domingo, 14 de agosto de 2011

Por uma sociedade mais justa


Por uma sociedade mais justa
Ulisses Riedel

A vida em sociedade, que é uma exigência da natureza humana, é uma vida de relações. Durante um longo período, o sistema básico de relações humanas foi o da força. Os mais fortes, fisicamente, dominavam os mais fracos. Com o correr dos milênios e o desenvolvimento da inteligência, o uso da força física cedeu lugar à força da inteligência, que, por sua vez, utiliza também a força física.

Nesse vasto período de evolução, o egoísmo foi o fator determinante no uso da inteligência e da força bruta para o estabelecimento das relações humanas. Contra essa liberdade selvagem, pouco a pouco estabeleceu-se o Estado de Direito, para que regras sociais pretensamente justas prevalecessem contra o arbítrio, a tirania e o despotismo.

Na Grécia antiga, Pitágoras afirmou que “o governo existe somente para o bem dos governados”. Em outro discurso, disse: “O Estado deveria ser o pai e a mãe de todos; o protetor de todos, sem o qual o lar seria assolado e destruído. É do Estado que promana tudo quanto torna nossa vida próspera e proporciona beleza e segurança. Se um homem bravo morre em defesa do que é seu, com maior boa vontade deveria morrer em defesa do Estado.”

Em nossos dias, Krishnamurti afirmou que “o problema coletivo é o problema individual.” O ideal de cidadão é sentir-se participante da sociedade, com uma visão abrangente que alcance toda a humanidade, todos os povos, todo o planeta.

Porém, nenhum Estado é verdadeiramente civilizado se a cultura de uns se baseia na ignorância e na miséria de outros. É preciso fazer com que se torne realidade a famosa frase de Annie Besant: “Quanto mais elevadas forem as aspirações nacionais, mais poderosa se torna a nação.”

A célebre divisa da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade) é extremamente significativa para a construção de uma sociedade nobre. Mas, em seu nome, foram cometidos erros que negaram o próprio ideal.

O ideal de liberdade transformou grande parte do mundo, liberando-o do absolutismo, do colonialismo, da opressão. A história da humanidade reverencia pessoas que, de formas diversas, lutaram pela liberdade: Annie Besant, Nehru e Gandhi, na Índia; Artigas, Bolívar, Zapata e José Marti, na América Latina; Lincoln, nos Estados Unidos; Tiradentes e Gonçalves Ledo, no Brasil; e Mandela, na África do Sul.

Em 1942, Roosevelt enunciou sua famosa doutrina das quatro liberdades. A primeira é a liberdade de expressão; a segunda, a liberdade de adorar a Deus à sua maneira; a terceira, a libertação da miséria – “que permita assegurar uma vida saudável e pacífica aos habitantes, em todas as partes do mundo”; a quarta é a liberdade do temor – “que significa uma redução mundial de armamentos, a tal ponto que nenhum país possa achar-se em posição de cometer ato de agressão física contra seus vizinhos”.

Annie Besant, de certa maneira, sintetizou esses ideais como uma meta a ser alcançada pela humanidade: “Ninguém é realmente livre (...) se não souber subordinar suas tendências inferiores às suas aspirações mais elevadas. Se não adquirir paz e equilíbrio interior, irradiando ao seu redor, através de seu lar e de sua ação no mundo, essa mesma paz e esse mesmo equilíbrio. Só assim podem ser removidos a ambição, a cobiça, a sede insaciável de prazeres, de poder, de conforto, que são as causas da exploração e do sofrimento humano. São, ainda, a origem das limitações que o ambiente social de hoje apresenta à liberdade plena de cada um e de todos.”

O ser humano só encontra paz quando consegue se desprender de seu eu superficial. Em geral, quando isso acontece, ocorre uma verdadeira revolução interior, que inverte todos os valores morais e sociais. Os objetivos externos perdem importância. O entusiasmo que resulta da comunhão com as forças vitais da espiritualidade interna passa a ser o mais importante. Uma crise de consciência desse gênero é a origem de todas as grandes realizações humanas, assim como das vidas dos santos e dos sábios.

