segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval: história e atualidade


Carnaval: história e atualidade

Festa popular, o carnaval ocorre em regiões católicas, mas sua origem é obscura. No Brasil, o primeiro carnaval surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal. Hoje é uma das manifestações mais populares do país e festejado em todo o território nacional.

Conceito e origem. O carnaval é um conjunto de festividades populares que ocorrem em diversos países e regiões católicas nos dias que antecedem o início da Quaresma, principalmente do domingo da Qüinquagésima à chamada terça-feira gorda. Embora centrado no disfarce, na música, na dança e em gestos, a folia apresenta características distintas nas cidades em que se popularizou.


O termo carnaval é de origem incerta, embora seja encontrado já no latim medieval, como carnem levare ou carnelevarium, palavra dos séculos XI e XII, que significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no passado, os católicos eram proibidos pela igreja de comer carne.


A própria origem do carnaval é obscura. É possível que suas raízes se encontrem num festival religioso primitivo, pagão, que homenageava o início do Ano Novo e o ressurgimento da natureza, mas há quem diga que suas primeiras manifestações ocorreram na Roma dos césares, ligadas às famosas saturnálias, de caráter orgíaco. Contudo, o rei Momo é uma das formas de Dionísio — o deus Baco, patrono do vinho e do seu cultivo, e isto faz recuar a origem do carnaval para a Grécia arcaica, para os festejos que honravam a colheita. Sempre uma forma de comemorar, com muita alegria e desenvoltura, os atos de alimentar-se e beber, elementos indispensáveis à vida.

Período de duração. Os dias exatos do início e fim da estação carnavalesca variam de acordo com as tradições nacionais e locais, e têm-se alterado no tempo. Assim, em Munique e na Baviera (Alemanha), ela começa na festa da Epifania, 6 de janeiro (dia dos Reis Magos), enquanto em Colônia e na Renânia, também na Alemanha, o carnaval começa às 11h11min do dia 11 de novembro (undécimo mês do ano). Na França, a celebração se restringe à terça-feira gorda e à mi-carême, quinta-feira da terceira semana da Quaresma. Nos Estados Unidos, festeja-se o carnaval principalmente de 6 de janeiro à terça-feira gorda (mardi-gras em francês, idioma dos primeiros colonizadores de Nova Orleans, na Louisiana), enquanto na Espanha a quarta-feira de cinzas se inclui no período momesco, como lembrança de uma fase em que esse dia não fazia parte da Quaresma. No Brasil, até a década de 1940, sobretudo no Rio de Janeiro, as festas pré-carnavalescas se iniciavam em outubro, na comemoração de N. Sra. da Penha, crescia durante a passagem de ano e atingia o auge nos quatro dias anteriores às Cinzas — sábado, domingo, segunda e terça-feira gorda. Hoje em dia, tanto em Recife (Pernambuco), quanto em Salvador (Bahia), o carnaval inclui a quarta-feira de cinzas e dias subseqüentes, chegando, por vezes, a incluir o sábado de Aleluia.

Carnaval no Brasil. Nem um décimo do povo participa hoje ativamente do carnaval— ao contrário do que ocorria em sua época de ouro, do fim do século XIX até a década de 1950. Entretanto, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo, seja pelos turistas estrangeiros como por boa parte dos brasileiros, principalmente o público jovem que não alcançou a glória do carnaval verdadeiramente popular. Como declarou Luís da Câmara Cascudo, etnólogo, musicólogo e folclorista, "o carnaval de hoje é de desfile, carnaval assistido, paga-se para ver. O carnaval, digamos, de 1922 era compartilhado, dançado, pulado, gritado, catucado. Agora não é mais assim, é para ser visto".

Entrudo. O entrudo, importado dos Açores, foi o precursor das festas de carnaval, trazido pelo colonizador português. Grosseiro, violento, imundo, constituiu a forma mais generalizada de brincar no período colonial e monárquico, mas também a mais popular. Consistia em lançar, sobre os outros foliões, baldes de água, esguichos de bisnagas e limões-de-cheiro (feitos ambos de cera), pó de cal (uma brutalidade, que poderia cegar as pessoas atingidas), vinagre, groselha ou vinho e até outros líquidos que estragavam roupas e sujavam ou tornavam mal-cheirosas as vítimas. Esta estupidez, porém, era tolerada pelo imperador Pedro II e foi praticada com entusiasmo, na Quinta da Boa Vista e em seus jardins, pela chamada nobreza... E foi livre até o aparecimento do lança-perfume, já no século XX, assim como do confete e da serpentina, trazidos da Europa.

O Zé-Pereira. Em todo o Brasil, mas sobretudo no Rio de Janeiro, havia o costume de se prestar homenagem galhofeira a notórios tipos populares de cada cidade ou vila do país durante os festejos de Momo. O mais famoso tipo carioca foi um sapateiro português, chamado José Nogueira de Azevedo Paredes. Segundo o historiador Vieira Fazenda, foi ele o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia ao som de zabumbas e tambores, em passeatas pelas ruas, como se fazia em sua terra. O zé-pereira cresceu de fama no fim do século XIX, quando o ator Vasques elogiou a barulhada encenando a comédia carnavalesca O Zé-Pereira, na qual propagava os versos que o zabumba cantava anualmente: E viva o Zé-Pereira/Pois que a ninguém faz mal./Viva a pagodeira/dos dias de Carnaval! A peça não passava de uma paródia de Les Pompiers de Nanterre, encenada em 1896. No início do século XX, por volta da segunda década, a percussão do zé-pereira cedeu a vez a outros instrumentos como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a cuíca, o triângulo e as "frigideiras".

As fantasias. O uso de fantasias e máscaras teve, em todo o Brasil, mais de setenta anos de sucesso — de 1870 até início do decênio de 1950. Começou a declinar depois de 1930, quando encareceram os materiais para confeccionar as fantasias — fazendas e ornamentos –, sapatilhas, botinas, quepes, boinas, bonés etc. As roupas de disfarce, ou as fantasias que embelezaram rapazes e moças, foram aos poucos sendo reduzidas ao mais sumário possível, em nome da liberdade de movimentos e da fuga à insolação do período mais quente do ano.

