sábado, 8 de agosto de 2015

CRISE

Muito bom os esclarecimentos da economista sobre a "TAL CRISE "

Por Adriana P. Sousa
Sobre o texto que a economista Renata Barreto publicou em resposta aos questionamentos do Tico Santa Cruz, tratando sobre questões políticas e econômicas atuais da economia brasileira.
Como Economista, Professora Universitária e Cidadã brasileira me senti no direito de emitir minha opinião.
Sobre o questionamento do Tico Santa Cruz sobre a existência de uma crise, já que acabamos de passar por um período de grande expansão econômica com crescimento do consumo e da produção, aumento do emprego e do nível de renda da população e, de repente, não mais que de repente como diria Vinícius de Moraes “do riso fez-se o pranto”... e a economia brasileira entrou num espiral negativo onde se prenuncia e se anuncia uma crise alarmante que é de botar medo em qualquer cidadão.

Bom, para identificar que crise é essa pela qual passamos primeiro qualquer cidadão e em especial qualquer economista que se preze deve estar munido de muita informação, de muito conteúdo e conhecimento histórico, para então se poder fazer qualquer predição sobre o que é que está acontecendo na economia brasileira.

O contexto histórico e econômico brasileiro deixa claro que o Brasil é um país que vive de ciclos de expansão e contração econômica. Isso é muito devido ao fato de sermos um país ainda em desenvolvimento com toda a nossa carga histórica de instabilidade econômica gerada na década de 80 onde o país viveu um período de inexistência de investimentos e de taxas de inflação astronômicas. Como por exemplo em 1986 que a taxa anual de inflação era de 79,664%. Claro que muita gente não vai se lembrar disso, mas muita gente vai saber exatamente do que estou falando.
Por ai já podemos identificar que realmente a afirmação do Tico Santa Cruz não está errada ao dizer que o país já passou por situações muito piores.

Se hoje estamos apavorados com uma iminente inflação em torno de 9% ao ano, imaginem uma inflação de 79% ao ano... Já parou pra pensar numa perda de valor da moeda de 79% ao ano? Isso certamente é bem mais grave do que perder 9 % ao ano.

Tudo bem, devem estar pensando: mas isso foi em 1986 e nós estamos em 2015. A moeda já mudou várias vezes e já foi implantado o Plano Real desde 1994, então a comparação não vale.

Ok, então busquemos dados de 2002 para pegar um período após a implantação do Plano Real e uma situação de economia “mais estabilizada” que a da década de 1980. Em 2002 a inflação fechou o ano em 12,530% e nós não estávamos em “crise”. Dessa forma, podemos afirmar então que a medida da inflação não indica que estamos em uma crise econômica.

Consideremos então outra variável para comparar, vamos então utilizar o poder de compra do salário mínimo a partir da criação do Plano Real.

Sobre essa questão, apesar de se perceber uma elevação nos preços dos produtos, observa-se que nesse período a renda do cidadão também teve uma elevação. Não se pode fazer uma comparação apenas em termos de que R$ 1,00 comprava 10 pães em 1994 e agora compra apenas 2 pães.

Isso conta, é claro, mas o que se percebe é que essa queda do poder de compra da moeda é apenas nominal, visto que em termos reais o que tem ocorrido é a elevação do poder de compra do brasileiro.

A percepção ou constatação de valorização ou desvalorização de uma moeda depende de diversos fatores. No caso do Real o que ocorreu nestes últimos 20 anos foi uma elevação do poder de compra do brasileiro.

Observe que em termos da cesta básica, olhando para a realidade mais próxima , no meu caso, por exemplo, em Goiânia, em dezembro de 1994 a cesta básica custava cerca de R$ 70,71 enquanto que o salário mínimo da época era de R$ 70,00, ou seja, mal dava para comprar uma cesta básica.

Já em 2015 o valor de cesta básica goiana foi estimado para o mês de abril como sendo de R$ 327,69, ou seja, 4,6 vezes mais cara que em 1994, contudo, com o valor atual do salário mínimo de R$ 788,00 é possível adquirir duas cestas básicas e ainda sobrar um pouquinho.

Outro ponto de análise é que a necessidade real de renda também variou bastante nos últimos 20 anos. Enquanto em 1994 o salário era de R$ 70,00, a necessidade real de renda era de R$ 728,00 para os gastos totais mensais, ou seja, o brasileiro precisava de um salário 10 vezes maior do que o que recebia para poder realizar seus gastos mensais com tranquilidade.