Se conseguirmos realizar em nossa vida essa liberdade moral, vamos enobrecer e enriquecer nossa existência em comunhão com as energias espirituais interiores. Assim, poderemos viver uma vida inteiramente livre, construtiva e harmoniosa, e seremos centros irradiadores de harmonia e paz no nosso lar, na vida profissional, no ambiente social, no mundo. Dessa forma, contribuiremos para fazer o nosso povo mais feliz, mais sadio, mais rico, material e moralmente. E daremos às novas gerações um exemplo construtivo de como aproveitar as oportunidades de bem servir.

Ao tomarmos consciência da necessidade de realizar o ideal do cidadão perfeito dentro do Estado perfeito, cumpre-nos agir para introduzir esses objetivos no convívio social. Historicamente, alguns países deram ênfase ao ideal de liberdade; outros, ao de igualdade. Como a liberdade e a igualdade conquistadas eram superficiais, calcadas em valores externos e transitórios, os sistemas resultaram em fracasso.

Nos países onde a liberdade foi priorizada, ela alcançou apenas uma parte da população; prevaleceu a face cruel do liberalismo econômico e do individualismo. Nos países onde se priorizou a igualdade, também de forma externa e sem liberdade, o resultado foi, da mesma maneira, fracasso e insatisfação.

Uma visão superficial pode levar a pensar que onde há liberdade é impossível haver igualdade, e vice-versa. Mas essa é uma falsa conclusão; um princípio não exclui o outro. A vida espiritualista é aparentemente paradoxal. No caminho espiritual, precisamos adquirir qualidades contraditórias na aparência, mas que, na verdade, são complementares: o desenvolvimento da força implica desenvolver a sensibilidade; o do amor, o desapego; o da sabedoria, a humildade.

Da mesma forma, no plano coletivo, a liberdade implica o desenvolvimento da igualdade. Só existe verdadeira liberdade entre iguais; só existe verdadeira igualdade em liberdade. Liberdade, igualdade e fraternidade, que a bandeira da Revolução Francesa fixou (com certeza divinamente inspirada), são princípios sociais eternos. Em qualquer época, em qualquer civilização, uma sociedade nobre deve ser livre, igualitária e fraterna. Mais do que isso: a liberdade e a igualdade só podem existir a partir da fraternidade humana. Essas reflexões fizeram com que Annie Besant, uma socialista, afirmasse: “Não creio no socialismo que toma; só creio no socialismo que dá.”

A fraternidade, por sua vez, depende fundamentalmente da transformação de cada um de nós e da expressão de nossas potencialidades internas. Em outras palavras, não há regime, sistema ou forma de governo, não há estrutura externa que possa garantir uma sociedade nobre.

Mergulhando mais profundamente, podemos dizer que é no reconhecimento da natureza divina de todos os seres humanos, no reconhecimento de uma verdadeira fraternidade, não externa, mas real, efetiva, intrínseca, de que todos somos mais do que irmãos, de que somos criaturas feitas do mesmo barro, é que encontraremos as bases da construção de uma sociedade nobre.

Ao completar dezoito anos, os jovens atenienses, antes de se tornarem cidadãos e ingressar na vida pública, prestavam o seguinte juramento: “Prometo que jamais desonrarei esta cidade com nenhum ato de desonestidade ou covardia, que não abandonarei jamais meus irmãos desertando das fileiras, que lutarei pelos ideais e pelo patrimônio sagrado da cidade, ainda que o deva fazer sozinho, reverenciando e obedecendo às leis, e que tudo farei por incitar igual reverência e respeito a quantos acima de nós se possam sentir inclinados a anular ou desconhecer essas leis; prometo que me esforçarei incessantemente para intensificar o sentimento público do dever cívico de nossa cidade; e que assim, por todos esses meios, tudo farei para passar esta cidade às novas gerações não só maior, mas certamente melhor e mais bela do que nos foi transmitida.”