E foram desaparecendo os disfarces mais famosos do tempo do império e início da república, como a caveira, o velho, o burro (com orelhões e tudo), o doutor, o morcego, diabinho e diabão, o pai João, a morte, o príncipe, o mandarim, o rajá, o marajá. E também fantasias clássicas da commedia dell’arte italiana, como dominó, pierrô, arlequim e colombina — de largo emprego entre foliões e que já não tinham razão de ser, depois que a polícia proibiu o uso de máscaras nos salões e nas ruas... Aliás, desde 1685 as máscaras ora eram proibidas, ora liberadas. E a proibição era séria, bastando dizer que as penas, já no século XVII, eram rigorosíssimas: um proclama do governador Duarte Teixeira Chaves mandava que negros e mulatos mascarados fossem chicoteados em praça pública, e brancos mascarados fossem degredados para a Colônia do Sacramento...
Mas, na década de 1930, muitas daquelas fantasias ainda eram utilizadas, inclusive com máscaras. Entre elas estavam as de apache, gigolô, gigolete, malandro (camiseta de listras horizontais, calça branca, chapéu de palhinha, lenço vermelho no pescoço), dama antiga, espanhola, camponesa, palhaço, tirolesa, havaiana, baiana.

Aos poucos, os homens foram preferindo a calça branca e a camisa-esporte, até chegar à bermuda e ao busto nu, mas isso só depois da década de 1950; as mulheres passaram às fantasias mais leves, atingindo, depois, o maiô de duas peças e alguns colares de enfeite, logo o biquíni, o busto descoberto etc.

Bailes de carnaval. O carnaval europeu começou, na rua, com desfiles de disfarces e carros alegóricos; e, em ambiente fechado, com bailes, fantasias e máscaras. O carnaval carioca, certamente o primeiro do Brasil, surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal. A festa durou uma semana, do domingo de Páscoa em diante, com desfile de rua, combates, corridas, blocos de sujos e mascarados. Outro carnaval importante foi o de 1786, que coincidiu com as festas para comemorar o casamento de Dom João com a princesa Carlota Joaquina. Mas o primeiríssimo baile de máscaras aconteceu em 22 de janeiro de 1840, no hotel Itália, no largo do Rocio, no mesmo local em que se ergueria depois o teatro e depois cinema São José, na praça Tiradentes, no Rio. A entrada custava dois mil réis, com direito à ceia.

No entanto, a voga dos bailes carnavalescos em casas de espetáculos só se generalizou na década de 1870. Aderiram à moda o teatro Pedro II, o teatro Santana, e aí até os estabelecimentos populares entraram na dança, no Skating Rink, o Clube Guanabara, o Clube do Rio Comprido, a Societé Française de Gymnastique, em teatros que se alinhavam ao lado dos bailes públicos, mas em área social selecionada.

O carnaval se alastra: surgem "arrastados" em casas de família, bailes ao ar livre, bailes infantis e os pré-carnavalescos, bailes em circos, matinês dançantes. Afinal, certos bailes ganharam fama nacional e até internacional, realizados em grandes clubes, hotéis ou teatros: em 1908 houve o primeiro dos bailes do High-Life, que chegaram ao fim nos anos 40; em 1918 iniciou-se a tradição do baile dos Artistas, no teatro Fênix; em 1932, o primeiro grande baile oficializado, o do teatro Municipal, abriu caminho para muitos outros; e logo vieram os do Glória, Palácio Teatro, Copacabana Palace, Palace Hotel, Cassino da Urca, Cassino Atlântico, Cassino Copacabana, Quitandinha (em Petrópolis), Automóvel Clube do Brasil.

Em 1935, o Cordão dos Laranjas construiu um salão, em forma de navio, que "atracou" na Esplanada do Castelo, e ali se realizariam alguns dos mais alegres bailes de três ou quatro carnavais. E enquanto o Municipal iniciava concursos de fantasias de luxo (a princípio só femininas, e, depois dos anos 50, masculinas), os bailes que atraíam multidões eram os do Botafogo, Fluminense, Flamengo, Vasco da Gama, América. Bem familiares em suas primeiras versões, reunindo a sociedade abastada em trajes de gala, foram-se tornando cada vez menos bailes de fantasia. Já não se conseguia dançar, apenas pular, e à casaca e ao smoking juntavam-se o traje-esporte e o mulherio semidespido. E existiam os bailes gremiais como o das Atrizes, o Vermelho e Negro, o dos Pierrôs etc.

Banho de mar à fantasia. Nos bailes, as danças variavam, de polca, lundu e tanguinho a sambas, marchinhas, frevos, jongos e cateretês, com todos os participantes cantando, pulando e "fazendo cordão". Já nos banhos de mar à fantasia, porém, os foliões cantavam a plenos pulmões as músicas de sua preferência e também aquelas que eram divulgadas por discos e nos coretos municipais animados por bandas de música.

Os banhos de mar à fantasia criaram hábito no intervalo entre a primeira e a segunda Guerra Mundial. Os blocos e foliões trajavam fantasias de papel crepom e, após desfilarem nas praias, caíam na água, tingindo-a por horas, pois as fantasias de papel desbotavam fortemente. Havia, é claro, outro traje de banho, normal, sob aqueles carnavalescos e efêmeros.

Batalha de confete e corsos. O confete, a serpentina e o lança-perfume — os três elementos que, entre o início do século e a década de 1950 animaram o carnaval brasileiro de salão — também cooperaram para o maior êxito dos corsos que deram vida ao carnaval de rua. E neste, as batalhas de confete constituíam o momento culminante. A moda do corso, iniciada timidamente logo após a chegada dos primeiros automóveis, atingiria seus momentos de glória entre 1928 e a década de 1940. Consistia o corso numa passeata carnavalesca de carros de passeio conversíveis, de capota arriada, enfeitados de panos coloridos e bandeirolas, conduzindo famílias ou grupos de foliões que se sentavam não só nos assentos mas também sobre a capota arriada, sobretudo as moças fantasiadas de saias bem curtas, cantando ou jogando serpentinas e confetes nos pedestres, que se amontoavam nas beiras das calçadas para vê-las passar.

Essa gente motorizada brincava também com os ocupantes dos carros vizinhos e, por vezes, com os veículos rodando lentamente, emendavam o cortejo atirando montes de confete e milhares de metros de serpentina que enlaçavam os carros e se acumulavam no asfalto das avenidas a cada noite. O lança-perfume também era usado em profusão, enquanto a confraternização com os pedestres se ampliava não só através dos jatos de lança-perfume — o que abria caminho para conhecimentos mais íntimos, namoricos etc. — como também de caronas momentâneas na disputa de músicas entoadas por uns e por outros. Cada cidade possuía seu local de corso, e o do Rio de Janeiro ocorria, principalmente, na avenida Rio Branco (antiga avenida Central), mas a certa altura, em vários carnavais o corso se prolongava à avenida Beira-Mar, atingindo o Flamengo e Botafogo até o Pavilhão Mourisco, no final da praia.

