sábado, 8 de outubro de 2016

O PT não perdeu; quem perdeu foi o povo brasileiro

Por Graça Fonteles Grossi

" Estou de saco cheio e cansada de ler baboseiras tipos o PT perdeu, acabou, se esfarelou e outros adjetivos mais.


Não, o PT não perdeu; quem perdeu foi:


- o residente de medicina que não vai mais receber bolsa;


- o estudante universitário que não terá mais o FIES;


- o quilombola que não terá mais suas terras;


- o pobre que recebe salário mínimo e que não terá mais reajuste acima da inflação;


- o necessitado que precisa da farmácia popular que foi extinta pelo golpista Temer;


- os estudantes das escolas de ensino fundamental que passarão a ser ratos de laboratórios nas escolas sem "partido" onde serão suprimidos os debates;


- a população do interior brasileiro que ficará sem atendimento médico;


- o estúpido funcionário público com seu salário congelado;


- o negro pobre que não poderá mais ingressar na faculdade com a extinção das cotas;


- as domésticas que receberão menos que um salário mínimo, sem pagamento de INSS e FGTS, e terão de aceitar ou perdem o emprego;


- o pequeno e micro empresário que inevitavelmente fechará as portas por total falta de condições financeiras de seguir adiante;


- as estudantes universitárias, filhas de domésticas, que utilizam cotas ou FIES que deixarão as faculdades por não possuírem condições financeiras de pagá-las e seguirão a carreira de domésticas de suas mães trabalhando para o povo que odeia vermelho;


- empregados do comércio que serão demitidos ou terão seus salários reduzidos por lojistas em pré falência;
- os industriários que serão demitidos de seus empregos;


- o povo do nordeste que voltará a pedir esmolas durante a seca;


- os beneficiários do bolsa família que perderão a regalia de receber R$ 70,00 de ajuda governamental;


- o pobre que depende de creche pública já que o MEC resolveu que as creches serão privatizadas;
- o pobre que necessita do SUS;


- o agricultor familiar que terá as verbas do governo reduzida pela metade;


- industria naval que não vai mais construir plataformas para Petrobrás e demitiu milhares de empregados;
- os empregados da refinarias;


- e finalmente os corruptos continuarão mandando e a boiada midiota acreditando no tucano golpista Moro e seu exército de malfeitores da da Vaza Jato como solução para seus demônios. 


Os corruptos estão no poder e quem perdeu foi você "."

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Lula é uma liderança popular invulgar



Precisamos falar sobre Lula.
Por Luis Felipe Miguel

Ninguém se iluda: passado o frenesi dos resultados do primeiro turno das eleições municipais, o cerco contra Lula retoma seu curso. A questão não é "se" ele será preso na Operação Lava Jato, mas "quando". Afinal, sua culpa foi determinada desde sempre. É uma operação que não nasce para investigar se há culpa, mas para encontrar algo que justifique uma culpa definida de antemão. Imagino que, nesse momento, Sérgio Moro e o alto comando de sua Wehrmacht curitibana estejam discutindo se a vitória da direita no pleito de domingo significa que Lula já pode ser preso sem risco de comoção popular ou se esse tipo de interpretação é só o discurso oficial a ser veiculado na mídia.

O antilulismo da direita tem razões claras. Lula é o mau exemplo, Lula é o operário que não soube seu lugar. Lula liderou o movimento que fez a classe trabalhadora ganhar protagonismo na política brasileira, a partir do final da ditadura militar. E Lula conduziu um governo que, com todos os seus problemas, contribuiu para reduzir a vulnerabilidade de milhões de brasileiros e para desafiar hierarquias centenárias. Embora sempre se lembre que a burguesia lucrou muito nos governos petistas, o antilulismo das elites brasileiras é perfeitamente razoável: para elas, manter a vulnerabilidade extrema da maioria dua população e proteger as hierarquias sociais faz muito sentido.

Mais difícil é entender o antilulismo de parte da esquerda. Sim, Lula optou por um pragmatismo político exacerbado e apostou na conciliação de classes. Os governos petistas foram covardes no enfrentamento de muitos privilégios e, quando atacados, só conseguiam reagir fazendo mais concessões. Lula se tornou bem mais amigo de empreiteiros e outros capitalistas do que seria razoável. Há muito o que criticar em sua trajetória.