No conselho municipal da pequena cidade de Poplar, perto de Londres, há uma placa que parece uma versão moderna do juramento dos jovens atenienses: “Que a nossa geração possa ter a visão real de nossa sociedade como uma grande e bela realidade, que ela pode e deve ser; uma sociedade de justiça, onde ninguém possa viver prejudicando seus semelhantes; uma sociedade de abundância, onde o vício e a pobreza não possam medrar; uma sociedade de fraternidade, onde todo o êxito se alicerce no ideal de servir, e onde honras sejam prestadas à verdadeira nobreza de ânimo e coração; uma sociedade de paz, na qual a ordem não se funda na garantia de força, mas na do amor de todos pela sua pátria, a grande mãe da vida coletiva e de todos os seus lares.”


Luta contra a injustiça

Batalhador incansável pelos direitos humanos, Nelson Mandela é uma das figuras mais importantes da história contemporânea. Durante seus anos de estudante, lutou contra as leis do apartheid e ajudou a criar uma divisão juvenil do Congresso Nacional Africano (ANC). Fundou o primeiro escritório de advogados de raça negra na África do Sul. Em 1964 foi condenado à prisão perpétua. Durante os 27 anos em que esteve preso, converteu-se num símbolo internacional de resistência contra o racismo e a injustiça. Em maio de 1994 tornou-se presidente, nas primeiras eleições democráticas de seu país. No ano anterior recebeu o prêmio Nobel da Paz, junto com o presidente sul-africano F. W. de Klerk, por seu esforço conjunto para acabar com o apartheid de forma pacífica.

Meu pai


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Esquema de Deus


O Esquema de Deus

Estamos todos entrosados no Esquema de Deus. Esse esquema nos leva, através do tempo, à paz da eternidade. Mas o conceito estático de eternidade não prevalece no Espiritismo, onde ela aparece como duração. O tempo é a visão fragmentária da duração, um recorte do absoluto para o uso das nossas percepções relativas. Os que se apegam ao relativo, às ilusões do temporário, esquecidos de sua própria transcendência, vivem na inquietação e portanto em guerra consigo mesmos e com o mundo.

O Esquema de Deus é o plano universal da evolução do qual vemos apenas alguns pedaços acessíveis aos nossos sentidos. Mas a nossa mente, que é cérebro da alma, pode perceber além dos sentidos. Por isso, nas experiências parapsicológicas já se comprovou, cientificamente, que podemos ver com nitidez o passado e o futuro, confirmando-se, assim, as pesquisas espíritas de mais de um século.

Os que aprendem a se libertar do relativo para vislumbrar a duração (que é a eternidade em conceito dinâmico) aprendem a superar a inquietação a encontrar a paz.

Pela evolução, nossa mente se abre, como uma flor que desabrocha, para a percepção progressiva do absoluto que nos proporciona a paz. Não a paz do mundo, como ensinou Jesus, mas a paz do espírito. A percepção individual dessa paz se transforma aos poucos, em conquista coletiva, na proporção em que a humanidade se eleva e o mundo se transforma.

Assim, pela evolução dos homens e do mundo, a paz do espírito, que parece individual, se revelará coletiva e universal. É importante sempre nos lembrarmos de que nada e ninguém nos poderá arredar do Esquema de Deus.
Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

VEM ME OLHAR


VEM ME OLHAR - Martha Medeiros

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir.

Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.

Acordo pela manhã com ótimo humor, mas... Permita que eu escove os dentes primeiro.

Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.

Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais.

Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.

Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa.

Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada.(Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).

Seja mais forte que eu e menos altruísta!

Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.

Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade.

Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.

Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.

Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.

Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.

Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Enlouqueça-me uma vez por mês, mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca... Goste de música e de sexo.

Goste de um esporte não muito banal.

Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família...

Isso a gente vê depois... Se calhar... Deixa-me eu dirigir o seu carro, que você adora.

Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.

Não me conte seus segredos...

Faça-me massagem nas costas.

Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Rapte-me!
Se nada disso funcionar... Experimente me amar!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA E À SOCIEDADE MINEIRA


NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA E À SOCIEDADE MINEIRA

Em resposta à Nota publicada pela Secretaria de Estado da Educação no dia 27/05/11

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou no dia 06 de abril deste ano a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.167, que questionou, entre outras questões, a composição do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), instituído pela Lei 11.738/08.

O resultado deste julgamento é a definição da composição do Piso Salarial. De acordo com a decisão do Supremo, o PSPN corresponde ao vencimento básico inicial da carreira do professor de nível médio de escolaridade, excluídas quaisquer vantagens e gratificações.

Diante deste julgamento, o Governo Antonio Anastasia falta com a verdade para com a população ao afirmar que “em Minas Gerais, sistema de remuneração por subsídio, implementado no início deste ano, garante Piso Salarial para os profissionais da Educação”.

A decisão do STF determina o contrário do que afirma o Governo Mineiro. Não é possível compor o Piso Salarial com nada além do vencimento básico. O subsídio, instituído pela Lei Estadual 18.975/10, é composto de toda a remuneração do servidor, ou seja, de vantagens e gratificações pessoais.

O que o Governo tenta esconder é que está descumprindo uma Lei Federal, uma vez que o vencimento básico do professor para nível médio de escolaridade em Minas Gerais é de R$369,00. De acordo com o Ministério da Educação deveria ser de R$1.187,00 e, de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), de R$1.597,87.

O discurso irreal de transparência e modernização

O subsídio não trouxe mais transparência e modernização ao sistema remuneratório, como também afirma o Governo Estadual. Milhares de professores recebem como se fossem estudantes de graduação, mesmo tendo concluído a graduação ou mesmo a pós-graduação. Servidores com nível de escolaridade de mestrado recebem apenas pela licenciatura curta. Milhares de Auxiliares de Serviço da Educação Básica (ASB) recebem pelo ensino fundamental incompleto, apesar de terem nível médio de escolaridade.

Ao contrário, esta forma de remuneração desvalorizou os servidores, recolocando-os no início da carreira mesmo tendo 15 ou 20 anos de serviço.

Também é um desrespeito ao servidor o governo afirmar que corrigiu distorções. O que o subsídio fez foi nivelar servidores com 20 anos de serviço aos que começam agora a trabalhar na Rede Estadual. O que ocorreu na verdade foi uma desvalorização dos servidores.

Categoria mobilizada

Durante todas as reuniões realizadas com o Sind-UTE/MG, o Governo afirmou que somente se pronunciaria a respeito do pagamento do Piso Salarial após a publicação do acórdão.

No entanto, ao verificar a mobilização da categoria, que terá assembleia estadual amanhã (31.05), e a disposição de realizar uma nova greve, caso o Governo permaneça na inércia, ele tenta distorcer a realidade vivenciada pelos profissionais da educação em todo estado. Continua a ser uma vergonha o salário pago em Minas Gerais, principalmente ao descumprir uma lei federal.

Belo Horizonte, 29 de maio de 2011.

Direção Estadual do Sind-UTE/MG

domingo, 7 de agosto de 2011

Quem os pariu que os embale


Quem os pariu que os embale

Dilma quer prosseguir na faxina que rende pontos no IBOP, mas passou a vassoura para os partidos.

A presidenta e seus colaboradores mais íntimos, entre eles Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, sabem que esse negócio de faxina é uma improvisação que, para o bem ou para o mal, não tem retorno.

Até aqui, o tema rendeu popularidade para Dilma Rousseff, mas ela percebeu logo que não pode ser “pautada pela mídia” e paralisar seu governo, num mar de detergentes e sabão.

Então, de improviso como sempre, decidiu-se que o lava jato deveria ser transferido par o Congresso e administrado pelos próprios partidos da base governista. A presidenta seguirá afirmando que não admite desvios de conduta, mas não vai abrir nenhuma sindicância antes de uma primeira peneirada na Câmara dos Deputados, que deverá ouvir explicações de ministros e outras autoridades eventualmente envolvidas no “escândalo do dia”.