Quase conseqüência do corso — que desapareceu com o advento das limusines e carros fechados — as batalhas de confete ocorriam em locais determinados que possuíssem torcidas bairristas organizadas ou blocos fortes para desenvolver a disputa — uma competição de canto, dança na rua e corso (nem sempre). Nas semanas ou meses que antecediam o tríduo de Momo, essas torcidas ou blocos organizavam as festas em que se gastavam quilos de confete e serpentina, litros de lança-perfume, e em que se dava a disputa entre as preferidas de cada agremiação. Tais batalhas se prolongavam, às vezes, até o amanhecer, algumas superando a empolgação dos dias de carnaval "legítimo". Pois ali se exibiam os blocos, os ranchos e os foliões avulsos.

Blocos, ranchos, grandes sociedades. No carnaval de rua era comum o "trote" e os blocos de sujos. O encontro de blocos resultava, às vezes, em batalhas campais de sopapos. Nos desfiles, entre os anos 1919 e 1939, destacavam-se os tradicionais ranchos, que desfilavam às segundas-feiras. Havia ainda as grandes sociedades, com seus carros alegóricos, repletos de mulheres bonitas, alegorias mitológicas, históricas e cívicas; carros de crítica política encerravam, no fim da noite de terça-feira gorda, os festejos. Tais agremiações se chamavam Tenentes do Diabo, Pierrôs da Caverna, Clube dos Democráticos, Fenianos, Congresso dos Fenianos, Clube dos Embaixadores etc.

A grande concentração popular se fazia na avenida Rio Branco, da Cinelândia até a rua do Ouvidor. A classe média alta preferia as imediações do Jóquei Clube, entre a avenida Almirante Barroso e a rua Araújo Porto Alegre. Alguns levavam seus próprios assentos, cadeiras e banquinhos, mais tarde substituídos por palanques e arquibancadas montados pela prefeitura. A segunda-feira era célebre não só pelo desfile de ranchos — que usavam fogos de artifícios coloridos –, mas também porque os freqüentadores do baile do Municipal eram observados pelo populacho, que ia admirar-lhes as fantasias. A Galeria Cruzeiro, hoje edifício Av. Central, era o ponto focal do trecho entre a rua São José e a avenida Almirante Barroso, a área de maior animação dos carnavalescos tradicionais, que cantavam e dançavam ao som das músicas lançadas nos palcos dos teatros de revista e nas emissoras de rádio.

Escolas de samba. As "escolas de samba" nasceram de redutos de diversão das camadas pobres da população do Rio de Janeiro, em sua quase totalidade negros. Reuniam-se para cultivar a música e a dança do samba e outros costumes herdados da cultura africana, e quase sempre enfrentavam ostensiva repressão policial. Para a formação desses redutos contribuiu decisivamente a migração de populações rurais nordestinas, que, atraídas para a capital em fins do século XIX, introduziram um mínimo de organização e de sentido grupal ao carnaval carioca, até então herdeiro do entrudo português.

No entanto, a denominação "escola" só vai surgir em 1928, com a criação da Deixa Falar, no bairro do Estácio. Ismael Silva (1905-1978), seu fundador, explicava o termo como decorrência da proximidade da Escola Normal, no mesmo bairro, o que fazia os sambistas locais serem tratados de "professor" ou "mestre". Posteriormente surgem diversas outras escolas, entre as quais Portela, Mangueira e Unidos da Tijuca. No começo, pouco se distinguiam dos blocos e cordões, com ausência de sentido coreográfico e sem qualquer caráter competitivo. Com o tempo, transformam-se em associações recreativas, abertas, cuja finalidade maior é competir nos desfiles carnavalescos, transformados em atração máxima do turismo carioca. De tal forma agigantam-se, que seus encargos — a partir da década de 1960 — equivalem aos de uma empresa, o que as obriga a funcionar por todo o ano, promovendo rodas de samba e "ensaios" com entrada paga, maneira de amenizarem os gastos decorrentes da preparação dos desfiles.

Com a oficialização dos desfiles, a partir de 1935, as escolas passam a receber subsídios da prefeitura, transformando-se, a partir de 1952, em sociedades civis, com regulamento e sede, elegendo periodicamente suas diretorias, inclusive um diretor de bateria, que comanda os instrumentos de percussão, e um diretor de harmonia, responsável pelo entrosamento de canto e orquestra. A escola desfila precedida de um abre-alas (faixa que pede passagem e anuncia o enredo) e da comissão de frente (dez a quinze sambistas, representando simbolicamente a diretoria da escola). A seguir, pastoras (antigas dançarinas dos ranchos), fazendo evoluções; mestre-sala e porta-bandeira; destaques; academia (coro masculino e bateria). O restante divide-se em alas, geralmente com coreografias especiais, e carros alegóricos. Apresentam sempre um tema nacional — lenda ou fato histórico — expresso no samba-enredo, base de todo o desfile.

Até 1932, quando foi organizado o primeiro desfile, as escolas limitavam-se a percorrer livremente as ruas, acompanhadas por populares. Naquele ano, o jornal Mundo Esportivo organizou um desfile na praça Onze, de que participaram dezenove escolas, saindo vitoriosa a Estação Primeira de Mangueira. No ano seguinte o número de concorrentes subiu para 29 e o desfile foi promovido pelo jornal O Globo, saindo vitoriosa novamente a Mangueira. Em 1934, ano em que foi fundada a União Geral das Escolas de Samba, a competição foi realizada no dia 20 de janeiro, em homenagem ao prefeito Pedro Ernesto, e a Mangueira alcançou o tricampeonato.

O interesse em fomentar a competição com atração turística começou em 1935, quando o certame foi apoiado pelo Conselho de Turismo da Prefeitura do então Distrito Federal, obtendo a Portela sua primeira vitória, ainda com o nome de Vai Como Pode. A partir daí, já estabelecido como promoção oficial do carnaval carioca, o desfile foi realizado sem interrupção, exceto nos anos de 1938 e 1952, quando as chuvas impediram a promoção.

O modelo se estendeu a todas as capitais brasileiras, excetuando-se duas: Salvador da Bahia e o conjunto Recife-Olinda, em Pernambuco.

Carnaval de Pernambuco e Bahia. O carnaval pernambucano, especialmente em Olinda e Recife, é um dos mais animados do país, e essa característica cresceu paralelamente à extinção do carnaval de rua na maior parte das cidades brasileiras, por causa do desfile das escolas de samba. As principais atrações do carnaval pernambucano — cujos bailes também são os mais animados — são, na rua, o frevo, o maracatu, as agremiações de caboclinhos, a imensa participação popular nos blocos (reminiscências modernizadas dos antigos "cordões") e os clubes de frevo. Em Recife e Olinda os foliões cantam e dançam, mesmo sem uniformes ou fantasias, ao som das orquestras e bandas que fazem a festa. Os conjuntos de frevo mais animados são os Vassourinhas, Toureiros, Lenhadores e outros.