Hoje, o salário mínimo é de R$ 788,00 e a necessidade real de renda é de R$ 3.251,61, o que corresponde a uma necessidade de 4 vezes o salário atual para que o brasileiro viva com um certo conforto financeiro.
Disso tudo, o que conta é que apesar de notar um claro aumento de preços nestes últimos 20 anos de plano real, o que pode dar a impressão de queda no poder de compra da moeda, o que tem ocorrido é uma desvalorização da moeda diante da ocorrência normal de um nível aceitável de inflação, visto que a inflação não é algo sempre negativo, pois uma economia onde não ocorre o mínimo de elevação de preços, configura uma economia estagnada, pois em uma economia de mercado, se não há elevação de preços é, muito provavelmente porque não está havendo consumo.

Sendo assim, a moeda brasileira, mesmo perdendo valor diante desse cenário, tem apresentado uma elevação considerável em seu poder de compra, visto que o brasileiro tem conseguido adquirir produtos que não eram possíveis, ou que não faziam parte do universo de compra da maioria da população, antes da implantação da moeda, como por exemplo, produtos eletroeletrônicos e importados.

Claro que uma elevação de preços afeta este cenário e reduz um pouco o poder de compra do brasileiro, mas essa elevação de preços por si só não indica um momento de crise.

Foi falado também sobre a questão do país ser dependente dos preços internacionais das commodities e da baixa industrialização do país. Realmente, neste ponto tenho que concordar com a economista. Um país dependente do mercado internacional de commodities, com industrialização fraca torna-se dependente da economia internacional.

Contudo, vimos o mundo passando por uma crise fortíssima em 2008 e o Brasil se manteve de pé. Claro que isso, e com uma certa razão para a economista, baseado muito nos incentivos e gastos governamentais como a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em várias frentes, como programas de redução de juros e isenção de impostos. Esses programas podem ser vistos de diversos ângulos, contudo não se pode negar que, por exemplo, o PAC atuou em frentes de investimentos e infraestrutura para garantir a melhoria e expansão dos investimentos industriais brasileiros, pois sem infraestrutura não há empresa que invista, sem contar que a década de 1990 o Brasil sofreu uma forte queda nos investimentos em infraestrutura que só foi retomada a partir da década de 2000, com especial atenção para o PAC.

No que tange à redução dos juros, estes visaram sim o aumento do consumo por parte da população juntamente com a facilitação do acesso ao crédito para diversos fins. Por um lado essa medida causou endividamento da população, o que, e lógico traria um período de redução desse consumo em algum momento. Fato que está acontecendo agora. Por outro lado, a redução de juros e facilitação de crédito em uma economia também tem como objetivo, incentivar os investimentos, daí o crescimento no nível de postos de trabalho com consequente redução do desemprego e elevação do nível de renda da população.

Quanto ao questionamento do Tico Santa Cruz sobre se as empresas não poderiam manter esses funcionários nesse período a resposta é: o setor privado visa lucro e após um período de lucros extraordinários, aceitar uma redução na margem de lucro não é o objetivo da empresa, então, com a redução do consumo, as empresas devem reduzir produção e para manter a margem de lucro elas irão elevar os preços dos produtos, piorando a sensação de crise.

A elevação dos juros da economia para 14,25% na última reunião do Copom vem sim, dizer para a economia, mais especificamente, para o setor produtivo que a fase de ritmo acelerado já passou que é momento de reduzir a marcha. Essa sinalização certamente reduz o nível de investimentos e consequentemente o nível de emprego, fazendo com que haja uma redução no nível de renda e de consumo dos brasileiros.

Mas isso, por si só não significa que estamos em crise, mas que passamos por um período de aceleração e agora estamos num período de contração, fato comum para qualquer economia em desenvolvimento.

Sobre a taxa de câmbio, a taxa de câmbio atual é de R$ 3,4851/U$, enquanto que em dezembro de 2014 era de R$ 2,6562/U$, realmente houve uma subida no valor do dólar. Contudo em 2002 o dólar estava cotado em R$ 3,5333/U$. Ou seja, houve sim uma variação, mas uma variação pequena considerando o período 2002-2015.

Essa elevação do dólar causa sim uma dificuldade nas importações e pode sim afetar o preço de alguns produtos nacionais, especialmente aqueles que dependem de matéria-prima importada. Todavia o dólar mais caro incentiva as exportações, então não são todos os setores que estão sofrendo com a alta do dólar. Os exportadores devem estar satisfeitos. Contudo, é claro que quanto mais se exporta a tendência de elevação dos preços internos é maior. Porém, se o país conseguir manter essa variação sem muita amplitude, o equilíbrio deve voltar.

