria).

Além das áreas mais ricas do Sul e do Sudeste, o tucano leva vantagem sobre Dilma em algumas regiões do Acre. É porque lá, no seu Estado de origem, Marina Silva tem maiores taxas de intenção de voto e divide a disputa com os outros dois rivais.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Marina Silva é uma grande traidora


Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o presidente Lula. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que, disfarçadamente, alegraram-se com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. Ela alimentava esperanças de que o presidente Lula a escolhesse para ser sua sucessora, e quando percebeu que não seria a escolhida deu o bote tal qual uma cascavel. Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo. Não seria capaz de entender a importância das descobertas no Pré-Sal pela Petrobras, nem conseguiria atribuir tais riquezas ao povo. Marina Silva, é óbvio, não vai para o segundo turno, mas vai para o colo do Serra /PSDB/DEM, que ela combateu nos 30 anos em que esteve no PT. Marina mostra que não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder por despeito e vingança. Está se vingando do presidente Lula porque não a escolheu, pouco se lhe dá prejudicar o país e milhões de brasileiros, desde que alcance seu seu objetivo de vingança. Marina é muito religiosa, ligada à Assembléia de Deus, mas não é nenhuma santa. É apenas uma traíra.

Jussara Seixas

Matéria publicada por Leda Ribeiro (Colaboradora do Blog)

Musiquinha especial para o Joaquim "RORIZ"


AMARELADA

Numa folha qualquer eu desenho uma bezerra de ouro
E com cinco ou seis cheques é fácil driblar uma investigação
Corro e digo que tudo foi um empréstimo pro Nenê
E se faço renúncia, em dois tempos fujo da cassação
Se dois milhões de reais caem na minha conta no BRB
Num instante imagino uma linda desculpa pra enganar o povão

Vou inventando estórias, contornando
A imensa massa
Vou com o Franklin Moura partilhar os meus milhões
Pinto e bordo e a corrupção segue navegando
Num mar de lama azul
É tanta safadeza que nem do brejo a vaca passa

Numa folha qualquer eu desenho uma nova candidatura
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma mulher a outra vou tentar limpar minha ficha
Giro um simples compasso e no grito tento virar a jogada

Uma bezerra caminha e caminhando chega numa renúncia
E ali logo em frente, a esperar pela gente, o TSE está
E o TSE é uma astronave que tentamos enganar
Mas eles não são bobos
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora pra julgar
Sem pedir licença TSE mudou nossa vida, depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe o leite derramado chorar
O fim dela todo mundo sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passeata
O rabinho entre as pernas, enfim, botar

Numa folha qualquer eu desenhei meu sol amarelo
Que descolorirá
E só daqui a 16 anos poderei voltar
Quem em mim votará?
Giro um simples compasso e com 90 anos estarei
Quem em mim acreditará?

domingo, 26 de setembro de 2010

ESCUTATÓRIA


ESCUTATÓRIA
Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... (O amor que acende a lua, pág. 65.)


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Fonte: http://rubemalves.locaweb.com.br/hall/wwpct3/newfiles/escutatoria.php

sábado, 25 de setembro de 2010

O PREÇO DA OMISSÃO


Meu especial amigo, que postagem densa... obriga-nos a uma profunda reflexão...

Na verdade, todos nós, em nosso comodismo, nos identificamos nestes textos. Seguimos aceitando, compreendendo, justificando, psicologizando, engolindo os pequeno...s desrespeitos, as pequenas ofensas, os pequenos deslizes, as pequenas decepções. E, "de repente", lá estão eles, enormes, intransponíveis barreiras a nos afrontarem... Construímo-las nós mesmos! Demos-lhes o material, os tijolinhos que lhes compõem a estrutura...

É um constatar triste esse de saber-nos co-responsáveis pelas mazelas, pelas injustiças... somos todos cúmplices à medida que cruzamos nossos braços, viramos nossos rostos à vil exploração do homem pelo homem... E a cada vez que nos distanciamos, que acreditamos que nossa presença, nosso protesto, nossa voz é pequena demais para não "fazer a diferença" , engrossamos a fileira dos espoliados: de sonhos, de desejos, de ideais.

Somos nós mesmos quem contribuímos para a não efetivação do que cremos! Somos nós mesmos os culpados por estarmos calados - protegidos na nossa pseudo segurança - acreditando que os pequenos deslizes são aceitáveis... ou não merecem punição... ou não nos dizem respeito...

Do que será que temos medo? Será resquício do lado mesquinho, protecionista de si e dos seus? Será covardia pura? Será cansaço por antever luta inglória, cansativa, longa? Será descaso puro - reflexo do mal estar, do enfado de nossa civilização atual?

Querido amigo, os ratos estão a alardear faz tempo que há ratoeiras! Mas não nos incomodam ratoeiras! Ratoeiras são para ratos... e somos outras espécies de bichos... Acreditamos apenas se tropeçamos tardiamente nas específicas armadilhas de nossas próprias espécies! Tardiamente dar-nos-emos conta de que as armadilhas são de um mesmo mecanismo e possuem a mesma função... independente das adaptações às várias espécies todas elas cumprem o mesmo objetivo!

Sabe o que é interessante nesta negação da armadilha? Tendemos a não lhe creditar poder mortífero, pois foram confeccionadas por aqueles que confiamos... Fácil transpor para o campo da Política agora, não? Os construtores: nós os escolhemos! Os espoliadores: nós lhes demos a liberdade para nos invadir o âmago de nossos pensamentos; conhecem nossos pontos fracos, sabem como será a estratégia do engodo...

O preço da omissão é caro! Fatal não só para indivíduos e sim, para povos! Nilifica sonhos, escancara pesadelos à luz do dia, imola inocentes vítimas de nossos olhos fechados. Nossa aquiescência tácita compactua com valores deturpados, constrói verdades alicerçadas em mentiras que serão tidas à conta de necessárias...

Até quando iremos "passear" nesta estrada e não ajudar a construí-la conscientes de que uma estrada é um caminho que outros irão seguir? Até quando a desgraça será vista como alheia e, o máximo que poderemos fazer para aplacar uma superficial moral será a doação alardeada aos quatro cantos das esmolas que aplaquem um vestigial resquício de consciência?

Caminhamos todos surdos aos lamentos do outro e acreditamos que não nos dizem respeito... Pensamos que as ratoeiras são para ratos, porque somos incapazes de distinguir os vários formatos de ratoeiras... Precisamos de nomes certos para aquilo que nos irá atingir... perdemos nossa capacidade de ver através do formato e atingir a essência dos males... de tão diluídos entre nós que estão...

É urgente que retomemos nossa capacidade de nos sentirmos unos: mesmo na diversidade, ainda há tempo... as ratoeiras ainda podem ser desarmadas, basta que queiramos... Pensemos nisso.

Parabéns pela excelente postagem, meu professor; obrigada por me permitir esta reflexão. Alpha Leninha