Mas a esquerda antilulista age não como quem analisa erros políticos e desvios de caminho, mas como quem sofreu uma desilusão amorosa. O maior pecado de Lula é não ter sido aquilo que projetavam nele. E é essa vingança, que se traveste de radicalidade política mas nasce do coração partido, que faz com que o cerco a Lula, a destruição de seu legado e de sua imagem, sejam vistos por alguns com alegria aberta ou disfarçada.

É um sério equívoco, eu creio. Com todos seus erros, Lula é uma liderança popular invulgar - e o que se quer destruir é essa liderança, não os erros. Lula buscou um caminho, que foi conciliatório, tortuoso e limitado, mas era um caminho para retirar da miséria e ampliar os horizontes dos brasileiros mais desprivilegiados. Pouco, talvez, para quem sonha com o fim da exploração e da alienação. Mas o caboclo do interior do Brasil que não tinha energia elétrica e viu chegar o Luz para Todos, aquele outro que botou comida na mesa com o Bolsa Família, o trabalhador na base da pirâmide que ganhou com o aumento real do salário mínimo, o menino pobre que chegou na universidade, será que trocariam esses ganhos, ainda que insuficientes, por um punhado de teses sem ressonância no mundo social, brandidas de intelectuais da extrema-esquerda?

Vamos criticar a experiência petista? Vamos. Ela acomodou, ela cedeu, ela não foi tão firme quanto devia na defesa da classe trabalhadora, dos direitos das mulheres, da cidadania de gays, lésbicas e travestis. Compactuou com a corrupção, contribuiu para a sobrevida de elites políticas carcomidas, em vários momentos deixou de avançar quando podia, por culpa de sua incontrolável pulsão pela conciliação. Acreditou na sua própria fantasia de transcendência do conflito social. Terminou por enfraquecer as forças populares, ao promover sua desmobilização como forma de mostrar aos grupos dominantes que permaneceria dentro dos estreitos limites pactuados. Mas vamos também reconhecer os ganhos que foram alcançados e, sobretudo, a tentativa real de dar uns passos para a frente, poucos que fossem, mas para a frente - nas condições adversas de um país atrasado como o Brasil.

E vamos reconhecer em Lula o que ele é: com seus limites, com suas contradições, com seus vacilos, com o diabo a quatro, ele é a maior liderança popular da história deste país. Alguém que, por mais críticas e discordâncias que possamos ter, está do lado de cá, não do lado de lá. Não se trata de endeusar Lula, nem torná-lo imune a críticas, mas de compreender quem ele é e o que ele simboliza. 

Por isso, defender Lula contra a perseguição criminosa que ele sofre, protestar contra a arbitrariedade de que ele é alvo, contribuir para, sim, incendiar o país quando ele for preso - esses são compromissos de qualquer pessoa que se queira de esquerda, progressista ou democrata no Brasil.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

VITÓRIA FALSA




A vitória nem sempre pertence ao vencedor


Como pode um candidato se sentir vitorioso quando ele sabe que conseguiu a vitória usando meios espúrios.  As armas e os artifícios políticos utilizados na batalha eleitoral permitiu que  atingissem o seu propósito: ficar no poder, a qualquer custo. Comprando a consciência do povo com mentiras e falsas promessas. A estratégia eleitoreira "vitoriosa", por meio espúrios e populistas, trará como consequência a perda de legitimidade e credibilidade junto aos eleitores.

Nesse sentido, permito-me analisar a "vitória" que vêm sendo obtida como referência a história de Pirro. Em 281 a.C., Pirro, Rei de Épiro, partiu com o seu exército para conquistar Roma. Após enfrentar e derrotar os romanos na Batalha de Heracleia, constatou que havia sofrido enormes perdas em homens e material bélico. Ao receber de um oficial o cumprimento pelo triunfo, Pirro respondeu: "Mais uma vitória como essa e estarei arruinado".

O mito de Pirro serve para mostrar aos detentores do poder que é preciso mudar a forma de fazer política, pois a "vitória" nem sempre pertence ao vencedor.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A má jogada na politica




Podemos aceitar apoio de parlamentares a uma candidatura que apoiamos, desde que o parlamentar não seja do partido que apoia o nosso adversário. Aceitando este tipo de apoio, a gente é obrigada a entrar no jogo perigoso e oportunista, que não fortalece em nada a democracia, muito ao contrário alimenta o jogo sujo da politicagem.