Bom sem nos alongarmos nas questões econômicas as quais até aqui não configuram crise alguma, não posso deixar de falar de um fator psicológico capaz de gerar diversas reações econômicas. Esse fator chama-se “EXPECTATIVAS”. Um país com expectativas positivas tende a apresentar crescimento e desenvolvimento econômicos positivos, enquanto que um país com expectativas negativas pode retrair a atividade econômica. Isso se dá porque a atividade econômica é um ato humano e os seres humanos são movidos por expectativas.

Daí a observação do Tico Santa Cruz não estar de todo errada. As expectativas podem ser sim modificadas de positivas para negativas, por meio de manipulações. Sejam elas políticas e/ou sociais.

No caso do Brasil, a nossa crise é política, é uma crise institucional, criada pela figura encravada na política brasileira, conhecida como corrupção. Essa é a crise brasileira, mas ela não é nova, não é de agora, é de sempre. Está arraigada na nossa sociedade, infelizmente.

O que de bom tem trazido esse momento é o fato de que movimentos escusos estão sendo investigados, descobertos e punidos (assim espero). Contudo esse movimento de expurgar os corruptos (e que sejam todos eles expurgados, independente do partido político ou da elite de poder a qual pertencem), esse movimento tem trazido para o Brasil uma sensação de insegurança, uma sensação de não saber o que realmente está acontecendo politicamente no país.

Além disso, as forças de oposição ao atual governo tem aproveitado dessa situação para piorar a crise política criando uma ilusão de “maior crise econômica” do Brasil. O que pelos dados não é verdadeira.

Nesse ponto, concordo com o Tico Santa Cruz, porque devemos olhar além do óbvio e ver que as elites políticas brasileiras sempre estiveram em confrontos pesados à custa da população.

É necessário ver que para além da recessão econômica, estão sim, interesses políticos, isso fica claro quando toda essa situação e essa sensação de crise surge logo após as eleições presidenciais.

E a tão bradada “crise” que estão se pregando aos quatro ventos pode sim se tornar verdadeira, quando todas as expectativas da população brasileira estiverem ruído. Ai sim a crise será iminente.

A crise é muito mais uma luta de poder do que econômica até porque a crise econômica ainda não aconteceu. Mas se as investidas contra as expectativas positivas prevalecerem ela poderá vir. Com certeza.

Deve-se ter muito cuidado com o que se ouve e se lê sem questionar.

Aliás, a informação e o conhecimento são bem vindos sempre e não necessitam de ofensas para convencer.

sábado, 18 de julho de 2015

O que é ser político???




Sou um ser POLÍTICO, no sentido puro da palavra: Segundo Dalmo de Abreu Dalari...

" A origem da palavra política é Grega e foi utilizada por vários filósofos e escritores da Grécia antiga. Entretanto o de melhor compreensão foi escrita por Aristóteles. Segundo o filósofo o homem é um animal político, pois necessita da companhia de outras pessoas, ou seja: refere-se à vida comum, as regras de organização dessa vida, os objetivos da comunidade e as decisões sobre todos esses pontos. Portanto, é possível afirmar que é real a necessidade do homem de participar politicamente para ser realmente um ser humano, no sentido de que este é um ser que se relaciona com os outros, e só tem sentido seu existir se assim o for.

Percebe-se ainda que o homem confronta desafios, que de suas resoluções surgem consequências positivas ou negativas conforme forem tomadas as decisões destes desafios. A partir daí, a necessidade de se tomar decisões irá sempre exigir uma lucidez do indivíduo, que será adquirida através da sua conscientização crítica. Porém essa critica se constrói participando de todos os atos que influenciam o todo social.

O termo política permite diferentes interpretações desde uma realidade que desdobre da intimidade pessoal até uma esfera bem definida na sociedade. Podemos dizer que há duas direções para entender o significado de política. Uma segue o raciocínio de entender o termo como tudo que diz respeito às relações sociais, à realidade social global, enfim à sociedade em geral. Nesse sentido, tudo que ultrapasse o âmbito estritamente pessoal ou das relações íntimas e incida sobre qualquer realidade social é político. A outra tendência relaciona política com o poder. Assim uma ação política é aquela que visa à obtenção do poder, a sua conquista ou sua manutenção.
Podemos perceber em ambas as tendências um aspecto comum, que definiria o político: sua referência ao poder seja de modo indireto ou implícito (primeira tendência), seja de modo explícito ou direto (segundo tendência).