É claro que desse mato não sairá coelho, mas o pessoal da administração, cada qual em sua quadra do loteamento, vai sacar que, pelo menos no momento, é preciso pegar leve.

E a mídia teleguiada e incosequente continuará a fazer jorrar, de suas impressoras e telas, borbotões de escândalos seletivos, com dados geralmente fornecidos pelos especialistas em fogo amigo.

E a classe média, a quem o espetáculo é dirigido, continuará ruborizando-se de indignação e ódio. E continuará, na esteira de suas elites, discutindo política apenas nesse nível superficial, enquanto trata de lesar seu cliente ou freguês. Em segida lançará mais alguns trocados do seu Caixa-2 e sonegará impostos até o limite da imaginação de seus contadores.

A verdade é que as fraudes e maracutaias da iniciativa privada (pequena média e grande) são muito maiores do que as praticadas pelo setor público. Aliás, como a grande maioria dos políticos com mandato são empresários, eles apenas transferem suas práticas particulares para a vida pública.

Mas ninguém se escandaliza com o fato de os empresários representarem menos de 20% da população e, não obstante, ocuparem mais de 70% das cadeiras do Congresso. Da mesma forma que ninguém quer saber porque o Brasil, é o campeão mundial da concentração da posse da terra e um dos campeões da concentração de renda. Duas imoralidades patentes, mas não suficientes para ruborizar a classe média e sua mídia.

De seu lado, os partidos da base governista não estão gostando nem um pouco dessa história de faxina, mas não oferecem alternativas. E, premido pelas circunstâncias, o PR até agora a única sigla exposta à execração pública e fortemente punida, deu seu grito de protesto e se declarou “fora do governo” pelo menos (isto dizemos nós) até que o Mistério dos Transportes lhe seja restituído ou substituído por um equivalente.

Nesse sentido, foram mais fortes do que se esperava, as palavras do presidente do PR e ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ao reassumir, há dois dias, sua cadeira no Senado, ele disse claramente que foi traído pela presidenta Dilma e atribuiu as atuais irregularidades no Ministério ao atual titular, Paulo Sérgio Passos, que o substituiu exatamente para executar a faxina.

Ao concluir foi enfático: “Não sou lixo e meu partido não é lixo”. Ato contínuo, porém, recusou-se a assinar o pedido de abertura da CPI que investigará as irregularidades das quais ele se diz inocente.

Na sequência do espetáculo, ontem foi a vez de o ministro a Agricultura, Wagner Rossi, ir à Câmara para eximir-se de supostas irregularidades na sua Pasta. E defendeu-se acusando seu acusador, Oscar Jucá Neto, de corrupto e desorientado mental. Jucá Neto, recém demitido da CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento é irmão do senador Romero Juca (PMDB) que é líder do governo na Senado desde os tempos de FHC. Ele jamais muda de lado.

Sobre as denúncias de seu irmão contra Rossi, ele limitou-se a pedir desculpas à presidenta Dilma e ao ministro, alegando que o mano “passa por um mal momento”.

Fonte:
Pérolas & Pílulas
Francisco Barreira
“Fatos Novos Novas Ideias”
http://fatosnovosnovasideias.wordpress.com/perolasepilulas/

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Artigo - Mitos e verdades sobre o Autismo


Artigo - Mitos e verdades sobre o Autismo

Por Lucy Santos

Nestes anos de luta, vi muita coisa errada sobre o autismo, algumas me levaram a atitudes que hoje sei serem inadequadas. Muitas desinformações nos levam a problemas emocionais, a dificuldades mil que podem e devem ser evitadas:

O Mito: os autistas têm mundo próprio.
A Verdade: os autistas têm dificuldades de comunicação, mas mundo próprio de jeito nenhum. O duro é que se comunicar é difícil para eles, nós não entendemos, acaba nossa paciência e os conflitos vêm. Ensiná-los a se comunicar pode ser difícil, mas acaba com estes conflitos.