Devemos procurar  crescer politicamente, procurar se informar ,aprender a jogar limpo , sem se deixar contaminar pelo lado cruel que algumas pessoas fazem da política. Este pensamento não é ser radical e sim coerente com o princípio ético que deve permear a boa política. Não existe o fato ,de por ser amigo pessoal do parlamentar, tentar impor aos nossos companheiros este tipo de apoio.

Vamos jogar o jogo de xadrez da política de maneira inteligente e limpo, com jogadas precisas e certeiras. Segundo Sérgio Boechat, o xadrez tem semelhanças com a política. Começa pela origem. Não se sabe ao certo, a origem do xadrez. Já foi atribuída a sua invenção aos chineses, aos egípcios, aos persas e até mesmo a Aristóteles e ao Rei Salomão, mas a história não confirma nenhuma dessas lendas. Da mesma forma, em relação à política. Não se sabe quem começou, mas a encontramos em todos os momentos históricos desde os primórdios da humanidade e até mesmo nas páginas bíblicas.

No jogo de xadrez as jogadas têm que ser feitas dentro do tempo estabelecido. Na política, também existe um “timing” e quem não o conhece ou não o respeita, ganha o estigma de perdedor. E a gente pode com atitudes acima descritas ganhar o estigma de perdedor.

Na política, não há limite de peças e nem movimento certo. “Todas se movimentam em todas as direções, às vezes equivocada e atabalhoadamente, como aceitar qualquer tipo de apoio política em nome da governabilidade.
Certamente no xadrez político teremos protagonistas que terão comprometimento com o público e que no seu cotidiano terão como bandeira os princípios éticos. Nesse cenário teremos uma democracia consolidada e a expectativa de um País mais justo para que as futuras gerações de brasileiros possam realizar seus sonhos e alcançarem a plena felicidade. Oxalá isso aconteça.


Xadrez da política



Nada se assemelha mais à política que o jogo de xadrez. Começa pela origem. 

Não se sabe, ao certo, a origem do xadrez. Já foi atribuída a sua invenção aos chineses, aos egípcios, aos persas e até mesmo a Aristóteles e ao Rei Salomão, mas a história não confirma nenhuma dessas lendas. 

Da mesma forma, em relação à política. Não se sabe quem começou, mas a encontramos em todos os momentos históricos desde os primórdios da humanidade e até mesmo nas páginas bíblicas. Os diálogos de Moisés com o Faraó são belos exemplos de uma negociação política.

O jogo de xadrez exige inteligência e o mesmo ocorre na política, onde os menos inteligentes não se destacam e por isso não passam de meros figurantes. E como temos figurantes no jogo político ! 

No jogo de xadrez as jogadas têm que ser feitas dentro do tempo estabelecido. Na política, também existe um “timing” e quem não o conhece ou não o respeita, ganha o estigma de perdedor.

Tancredo Neves não era um grande administrador, nem estava entre os melhores oradores do Congresso Nacional, mas tinha um “timing” político perfeito e em consequência disso foi quase tudo o que quis ser na política, menos Presidente, porque daquela vez prevaleceu o “timing” divino.

No jogo de xadrez existe uma previsibilidade de jogadas e o bom jogador prevê a jogada do seu oponente e as próprias jogadas com algumas rodadas de antecedência .

Na política, também tem que existir essa previsibilidade e isso faz a diferença entre o bom e o mau político.

No xadrez, os objetivos são avançar as pedras, conquistar espaços no tabuleiro, capturar o rei e dessa forma, vencer o jogo. 

Na política, os objetivos são avançar no terreno adversário, enfraquecer os adversários, conquistar espaços políticos, convencer os eleitores e dessa forma, vencer a eleição.

Assim como há semelhanças, há também sensíveis diferenças entre o jogo de xadrez e o jogo político. 

No jogo de xadrez, cada peça se movimenta de uma maneira diferente, há um número certo de peças e cada uma tem o seu próprio movimento. 

Na política, não há limite de peças e nem movimento certo. Todas se movimentam em todas as direções, às vezes equivocada e atabalhoadamente. Há “peões”que querem se movimentar como torre, bispo, cavalo, dama e até fazem pose de “rei”. Ao primeiro movimento, aparentemente bem sucedido, se empolgam e se consideram os “reis” do tabuleiro político. 