Lembrando, pela cadência, os velhos ranchos, os maracatus estão ligados às tradições afro-brasileiras. Já os caboclinhos constituem outro tipo de agremiação folclórica, cujos desfiles são apenas vistos e aplaudidos.

A outra cidade em que a participação popular é costumeira, e onde todos cantam, dançam e brincam é Salvador. Uma invenção surgida na década de 1970 e que, à diferença do frevo, conseguiu contagiar outros estados e cidades, foi o trio elétrico — um caminhão monumental no qual se instalam aparelhos de som, equipados com poderosos alto-falantes que reproduzem continuamente as composições carnavalescas gravadas. Há ainda, como em Recife e Olinda, muitos populares que improvisam fantasias simples mas também adotam a postura galhofeira e vestem os disfarces de cinqüenta ou cem anos atrás. Tudo isto traduz bem o espírito momesco irreverente que impele a multidão à descontração total.

Músicas de carnaval. Durante o império, as músicas cantadas no período carnavalesco, no Brasil, eram árias de operetas, depois lundus, tanguinhos, polcas e até valsas. No início do século XX, predominaram, nas ruas, as cantigas de cordões e ranchos e, nos bailes, chorinhos lentos, polcas-chulas, marchas, fados, polcas-tangos, toadas e canções. Logo após a primeira guerra mundial, os palcos dos teatros-de-revista tornaram-se os lançadores das músicas de carnaval e iniciou-se, então, o domínio das marchinhas, maxixes, marchas-chulas, cateretês e batucadas. E também do samba, que, na era do rádio, entre 1930 e 1960, dividiu os louros com a marchinha, embora às vezes cedesse ao sucesso de um jongo, de uma valsa ou de uma batucada. O samba, nos salões e na rua, era absoluto. Mas desde fins do decênio de 1960, com a consolidação do desfile das escolas de samba, o samba e a marcha mergulharam no ostracismo, trocados pelo samba-enredo das escolas de samba

quinta-feira, 3 de março de 2011

Como não amá-las...?” Direito de Errar.


“Rilton C Nunes"
Como não amá-las...?”

Direito de Errar

Eu tenho o direito de errar
...Meus erros me farão forte
Estou entrando no grande desconhecido
Sinto que tenho asas embora eu nunca tenha voado
Eu tenho minha opinião
Eu sou de carne e sangue até o osso
Eu não sou feita de pedra
Tenho direito de errar
Sendo assim, me deixe em paz

Eu tenho direito de errar
Já me seguraram por muito tempo
Eu tenho que me libertar
para finalmente respirar
Tenho direito de errar
Cantar minhas próprias canções
E posso ficar desafinada
Mas com certeza me sinto bem assim
Tenho direito de errar
Apenas me deixe em paz

Você tem direito a sua opinião
Mas é realmente minha decisão
Eu não posso retornar, estou numa missão
Se você se importa, não ofusque minha visão
Me deixe ser tudo o que posso ser
Não me desmotive com negatividade
Qualquer coisa lá fora que está esperando por mim
E eu estou indo disposta a enfrentar

Eu tenho o direito de errar
Meus erros me farão forte
Estou entrando no grande desconhecido
Sinto que tenho asas embora eu nunca tenha voado
Eu tenho minha própria opinião
Eu sou de carne e osso até a alma
Eu não sou feita de pedra
Eu tenho o direito de errar
Eu tenho o direito de errar

Eu tenho direito de errar
Já me seguraram por muito tempo
Eu tenho que me libertar
para finalmente respirar
Tenho direito de errar
Cantar minhas próprias canções
E posso ficar desafinada
Mas com certeza me sinto bem assim
Tenho direito de errar
Apenas me deixe em paz”

quarta-feira, 2 de março de 2011

Helen Keller


Helen Keller

Helen Keller nasceu em 27 de junho de 1880, em Tuscumbia, no Estado do Alabama, Estados Unidos.

Com apenas um ano de idade uma escarlatina deixou-a totalmente cega e surda.

Helen cresceu num universo escuro e silencioso, porém, em 1887, sua vida ganhou um grande sopro de esperança com a chegada de Anne Sullivan, uma irlandesa de 21 anos de idade, ex-cega e recém-formada pela Escola de Cegos Perkins, em Boston, e que aceitou o desafio de educá-la.

Durante um mês, Anne Sullivan ensinou Helen a soletrar palavras com os dedos de uma mão, enquanto tocava um objeto com a outra. Helen aprendeu, porém, não sabia que estava formando palavras, pois, naquele momento, não sabia que elas existiam.

Certa vez, Anne mergulhou a mão esquerda de Hellen num balde d’água e soletrou “água”, com a outra mão. Repetiu várias vezes a operação e o milagre aconteceu: Helen entendeu que “água” era o nome do líquido que sentia pelo tato. Até o fim daquele dia, aprendeu mais trinta palavras, e em pouco tempo dominou o alfabeto Braille, demonstrando incrível facilidade em ler e escrever.

Aos dez anos aprendeu a falar, e se propôs a cursar a faculdade. Em 1904, com vinte e quatro anos, formou-se com louvor, sendo a primeira cega e surda a completar um curso universitário.

Tornou-se escritora, conferencista e ativista social, dedicando toda a sua vida aos direitos das mulheres, pobres e deficientes.

Certamente sua história de vida a transformou em um dos maiores exemplos para a humanidade, de que as deficiências físicas não são obstáculos para se obter sucesso. Mostrou isso superando todas as barreiras de sua vida, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do século XX.

Ela sempre dizia que “nunca se devia engatinhar, quando o nosso impulso era voar”.

A presidenta em programas femininos de mulheres do século XX


A presidenta em programas femininos de mulheres do século XX

Depois de uma semana bradando no twitter contra o discurso feito por Dilma Rousseff na festa da Folha Ditabranda, ontem pela manhã liguei a tevê na Globo (emissora que há anos não assisto e só acompanhei em dias de debate ou de ida de Dilma Rousseff durante a campanha). Não foi a toa que o programa em queda livre de audiência recuperou ibope: nunca dantes na história deste país esta blogueira feminista tinha assistido o Mais Você.

No dia anterior à exibição da entrevista fui intensamente provocada no twitter e respondia, mesmo sem saber como seria o programa, que não achava ruim a ida de Dilma ao Mais Você. Alguns ficaram confusos, porque para eles a ida de Dilma Rousseff no programa da Ana Maria Braga é da mesma categoria da ida à festa da Folha. Não é, e vou explicar os porquês.