O autor conceitua política como a conjugação das ações dos indivíduos e grupos humanos, dirigindo-as a um fim comum. Diante disso a argumentação inicial é provida de valor considerando que, na primeira tendência, as ações dos indivíduos produzem efeitos sobre a organização da sociedade, seu funcionamento e sobre os seus objetivos e, na segunda tendência, a estrutura de poder procura atender a necessidade natural de convivência dos seres humanos. Essa estrutura de poder que mencionamos é aqui entendida como a sociedade política, que se legitima com a realização do bem comum. O bem comum aqui entendido como a finalidade da sociedade política.

2) Homem: animal político

No texto, o homem é apresentado como um animal político, no sentido que o homem está sempre em relação com o outro. O homem vive em sociedade não somente por contingência de sobrevivência, mas porque a sua própria natureza assim o exige.

O homem não pode ser entendido como um ser isolado, mas em comunhão com os outros homens. Portanto, o homem necessita de uma perspectiva evolutiva, a vida do homem é uma vida em projeto, num contínuo fazer-se. Por isso, existe a necessidade da participação política e é a partir desta que as relações se concretizam. A vida em sociedade é uma necessidade fundamental da natureza humana.

3) Problemas políticos: problemas de todos

O homem se confronta com os desafios próprios de sua época e, ao respondê-los, torna-se histórico. Um ser que pergunta se interroga e vive - assim no jogo de suas respostas (participação política)- se altera no próprio ato de responder. O isolamento significa a destruição. Assim a construção a partir desse movimento supõe a comunhão entre os membros de tal sociedade.
A busca pela felicidade dos membros da polis se realiza na comunhão, porém esta não pode ser entendida sem a concepção de serviço. Portanto a comunhão se realiza através do ato de servir e não pela servidão, que é a perversidade do ato de servir. É a integração dos membros da polis. Seguindo essa linha de raciocínio, verifica-se a urgência da luta contra a alienação e contra a massificação do homem. Assim todo aquele que mutila ou limita a história humana, seja através da ignorância e da manipulação por mitos, necessita de urgente conscientização, que se realizará através da prática da participação política.

4) A capacidade de tomar decisões

O homem é livre para decidir sobre seu próprio destino, que acontecerá conforme sua deliberação, mesmo que esta deliberação não seja explícita. Portanto, a liberdade está na potencialidade do indivíduo tomar decisões que tragam consequências para a sua vida e especialmente para a vida social. A liberdade deve ser entendida nesse sentido político.

Mesmo diante da inegável justificativa que ninguém pode viver sem tomar decisões, muitas pessoas insistem em não tomar decisões, seja por comodismos ou por medo da responsabilidade, medo esse dissimulado atrás de um desprendimento de acatar de boa vontade o que os outros decidirem. Não percebem que não decidindo, estão decididos a permitir que outros decidam em seu lugar. Permissão que poderá acarretar grandes prejuízos e um arrependimento sem cura e tornam-se espontaneamente pessoas inferiores e deixam de utilizar de sua liberdade. A omissão impede o sistema de ser democrático tendo em vista que a democracia é onde as decisões são tomadas com liberdade e se respeita a vontade da maioria. A omissão de tomar decisões pela maioria deixa a minoria decidir. Isso não é democracia. Portanto, participação política é o mecanismo onde se realizam as decisões. Estas se articulam com as utopias humanas. Para se tomar decisões precisa-se vivenciar uma utopia, que é incorporada através da convicção.

  5) Direito de Participação Política

Na visão do Direito, a participação é um direito reconhecido e incontestável. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país e a vontade do povo será à base da autoridade do governo. Esse direito foi consagrado pelo artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Segundo o autor, não é difícil compreender a razão e o alcance do reconhecimento desse direito. Se todos são essencialmente iguais, ou seja, se todos valem a mesma coisa e se, além disso, todos são dotados de inteligência e de vontade não se justifica que só alguns possam tomar decisões políticas e todos os demais sejam obrigados a obedecer. Para que exista justiça é necessária a participação de todos nas decisões. Esse direito sempre existiu pelas razões expostas, porém apenas foi explicitado pela Declaração no século XVII/ XVIII e pelas constituições que posteriormente surgiram influenciadas pela declaração e pelo pensamento da burguesia. Nessa época ainda, foi implementado o sistema de dar a um representante o direito de falar e decidir em nome de muitos representados.