O xadrez prevê a promoção do peão, quando ele atinge a última fila do tabuleiro e é trocado por outra peça, de maior importância, à escolha do jogador , mas estabelece um limite: Não pode ser trocado por outro peão nem pelo rei. Na política também deveria ser assim : o peão só seria promovido depois de alcançar a última fila do tabuleiro e assim mesmo respeitando o “rei” ou o líder maior, que ele jamais poderá ser. 

Um ponto que ainda merece ser destacado no jogo de xadrez é que as peças brancas sempre iniciam a partida.

Na política, também existem as peças brancas e as peças pretas. A norma deveria ser a mesma, mas não raro, as peças pretas se esquecem disso e querem iniciar a partida, esquecendo-se que as peças brancas sempre têm a precedência, pelas regras do jogo. 

As semelhanças de todos esses conceitos com a nossa política não são meras coincidências. Temos jogadores despreparados, sem inteligência política, sem capacidade de previsão das jogadas, sem conhecimento das regras do jogo e sem história política, em suma, peões pretos que , arrogantemente, se arvoram em líderes políticos e se esquecendo da limitação dos seus movimentos, tentam, sem sucesso, dar um chequemate no “rei”. Chegaram à última fila do tabuleiro, foram trocados por outra peça mais importante, mas não chegarão a ser “rei”, porque esta é também a lei do xadrez da política.
Fonte: O Xadrez da política
(Opinião - Sérgio Boechat)

FONTE: http://inteligenciapolitica.bloguepessoal.com/8026/O-Xadrez-da-politica/

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O homem mais poderoso do Brasil




O homem mais poderoso do país não é o mais rico. Senão, seria Jorge Paulo Lemann. Mas o seu poder depende da sua fortuna. Se falir, seu poder se esgota.

   O homem mais poderoso do país não é o dono da maior rede de TV. Senão, seria João Roberto Marinho. Mas se o sinal for apagado por alguém mais poderoso, seu poder acaba.

   O homem mais poderoso do país não é o que está sentado na cadeira de presidente da República. Senão, seria Michel Temer, mas ele não tem votos nem para ser síndico de prédio.

   O homem mais poderoso do país não é o mais temido. Senão, seria Sérgio Moro. Mas quando acabar a Lava Jato seu poder será nenhum.

   O homem mais poderoso do país não é o mais esperto. Senão, seria Eduardo Cunha. Mas quando seus recursos terminarem ficará sem poder.

   O homem mais poderoso do país é aquele que não precisa de um cargo para ser poderoso.

   Não precisa de uma conta bancária para ser poderoso.

   Não precisa de uma rede de TV.

   Não precisa de cúmplices para ser poderoso.

   É aquele que tem poder mesmo quando não está no poder.

   É aquele que todos querem derrubar, mas não conseguem.

   É aquele que ninguém tem coragem de delatar.

   É aquele que ninguém tem coragem de prender.

   Há 16 anos, o homem mais poderoso do Brasil é Lula.

   Sarney foi presidente por quatro anos; saiu pela porta dos fundos.

   Collor governou por dois anos; foi enxotado.

   Fernando Henrique governou por oito anos, mas não fez o sucessor.

   O poder deles se esvaiu assim que deixaram a presidência.

   Lula governou por oito anos, reelegeu sua sucessora, que também se reelegeu e que caiu porque não o ouviu.

   Lula é o único brasileiro que pode se eleger, a qualquer momento, no cargo que quiser: vereador, prefeito, deputado, governador, senador, presidente da República.

   Em qualquer cidade ou estado do país.

   Ele não depende de nada fora dele para ter poder. Seu poder é pessoal e intransferível.

   Lula é tão poderoso que, mesmo se for preso, continuará sendo o homem mais poderoso do país.

   Lula é tão poderoso que, mesmo depois de morto continuará sendo o homem mais poderoso do país.

   Ninguém, depois de Dom Pedro I e Dom Pedro II foi tão poderoso quanto Getúlio.


   Ninguém, depois de Getúlio foi tão poderoso quanto Lula.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

DILMA ROUSSEFF: A PRESIDENTA ELEITA PELO POVO


Primeira mulher a chegar à Presidência em 2010, a vitória de Dilma foi a consagração de Lula e a vitória também do PT

Por Maria Fernanda Arruda



Uma mulher dura e autoritária? Considerada dona de um temperamento explosivo, Dilma é acusada por parte da imprensa de ter destratado companheiros de seu governo, nomeadamente o ministro Paulo Bernardo, na frente dos governadores tucanos José Serra e Aécio Neves. É acusada de “ter feito chorar” o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, depois de uma reprimenda via telefone. Segundo o jornal O Globo, o secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Luiz Antonio Eira, teria pedido demissão devido a um desentendimento que se sentira humilhado. Construiu-se a imagem de uma mulher dura e autoritária.