O programa foi gravado, certamente com acompanhamento e anuência da equipe da presidenta; Dilma não precisou fazer discurso laudatório do casal 20; durante o enfrentamento do linfoma Dilma recebeu a solidariedade de Ana Maria Braga, que também teve câncer e não fez uso de seu gesto para se promover (fato revelado pela presidenta assim que começou o bate papo com a apresentadora); o programa tem como público alvo mulheres da classe C e D, mas Dilma falou, inclusive, para senhoras de sua idade que tiveram educação de classe média: leitoras da ‘Coleção das Moças’.

Foi uma chance ímpar de Dilma Rousseff passar mais de duas horas reconstruindo sua imagem para um público importantíssimo e de algum modo se aproximar dele. Em vários momentos a presidenta se dirigia para a câmera como se falasse a cada uma das telespectadoras. Algumas matérias na velha mídia chegaram a afirmar que isso era ‘vício de campanha’, equivocassem, isso é aprendizado de campanha. A presidenta, até mais que durante o período eleitoral, discorreu sobre uma série de programas voltados para as mulheres, problematizou a questão da desigualdade de gênero e não perdeu uma única chance de reforçar um discurso feminista e de auto-estima das mulheres.

Durante todo o programa houve empenho de Dilma (com grande ajuda de Ana Maria Braga e da edição da Rede Globo) em transmitir uma imagem da presidenta como uma mulher doce, governanta próxima de seus cidadãos, uma gestora competente, inteligente, capacitada, mas que sabe ouvir e acatar as críticas, que se emociona, que é uma amiga fiel…

Quem viu o programa se emocionou: Ana Maria Braga com sua voz suave, estava vestida de gala pra receber a presidenta: foi recebê-la na porta e apresentar todo o estúdio para Dilma. As telespectadoras puderam conhecer até mesmo o lago e a ponte sobre ele no entorno do estúdio de gravações do programa Mais Você. Soubemos até que ali se gravava o Sítio do Pica-pau Amarelo

A Globo com toda sua competência pra fazer televisão (para o bem ou para o mal) se esmerou na produção e nos depoimentos: de @pretozeze, o presidente da Cufa, ao ex-marido de Dilma, passando por amigas da juventude, crianças da escola vizinha do apartamento de Dilma em Porto Alegre e vizinhas de Dilma até a estilista que há 17 anos cuida de suas roupas e a quem a presidenta foi fiel na escolha do traje usado na posse.

A cada depoimento ouvíamos as pessoas mais próximas ou que tiveram convivência com a presidenta elogiar a sua doçura, fidelidade, competência e o orgulho que sentiam de Dilma. Uma ‘gracinha’ como diria Hebe Camargo.

O ex-marido e também ex-preso político, Carlos Franklin de Araújo, confessa ao som de uma música suave que se apaixonou à primeira vista, enquanto isso na tela, em quadro menor, Dilma abre um largo sorriso diante da declaração do ex-companheiro. Em off, o repórter faz questão de reafirmar que mesmo após a separação do casal, eles continuam grandes amigos, afirmação endossada pela bela mensagem que Carlos dedica à presidenta. Na sequência, em off, o repórter reafirma a idéia de uma mulher que é fiel a seus princípios e amizades, a partir do depoimento da psiquiatra Vera Stringuini, ex-presa política e amiga da presidenta. Em seu depoimento, Vera conta como se conheceram logo após ambas saírem da prisão durante a Ditadura Militar, fala de como aprenderam a dirigir automóveis, dos preconceitos enfrentado pelas mulheres no trânsito. Para mostrar o distanciamento de amigas tão solidárias durante a juventude, a edição intercala cenas de Dilma em sua trajetória administrativa e, em off, o repórter argumenta que a falta de tempo de Dilma para as amigas decorreu de seus compromissos políticos. Corta pra Vera, que foi convidada para a festa da posse no Itamaraty, e nos conta que Dilma não perdeu a doçura e a feminilidade: ambas amigas no reencontro elogiaram a maquiagem uma da outra. Vera diz: ” Por incrível que pareça, ou não tão incrível, é a minha amiga de sempre”.

Toda a sequência é positiva, a estilista que mostra que a presidenta é fiel e doce, a vizinha que se sente orgulhosa, a diretora da escola do prédio vizinho da presidenta que para além do orgulho de ter recebido visita tão ilustre, conta o quanto a Dilma foi respeitosa ao perguntar se podia ir visitar a escola. A chave de ouro dessa sequência simpática e reveladora do lado humanizado e doce de Dilma Rousseff é a entrevista com as crianças da escolinha que a presidenta visitou em 14 de dezembro do ano passado, dia de seu aniversário.

A personagem principal é um garoto fofo de 5 anos chamado João Pedro Vendruscolo. Extrovertido, espontâneo, o guri encantou a todos. O repórter do Mais Você pergunta ao menino João o que ele havia dito à presidenta quando ela visitou a escola. Ele responde: “Falei que ela é bonita”. O repórter complementa: “Mas não foi só isso que ele disse” e corta pra as cenas de arquivo do dia 14 de dezembro de 2010. Na arte editorial, uma seta aponta para João todo espevitado no meio de um grupo de crianças que rodeiam em festa a presidenta. Na cena seguinte vemos legendado o diálogo de João com a Dilma que, obviamente, a Globo não passou no Jornal Nacional, mesmo tendo mostrado as cenas no dia do aniversário da presidenta:

João: “Sabe que a Cláudia e minha mãe votaram em ti?”

Dilma: “Votaram em mim? Mas que legal!”

João: “E que o Serra não ganhou?”

Corta novamente para entrevista de João que nos revela que ficou triste por não ter sido convidado para a posse. É de uma meiguice sem fim ver o sentimento de uma criança de cinco anos que confessa, sem cerimônias, ter chorado por não ter ido à posse da presidenta. Ele se sente amigo íntimo da presidenta. Não há como não se comover com sua fala: ”Eu não fui convidado”. Repórter: Pra quê? João: “Pra festa da Dilma (a posse), aí eu chorei”. Repórter: Você iria pra Brasília? João: “Eu sou do Brasil”.

Ana Maria Braga: “Crianças sabem das coisas, né, presidenta?”

Dilma reforça mais uma vez a idéia de que é uma presidenta próxima de seus eleitores, argumentando que os brasileiros não são submissos e tratam seus governantes de igual para igual, reclamam, fazem sugestões, elogiam, contam histórias pessoais, tratam o/a presidente/a como uma mistura de parente, conselheiro, amigo. A presidenta argumenta que deve haver uma relação de igualdade na República, que os governantes devem estar preparados para receber críticas.