De acordo com o texto, não há lei alguma que possa se obrigatória para a comunidade, nem mesmo o contrato social, ao contrário, sua obrigatoriedade nasce do consenso e de sua sujeição à soberania da vontade geral. Com as idéias que valorizavam a pessoa humana, as constituições foram sendo modificadas, afirmando a igualdade de direitos e consagrando o sistema chamado de "sufrágio universal" (soberania da vontade popular).

Portanto, a participação política não pode reduzir-se ao exercício do voto, mas, sobretudo participar de todas as decisões inclusive a de como participar. Podemos dizer que as formas de participação são resultantes da própria participação política.

6) Dever de Participação Política

A participação política é um dever de todos, é importante que exista, porque através dela todos podem exercer a sua vontade e tomar consciência do que está sendo feito. Em outras palavras, deve agir como um poder fiscalizador das políticas públicas, que não podem ficar restritas a um pequeno número de indivíduos que ditam as normas, sem conhecerem o que os outros pensam a respeito.

7) Formas de Participação Política

Existem indivíduos que não procuram exercer plenamente seu direito de participação política, limita-se a cuidar de dois assuntos de seu interesse particular imediato, dizendo que não gostam ou que não entendem de política. O processo de conscientização que conduz a uma participação ativa passa pela construção e recriação de uma cultura política que permita uma avaliação não apenas a partir do bom senso. E preciso entender que participação política não é apenas participação eleitoral, e muitas vezes é mais eficiente por outros meios.

Tipos de participação política: Individual e Coletiva |Eventual e Organizada |Conscientização e 
Organização | Participação eleitoral.

Individual – Neste caso o indivíduo em certas situações toma suas próprias conclusões e escolhe seu caminho.

Coletiva – Ocorre por meio da integração em qualquer grupo social e a força do grupo compensa a fraqueza do indivíduo.

Eventual – Está ligada a circunstâncias momentâneas, assegurando que dos dois modos há equivalente eficácia, desde que exercidos com consciência e responsabilidade.

Organizada – assegura a continuidade dos trabalhos e assim maior eficiência.

Conscientização – Consiste em dar uma contribuição para que as pessoas percebam que nenhum ser Humano vale mais ou menos que os demais e que todos podem e devem lutar constantemente pela conquista ou preservação da liberdade de pensar e de agir e pela igualdade de oportunidades e responsabilidades.

Organização – Consiste em colaborar concretamente, fornecendo ideias ou meios materiais, para que grupos humanos conjuguem seus esforços visando objetivos comuns.

Participação eleitoral – Cada indivíduo pode participar de modo diferente no processo militante partidário. A participação através do voto é o mínimo que se deve exigir para cada cidadão numa democracia representativa.

Conclusão:

Para buscar uma nova sociedade onde haja justiça, como principal fonte para realizar a igualdade e liberdade, o ato de participar politicamente é uma necessidade. Entretanto aqueles que não desejam mudanças desejam difundir sempre o que é contrário da participação: o comodismo, a difusão de que existe ideologia presente nos próprios atos participativos.

Não basta dizer que todos são livres e iguais como fazem a maioria das constituições existentes, se os livres e os iguais não dispuserem a assegurar condições políticas e possibilidades econômicas para que as pessoas possam efetivamente gozar de liberdade. Não se trata de mera concessão de direitos. É necessário sempre lutar por eles, seja para efetivá-los de fato, mantê-los, ou aperfeiçoá-los.

As questões sociais e políticas não podem ser tratadas como se fossem problemas técnicos e resolvidas por burocratas. Isto é coisa de regimes ditatoriais. Todas as questões sociais e políticas pertencem à sociedade e a ela compete decidir e resolver, e resolvê-las a partir de uma consciência crítica, e consequentemente participativa.

Conclui-se, portanto, que ainda existe a falta de participação política dos cidadãos devido à falta de uma cultura política.

É necessário que “surja” uma nova sociedade, mais participativa, mais consciente, politicamente falando, e que o ser humano construa uma sociedade onde as decisões políticas sejam de todos e para todos."


POSTADO POR HTTP://ELOISAFERNANDA.BLOGSPOT.COM.BR/ 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Estamos em um momento de reinvenção
  diz Debora Messenberg sobre envelhecimento dos partidos


Professora de Sociologia da UnB afirma que descrença de jovens na política institucional é mundial e frisa que mudança passa por escola ‘realmente pública’ e plural

 Os partidos políticos poderiam ter aproveitado as ruas, avalia Débora Messenberg, pesquisadora da Universidade de Brasília (Unb) e doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), sobre as manifestações de junho de 2013. Os partidos não foram capazes de canalizar a mobilização popular, ao mesmo tempo que o desinteresse das ruas por esta forma de representação política ficou evidente. Messenberg destaca que os jovens não acreditam na política institucionalizada e que esse movimento de reinvenção não é uma particularidade do Brasil.