O Mito: os autistas são super inteligentes.
A Verdade: assim como as pessoas normais, os autistas têm variações de inteligência se comparados uns aos outros. É muito comum apresentarem níveis de retardo mental.

O Mito: os autistas não gostam de carinho.
A Verdade: todos gostam de carinho, com os autistas não é diferente. Acontece que alguns têm dificuldades com relação à sensação tátil, podem sentir-se sufocados com um abraço por exemplo. Nestes casos deve-se ir aos poucos, querer um abraço eles querem, a questão é entender as sensações. Procure avisar antes que vai abraçá-lo, prepare-o primeiro por assim dizer. Com o tempo esta fase será dispensada. O carinho faz bem para eles como faz para nós.

O Mito: os autistas gostam de ficar sozinhos.
A Verdade: os autistas gostam de estar com os outros, principalmente se sentirem-se bem com as pessoas, mesmo que não participem, gostam de estar perto dos outros. Podem às vezes estranhar quando o barulho for excessivo, ou gritar em sinal de satisfação; quando seus gritos não são compreendidos, muitas vezes pensamos que não estão gostando. Tente interpretar seus gritos.

O Mito: eles são assim por causa da mãe ou porque não são amados.
A Verdade: o autismo é um distúrbio neurológico, pode acontecer em qualquer família, religião etc. A maior parte das famílias em todo o mundo tende a mimá-los e superprotegê-los, são muito amados, a teoria da "mãe geladeira" foi criada por ignorância, no início do século passado e foi por terra pouco tempo depois. É um absurdo sem nexo.

O Mito: os autistas não gostam das pessoas.
A Verdade: os autistas amam sim, só que nem sempre sabem demonstrar isto. Os problemas e dificuldades de comunicação deles os impedem de ser tão carinhosos ou expressivos, mas acredite que mesmo quietinho, no canto deles, eles amam sim, sentem sim, até mais que os outros.

O Mito: os autistas não entendem nada do que está acontecendo.
A Verdade: os autistas podem estar entendendo sim, nossa medida de entendimento se dá pela fala, logo se a pessoa não fala, acreditamos não estar entendendo, mas assim como qualquer criança que achamos não estar prestando atenção, não estar entendendo, de repente a criança vem com uma tirada qualquer e vemos que ela não perdeu nada do que se falou, o autista só tem a desvantagem de não poder falar. Pense bem antes de falar algo perto deles.

O Mito: o certo é interná-los, afinal numa instituição saberão como cuidá-los.
A Verdade: toda criança precisa do amor de sua família, a instituição pode ter terapeutas, médicos, mas o autista precisa mais do que isto, precisa de amor, de todo o amor que uma família pode dar, as terapias fazem parte; uma mãe, um pai ou alguém levá-lo e trazê-lo também.

O Mito: eles gritam, esperneiam porque são mal educados.
A Verdade: o autista não sabe se comunicar, tem medos, tem dificuldades com o novo, prefere a segurança da rotina, então um caminho novo, a saída de um brinquedo leva-os a tentar uma desesperada comunicação, e usam a que sabem melhor, gritar e espernear. Nós sabemos que isto não é certo, mas nos irritamos, nos preocupamos com olhares dos outros, às vezes até ouvimos aqueles que dizem que a criança precisa apanhar, mas nada disto é necessário, se desse certo bater, todo o burro viraria doutor! Esta fase de gritar e espernear passa, é duro, mas passa. Mesmo que pareça que ele não entenda, diga antes de sair que vai por ali, por aqui etc. e seja firme em suas decisões. Não ligue para os olhares dos outros, você tem mais o que fazer. Não bata na criança, isto não ajudará em nada, nem a você e nem a ele. Diga com firmeza que precisa ir embora, por exemplo, e mantenha-se firme por fora, por mais difícil que seja. Esta fase passa, eles precisarão ver a firmeza do outro.


Fonte: Bengala Legal | Lucy Santos
Texto adaptado para divulgação no site do Instituto Indianópolis