Dilma reforça ainda a idéia que o fato de ser mulher, ter menos força física, não a fragiliza e contrapõe o discurso machista que nos naturaliza como seres frágeis, carentes de proteção, à idéia de que é uma mulher forte, mas nem por isso dura. Num dado momento diz: “Sou uma mulher forte cercada de homens meigos”, e se põe como exemplo de quebra de paradigmas como fez em seu discurso da vitória.

Usando o espaço conservador para dar o seu recado

Ontem, durante a nossa fala no Sindicato dos Bancários, transmitida por twitcam, Azenha trollou a mim e a Conceição Lemes e escreveu este post aqui. Não há como não concordar com ele que Ana Maria Braga, Hebe Camargo, a senhora do “Cansei”, reproduzem em seus programas seus valores conservadores (Hebe eu diria que reproduz os valores pré-primeira guerra mundial onde mulher ‘decente’ deveria conseguir um ‘bom casamento’, ler revista feminina em busca de receitas e de conselhos pra educar os filhos).

É fato que o cenário principal do programa da Ana Maria Braga é a cozinha, espaço privado da casa, visto como de domínio ‘natural’ das mulheres, esses sujeitos estranhos que sagram todos os meses em idade fértil, e para as quais ainda há machista que nos reservam o papel de ‘rainha do lar’: responsável pela higiene da casa, alimentação da família, educação dos filhos.

Já caminhamos distâncias astronômicas em relação a este papel restrito e restritivo, mas nem todas temos discursos politizados contra o machismo. Muitas das telespectadoras de Ana Maria Braga são donas de casa, gostam de cozinhar e, apesar de se ajustarem ao perfil ‘do lar’, são chefes de seus lares, têm dupla, tripla jornadas. Por isso, Dilma Rousseff ter sido a entrevistada abre um campo novo naquele cenário doméstico e idílico do Mais Você. E a presidenta (que está se saindo um ‘animal político’ melhor do que encomenda) olhava pra câmera, sorria inúmeras vezes, falava com doçura e atenção, olho no olho, de ‘mulher pra mulher’.

Em cada fala de Dilma, (acompanhada de uma edição cuidadosa e camarada) sobre os preconceitos contra mulher, também vividos por ela (quando aprendia a dirigir por exemplo), ou no campo amoroso (o carinho de seu ex-companheiro), do amor fraternal das amigas, vizinhas, a imagem de avó carinhosa com o neto e também com as crianças da escola infantil em seu aniversário, construíam uma imagem de Dilma extremamente humanizada.

A Dilma é uma de nós, é como nós! As telespectadoras puderam ouvi-la, se reconhecerem na presidenta, compreenderem e aprovarem as políticas públicas de seu governo voltada para esta parcela da população. Enquanto isso Dilma que é melhor presidenta que cozinheira ia quebrando os ovos, falando do salário mínimo (entendido pelos sindicatos como arrocho), versava com segurança sobre a macro economia e aprontava o seu omelete com bicarbonato de sódio, aprovado pelo louro José, pela Ana Maria Braga.

Quanto a mim, retenho na memória o dia deste abraço sincero. Sou mulher de fibra e sei que Dilma também é e sabe disso.
Fonte:Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô

Reflexões sobre as enchentes em São Paulo


Reflexões sobre as enchentes em São Paulo:

1 - Se a São Silvestre fosse em janeiro, o Cesar Cielo ia humilhar!

2 - Depois do Airbag, os coletes salva vidas são os opcionais mais importantes
nos carros de Sao Paulo.

3 - O melhor serviço de entrega em SP é do Submarino.

4 - Ninguém passa fome em São Paulo, Bolinho de Chuva é o que não falta.

5 - Vamos assistir a chuva lá em casa hoje??

6 - Quem acha que a água do mundo está acabando não mora em SP.

7 - Noé. . . precisamos de você em Sampa!!

8 - Meu passeio ciclístico de hoje fiz de pedalinho.

9 - Agora, todo paulista tem casa com vista para o mar.

10 - Tem carioca morrendo de inveja, agora São Paulo tem dois mares:
Mar ginal Tiete e Mar ginal Pinheiros.

11 - Fagner para Kassab:
“Quem dera ser um peixe para em teu límpido aquário mergulhar..

12 – A Dilma está lançando o BALSA - FAMILIA pra ajudar São Paulo

13 - Pelo menos a SABESP cumpriu o prometido:
água e esgoto na casa de todo mundo.

14 - O Kassab tá trocando o bilhete Único pelo BILHETE ÚMIDO!!

15 - A Marta disse para o Kassab: Relaxa e bóia!!!

16 - Depois de tanta chuva, Kassab anunciou a construção da hidroelétrica do Anhangabaú.

17 - Em SP não se fala mais direita e esquerda...
agora é bombordo e estibordo!

MULHERES DE PERSONALIDADE FORTE...




Lendo estórias de mulheres de personalidade forte , encontrei o desabafo de duas mulheres guerreiras que reproduzo aqui no meu "blog".Obrigada Cristiane e Lidiane pelo presente.


Cristiane Galvão desabafa:


Muita gente acha estranha e critica mulheres que possuem uma personalidade forte e que se mostram exatamente como são.

Quer saber? Adoro que se refiram a mim como quiserem como quiserem me classificar, do melhor jeito que fizerem. É assim mesmo que eu gosto.

Sabe uma coisa que me deixa super feliz?


Receber um artigo de um amigo com uma 'sutilíssima' lição de moral. Nada melhor do que ser alvo dos moralistas. Sou assim mesmo: palavra crua! Mas com um ingrediente extra que está em falta em muitas mulheres: a verdade! Elas se fingem de boazinhas, purinhas, mãezinhas, e, no entanto molham os seus travesseiros de lágrimas que escondem durante o dia. Poupa o outro para agradá-lo, para manter a pose de boa esposa.


Melhor do que ser verdadeira é ter pessoas que me admiram por ser assim, exatamente como sou hoje!


Os 'moralistas' e 'recalcados' estão se remoendo nos sofás macios das suas salas e afundando os seus teclados ao passarem horas me 'julgando’... Ótimo! É isso que eu quero deles... Até pediria que listassem para mim as características que tenho e que ainda não percebi.

Estou montando uma autobiografia e seriam todos muito bem-vindos.Cristiane Galvão

E o de Lidiane também é muito bom:



Quando criança tinha um tio que sempre dizia que pessoas geniosas pagam um preço muito alto pelas coisas que fazem. Logicamente, que ele dizia isso prá tentar mudar meu jeito de ser, pois sou geniosa por natureza, e na boca de alguns sou “chata”, “bicuda”, “cara fechada”, “cuzona”, “metida”, entre outras mil coisas que já fui chamada e agora faria uma lista imensa.