Quais foram os resultados de sua pesquisa sobre a participação política dos estudantes da UnB?

Pouco antes das jornadas de junho (de 2013), especialistas latino-americanos e de outros países se reuniram num seminário em Brasília para debater os desafios da consolidação democrática na América Latina. Foi discutida a percepção de certa amorfia em relação à participação política no continente. Não é que a gente teve uma surpresa? Poucos dias depois, explodiram as manifestações no país. Muitas pesquisas tentaram explicar de onde veio essa energia. No caso da UnB, identifiquei um nível baixo de participação nas vias tradicionais da política. Mais de 87% não participam de nenhuma associação, nem são membros de conselho, sindicato ou movimento social. Cerca de 40% não se identificam com partidos políticos.

Por que essa baixa adesão?

Eles não acreditam na política institucionalizada, acham que a política é espaço de corrupção. E dizem que há falta de tempo para se dedicarem a esse tipo de atividade. Não acompanham a política porque não são socializados para isso. A política é tratada como coisa dos políticos, quando é a administração de conflitos de toda uma sociedade. Não somos socializados para discutir o bem comum. Não é um problema brasileiro, é mundial. Tivemos mobilizações que demarcam a insatisfação com as instituições formais da política. Acontece com os indignados da Espanha, pessoas que não querem mais a política formal. Recentemente, tivemos a ascensão de membros desse movimento assumindo cargos municipais. Os indignados da Espanha vieram mostrar que essa insatisfação pode ser canalizada para as instituições formais, mas é preciso dar continuidade ao movimento.

O que pode ser feito para que os jovens participem mais?

Uma educação que meramente repasse conteúdos profissionalizantes não adianta. Tem que haver a vivência de práticas democráticas, em escola realmente pública, onde os alunos experimentem a pluralidade, convivam com classes e etnias diferentes, e vivam a política como prática cotidiana. Estamos em um momento de reinvenção da política. Temos uma estrutura de séculos atrás, e a lógica e o mundo são outros. Aqueles que poderiam revelar vocação política não têm chance de disputar o jogo político.

A internet é uma alternativa?


A TV ainda pauta a agenda de forma intensa, mas está cada vez mais perdendo espaço para a internet, porque ela dá a possibilidade do retorno. Manuel Castells (sociólogo espanhol) diz que fazer política é descobrir as metáforas mobilizadoras. As jornadas de junho começaram com demandas por tarifas de transporte, que se desdobraram em manifestações não previstas. Estamos diante de grandes desafios.

Fonte : http://oglobo.globo.com/brasil/estamos-em-um-momento-de-reinvencao-diz-pesquisadora-sobre-envelhecimento-dos-partidos-16591574

domingo, 31 de maio de 2015

TRAIÇÃO E POLÍTICA




É muito comum principalmente nas eleições municipais nos depararmos com traições de lideranças políticas. Nicolau Maquiavel ( 1496-1527), que escreveu “ O Príncipe “, coloca que a traição política pouco tem a ver com moral e com o ódio.

A tendência a ser infiel está na busca pelo Poder e ganância pela grana que normalmente aparece nesses momentos. Esse fator sim se apresenta como responsável pela tendência de amigos, aliados ou companheiros se tornarem infiéis.

As traições ocorrem com maior incidência dentro do mesmo grupo político. Reações hipócritas e interesseiras, para subir numa escada virtual, em que se agarram os que vão à frente para se empurrarem para trás os que os ajudaram a subir.

E o fator mais agravante é a negação do anterior, ou seja, o traidor ainda se sente no dever de falar mal do traído por onde chega. Melhor explicando, aquele político que era elogiado e considerado um verdadeiro representante de uma comunidade por uma liderança política , simplesmente passa a ser chamado de político ultrapassado e sem ação de uma hora pra outra pela mesma liderança.

Será que existe algum elemento desses em nossa cidade?
Fica a dica aos eleitores: Quando uma liderança que vivia elogiando alguém bater á sua porta pedindo apoio para outro e difamando o anterior pense no que pode ter acontecido.