Desde logo, sem que se pretendam dissecar boatos e estereótipos, é possível admitir que, disposta a agir, séria e incorruptível, ela tenha dado e dê o devido tratamento aos habitantes do mundo político brasileiro, composto atualmente por homens incompetentes, corruptos, vaidosos. E não será difícil entender a dureza e o autoritarismo como virtudes. De 1952 a 1954, filha de uma família bem-posta na classe média, cursou a pré-escola no colégio Izabela Hendrix e a partir de 1955 iniciou o ensino fundamental no Colégio Nossa Senhora de Sion, em Belo Horizonte. Como adolescente dos anos da euforia de JK e seus 50 anos em 5, namorava e tocava o seu violão. Em 1964 ingressou no Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos), na primeira série do clássico (ensino médio). Nessa escola pública o movimento estudantil era ativo, especialmente por conta do recente golpe militar. Foi nessa escola que ficou “bem subversiva” e percebeu que “o mundo não era para debutantes”.

Não teria participado diretamente das ações armadas, mas já era notada por sua atuação política, contatos com sindicatos, aulas de marxismo e responsabilidade pelo jornal O Piquete. Nada excepcional, mas a realidade de uma jovem consciente que não podia aceitar a ordem unida que os militares pretendiam “pagar” à “paisana” mal-educada, corrupta e desprovida de “amor à pátria”. Os jovens não aceitaram. Os intelectuais não aceitaram. Os artistas não aceitaram. Dilma participou de algumas reuniões que resultaram na criação da VAR-Palmares – Vanguarda Revolucionária Palmares. Foi transformada pelos espiões e delatores (premiados com a anistia), gente da Operação Bandeirantes, sustentada pelos empresários da FIESP, em grande líder da organização, ganhando vários epítetos superlativos nos relatórios da repressão, que a definiram como “um dos cérebros” dos esquemas revolucionários. O Promotor de Justiça que denunciou a organização rotulou-a como sendo a “Joana d’Arc da subversão”, por chefiar greves e assessorar assaltos a bancos.

Ao ganhar bem mais tarde a expressão política que a sua competência lhe propiciou, passou a ser acusada como “terrorista” por gente hipocritamente puritana, e que não se sentiu inibida em dar a São Paulo um senador ex-comunista e envolvido em ações terroristas, motorista que teria conduzido involuntariamente Marighela para a morte. Presa numa operação que não a estava procurando, por mero acaso (ao se revistada, estava armada), passou quase três anos em reclusão, de 1970 a 1972, primeiramente pelos militares da Operação Bandeirante (OBAN), no qual sofreu torturas, durante vinte dias, posteriormente pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Dilma denunciou as torturas em processos judiciais e a Comissão Especial de Reparação da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro aprovou pedido de indenização proposto por ela e outras dezoito pessoas. Saiu do Presídio Tiradentes no fim de 1972, dez quilos mais magra e com uma disfunção na tireoide. Havia sido condenada em alguns processos e absolvida noutros. Iniciou a recuperação da sua saúde com sua família, em Minas Gerais. Tempo depois morou com sua tia em São Paulo mudando-se para Porto Alegre mais tarde.

Reconstruiu sua vida no Rio Grande do Sul, junto a Carlos Araújo, seu companheiro por mais de trinta anos. Impedida de retomar seus estudos em Belo Horizonte, Dilma prestou vestibular para economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ficou grávida em 1975 enquanto cursava a graduação e em março de 1976 nasceu sua única filha, Paula Rousseff Araújo. Sua primeira atividade remunerada, após sair da prisão, foi a de estagiária na Fundação de Economia e Estatística (FEE), vinculada ao governo do Rio Grande do Sul. Graduou-se em 1977, não tendo participado ativamente do movimento estudantil.