Mas ao contrário do que me diziam minha forte personalidade atrai hoje pessoas do bem, pessoas que sabem reconhecer a sinceridade, pessoas que sabem reconhecer meus valores sem que eu precise encenar, dramatizar uma vida sofrível, sem que eu precise me passar por vítima da sociedade e dos cidadãos que vivem e sobrevivem nela.


Já chorei muito! Ainda choro por algumas coisas que realmente me machucam, mas com o tempo aprende-se que nenhum ser humano por mais significante que ele seja pra você ,merece uma lágrima. Nenhum ato contra você é maior que a sua vida, que a sua felicidade. Aprende-se que a melhor coisa a fazer é ignorar certos fatos e pessoas.


Ser uma mulher de personalidade forte não é tão ruim, com o tempo afastei aqueles que não sabem conviver com a verdade, que precisa o tempo todo de um falso sorriso, de uma mentira apenas para acalentar a sua vida medíocre, que precisa de fuga em um falso abraço, que precisa de uma sensibilidade e de viver fatos dignos de final de novela global.


Ser uma mulher de personalidade forte me fez atrair pessoas que sabem que a verdade dói, mas que ela é necessária para se viver de verdade. Me fez atrair pessoas que não vivem em um mundo de fantasias, que como eu, lutam, tem objetivos e sabem que o caminho para atingir a plenitude é árduo e inatingível (pois sempre queremos mais da vida), me fez preservar e conhecer pessoas que não se acomodam e que prezam por relacionamentos puros, simples, que participa de sua vida sem te invejar. Ser assim me faz ter amizades reais.


Não preciso chorar, bater o pé, encenar, jogar ninguém contra ninguém, invejar, se passar por deprimida, “lamber o rabo” de ninguém pra poder ter pessoas por perto. A vida de uma mulher de personalidade forte e determinada vai além disso, todos que estão por perto sabe o quanto ela é feliz por não precisar atuar na vida real, afinal, a vida não é novela, todos sabem que quando ela coloca a cabeça em seu travesseiro ela está tranqüila.

terça-feira, 1 de março de 2011

O JULGAMENTO



O JULGAMENTO

Hoje, no mundo moderno, busca-se sempre que as pessoas sejam julgadas de qualquer forma, como é muito comum nas diversas classes sociais, uma apreciação de alguém sobre alguém a todo instante, tal como “alguém não presta”, “cicrano roubou”, “beltrano é assassino”, e até mesmo um juízo de valor sobre a justiça que não faz bons julgamentos. Isto acontece porque criminosos na boca popular deveriam ser condenados a grandes penas em cadeia, ou até mesmo pena de morte e, isto não acontece; todavia, quem tem o poder de julgar, deve fazê-lo em cima de provas, não sobre conversa de meio de rua. É sobre estas questões que se pretende contribuir para um melhor esclarecimento da problemática do julgamento em qualquer nível em que se encontre esta questão, para que o julgar não seja um simples apreciar que paire na cabeça de todos que querem justiça.

O julgar é uma questão muito difícil, porque envolve muitas vezes problemas de ordem pessoal, ou quando isto não acontece, está sempre presente juízo de valor que diz respeito a algo estritamente particular, envolvendo sentimentos emotivos de pena, outras vezes de raiva e ódio. O julgamento deve transcorrer dentro de um clima de imparcialidade, somente considerando estudos sobre o universo do problema, ouvindo os envolvidos e testemunhas, fazendo acariações, e perguntas contraditórias para sentir a firmeza dos participantes. Não se pode se apegar em fatos do disse me disse, comentários de calçadões, devido poder envolver desafetos, ou alguém que tenha alguma amizade próxima, todavia isto pode conduzir a um desvirtuamento do real sentido de julgar com imparcialidade.

Ao se pensar em julgamento, tem-se logo em mente a questão da sensibilidade que, quem vai julgar deve ter, para que não haja super estimação, nem sub estimação das informações que estão na mesa, para estabelecer os critérios de julgamento a que alguém está envolvido neste instante. Julgar uma pessoa passa pelo crivo do conhecer o que é certo e o que não é certo e esses dois pontos de vista dizem respeito a relatividade da verdade, ou não verdade, que a sociedade criou para estabelecer o que é bom e o que é ruim. Ao longo da história se tem um amontoado de erros que a humanidade tem presenciado quanto ao se julgar alguém levando muitas vezes à pena de morte um fulano que talvez existisse apenas indícios de culpa, contudo seu resultado final quiçá não incriminasse tanto quando foi culpado e morto.

Uma história simples que envolve o bom julgar é uma que diz respeito ao Rei Salomão, embora seja uma alegoria para fazer apologia a um julgamento, entretanto tem seu fundo de verdade que é o caso de uma mãe que reivindicava a posse de seu filho e Salomão foi o juiz. A história diz que cada mãe queria tomar conta daquela pequena criatura, quando o Rei, depois de ouvir as duas pessoas envolvidas chegou a seu veredicto dizendo: bom, faz-se necessário que se divida a criança ao meio, e cada qual fica com a sua parte, cuja mãe verdadeira abdicou da sua. Aquela senhora resolveu que o seu filho não fosse partido ao meio, mas ficasse com a outra que não era a sua mãe, dando provas de que o filho seria o seu, e teria amor por ele, cujo Rei Salomão prontamente lhe restituiu o filho.

Um outro exemplo importante que pode ser mencionado é quanto àquela passagem evangélica de que uma mulher adúltera estava preste a ser apedrejada pelos habitantes de uma cidadezinha vizinha por ter traído o seu marido, pois o costume da época mandava ao apedrejamento. Foi quando apareceu JESUS, como conta a Bíblia e ao presenciar aquele ato de selvageria e ignorância do bem, isto é, dos verdadeiros princípios de amor, ordenou que parassem com aquele ato e imediatamente disse: quem não tem pecado que atire a primeira pedra, e todos se recolheram. Como se sabe, talvez isto seja uma parábola, no entanto, serve como exemplo para as pessoas que em tudo querem emitir o seu parecer, isto significa dizer, querem fazer o seu julgamento, pois quem tem ainda as inferioridades dentro de si, não pode julgar ninguém.