Segundo Maquiavel o cara se deu bem, quer dizer, botou a mão numa boa grana e precisa mostrar serviço para o novo chefe. Um cara desses que é capaz de vender a Mãe, o Pai, os filhos, imagine o que ele deve fazer com o povo. ( OLHO VIVO )
Postado por 

terça-feira, 26 de maio de 2015

COMPETÊNCIA DOS PODERES

COMPETÊNCIA DOS PODERES
Por  Stanley Burburinho​


Me pediram para republicar o texto abaixo sobre competências. Coloquei mais informações:

1 - Educação: POR LEI: ensino fundamental é responsabilidade do prefeito; ensino médio é responsabilidade do governador e ensino superior é responsabilidade do Governo Federal. O Governo Federal subsidia, via FUNDEB, até 65% do salário do professor do ensino fundamental(município) e do professor do ensino médio(estado), só que prefeitos e governadores, muitos da oposição, não repassam para os salários. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador.

2 - Segurança Pública: POR LEI, segurança pública é responsabilidade do governador que é o chefe da Polícia Militar e da Polícia Civil. O Governo Federal é responsável só pela Polícia Federal e pela Força Nacional. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador.

3 - Saúde: POR LEI, atendimento médico é responsabilidade de prefeitos e governadores. O Governo Federal envia, via SUS, a grana para municípios e estados, mas prefeitos e governadores desviam a grana para outras coisas. A grana do SUS não falta. O problema do SUS é de gestão no atendimento municipal e estadual e não do Governo Federal. Repare que na sua cidade os hospitais são municipais(prefeito) e estaduais(governador). Poucas cidade têm hospitais federais que, na realidade, eram municipais ou estaduais, mas devido à má gestão, para evitar o fechamento, o Governo Federal assumiu. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador.

POR LEI, o MEC, Min Saúde não podem fiscalizar a aplicação das verbas para a Saúde(SUS) e Educação(FUNDEB). Isso cabe ao tribunal de contas do município (TCM) e ao tribunal de contas do estado(TCE). Só que os conselheiros da maioria desses tribunais são nomeados pelo prefeito e pelo governador. Não gostou e quer mudar? Reclame com seu deputado federal e com seu senador. Estados que têm tribunal de contas do município? RJ, SP, BA, CE, GO, PA. Na Bahia é o governador que nomeia os conselheiros dos municípios. Imagina se o o MEC e o Min da Saúde tivessem que fazer concurso público federal para contratar servidor público para fiscalizar a aplicação de verbas nos mais de 5.700 municípios do Brasil. "Diriam que a máquina do governo está inchada". Se houver roubo de verba do MEC e do Min da Saúde, que são federais, entram em cena a PF, o MPF, CGU t TCU.

1) Por lei, combate à dengue é responsabilidade do prefeito e do governador e não de Dilma. Imagina se o Governo Federal tivesse que combater a dengue, sozinho, e controlar os mata-mosquito nos mais de 5.700 municípios do Brasil. Teria que fazer concurso público federal para contratar os mata-mosquitos. É a LEI.

2) Por lei, abastecimento de água é responsabilidade do governador e não do Governo Federal;

3) A greve de professores em São Paulo, no Paraná e no Pará, todos do PSDB, é responsabilidade dos prefeitos, se for professor municipal, e dos governadores se for de professor estadual, e não do Governo Federal. Por lei, ensino fundamental é responsabilidade do prefeito, ensino médio é responsabilidade do governador e ensino superior é responsabilidade do Governo Federal;

4) Chacinas em São Paulo: POR LEI (está na Constituição), segurança pública é responsabilidade do governador que é o chefe da Polícia Militar e da Polícia Civil e não do Governo Federal que é responsável pela Polícia Federal e Força Nacional. O Governo Federal só pode enviar a PF e a Força Nacional para um Estado, somente se o governador daquele estado solicitar ajuda oficial.

Um sr disse abaixo: "Não pode intervir? Então explique por que na época do FHC, não tinha operações da Polícia Federal? Ou você acha que a Polícia Federal pode atuar sem autorização judicial? FHC tinha o Poder Judiciário na mão, a Polícia Federal e o Engavetador Geral. Quem montou essa arapuca contra o PT foi o próprio PT."