Em 2010, a vitória de Dilma foi a consagração de Lula e a vitória também do PT
Em novembro de 1977, o nome de Dilma foi divulgado no jornal O Estado de S. Paulo como sendo um dos 97 subversivos infiltrados na máquina pública em uma relação elaborada pelo então demissionário Ministro do Exército, Sílvio Frota, que classificou Dilma como “amasiada com um subversivo”. Com isso, foi exonerada da FEE, sendo, contudo, anistiada mais tarde. Com o fim do bipartidarismo, participou junto com Carlos Araújo dos esforços de Leonel Brizola para a recriação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Foi membro fundadora do Partido Democrático Trabalhista (PDT) participando de diversas campanhas eleitorais. De 1985 a 1988, durante a gestão de Alceu Collares frente à prefeitura de Porto Alegre, foi Secretária Municipal da Fazenda. De 1991 a 1993 foi Presidente da Fundação de Economia e Estatística e foi Secretária Estadual de Minas e Energia entre os períodos de 1993 a 1994 e de 1999 a 2002, durante o governo de A. Collares e do sucessor Olívio Dutra. A tentativa de reduzir Dilma Rousseff na sua competência foi frustrada, acusada de chegar ao governo Lula sem qualquer experiência política e sem vocação para tanto. Pois viveu desde muito jovem politicamente, não teve e não tem felizmente a vocação da retórica demagógica dos políticos contemporâneos, os que, sem conhecimento de regras básicas da língua, não tem pudor algum em transformar a tribuna do Congresso em palanque para comícios populistas.

Em 2002 participou da equipe que formulou o plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva para a área energética. No ano anterior havia se filiado ao PT, o que deve ser entendido como decisão de ordem prática, viabilizando sua participação nesse governo, uma vez que sua identificação ideológica a prendeu sempre ao PDT de Leonel Brizola. Com a eleição de Lula, foi escolhida para ocupar o Ministério de Minas e Energia. Ao assumir esse Ministério, também foi nomeada presidente do Conselho de Administração da Petrobras, cargo que exerceu até março de 2010, quando defendeu uma nova política industrial para o governo, fazendo com que as compras de plataformas pela Petrobras tivessem um conteúdo nacional mínimo. Argumentou que não era possível que uma obra de um bilhão de reais não fosse feita no Brasil. As licitações para as plataformas P-51 e P-52 foram, assim, as primeiras no país a exigir um conteúdo nacional mínimo. Sua gestão no ministério foi marcada pelo respeito aos contratos da gestão anterior, como pelos esforços em evitar novo apagão, pela implantação de um modelo elétrico menos concentrado nas mãos do Estado e pela criação do programa Luz Para Todos.

Em 20 de junho de 2005, o presidente Lula indicou Dilma para comandar o Ministério da Casa Civil, com o que ela se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na história do país. José Dirceu ocupava até então a pasta e se preparava para ser o sucessor de Lula, um projeto arquitetado durante muitos anos, e que foi desmontado com o chamado “escândalo do mensalão”, de fato o primeiro momento do processo que, muito mais importante do que ter abalado a respeitabilidade do Governo, deu início ao processo de aviltamento da Justiça no Brasil. A nomeação de Dilma descontentou a muitos segmentos do partido, já então sufocado pelo carreirismo mesquinho da facção que o dominou. Mas foi a sua seriedade e competência que restituíram a Lula a autoridade moral necessária ao prosseguimento de seu governo e de sua vida política. Será muito importante para o registro exato na História do Brasil que, em algum momento, os detalhes dessa transição sejam postos à luz do dia.

As relações entre o PT, Lula e as ações do que era então presidente do partido, José Dirceu, foram propositadamente aviltadas por um ministro do STF, competência distorcida e caráter amesquinhado, ao mesmo tempo sendo camufladas pelos envolvidos, que as depositaram em silêncio culposo. Dilma Rousseff teve firmeza de caráter e dignidade que a fizeram não abandonar o seu companheiro e líder, ao mesmo tempo mantendo-se intransigentemente fiel aos seus princípios éticos. Sua postura exigiu sabedoria e competência política que faltam, não apenas aos companheiros de partido, mas, e mais ainda, aos seus opositores. Valerá sempre a pergunta: a quem falta postura politicamente digna: a Dilma Rousseff ou a Fernando Henrique Cardoso? Contrariando os interesseiros que o cercavam e fazendo uso de sua sensibilidade notável, Lula soube, a partir da queda de José Dirceu, como preparar a sua sucessão. Dilma passou a ser considerada por ele como a gestora do do PAC e apresentada ao povo como a “mãe” do programa que marcava a gestão petista.