Esta é uma prova do julgar e julgar bem, tendo em vista que não se podem haver emoções, nem exaustões sobre o objeto que está sendo matéria do julgamento, como acontece muitas vezes com alguém que se entusiasma no ato de tomar decisões que dizem respeito a uma trajetória de vida. O ato de julgar é muito difícil e precisa de muita independência sobre as peças processuais para que não se possam praticar injustiças, cujo relatório final envolve toda uma vida que, por um momento de insensatez cometeu algum delito e que precisa ser reparado. O julgar é tão difícil que até a justiça oficial não emite seu parecer final sobre determinado processo quando não se encontra em condições de dizer que alguém deve ser condenado ou absolvido, pois na dúvida solte-se o réu.

Quando acontece um caso da espécie que foi citado acima, começam a surgir as pedradas contra a justiça que não condenou alguém que a sociedade aparentemente tinha provas suficientes para condená-lo, cuja autoridade judicial não ousou condená-lo tal como os desconhecedores da justiça queriam. Esta é uma questão interessante em todos os sentidos porque todo mundo quer condenar pelo fato de sua raiva e ódio falarem mais altos que a realidade dos dados e à luz da justiça, conhecedora das verdades que a própria sociedade criou. Entretanto, muitos fazem da raiva e ódio terrenos como justiça divina, dizendo até que está praticando aquele ato em nome de Deus que seria a justiça suprema, no entanto a da Terra reflete o grau moral em que se vive aqui neste planeta.

Do ponto de vista jurídico, verifica-se a missão dos juizes quanto ao julgar o cidadão que está envolvido em determinado delito, como de costume o magistrado busca as provas cabais que devem estar presentes no processo e que sejam contundentes quanto ao caso que se está analisando. Frente ao processo, o senhor juiz estuda todas as peças, analisa a hermenêutica da palavra, procurando a lógica de toda formação processual, tentando formar um juízo diante de um caso que envolve pessoa humana e que vai afetar toda a sua vida futura. Depois de conhecido o processo, é que vai se ouvir as testemunhas e o réu, sempre imputando perguntas contraditórias para ver se o investigado não está sonegando informações, tentando esconder a verdade que está se levantando para o julgamento.

Veja como é difícil o julgar, porque, mesmo com muitos dados à disposição do Excelentíssimo Juiz, muitas vezes não existem condições de se dar um veredicto sobre um caso ou outro, tendo em vista que as informações não estão bem fundamentadas, necessitando de maior clareza. Desta feita, não há como continuar o processo, endereçando-o quase sempre ao arquivo do cartório, cujo réu passa a ser colocado em liberdade, para desespero dos que foram lesados por este cidadão que praticamente saiu em pune deste problema que às vezes é grande. Esta é uma dificuldade do julgamento que poucas pessoas entendem as nuanças do julgar, cuja consciência humana, pratica o ato de julgar sem as devidas compreensões do significado real do termo, caindo muitas vezes em desagrado por conta de irresponsabilidade moral.

Do ponto de vista religioso, os agrupamentos buscam ensinar que não se deve julgar ninguém, não se deve condenar e não se deve se apegar às primeiras informações que cheguem ao conhecimento de qualquer pessoa e daí tomar como verdadeiras, podendo até eliminar vidas. As religiões mostram como é difícil fazer julgamento a qualquer ser humano, por envolver estado espiritual, grau de sabedoria, aprendizado intelectual e uma série de outras variáveis que devem ser consideradas para que o resultado sirva de lição e não de depressão. A maior lição de julgamento passa por Jesus o CRISTO quando disse que aquele que não tiver culpa que atire a primeira pedra, falando-se do caso da prostituta que o povo daquele tempo queria condenar, como era costume daquela época.

Quanto à religiosidade, os católicos e protestantes, explicam que não se deve julgar ninguém, no entanto, não explicam claramente o porque de não se julgar ninguém, ao considerar que tudo tem uma razão de ser, e não fazer isto por não fazer não significa nada. Neste vazio, de não julgar para não ser julgado, proporciona-se uma abertura muito grande e todos aqueles que vêem uma iniquidade de alguém, ou algo que se faça que é recriminável, não se mede distância, inicia-se uma cadeia de leva e traz violenta com danos profundos. O julgar para não ser julgado traz também uma outra questão interessante, isto é, não se julga porque se acha que alguém vai o julgar e ninguém quer ser julgado, porque tem todas aquelas coisas ruins que vêem nos outros que praticam tais atos.

Diferentemente, não com os espíritas, mas com a doutrina espírita que não pede para ninguém julgar outrem, entretanto, mostra que este processo envolve o nível de evolução espiritual que esse alguém tenha, pois na sublimidade espiritual não existe julgamento de ninguém, mas a auto conscientização. O espiritismo diz que não se julgue alguém, pelo simples fato de nenhum ser humano, nem espiritual, tem o direito de julgar um seu irmão e amigo e isto parte de seu auto conhecer, libertando-se de suas inferioridades e maledicências. Não é que os espíritos salvam a todos, nem retiram suas inferioridades e maledicências, todavia, quando são chamados, orientam ao caminho correto, no caso os bons, ou desviam para a perdição, como é mais comum, quando as amizades são de espíritos inferiores ou maledicentes.

Diante de todo o exposto, verifica-se que a capacidade de julgar está intrínseca ao homem que tem adquirido algum conteúdo intelectual que se acha maior do que os demais, salientando-se fortemente o orgulho, a inveja e o seu poderio dominador e usurpador. Todavia, aqueles que não têm conhecimentos da realidade que o cerca, a sua condição de julgar é bem menor ou inexistente, pois o ódio, a raiva, que se possa ter, é mais uma impulsão animal do que o extravaso maledicente, consciente de seus atos. É isto que se pretende mostrar quanto à questão do julgar que tanto as pessoas em seu dia-a-dia praticam e não sabem o alcance desta palavra que não fica unicamente no pensar, ou falar de alguém, mas de trazer repercussões muito mais fortes do que se imagina.

Finalmente, é preciso eliminar de dentro de si as inferioridades e maledicências que ainda existem no fundo de cada um para poder, não julgar, mas ter algumas condições de tecer algum comentário sobre alguém, ou alguma falta que alguém tenha cometido, não como julgamento, mas como conselho para se melhorar. O julgamento se dar por tudo aquilo que se tem dentro da pessoa, no entanto, ver-se tudo isto nas outras, como uma forma de se auto julgar, mas não enxerga a sua maneira de ser ainda infantil que perdura numa mente que deve encontrar o caminho de seu aprendizado.

Em síntese, todos devem julgar primeiro a si próprio, antes de querer que os outros sejam aquilo que você gostaria de ser, e não consegue, devido às condições de não libertação que ainda têm, e que não consegue se desgarrar com muita facilidade e desprendimento.
Luiz Gonzaga de Sousa