1) O diretor-geral da Polícia Federal durante os governos de FHC era filiado ao PSDB: "Diretor-Geral da Polícia Federal é filiado ao PSDB desde 2001" - www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0803200217.htm

2) Lula e Dilma sempre nomearam Procurador-Geral da República(PGR) o procurador mais votado pelos membros do MP que era apresentado numa lista tríplice. FHC não respeitou a lista tríplice e nomeou o Geraldo Brindeiro, primo do Marco Maciel que era o vice-presidente de FHC e que foi o vice-presidente da ditadura, o engavetador-geral da República, que era o sétimo colocado na lista tríplice;

3) Quem fiscaliza as investigações da Polícia Federal é o MP que faz a denúncia, o Judiciário acata, julga e condena. Não adianta a PF investigar se o MP e o Judiciário não acatarem;

4) A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça que é subordinado à presidência da República. O presidente pode determinar uma investigação da PF, mas nada adiantará se o MP engavetar e não denunciar ao Judiciário ou se o Judiciário não acatar a denúncia. A PF pode denunciar diretamente uma investigação para o Judiciário, mas se um juiz não acatar e mandar arquivar, o presidente da República não poderá fazer nada a não ser recorrer.

5) Se a Polícia Federal está investigando a corrupção na Petrobras no inquérito da Lava Jato é porque Dilma, chefe da Polícia Federal quer que tudo seja investigado, doa a quem doer.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

PROUNI

Como funciona o Prouni?


 O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi criado em 2004, pela Lei nº 11.096/2005, e tem como finalidade a concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de cursos de graduação e de cursos sequenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior. As instituições que aderem ao programa recebem isenção de tributos.

 Qual a relação entre ProUni, Sisu e Fies?

O Programa Universidade Para Todos – ProUni, distribui bolsas de ensino gratuitas em Instituições Privadas de Educação Superior, com base na nota do Enem.

 O Sistema de Seleção Unificada – Sisu, é um sistema pelo qual as Instituições Públicas de Educação Superior (Universidades Federais) selecionam estudantes para as vagas nas Federais também com base na nota do Enem. 

E o Fies é um Financiamento do Governo para que você possa arcar com os custos de um curso superior em uma Instituição Privada, o Governo paga sua faculdade e depois de se formar você paga de volta ao Governo, é um financiamento literalmente.

Como funciona o ProUni?

O ProUni é um programa que escolhe os candidatos de acorda com a nota do Enem do ano anterior à inscrição, portanto para se inscrever no ProUni 2013 o candidato, obrigatoriamente, deverá ter realizada o Enem 2012. Basicamente, as etapas para se inscrever no ProUni 2013 serão:

O candidato se inscreve no Enem 2012 e realiza a prova.
O candidato confere o resultado do Enem 2012, se tiver tirado uma pontuação mínima de 450 pontos nas provas e não tiver zerado a redação, então ele estará apto a se inscrever no ProUni 2013.
Em janeiro de 2013, o candidato se inscreve no ProUni 2013.
Quem pode se candidatar ao ProUni?

Os requisitos para se candidatar ao ProUni são:

1- Ter tido uma pontuação de pelo menos 450 pontos no último Enem e não ter zerado a prova de redação.
2- Ter renda familiar per capita de 1,5 salário mínimo (bolsa integral) ou 3 salários mínimos (bolsa parcial).
3- Não possuir curso de graduação.
4- Ter cursado o ensino médio completo em escola pública.
5- Ter cursado o ensino médio completo em escola privada, desde que na condição de bolsista integral.

Também podem se candidatar ao ProUni:

1- Pessoa com deficiência.
2- Professor da rede pública de ensino, no efetivo exercício do magistério da educação básica e integrando o quadro de pessoal permanente de instituição pública e concorrer a bolsas exclusivamente nos cursos de licenciatura, normal superior ou pedagogia. Nesses casos não é exigida a comprovação de renda.

É cobrado alguma taxa para participar do ProUni?
Não, nenhuma taxa é cobrada para participar do ProUni.

terça-feira, 12 de maio de 2015

PRATICANDO O DESAPEGO



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário....
Perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: Diga a sí mesmo que o que passou jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo...
- Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Encerrando ciclos, não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba...
Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais em sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Quando um dia você decidir a pôr um ponto final naquilo que já não te acrescenta.
Que você esteja bem certo disso, para que possa ir em frente, ir embora de vez.
Desapegar-se, é renovar votos de esperança de sí mesmo,
É dar-se uma nova oportunidade de construir uma nova história melhor.
Liberte-se de tudo aquilo que não tem te feito bem, daquilo que já não tem nenhum valor, e siga, siga novos rumos, desvende novos mundos.
A vida não espera.
O tempo não perdoa.
E a esperança, é sempre a última a lhe deixar.
Então, recomeçe, desapegue-se!
Ser livre, não tem preço!
Fernando Pessoa