Dilma vai se tornando, não pela palavra de Lula, mas pela vontade nacional, a Mãe do Povo Brasileiro

Em 2010, dentro do que planejara, Lula a apresentou como a sucessora desejada. Dilma se elegeu, não porque Lula elegeria um “boneco”, mas porque o povo brasileiro já sabia haver nela a competência e a seriedade que faltavam às figuras propostas pela oposição do PSDB. A partir desse ponto, chegamos ao presente, que está na memória de todos e é conhecido e vivido por todos os brasileiros.

Primeira mulher a chegar à Presidência em 2010, a vitória de Dilma foi a consagração de Lula e a vitória também do PT. Seu governo teve a grandeza e fidelidade de assegurar a continuidade do que Lula havia iniciado. Se não acrescentou ou aperfeiçoou, não afetou negativamente o trabalho que já vinha sendo feito. Em seu discurso de posse afirmou o seu propósito de ampla reforma tributária e de lutar por uma assembleia nacional constituinte, como pressuposto para a revolução política necessária à instauração no Brasil de uma democracia plena. Ironicamente, aquela que é no mais das vezes posta como abstêmia de vocação política, foi até agora a voz única a clamar no planalto central, propondo a verdade. A reeleição, em 2014, mais do que vitória, teve o sentido de aviso prévio da catástrofe que se aproximava. A vitória, antevista como “favas contadas”, a ser alcançada já em primeiro turno, acabou sendo conseguida dramaticamente, graças, não à comprovada inexistência de virtudes do candidato de oposição, mas favorecido com a morte dramática daquele que o PSDB se preparava para apoiar.

A reação sentimentaloide de grande parte da população avisava de forma gritante sobre a imaturidade política de um povo massacrado pela ditadura civil-militar, acobertada ideologicamente pela Rede Globo de Televisão. A imagem ridícula e opaca da Marina Silva, inviável em qualquer conjuntura política minimamente consciente, foi capaz de comover, desviando votos. A insegurança do terreno em que se pisava não foi sentida, não foi aceita, camuflada por slogans e frases feitas, defeituosas por não corresponderem à verdade. O ano de 2015 caminha para ser o mais nefando já experimentado por esse País. Os objetivos mais sórdidos, assumidos nas caras mais aviltadas pelo vício da mentira, ameaçam depor Dilma Rousseff. Não se trata apenas e tão somente de 54 milhões de votos a serem desprezados. O que se está cometendo é o crime maior, o de substituição da verdade pela mentira tosca e suja, é o aviltamento das instituições. Como respeitar minimamente a Câmara dos Deputados, depois da encenação pornográfica que ofertou em rede nacional de televisão? Como não desprezar um Senado da República que transpira a vilania? A segregação da Política brasileira, isolada pelas paredes dos corredores e gabinetes de Brasília, torna impossível uma previsão sobre o mais provável. Seja o que venha a ser promovido nesse circo de horrores escatológicos, a imagem de Dilma Rousseff está sendo engrandecida. Liberta dos maus conselheiros, que pretenderam afasta-la do contato direito com o povo,e isso é o que ela está fazendo. Um aprendizado de duas mãos: o povo começa a aprender que a Presidenta é digna e o representa dignamente; ela está falando espontaneamente à ele.

A maldade insana dos golpistas vai transformando Dilma Rousseff, não apenas em heroína nacional, mas na santa protetora, a voz de milhões de brasileiros. Dilma declara gostar de história e interessar-se por ópera. No início da década de 1990 matriculou-se no curso de teatro grego do dramaturgo Ivo Bender. A mitologia grega tornou-se uma obsessão para Dilma, que, influenciada por Penélope, resolveu aprender a bordar. Segundo seu site oficial, ela é leitora assídua de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, e Adélia Prado. Ela tem uma bicicleta (anda de “camelo”) em Brasília. Venceu o câncer, venceu definitivamente, quando foi capaz de contar publicamente sobre a tristeza de perder os seus cabelos. O que os sórdidos estão fazendo lesa os interesses do Brasil, destrói muita gente e muitas coisas. Mas não atinge a Dilma Rousseff, que vai se tornando, não pela palavra de Lula, mas pela vontade nacional, a Mãe do Povo Brasileiro.


Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.